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20101120

Como construir sua marca pessoal através de mídias sociais

Você tem uma marca pessoal? Uma reputação que o acompanha independentemente da empresa ou da instituição onde está no momento? Claro, todos temos uma. A questão real é se ela é forte o suficiente para sustentar-se, e até crescer, se não estiver atrelada a um “sobrenome” corporativo.

Ainda que seja bem real, entretanto, é uma questão “zen”, no sentido em que o importante não é respondê-la, mas “ficar diante dela”. Em termos menos “esotéricos”, você não pode esperar passivamente uma resposta, pois ela pode vir tarde demais. Você precisa se antecipar ao destino, construindo ou consolidando sua reputação. Principalmente nestes nossos tempos, online e real-time praticamente o tempo todo.

Algumas medidas são simples. Por exemplo, criar um destino para sua marca pessoa através de um domínio próprio: http://www.seunome.com./ Ou, mais facil ainda, fazer isso através de uma ferramenta oferecida por redes sociais, como por exemplo, LinkedIn. Ou Facebook. Esta última, aliás, junto com o Twitter, transforma-se mais e mais em um instrumento multiplicador de reputações. For better or for worse.

Até porque, mesmo sem querer, estamos permanentemente recriando nossa reputação. Graças ao nosso “lifestreaming”, ou “fluxo de vida”. Esse termo foi criado na Universidade de Yale, em meados de 1990, por Eric Freeman e David Gelenter, e significa, de acordo com a Wikipedia, “o fluxo de documentos ordenado temporalmente que funciona como um diário da nossa vida eletrônica; cada documento que criamos e cada documento que outras pessoas nos enviam é armazenado em ánosso eletrônico registro de nascimento).

A partir da cauda, em direção ao presente, nosso fluxo contém documentos mais recentes – texto nmão terminado ou novas mensagens de email; outros documentos (imagens, correspondências, contas, filmes, mensagens gravadas, softwares) são armazenados nesse intervalo. A partir do presente, em direção ao futuro, o fluxo contém documentos que precisaremos: lembretes, itens de calendário, listas de tarefas”.

Segundo Jeff Bullas, um consultor, coach, mentor e palestrante, que se especializou em marketing digital e principalmente o uso de mídias sociais, há essencialmente duas maneiras de se enxergar sua marca pessoal online:

1. Como uma marca pessoal online que aperfeiçoa uma marca offline já substancial (o exemplo que ele oferece é Oprah Winfrey que inicialmente criou uma marca pessoal via mídia de massa que a amplificou online);

2. Como uma marca cuja presença online alavanca a presença offline (o exemplo que me ocorre disso é o @Ocriador, que ganhou tantos seguidores que já foi contratado para uma recente campanha publicitária – online, é certo, mas o dinheiro que recebeu é bem offline!).

Outro dado importante: marcas pessoais online são mais efetivas quando se concentram em um nicho. Portanto, se você deseja alavancar sua marca pessoal, a seleção do nicho onde irá se concentrar é um dos primeiros passos mais importantes da jornada.

De volta à questão inicial, o problema é como alavancar sua marca pessoal em um mundo crescentemente digital e atingir massa crítica. David Armano em uma apresentação que fez na conferência sobre convergência de Chicago sugere 5 maneiras de fazer sua marca pessoal crescer e multiplica até atingir massa crítica.


In Prospectator | Blog Mídia 8

20101117

Revolução dos wikis: uma enciclopédia audiovisual inteiramente online

A maneira como consumimos informação aparentemente acabou de evoluir, graças ao surgimento do Qwiki. De uma forma completamente inovadora, Qwiki se revela como uma enciclopédia virtual com um extenso acervo de verbetes para consulta em formato audiovisual. Ou seja: ao invés de ler um artigo (como você fazia nas antigas enciclopédias), agora você o assiste, com fotos, vídeos e uma narração legendada.

Resumindo: Qwiki é a evolução do Wikipedia. É a transformação definitiva daquela coletânea sobre o conhecimento humano que começou como um catálogo de papel, e que hoje se apresenta na forma de pequenos documentários multimídias com interações e links que te levam à outros verbetes.

“Acreditamos que não é só porque a informação é armazenada em máquinas que devemos mostrá-las como se fossem listas de dados de máquinas”, dizem os desenvolvedores do site.

Estrutura em desenvolvimento


Qwiki ainda está em desenvolvimento e, por isso, o seu acesso é restrito aos participantes convidados para versão de testes alpha. E por este mesmo motivo, o site, por enquanto, só oferece a opção de consultas em inglês.
Como é de praxe em todas as versões de testes abertas para o público, os desenvolvedores do Qwiki esperam que você os informe sobre eventuais erros ou insatisfações que encontrar ou perceber durante a navegação no site.

Experimente o futuro


“Pense em quando você pergunta ao seu professor sobre o Leonardo Da Vinci, ou ao seu amigo bem-viajado sobre a cidade de Buenos Aires. Essa é a experiência que o Qwiki almeja produzir, disponível quando você quiser, onde quer que você esteja no mundo, e em qualquer dispositivo que você estiver usando”.

Qwiki já nasceu com 2 milhões de artigos para consulta e possui um visual bem diferenciado, apesar de guardar suas semelhanças estruturais com os sites de vídeos online (como as páginas do Vimeo em HD). Talvez por acaso, inclusive, o Qwiki parece ser uma resposta natural ao crescente número de tutoriais e videos explicativos e didáticos nesses mesmos sites.

Acervo automatizado



O conteúdo da narração e da legenda utilizada nas apresentações do Qwiki denuncia o uso do Wikipedia como fonte de consulta. Mas fugindo dos longos textos da enciclopédia virtual, o Qwiki apresenta apenas as informações mais importantes dos verbetes, prezando bastante pela duração e pelo ritmo – o que promove uma experiência de uso e aprendizado bastante confortável.

Visualmente, no entanto, a engine do Qwiki constroí seus vídeos em tempo real, buscando referências de imagens, vídeos e gráficos em sites como o próprio Wikipedia, o Fotopedia e até o Flickr. E essa é uma das grandes sacadas do site: justamente por não ser um vídeo pré-produzido e armazenado em algum lugar, o Qwiki se mantém visualmente atualizado sem exigir servidores gigantes.

Otimizações modernas

Assim como os sites de vídeo, o Qwiki também possui um recurso de sugestão de artigos relacionados com temas que possam vir a interessar o espectador enquanto assiste a apresentação de algum verbete do site. No entanto, como o site ainda está em desenvolvimento, algumas sugestões podem lhe parecer estranhas.

Além disso, enquanto o vídeo é reproduzido, a legenda poderá apontar palavras-chave para outras apresentações cujo verbete já possa ser acessada no Qwiki – assim como você já o faz nos artigos do Wikipedia.

E para que você não tenha que carregar páginas desnecessariamente, enquanto procura algum artigo, o Qwiki possui um recurso capaz de mostrar, no próprio campo de busca, os artigos que já podem ser visualizados no seu banco de dados. Tudo isso para que você tenha a melhor experiência de navegabilidade enquanto estiver explorando o ambiente do site.


Fonte: Baixa Tudo

20100922

O grande erro das redes sociais

Por Ricardo Lacerda
Está na hora de as empresas monitorarem o que as pessoas comentam sobre marcas em redes sociais. É o que afirma o especialista em marketing digital e diretor da Agência Publiweb, Conrado Vaz, que nesta quarta-feira desembarca em Porto Alegre para ministrar um workshop sobre o assunto. “As redes podem atingir uma enorme quantidade de pessoas, mas as empresas não são capazes de detectar esses dados porque não se preocupam com eles”, alerta Vaz. Nesta entrevista, ele conta por que as marcas ainda têm tanta dificuldade para se adaptar às particularidades das redes sociais e garante: por enquanto, nenhuma marca utiliza plenamente o potencial do Twitter. Confira:

Recentemente, AMANHÃ publicou uma reportagem mostrando que as marcas estão “perdidas” no ciberespaço. Você concorda?
Vejo que não só as marcas, mas as próprias empresas estão perdidas. O modelo mudou do monólogo para diálogo. O discurso de colocar o consumidor no centro de toda a ação agora é uma exigência. O problema nesse aspecto é que as empresas, as faculdades e, principalmente, as agências não prepararam seus modelos de negócio para essa mudança. O consumidor quer interatividade, mas as agências ainda aconselham seus clientes a impor a comunicação onde o consumidor estiver – independente de ele querer isso ou não. Os consumidores querem se relacionar com suas marcas, só que elas não sabem como gerir esse relacionamento.

Quais são os erros que levam as empresas a manter esse descompasso com o comportamento do consumidor?
Um deles é achar que a mídia de massa gera o tipo de relacionamento que os consumidores querem. Quando o consumidor entra na internet, ele lê nos fóruns a opinião sobre cada marca e descobre aqueles problemas que não aparecem na propaganda – e aí o investimento de milhões vai por água abaixo. Não se pode mais achar que uma mentira contada dezenas de vezes no horário nobre se transforma em verdade. Era assim na época que o consumidor não tinha nenhuma opção. A TV era sua grande fonte de informação e, diante disso, tudo que era falado nela tinha credibilidade. Hoje, o consumidor quer se relacionar com as marcas, quer descobrir o que é bom e o que não serve, quer pesquisar preços, compartilhar informações com seus amigos e exercer sua atividade no mercado.

O que são as “redes submersas” de comunicação e por que as empresas devem prestar atenção nisso?
Quando você fala com um amigo seu pelo MSN sobre um produto, posta em um blog uma opinião negativa sobre uma empresa ou começa um movimento para assinar um projeto como o "Ficha Limpa" pela rede, existe um conteúdo informacional enorme que passa despercebido pelas empresas. Ele pode atingir uma enorme quantidade de pessoas, mas as empresas não são capazes de detectar esses dados. Mas são essas redes submersas – de dados, opiniões, críticas, sugestões de melhoria e outras informações cruciais – que estão fazendo cada vez mais a diferença na taxa de conversão de pessoas que “têm contato com a marca” para pessoas que “compram o produto”. Essas redes são detectáveis e representam uma fonte de dados preciosa para qualquer negócio. É a melhor pesquisa de opinião ou pesquisa de mercado que a empresa poderia ter. E é gratuita.

Hoje, é comum vermos campanhas claramente desenhadas para se tornarem “virais”. No entanto, muitas delas fracassam ou deixam a impressão de que estão “forçando a barra”. Existe alguma característica comum que diferencie o marketing viral bem-sucedido daquele que dá em nada?
As empresas acham que viral é lançar um vídeo engraçado na internet. É muito mais do que isso. As campanhas virais são aquelas que capturam o espírito da época, a necessidade do consumidor, aquilo que ele já queria ler ou fazer. O Obama é um excelente exemplo. Ele é um excelente produto. Após uma política que praticamente quebrou os EUA, surge alguém que representa o contrário daquilo que os americanos estavam acostumados nos seus últimos 500 anos: um negro democrata defendendo reformas. Praticamente um conto de fadas – algo muito semelhante como que aconteceu na campanha do Beatle, o nosso fusca, nos EUA na década em 1959, com o "Think Small". Tanto o Obama quanto o Think Small foram virais porque tinham excelentes histórias e representavam o que o público queria em termos de mudança. Viral é muito mais do que um vídeo engraçadinho: é capturar o espírito das massas, é ler o consumidor e entender o que ele quer.

Na sua visão, quais são as empresas que exploram plenamente o potencial do Twitter como meio de construção de marca?
Plenamente, nenhuma. A Zappos é um bom exemplo, mas ainda poderia melhorar. O Twitter não é uma ferramenta de propaganda, é uma tremenda ferramenta de relacionamento. A maioria das empresas não vê o correto papel do Twitter porque não entenderam direito nem o que era blog ou qual o princípio que a internet traz em si. Acham que o Twitter é apenas uma ferramenta, quando na verdade ele encerra um novo conceito que tem muito mais a ver com a nossa ansiedade de informação e de imediatismo na comunicação.
Fonte: Revista Amanhã

20100721

Facebook fica entre os piores da web

O American Customer Survey Index 2010 se baseou nos resultados da ForeSee Results, uma empresa que mede a satisfação dos usuários com relação a um site, e concedeu ao Facebook 64 de 100 pontos em uma pesquisa de satisfação do cliente.

A avaliação é uma das piores entre as empresas da categoria mídia social, sendo seguida pelo MySpace, que recebeu um ponto a menos.

O Google, por sua vez, recebeu 80 pontos (7 abaixo do contabilizado em 2009), Wikipédia ficou com 77, seguidos por Yahoo (76) e YouTube (73).

O Facebook também recebeu uma avaliação pior do que os principais sites de notícias internacionais, como o FOXNews.com (82), MSNBC.com (74) e CNN.com (73).

De acordo com o CEO do ForeSee, Larry Freed, a classificação baixa do Facebook foi resultante dos diversos problemas de privacidade pelos quais a rede social passou, além de mudanças frequentes, comercialização e publicidade.

O Twitter não apareceu na lista, pois foi levado em conta que muitos dos usuários do serviço de microblog utilizam aplicativos de terceiros para acessá-lo, o que torna difícil avaliar o retorno dos usuários quanto ao que é oferecido a eles.
Fonte: Olhar Digital

NOVAS MÍDIAS - O fim dos jornais impressos?

O anúncio feito nesta semana sobre a migração do Jornal do Brasil para plataforma totalmente digital reacendeu as discussões sobre a substituição dos meios impressos de comunicação por conteúdos digitais. A partir de setembro, o periódico surgido em 1891, no Rio de Janeiro, e considerada uma das mais tradicionais publicações da imprensa nacional, estará disponível apenas através da internet, mediante pagamento de uma assinatura mensal. Uma das motivações da reformulação consiste na adequação do famoso JB ao iPad e similares.

Diante do fato, opiniões contrastantes surgiram: alguns afirmam que se trata de um caso isolado, decorrente de problemas organizacionais da empresa carioca. Outros, mais apocalípticos, acreditam ser este mais um sinal de que os jornais impressos, assim como livros e conteúdos culturais físicos, não continuarão existindo por muito tempo.

No início do ano, o semiologista e escritor Umberto Eco lançou um livro – em parceria com os franceses Jean Claude Carrière e Jean-Philippe de Tonac, roteirista de cinema e jornalista, respectivamente. Intitulada Não contem com o fim do livro, a obra tem distribuição no Brasil pela Editora Record e é traduzida por André Talles. Nela, os três autores dialogam e sugerem alguns argumentos para mostrar que o papel dificilmente será substituído de forma total por tecnologias digitais.

Rotina e intimidade

Ainda assim, deve-se destacar o surgimento de novos e-readers, que tentam deixar a leitura de formatos digitais mais intimistas e sem os tradicionais inconvenientes, possibilitando que jornais e livros consigam ser acompanhados com conforto no aparelho. O Kindle, da gigante de vendas online Amazon, por exemplo, chama a atenção por sua tela, que não cansa a vista – utiliza uma espécie de tinta que "corre" sobre o visor.

É fato que tentar traçar qualquer tipo de prognóstico sobre um tema cujas influências mudam a cada dia é praticamente impossível. O próprio Umberto Eco, apesar de não acreditar que essa extinção do uso do papel acontecerá tão brevemente, deixa claro sua incerteza: "Tudo pode acontecer. Amanhã, os livros podem vir a interessar apenas a um punhado de irredutíveis que irão saciar sua curiosidade nostálgica em museus e bibliotecas."

De qualquer forma, é interessante observar como no curso de toda a história humana documentada as novas mídias, na maioria dos casos, não substituíram as anteriores. Pode-se dizer que cada tipo de meio de comunicação envolve uma diferente experiência, tanto sensorial quanto social, e que se trata de um agregamento de novas formas de se obter informação e conhecimento. O cinema, por exemplo, não foi substituído pelo surgimento da televisão, dos videocassetes, DVDs e nem mesmo pelos downloads na internet. O ato de ir ao cinema não acontece puramente por questões de entretenimento, mas envolve toda a mística e o fetiche que envolvem uma sessão –o cheiro de pipoca e outras guloseimas, a companhia, a organização do espaço da sala e até o próprio fato de, por muitas vezes, ser um pretexto para sair de casa e esquecer, por algumas horas, os problemas da vida pós-moderna. O mesmo acontece com o jornal impresso e com os livros, que frequentemente extrapolam suas funções comunicativas para serem partes de uma certa rotina e intimidade, de efetivo contato físico. (Quem nunca tomou um café da manhã com um jornal aberto?)

Uma revista em formato de jornal

Essa perda de intimidade pode ser descrita a seguir:"O que ganharemos com esses novos livrinhos brancos e, principalmente, o que perderemos? Hábitos ancestrais, talvez. Certa sacralidade com que o livro foi aureolado no contexto de uma civilização que o instalara no altar. Uma intimidade especial entre o autor e seu leitor que a noção de hipertextualidade irá necessariamente constranger. A ideia de `cercado´ que o livro simbolizava e, justamente por isso, evidentemente, algumas partes de leitura", afirma Tonac, no prefácio de Não contem com o fim do livro.

É inegável que a internet, principalmente por seu caráter colaborativo, é talvez a forma mais rápida de se obter informações sobre fatos relevantes que estão acontecendo no momento da leitura. Também é impossível deixar de afirmar que essa talvez seja a maior revolução e democratização do conhecimento livre da história, se tornando uma ferramenta fantástica. Ainda que grande parte dos leitores dos periódicos tradicionais deixem de acompanhá-los, é possível manter uma base sólida de assinantes, dando ao jornalismo impresso um caráter mais reflexivo, opinativo, denso – com grandes reportagens (tendência que já vem acontecendo desde o surgimento da televisão e do rádio, mas que deve se fortalecer nos próximos anos).

Um bom exemplo é o semanário alemão Die Zeit (O tempo). Em um formato de papel grande para o que estamos acostumados no Brasil, mas comumente utilizado nos países nórdicos, a publicação resiste e mantém a média de 500 mil exemplares vendidos por edição. Talvez a sua vendagem não tenha sofrido quedas devido ao fato de a publicação contar com abordagens densas dos temas considerados mais relevantes na semana, por muitas vezes quase filosóficas, quando há o envolvimento de questões políticas, culturais e comportamentais; atingindo quase o status de uma revista, em formato de jornal. Se esse será o destino de boa parte da mídia impressa, nos resta aguardar.
Fonte: Observatório da Imprensa

20100708

A arte da guerra - Sun Tzu

A Arte da Guerra

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O início de A Arte da Guerra, em um livro de bambu da época do reino do Imperador Qianlong, século XVIII.

A Arte da Guerra (chinês: 孫子兵法; pinyin: sūn zĭ bīng fǎ literalmente “Estratégia Militar de Sun Tzu”), é um tratado militar escrito durante o século IV a.C. pelo estrategista conhecido como Sun Tzu. O tratado é composto por treze capítulos, onde em cada capítulo é abordado um aspecto da estratégia de guerra, de modo a compor um panorama de todos os eventos e estratégias que devem ser abordados em um combate racional. Acredita-se que o livro tenha sido usado por diversos estrategistas militares através da história como Napoleão, Zhuge Liang, Cao Cao, Takeda Shingen, Vo Nguyen Giap, Mao Tse Tung e o general brasileiro Alberto Mendes Cardoso.

Desde 1772 existem edições européias (quatro traduções russas, uma alemã, cinco em inglês), apesar de serem consideradas insatisfatórias. A primeira edição ocidental tida como uma tradução fidedigna data de 1927.

A Arte da Guerra foi traduzido para o português por Caio Fernando Abreu e Miriam Paglia (1995).

Apesar da antiguidade da obra, nenhuma obra ou tratado é tão compreensível e tão atual quanto A Arte da Guerra.

Com seu caráter sentencioso, Sun Tzu forja a figura de um general cujas qualidades são o segredo, a dissimulação e a surpresa.

Hoje, A Arte da Guerra parece destinado a secundar outra guerra: a das empresas no mundo dos negócios. Assim, o livro migrou das estantes dos estrategistas para as do economista e do administrador[1]

Embora as táticas bélicas tenham mudado desde a época de Sun Tzu, esse tratado teria influenciado, segundo a Enciclopédia Britânica, certos estrategistas modernos como Mao Tsé-Tung, em sua luta contra os japoneses e os chineses nacionalistas.

Inclusive encontra-se nos escritos militares de Mao-Tse-Tung citações do livro A Arte da Guerra de Sun Tzu.

O general brasileiro Alberto Mendes Cardoso chamou o livro do Sun Tzu de clássico militar.

A guerra na época de Sun Tzu

Só poderemos apreciar a originalidade do pensamento de Sun Tzu se dispusermos de uma noção das diferenças qualitativas entre as artes de guerrear nos séculos IV e V e as de períodos anteriores. Até 500 a.C., a guerra era, de certo modo, ritual. Efetuavam-se campanhas sazonais, em conformidade com um código mais ou menos estabelecido. Estavam proibidas as hostilidades durante os meses das sementeiras e das colheitas, enquanto no inverno os camponeses semi-hibernavam nas suas cabanas de tijolos, sendo o frio demasiado para se poder combater. Também no verão era quente demais. Teoricamente, pelo menos, as guerras eram interrompidas durante os meses de nojo que se seguiam à morte de um senhor feudal. Em combate, não era correto bater em homens velhos ou aplicar qualquer golpe a quem já estivesse ferido. O governante de boa índole não “massacrava cidades”, não “emboscava exércitos adversários”, nem levava a guerra para além da estação própria, e nenhum príncipe que se prezasse se baixava a qualquer dissimulação ou aproveitaria qualquer oportunidade desleal.

Quando o rei Chuang, de Ch’u, cercava a capital de Sung, em 594 a.C., a certa altura os mantimentos começaram a escassear, tendo o seu ministro da Guerra observado: “Se os mantimentos nos acabam antes de subjugarmos a cidade, teremos de voltar para casa”.

O rei mandou que Tzu-fan subisse a rampa encostada à muralha, da cidade para apreciar os sitiados.

O príncipe de Sung enviou o seu ministro, Hua-Yuan, à muralha para o interceptar, tendo entre os dois ocorrido a seguinte troca de impressões:

Tzu-fan: “Como vão as coisas por aí?”

Hua-Yuan: “Estamos exaustos. Trocamos as crianças e comemo-las; partimo-lhes os ossos e os chupamos”.

Tzu-fan: “Céus! Estão mesmo apertados! No entanto, tinham me dito que nas cidades cercadas era costume amordaçar os cavalos, quando lhes davam de comer, e enviar somente os ainda gordos ao encontro do inimigo. Como poderá o senhor ser tão franco?”.

Hua-Yuan: “Consta-me que um homem superior sente compaixão quando vê outro sofrer e que o homem inferior se regozija com o sofrimento de outrem. Por isso fui franco”.

Tzu-fan: “Assim é. Oxalá prevaleçam. O nosso exército tem rações para apenas sete dias”.

Tzu-fan informou o rei Chuang da conversa, e este perguntou-lhe: “Como estão eles?”

Tzu-fan: “Exaustos. Trocam as crianças, comem-nas e partem-lhes os ossos para os chuparem”.

Rei Chuang: “Céus! Estão mesmo apertados! Resta-nos vencê-los e regressarmos”.

Tzu-fan: “É impossível. Já lhes disse que o nosso exército só tem rações para apenas sete dias”.

Rei Chuang, zangado: “Mandei-te observá-los. Por que lhes disseste isso?”.

Tzu-fan: “Se um Estado tão pequeno como Sung ainda dispõe de um súdito incapaz de mentir, como poderá Ch’u não ter um também? Foi por isso que lhe falei a verdade”.

Rei Chuang: “Mesmo assim vamos vencê-los e regressar”.

Tzu-fan: “Fique Vossa Majestade aqui. Eu, se mo permitirdes, voltarei para casa”.

Rei Chuang: “Se fores para casa., deixando-me, com quem ficarei eu? Regressarei, como desejas”.

E assim fez, acompanhando-o o Exército.

Os homens superiores apreciam fazer as pazes. Hua-Yuan contara a verdade a Tzu-fan, conseguindo que o cerco fosse levantado, mantendo-se intacta a integridade dos dois Estados.

Os filósofos e os reis faziam distinção entre guerras corretas e guerras incorretas. Era moralmente correio a qualquer príncipe esclarecido atacar “uma nação rústica e obscura”, civilizar os bárbaros, punir aqueles que voluntariamente desejavam manter-se na cegueira, ou sumariamente arrumar um Estado em degradação. Tais castigos, em perfeito acordo com a vontade do Céu, eram executados pelo próprio governante ou por um ministro por ele delegado. Os comandantes das diferentes colunas eram elementos da aristocracia hereditária, refletindo) a graduação na hierarquia militar a posição na sociedade feudal. Maspero ilustrou essa questão num interessante estudo, onde demonstrou ter o comando dos exércitos do Centro de Chin sido, durante um século, a partir de 573 a.C., monopólio de algumas poucas famílias.

Os exércitos da China antiga eram particulares, tal como as levas feudais europeias o foram. A pedido do soberano, esperava-se que os elementos da nobreza concorressem com determinado número de carros, cavalos, carroças, bois, peões, cozinheiros e carregadores. O tamanho e o gênero desses contingentes variavam de conformidade com a importância dos feudos, que, oscilando entre poucas vintenas e muitos milhares de famílias, faziam com que os grupos, ao apresentar-se nos pontos de reunião fossem, por certo, extremamente variados.

Como um aldeão valia muito menos do que um boi ou um cavalo, o seu bem-estar não era motivo de grande preocupação. Os servos, analfabetos e dóceis, tinham lugar de pouca importância nas batalhas do tempo, onde o papel principal pertencia aos carros, quadrigas, equipadas com cocheiro, um lanceiro e um arqueiro nobre. Os dispensáveis aldeões, geralmente protegidos por jaquetas estofadas, agrupavam-se em torno dos carros. Um pequeno grupo de alguns selecionados entre eles dispunha de escudos de bambu entrançado ou, às vezes, de altamente incómodo e rudemente curtido couro de boi ou de rinoceronte. O seu armamento consistia em adagas ou espadas curtas, lanças de ponta de bronze e ganchos e lâminas cortantes atados com tiras de couro a varas de madeira. O arco era arma só para nobres.

O terreno apropriado aos carros ditava e restringia o decorrer da luta, limitando simultaneamente os elementos táticos. A estrutura feudal não admitia a existência de oficiais não originários da nobreza.

As batalhas na China de antanho eram primitivas refregas, que a nada conduziam na maior parte dos casos. Usualmente, os opositores assentavam arraiais frente a frente, assim se conservando durante vários dias, enquanto os adivinhos examinavam augúrios e os respectivos comandantes executavam sacrifícios propiciatórios.

Quando o auspicioso momento escolhido pelos vaticinadores chegava, toda a hoste, com gritaria que deveria fazer estremecer os céus, se lançava desordenadamente sobre o inimigo. Uma vez no local logo se chegava a uma decisão: ou o atacante era repelido e a sua retirada permitida, ou conseguia romper as formações contrárias, matava aqueles ainda com disposição para oferecerem oposição ativa, perseguia os fugitivos ao longo de umas centenas de metros, pilhava o que de valor houvesse e regressava ao acampamento ou à sua capital. Raramente se explorava qualquer vitória. Quando muito, apenas algumas ações limitadas e com objetivos limitados eram levadas a efeito.

Pouco antes de 500 a.C, os conceitos moderando o guerrear principiaram a alterar-se. A guerra tornava-se mais feroz. Uma batalha travada em 518 a.C. entre exércitos de Wu e Ch’u retrata-nos macabramente tais mudanças. Foi aqui que o visconde de Wu ordenou que três mil homens condenados se alinhassem frente às suas formações, onde, à vista das hostes inimigas, todos se suicidaram cortando a garganta. Os exércitos de Ch’u e dos seus aliados, aterrados, debandaram.

Quando Sun Tzu surgiu, a estrutura feudal, ou, melhor, os seus últimos resquícios de degradação, já ia sendo substituída por um tipo completamente diferente de sociedade, onde o indivíduo de talento usufruía de muito mais possibilidades. A evolução era gradual, mas verificava-se em todos os campos, incluindo o militar. A originalidade e o empreendimento traziam recompensas…

Uma vez que as levas transitórias de antes, de pouca confiança e ineficientes, já não eram consideradas como adequadas, os grandes Estados passaram a dispor de exércitos permanentes, comandados por oficiais profissionais. O sistema de mobilização foi introduzido junto dos camponeses. Os novos exércitos passaram a ser constituídos por tropas disciplinadas e bem preparadas, às quais se acresciam recrutas com idades variando entre os 16 e os 60 anos. À frente desses exércitos havia tropas de escol, ou de choque, especialmente escolhidas pela sua valentia, habilidade, disciplina e lealdade. A primeira das formações desse género apareceu cerca do ano de 500 a.C., chamando sobre si atenção suficiente para que Mo Tzu comentasse que o rei Ho-lü havia treinado as suas tropas durante sete anos, podendo os seus grupos de escol marchar 300 li (mais ou menos 180 km) sem descansar! Os “guardas” de Ch’u envergavam armadura e elmos, usavam bestas com quinze virotes emplumados, pontas de virote extra, espadas e um suprimento de arroz seco bastante para três dias. Na mesma ocasião surgiram unidades mais ligeiras também. Com exércitos permanentes, dessa forma constituídos, as operações deixaram de ser sazonais, podendo passar a ser levadas a cabo muito mais rapidamente e a representar ameaças bem mais constantes para os adversários em potência.

O tempo dos bravos e dos guerreiros, cuja farra provinha de proezas individuais, acabara. Combates singulares, característica própria de todas as sociedades feudais, poderiam ainda ocorrer aqui e além. Simplesmente, os generais recusavam-se a fazê-lo agora eles próprios.

Quando Wu Ch’i lutou contra Ch’in, houve um oficial que, antes de a batalha se iniciar, não pôde refrear o seu ímpeto. Adiantou-se, cortou algumas cabeças e regressou às suas linhas. Wu Ch’i mandou que o decapitassem.

O comissário do Exército admoestou-o: “Trata-se de um oficial de talento. Não o deveríeis decapitar”.

Wu Ch’i contestou: “Acredito que seja talentoso, mas é desobediente”.

Ordenou depois execução do castigo.

As batalhas tinham-se mudado, transformando-se em operações perfeitamente orientadas. Nem os avançavam desapoiados, nem os covardes debandavam.

Elementos dos novos exércitos, capazes de movimentos coordenados e de acordo com planos preestabelecidos, funcionavam segundo sinais sistemáticos.

A ciência (ou arte) da tática havia nascido. O inimigo atacado por uma unidade cheng (ortodoxa) era vencido pelas unidades ch’i (não ortodoxa, única, rara, maravilhosa), sendo o costumeiro cheng agarrar-se ou fixar-se ao terreno, enquanto as unidades ch’i atacavam os flancos e a retaguarda. Os movimentos de diversão passaram a assumir grande importância e o sistema de comunicações do adversário, a ser um dos principais objetivos.

Muito embora não saibamos responder a muitas questões relativas a pormenores táticos, sabemos, pelo menos, que os fatores tempo e espaço eram calculados com perfeição. A convergência de várias colunas sobre um objetivo preestabelecido fazia parte de uma técnica que os chineses do tempo de Sun Tzu dominavam admiravelmente.

O conceito de “Estado-maior” teve a sua origem na era dos Estados Guerreiros. Estes Estados-maiores incluíam inúmeros especialistas, previsores meteorológicos, cartógrafos, oficiais comissários e engenheiros de túneis e minas. Havia ainda peritos na travessia de rios, de operações anfíbias, de inundações, de ataques com fogo e da utilização de fumo.

Já que o âmago do exército era composto por profissionais bem treinados, representando um pesado investimento, grande atenção era dada ao moral e à correta alimentação das tropas, aos prémios e aos castigos, esses últimos claramente codificados e com equidade concedidos ou administrados. O espírito do exército era, pois, acarinhado a ponto de, às ordens dos seus comandantes, os homens se sentirem dispostos a atirar-se sobre o ferro e o fogo. Os soldados que se distinguiam eram galardoados e promovidos. Tudo isso, lenta mas inexoravelmente, seguia minando a oposição da hierarquia hereditária na tropa.

A doutrina de uma responsabilidade coletiva durante as batalhas deve ter nascido a essa altura. Os comandantes que renunciassem sem autorização eram executados. Se uma seção batesse em retirada e o seu chefe prosseguisse lutando, aqueles que o haviam abandonado eram sumariamente decapitados. Se um comandante de coluna ou brigada recuasse sem ordens para tal, ficava sem a cabeça. Mesmo assim, a promulgação de códigos militares, por muito severos que fossem, correspondia a um passo em frente, e, se é certo que alguns generais os faziam cumprir implacavelmente, outros havia que reconheciam que um arbitrarismo aterrorizante não era o melhor modo de criar a vontade de combater. A profissionalização dos exércitos abria as portas a gente talentosa e, ao mesmo tempo, ia inibindo generais e oficiais quanto à prática de castigos incrivelmente cruéis e exigências exageradamente desnecessárias.

É claro que nem todos os generais do século IV a.C. atingiram as suas altas posições em virtude da sua habilidade. Era no entanto possível a um homem de valor ascender a postos de comando, independentemente da sua origem, aristocrática ou não, e receber, em investidura cerimonial, a acha-de-armas simbolizando a sua posição de comandante-chefe, com autoridade suprema quando fora da capital. A administração do exército e a sua utilização operacional caber-lhe-iam desse momento em diante. Quando um general passava para além das fronteiras, havia mesmo algumas ordens do seu soberano que poderia esquecer. Perante os seus oficiais, porém, estava sujeito à lei militar.

Melhorias técnicas também influíram na revolução havida na forma de guerrear na China. A introdução de bestas e de armas cortantes de ferro de qualidade suficientemente alta para poder receber e conservar um bom fio tiveram especial importância. Bem antes de a besta ter aparecido, já o arco de reflexão heterogénea era de emprego vulgar.

A besta, invenção chinesa do século IV a.C., disparava pesados virotes, suficientemente fortes para transformar em passadores quaisquer escudos gregos ou macedônios. Crê-se terem sido besteiros de grande pontaria quem tornou o emprego de carros de combate impraticável.

Os exércitos que Sun Tzu conheceu compunham-se de espadeiros, arqueiros, lanceiros (ou alabardeiros), besteiros e carros. A cavalaria só surgiria mais tarde, mas cavaleiros montando sem selas ou estribos já eram empregados como batedores e mensageiros. A infantaria servia-se de dois tipos de lanças, uma com cerca de cinco metros e outra com metade desse tamanho. Essas lanças possuíam um ferro misto, ou seja, uma ponta perfurante, e uma segunda lâmina cortante e enganchante. As lanças nunca serviam como arma de arremesso, visto os chineses já disporem na besta de uma arma de combate a curta distância, de trajetória horizontal, de imensa exatidão e tremenda força de impacto.

As operações no terreno eram normalmente feitas a partir de campos fortificados, traçados segundo a arquitetura das cidades chinesas: um quadrado encaixado em barrancos inclinados de terra rodeado por um fosso. Ruas ou paradas, cruzando-se nos sentidos norte/sul e leste/oeste, permitiam linhas de fogo interligadas. No centro, a bandeira do comandante-chefe drapeja-va sobre o seu quartel-general, rodeado pelas tendas engalanadas dos seus conselheiros e espadeiros de escol, sua guarda pessoal.

Antes de um exército sair do seu acampamento, formava para escutar as exortações do general, que, trovejando, os arengaria da justiça da sua causa e denegriria o selvagem adversário. Os oficiais manifestariam grande satisfação e fariam juras e promessas sobre ensanguentados tambores de guerra. Enquanto a tropa bebia vinho, o seu ânimo era levantado pêlos rodopios de dançarinos de espadas.

Um exército chinês dos Estados Guerreiros em formação de combate devia ser um espetáculo impressionante, com as suas cerradas fileiras e vintenas e vintenas de estandartes repletos de bordados flutuando ao vento. Esses, decorados com tigres, aves, dragões, serpentes, fênix e tartarugas, apontavam a localização do comandante-chefe um pouco atrás do centro e da dos generais comandantes das alas. Movimentações contínuas perturbavam o inimigo e colhiam oportunidades para atuações ch’i contra os seus flancos e retaguarda.

A organização descrita por Sun Tzu dava grande mobilidade às forças em marcha, ao mesmo tempo que a sua grande articulação tornava possível um rápido desdobramento das unidades a entrar na luta. A quina, ou seção de cinco homens, tanto podia avançar a par como em fileira. E como se distribuía o armamento? Estariam os arqueiros e os besteiros em contingentes separados ou enquadrados em pequenas-seções de um “par” e um “trio”? Esses termos levar-nos-iam a crer que sim, mas, pelas escassas informações de que dispomos, parece que por ocasião da batalha de Ma Ling (341 a.C.) agrupavam-se separadamente.

Qual o alcance efetivo dos arcos e das bestas? Mais uma vez nos faltam dados, já que os números registrados não nos merecem confiança. Dizem-nos, por exemplo, que a besta atingia até 600 passos. Trata-se de um exagero, se o critério estivesse baseado no alcance mortal. A força da arma era medida pelo número de escudos que podia atravessar quando disparada de várias centenas de passos. O tipo de escudos não é, porém, descrito, o que torna as informações sem qualquer valor. Fosse como fosse, eram armas poderosas.

Que os processos de cerco já tinham atingido um estágio altamente refinado é confirmado pêlos diversos fragmentos das obras de Mo Tzu, onde vários maquinismos e aparelhos destinados ao assalto de cidades muradas são mencionados. Escadas já eram empregadas muitos séculos antes do seu tempo, e no Livro dos Cânticos há menções a torres móveis, de vários andares, que se podiam encostar às muralhas, tal como a “tartarugas”, móveis também, para a proteção de mineiros. Quanto a cercos, encontram-se mais pormenores no Lvro do Mestre Shang. Numa cidade cercada, toda a população era mobilizada, e três exércitos criados, sendo um de homens válidos, que, com provisões abundantes e armas aceradas, enfrentavam o inimigo, outro de mulheres robustas, que erguiam montes de terra, cavavam tocas-de-lobo e fossos, e, finalmente, um outro de crianças e velhos, que davam de comer e de beber, e guardavam o gado.

Em Sun Tzu encontram-se recomendações referentes ao reconhecimento tático, à observação, ao patrulhamento dos flancos, todas medidas que tendem a garantir marchas e acampamentos seguros. Sondar o inimigo antes da luta era essencial.

Desse modo, no século IV, ou algumas décadas mais cedo, a guerra na China já havia atingido a maioridade, estado que manteria, apenas com a oportuna adição da cavalaria, por muitas centenas de anos, sem alteração significativa.

Por esses tempos, os,chineses.dispunham de armas, dominavam táticas e técnicas ofensivas e defensivas que lhes permitiriam poder causar muito mais problemas ao grande Alexandre do que os gregos, os persas e indianos lhe causaram.

Capítulos

A obra é composta por 13 capítulos:

1. Planejamento Inicial (始計, pinyin: Shǐjì)

2. Guerreando (作戰, pinyin: Zuòzhàn)

3. Estratégia ofensiva (謀攻, pinyin: Móugōng)

4. Disposições (軍行, pinyin: Jūnxíng)

5. Energia (兵勢, pinyin: Bīngshì)

6. Fraquezas e forças (虛實, pinyin: Xūshí)

7. Manobras (軍爭, pinyin: Jūnzhēng)

8. As nove variáveis (九變, pinyin: Jiǔbiàn)

9. Movimentações (行軍, pinyin: Xíngjūn)

10. Terreno (地形, pinyin: Dìxíng)

11. As nove variáveis de terreno (九地, pinyin: Jiǔdì)

12. Ataques com o emprego de fogo (火攻, pinyin: Huǒgōng)

13. Utilização de agentes secretos (用間, pinyin: Yòngjiàn)

Entendendo A Arte da Guerra

A Arte da Guerra, obra permeada pelo pensamento político e filosofico do Tao Te King, também se iguala ao grande clássico taoísta na estrutura formal, composta por uma coleção de aforismos em geral atribuídos a um autor obscuro e quase lendário. Alguns taoístas acreditam que o Tao-Te King seja a transmissão de um conhecimento antigo, compilado e elaborado pelo seu “autor”, e não que seja uma obra totalmente original. O mesmo pode-se dizer de A Arte da Guerra. Seja lá como for, ambos os clássicos têm em comum a estrutura geral formada por nas centrais que reaparecem ao longo do texto em contextos diferentes.

1. Planejamento Inicial

O primeiro capítulo de A Arte da Guerra é dedicado à importância da estratégia. Como o clássico I Ching afirma: “O líder planeja no início, antes de começar a agir”, e “o líder avalia os problemas e os previne.” Em termos de operações militares, A Arte da Guerra coloca cinco aspectos que devem ser determinados antes de empreender qualquer ação: Caminho, o clima, o terreno, a liderança militar e a disciplina.

Nesse contexto, o Caminho (Tao) se refere à liderança civil, ou, antes, ao relacionamento entre a liderança política e a população. Tanto na linguagem taoísta como na confucionista, um governo justo é descrito como “imbuído pelo Tao”, e Sun Tzu também fala do Caminho como aquele que “induz o povo a ter o mesmo objetivo que os líderes”.

O exame do clima, o problema da estação mais propícia para a ação, também tem relação com o interesse pelo povo, significando tanto a população em geral quanto os militares. O ponto essencial, aqui, é evitar a interrupção das atividades produtivas do povo, as quais dependem das estações, e evadir extremos climáticos que poderiam criar obstáculo ou prejudicar as tropas no campo de batalha.

O terreno deve ser avaliado em termos de distância, grau de dificuldade para a locomoção, dimensões e segurança. A utilização de batedores e de guias nativos é importante nesse ponto porque, como diz o I Ching, “Ir à caça sem um guia é perder o dia”. Os critérios oferecidos por A Arte da Guerra para avaliar os líderes militares são as virtudes tradicionais, as mesmas que são recomendadas pelo Confucionismo e pelo Taoísmo medieval: a inteligência, a confiabilidade, a humanidade, a coragem e a austeridade. De acordo com o grande budista Chan, Fushan: “Humanidade sem inteligência é como ter um campo, mas não ará-lo. Inteligência sem coragem é como ter uma vegetação florescente, mas não limpá-la das ervas daninhas. Coragem sem humanidade é saber colher, mas não saber semear.” As outras duas virtudes, a confiabilidade e a austeridade, são as que possibilitam ao líder obter, respectivamente, a lealdade e a obediência das tropas.

O quinto elemento a ser avaliado, a disciplina, refere-se à coerência e à eficiência organizacional. A disciplina está muito ligada à confiabilidade e à austeridade, ambas desejáveis nos líderes militares, visto que ela utiliza os mecanismos correspondentes da recompensa e da punição. Muita ênfase é posta na tarefa de estabelecer um sistema claro e objetivo de prémios e castigos que seja aceito pêlos guerreiros como justo e imparcial. Este foi um dos aspectos mais importantes do Legalismo, uma escola de pensamento que surgiu durante o período dos Estados Belicosos e que acentua mais o valor da organização racional c do estatuto da lei do que o de um governo feudal personalista.

Continuando a discussão dessas cinco avaliações, A Arte da Guerra passa a analisar a importância fundamental da simulação: “Uma operação militar envolve simulação. Mesmo sendo competente, mostra-te incompetente. Embora eficiente, aparenta ser ineficiente.” É como o Tao-Te King recomenda: “Quem tem grande habilidade mostra-se inapto.” O elemento surpresa, tão necessário para a vitória com o máximo de eficiência, depende de conhecer os outros sem ser por eles conhecido, de modo que o segredo e a informação distorcida são considerados artes essenciais.

Falando de maneira geral, a luta corpo a corpo é o último recurso do guerreiro habilidoso. Deste, Sun Tzu diz que deve estar preparado e, no entanto, tem de evitar o confronto direto com um adversário destemido. Mestre Sun recomenda que, em vez de dominar o inimigo diretamente, deve-se cansá-lo pela fuga, fomentar a intriga entre seus escalões, manipular seus sentimentos e usar sua ira e seu orgulho contra si próprio. Assim, em síntese, a proposição inicial de A Arte da Guerra introduz os três aspectos principais da arte do guerreiro: o social, o psicológico e o físico.

2. Guerreando

O segundo capítulo de A Arte da Guerra, sobre a batalha, ressalta as consequências domésticas da guerra, mesmo da guerra externa. A ênfase é posta sobre a velocidade e a eficiência, com advertências incisivas para não prolongar as operações, especialmente campo adentro. A importância de se conservar a energia e os recursos materiais recebe atenção particular. Para minimizar o desgaste que a guerra causa na economia e na população, Sun Tzu recomenda a prática de alimentar o inimigo e de usar as forças cativas por meio de um bom tratamento.

3. Estratégia ofensiva

O terceiro capítulo, planejamento do assédio, também acentua a conservação — o objetivo geral é chegar à vitória mantendo intacto o maior número possível de bens, sociais e materiais, e não destruindo todas as pessoas e coisas que estejam no caminho. Neste sentido, Mestre Sun afirma que é melhor vencer sem lutar.

Várias recomendações táticas reforçam este princípio de conservação geral. Primeiro, por ser desejável vencer sem lutar, Sun Tzu diz que é melhor vencer os adversários logo no início das operações, frustrando assim seus planos. Se isso não for possível, Sun Tzu recomenda isolar o inimigo e torná-lo indefeso. Aqui também poderia parecer que o tempo é essencial, mas, na verdade, velocidade não significa pressa, e uma preparação completa se faz necessária. Sun Tzu conclui enfatizando que, obtida a vitória, esta deve ser completa e total, para evitar os custos de manutenção de uma força de ocupação.

O capítulo prossegue delineando as estratégias para a ação de acordo com o número relativo de protagonistas e de antagonistas, novamente observando que é mais prudente evitar pôr-se em circunstâncias desfavoráveis, se possível. O I Ching diz: “É má fortuna teimar diante de circunstâncias insuperáveis.” Além disso, enquanto a formulação da estratégia depende de uma inteligência prévia, é também imperativo adaptar-se às situações reais da batalha. Como afirma o I Ching: “Chegando a um impasse, muda; depois de mudar, podes prosseguir.” Em seguida, Mestre Sun relaciona cinco modos de averiguar a possibilidade de vitória, de conformidade com o tema de que guerreiros hábeis lutam só quando têm certeza da vitória. De acordo com Sun, os vitoriosos são aqueles que sabem quando lutar e quando não lutar; os que sabem quando usar muitas ou poucas tropas; aqueles cujos oficiais e soldados formam uma unidade compacta; os que enfrentam os incautos com preparação; e os que são comandados por generais capazes que não são pressionados pelo governo.

Este último ponto é muito delicado, visto que põe uma responsabilidade moral e intelectual ainda maior sobre os líderes militares. Enquanto a guerra nunca deve ser deflagrada pêlos militares, como mais adiante se explicará, mas pelo comando do governo civil, Sun Tzu afirma que uma liderança civil ausente que interfere de modo ignorante no comando de campo “afasta a vitória embaraçando os militares”.

Novamente, a questão parece ser a do conhecimento; a premissa de que a liderança militar no campo não deve estar sujeita à interferência do governo civil baseia-se na ideia de que a chave para a vitória é o conhecimento profundo da situação real. Delineando esses cinco modos para determinar qual dos lados tem possibilidade de prevalecer sobre o outro, Sun Tzu afirma que quando conhecemos a nós mesmos e aos outros nunca estamos em perigo; quando conhecemos a nós mesmos, mas não aos outros, temos cinquenta por cento de possibilidade de vencer, e quando não conhecemos a nós próprios nem aos outros, estamos em perigo em qualquer batalha.

4. Disposições

O quarto capítulo de A Arte da Guerra trata da formação, uma das questões mais importantes da estratégia e do combate. Numa postura caracteristicamente taoísta, Sun Tzu declara que o segredo para a vitória são a adaptabilidade e a inescrutabilidade. Como o comentador Du Mu explica: “A condição interior do informe é inescrutável, enquanto que a daqueles que adotaram uma forma específica é claramente manifesta. O inescrutável vence, o manifesto perde.” Neste contexto, a inescrutabilidade não é meramente passiva, não significa apenas afastar-se ou esconder-se dos outros; significa, sim, a percepção do que é invisível aos olhos dos outros e a reação a possibilidades ainda não percebidas por aqueles que só observam o manifesto. Discernindo oportunidades antes que sejam visíveis aos outros e agindo com rapidez, o misterioso guerreiro pode tomar conta da situação antes que as coisas se escoem por entre os dedos.

Seguindo esta linha de raciocínio, Sun Tzu volta a pôr ênfase na busca da vitória certa pelo conhecimento do momento de agir e de não agir. Torna-te invencível, diz ele, e enfrenta o adversário no momento em que ele é vulnerável: “Os bons guerreiros tomam posição onde não podem perder e não descuidam das condições que tornam o inimigo propenso à derrota.” Revendo essas condições, Sun reelabora alguns dos pontos principais para a avaliação das organizações, tais como a disciplina e a ética versus ambição e corrupção.

5. Energia

O tema do capítulo quinto de A Arte da Guerra é a força, ou o ímpeto, a estrutura dinâmica de um grupo em ação. Aqui, Mestre Sun ressalta as habilidades organizacionais, a coordenação e o uso tanto de métodos de guerra ortodoxos como de guerrilha. Ele enfatiza a mudança e a surpresa, empregando variações intermináveis de táticas e usando as condições psicológicas do adversário para manobrá-lo a posições vulneráveis.

A essência do ensinamento de Sun Tzu sobre a força é a unidade e a coerência na organização, utilizando a força do ímpeto antes de contar com as qualidades e habilidades individuais: “Bons guerreiros buscam a eficácia da batalha na força do ímpeto, não em cada pessoa.” É esse reconhecimento do poder do grupo para equilibrar disparidades internas e para funcionar como um único corpo de força que distingue A Arte da Guerra do individualismo idiossincrático dos espadachins samurais do Japão feudal posterior, cujas artes marciais estilizadas são tão conhecidas no Ocidente. Esta ênfase é uma das características essenciais que tornou a antiga obra de Sun Tzu tão útil para os guerreiros organizados em corporação da Ásia moderna, entre os quais A Arte da Guerra é amplamente lida e ainda hoje considerada o clássico inigualável de estratégia no conflito.

6. Fraquezas e forças

O capítulo sexto aborda, a questão da “vacuidade e da plenitude”, já mencionadas como conceitos taoístas fundamentais geralmente adaptados às artes marciais. A ideia é encher-se de energia ao mesmo tempo que se esvazia o oponente. Como Mestre Sun diz, isto é feito para nos tornarmos invencíveis e para enfrentar os adversários somente quando estes são vulneráveis. Uma das mais simples dessas táticas é muito conhecida não apenas no contexto da guerra, mas também na manipulação social e dos negócios: “Bons guerreiros atraem o inimigo a si; não são eles que atacam o inimigo.” Outra função da inescrutabilidade tão intensamente valorizada pelo guerreiro taoísta é a que recomenda conservar a própria energia ao mesmo tempo que se induz os outros a desperdiçar a sua: “O objetivo de formar um exército é chegar à não-forma”, diz Mestre Sun; assim, ninguém poderá elaborar uma estratégia contra ti. Ao mesmo tempo, diz ele, induz o adversário a organizar suas próprias formações, leva-o a esparramar-se; testa o oponente para sondar seus recursos e reações, mas permanece desconhecido.

Neste caso, o informe e o fluido não são apenas meios de defesa e surpresa, mas meios de preservar o potencial dinâmico, a energia que pode ser facilmente perdida por manter-se numa posição ou formação específica. Mestre Sun compara uma força bem-sucedida à água, que não tem forma constante, mas que, como observa o Tao-Te-King, prevalece sobre tudo a despeito de sua fraqueza aparente. Sun afirma: “Uma força militar não tem formação constante, a água não tem forma constante. A habilidade de alcançar a vitória mudando e adaptando-se de acordo com o inimigo é chamada de genialidade.”

7. Manobras

O sétimo capítulo de A Arte da Guerra, sobre a luta armada, trata da organização efetiva no campo e das manobras de combate, e também reintroduz vários dos principais temas de Sun Tzu. Começando com a necessidade de informações e preparação, Sun afirma: “Entra em ação somente depois de fazer a devida avaliação. Aquele que por primeiro avaliar a distância do perto e do longe vencerá — está é a lei da luta armada.” O I Ching diz: “Prepara-te, e terás boa fortuna.” Novamente expondo sua filosofia tática minimalista/essencialista, característica que lhe é muito própria. Sun Tzu continua: “Suga a energia do exército adversário, arranca o coração dos seus generais.” Retomando seus ensinamentos sobre a vacuidade e a plenitude, também afirma: “Evita a energia intensa, ataca a moderada e a fugidia.” Para aproveitar ao máximo os benefícios dos princípios da vacuidade e da plenitude, Sun ensina quatro tipos de habilidades essenciais ao guerreiro insondável: domínio da energia, domínio do coração, domínio da força e domínio da adaptação.

Os princípios da vacuidade e da plenitude também põem à mostra o mecanismo fundamental dos clássicos princípios yin-yang, sobre os quais os primeiros se baseiam, o mecanismo da reversão de um para o outro nos extremos. Mestre Sun diz: “Não interrompas a marcha de um exército em seu retorno para casa. Um exército cercado deve ter uma saída. Não pressiones um inimigo desesperado.” O / Ching diz: “O soberano usa três caçadores, deixando a caça à frente escapar”, e “se fores muito inflexível, a ação será mal sucedida, mesmo que estejas certo.”

8. As nove variáveis

O capítulo oitavo é dedicado à adaptação, já vista como uma das pedras angulares da arte bélica. Mestre Sun assevera: “Se os generais não souberem adaptar-se de modo vantajoso, mesmo que conheçam a disposição do terreno, não conseguirão tirar proveito dela.” O I Ching diz: “Persiste intensamente no que está além de tua profundidade, e tua fidelidade a essa direção trará a desgraça, não o proveito.” A adaptabilidade depende naturalmente da prontidão, outro tema que se repete de A Arte da Guerra. Mestre Sun afirma: “O preceito das operações militares é não supor que o inimigo não avance, mas dispor de meios para lidar com ele; não confiar que o adversário não ataque, mas esperar em ter o que não pode ser atacado.” O I Ching diz: “Se te sobrecarregares sem ter uma base sólida, serás por fim exaurido, o que te trará dificuldades e má fortuna.” Em A Arte da Guerra, a prontidão não significa apenas preparação material; sem um estado mental apropriado, a mera força física não é suficiente para garantir a vitória. Mestre Sun define indiretamente as condições psicológicas do líder vitorioso, enumerando cinco perigos — ter muita disposição para morrer, ter muita ansiedade de viver, encolerizar-se com muita rapidez, ser puritano ou sentimental demais. Mestre Sun afirma que qualquer um desses excessos cria pontos vulneráveis que podem ser facilmente explorados por adversários astutos. O I Ching diz: “Ao aguardar à beira de uma situação, antes que o tempo adequado para entrar em ação chegue, mantém-te alerta e evita ceder ao impulso — assim fazendo, não errarás.”

9. Movimentações

O capítulo nono trata de exércitos em manobras estratégicas. Mais uma vez Mestre Sun fala sobre os três aspectos da arte do guerreiro — o físico, o social e o psicológico. Em termos físicos concretos, ele recomenda certos tipos óbvios de terreno que favorecem as probabilidades de vitória: elevações, rio acima, o lado ensolarado dos morros, regiões abundantes de recursos. Com base nas três dimensões, descreve ainda os modos de interpretar os movimentos do inimigo.

Embora Mestre Sun nunca deixe de levar em conta o peso dos números ou do poder material, aqui como em outras partes há uma forte sugestão de que fatores sociais e psicológicos têm condições de superar o tipo de poder que pode ser quantificado fisicamente: “Nas questões militares, não é necessariamente benéfico ter mais: benéfico é evitar agir agressivamente; é suficiente consolidar o teu poder, avaliar os adversários e conquistar o povo; isto é tudo.” O I Ching afirma: “Quando tens os meios, mas não estás chegando a lugar nenhum, procura parceiros apropriados, e terás boa fortuna.” Do mesmo modo, enfatizando o esforço do grupo dirigido, A Arte da Guerra diz: “O individualista sem estratégia que considera os adversários com leviandade irá inevitavelmente tornar-se um cativo.” A solidariedade requer especialmente compreensão mútua e relação estreita entre os líderes e os liderados, adquirida tanto através da educação como do treinamento. O sábio confuciano Meneio disse: “Os que enviam pessoas a operações militares sem educá-las as destroem.” Mestre Sun diz: “Dirige-os pelas artes da cultura, unifica-os pelas artes marciais; isto é vitória certa.” O IChing diz: “É boa fortuna quando os dirigentes dão suporte a seus dirigidos, ficando atentos a eles e deles extraindo suas potencialidades.”

10. Terreno

O capítulo décimo, que analisa a questão do terreno, dá continuidade às ideias de manobras técnicas e à adaptabilidade, delineando tipos de terreno e maneiras adequadas de se acomodar a eles. Requer-se reflexão para transferir os padrões desses tipos de terreno a outros contextos, mas o ponto fundamental está em considerar a relação do protagonista com as configurações do ambiente material, social e psicológico.

Mestre Sun adota esse ponto de vista com observações sobre as deficiências organizacionais fatais pelas quais o líder é responsável. Aqui, novamente, a ênfase está posta no moral da unidade: “Considera teus soldados como filhos bem-amados, e eles de boa vontade morrerão contigo.” O I Ching diz: “Os que estão acima asseguram seus lares pela bondade para com os que estão abaixo.” Apesar disso, ampliando a metáfora, Mestre Sun também adverte contra ser abertamente indulgente, o que traria como consequência tropas semelhantes a crianças mimadas. Este capítulo ressalta também a inteligência, no sentido de conhecimento preparatório. Sua definição inclui de modo particular a percepção clara das capacidades das próprias forças, da vulnerabilidade do adversário e da disposição do terreno: “Quando conheces a ti mesmo e aos outros, a vitória não está ameaçada; quando conheces o céu e a terra, a vitória é inesgotável.” O I Ching diz: “Sê cuidadoso no começo, e não terás dificuldades no fim.”

11. As nove variáveis de terreno

O décimo primeiro capítulo, intitulado “Nove Regiões”, apresenta um tratamento mais detalhado do relevo, especialmente em termos do relacionamento de um grupo com o terreno. Pode-se compreender que essas “nove regiões” se aplicam não só ao mero território físico, mas também ao “território” em seus sentidos social e mais abstraio.

As nove regiões relacionadas por Mestre Sun são assim denominadas: região de dissolução, região leve, região de contenda, região de tráfego, região de intersecção, região pesada, região ruim, região sitiada e região de morte (ou mortal).

Uma região de dissolução é um estágio de guerra destrutiva para ambos os lados ou guerra civil. A região leve se refere a incursões marginais ao território inimigo. Uma região de contenda é a que pode ser vantajosa para ambos os lados de um conflito. Uma região de tráfego é aquela em que se verifica passagem livre. Região de intersecção é um território que controla artérias de comunicação importantes. Região pesada, em comparação com a leve, refere-se a incursões profundas no território adversário. Região ruim é terreno difícil ou imprestável. Região sitiada é a que tem acesso restrito, própria para emboscada. Região de morte é uma situação em que é necessário lutar imediatamente ou ser destruído.

Ao descrever a tática apropriada a cada tipo de região, Mestre Sun inclui uma reflexão sobre os elementos social e psicológico do conflito, na medida em que esses estão inextricavelmente ligados à reação ao ambiente: “Devem-se examinar os seguintes aspectos: adaptação às diferentes regiões, vantagens da contração e da expansão, padrões de sentimentos humanos e condições.”

12. Ataques com o emprego de fogo

O décimo segundo capítulo de A Arte da Guerra, sobre o ataque com fogo, inicia com uma breve descrição dos vários tipos de ataque incendiário e inclui observações técnicas e estratégias para o acompanhamento.

Talvez porque, num sentido material comum, o fogo seja a forma mais perversa de arte marcial (os explosivos existiam no tempo de Sun Tzu, mas não eram usados militarmente), é neste capítulo que encontramos o mais ardente apelo pela humanidade, fazendo eco à ideia taoísta de que as “armas são instrumentos de desgraça que devem ser usadas somente quando for inevitável”. Concluindo abruptamente sua breve reflexão sobre o ataque com fogo, Mestre Sun diz: “Um governo não deve mobilizar um exército motivado pela raiva, os líderes militares não devem provocar a guerra movidos pela cólera. Antes, deves agir se for benéfico; caso contrário, deves desistir. A raiva pode se transformar em alegria, a cólera pode se tornar prazer, mas uma nação destruída não pode ser restaurada para a existência, e os mortos não podem ser devolvidos à vida.”

13. Utilização de agentes secretos

O décimo terceiro e último capítulo trata da espionagem, fechando assim o círculo com o capítulo inicial sobre a estratégia, para a qual a inteligência é essencial. Novamente guiando-se pelo minimalismo orientado para a eficiência e pelo conservadorismo, para os quais se voltam as habilidades que ensina, Mestre Sun começa falando da importância dos agentes de inteligência nos termos mais enfáticos: “Uma operação militar de importância é um escoadouro grave da nação, e pode ser mantida por anos de luta pela vitória de um dia. Por isso, desconhecer as condições do inimigo por não querer recompensar a inteligência é algo extremamente desumano.”

A seguir, Sun define cinco tipos de espiões, ou agentes secretos. O espião local é contratado dentre a população de uma região em que as operações são planejadas. Um espião infiltrado é contratado entre os oficiais de um regime contrário. Um espião reverso é um agente duplo, contratado dentre espiões inimigos. Um espião morto é o que recebe a missão de levar informações falsas. Um espião vivo é o que vem e vai com informações.

Neste ponto, também existe um forte elemento social e psicológico na compreensão que Sun Tzu tem da complexidade prática da espionagem do ponto de vista da liderança. A Arte da Guerra inicia com a questão da liderança, e também termina com a observação de que o uso eficaz de espiões depende do líder. Mestre Sun diz: “Não se pode utilizar espiões sem sagacidade e conhecimento, não se pode usar espiões sem humanidade e justiça, não se pode sem sutileza conseguir a verdade de espiões”, e conclui: “Só um governante hábil ou um general brilhante que pode utilizar os mais inteligentes para a espionagem tem garantia de sucesso.”

20100208

7 formas de potencializar a colaboração pelas redes sociais

Veja como as diversas plataformas da web 2.0 podem ajudar a envolver as equipes no seu negócio

As ferramentas de Web 2.0 invadiram o nosso mundo pessoal e também o corporativo. Saber como utilizar toda essa tecnologia a favor da empresa é a grande questão do momento para os gestores. Para ajudar as lideranças nesta dura tarefa, a reportagem da HSM Online conversou com Luis Augusto Lobão Mendes, professor de estratégia e desenvolvimento organizacional da Fundação Dom Cabral, que listou 7 dicas de como utilizar as ferramentas sociais à serviço dos negócios.

Para Mendes, cada vez mais, o modelo de criação de valor é chamado de peer production, ou peering – uma descrição do que acontece quando grupos de pessoas e empresas colaboram de forma aberta para impulsionar a inovação e o crescimento. “Hoje, as coisas estão mudando. O acesso crescente à tecnologia da informação coloca nas pontas dos dedos todas as ferramentas necessárias para colaborar, criar valor e competir. Isso libera pessoas para participarem da inovação e da criação de riqueza em cada setor da economia. MySpace, YouTube, Linux e Wikipédia”, explica.

O professor da Dom Cabral alerta que os exemplos atuais da colaboração em massa, são apenas o começo. Ele ressalta que novas infra-estruturas colaborativas de baixo custo permitem que milhares de indivíduos e pequenos produtores criem conjuntamente produtos, acessem mercados e encantem os clientes.
Além disso, dia após dia, a sociedade encontra novas aplicações para a rede, tornando-a acima de tudo um fenômeno social. “Poucas invenções influenciaram a humanidade com tal rapidez, forjando novos padrões de comportamento e, efetivamente alternada a forma como as pessoas executam tarefas diárias e vivem suas vidas. No entanto o potencial da rede é ainda muito pouco explorado pelas empresas. Apesar de praticamente todas as empresas terem seus sites e endereços eletrônicos, poucas demonstram compreender as possibilidades que a internet representa como ferramenta para o sucesso dos negócios”, diz.

Portanto, a chamada Web 2.0, permite que as empresas extraiam conhecimento de seus stakeholders, independente de sua localização, colaboração e participação. O que permite alcançar conhecimento e inteligência humana como nunca visto antes. Confira então as 7 formas para potencializar as ferramentas digitais na sua empresa.

1ª- Atenda melhor e dê informações aos seus clientes: seja por meio de FAQs, Dicas, VoIP on-line ou Chat on-line não deixe seu cliente falando sozinho. Mantenha o diálogo.

2ª – Aumente o ticket médio: mantenha os produtos relacionados à sua empresa conectados diretamente no site de venda on-line em formato de promoção de compra conjunta.

3ª - Encante: desenvolva uma wish list, recomendações personalizadas ou infomercials em vídeo.
4ª – Facilite: tenha um histórico de pedidos, comparativo de produtos, mais vendidos, classificação/busca/sugestão por atributos especiais, aviso de produto esgotado, aviso de produto disponível e onde encontrar.

5ª – Crie em grupo: abra um canal de votação de idéias, sugestões e dicas. Crie testes em tempo real por meio de comunidades como Facebook, Flickr, Youtube, construindo-se um diário de bordo de cada um participante. Utilize o Linked In para Recrutamento e Seleção, disponibilizando um espaço no site para envio de curriculuns.

6ª - Maior conveniência ao trabalho remoto: MSN, Webex, Telepresença e Skype

7ª – Compartilhe o conhecimento: Crie Wikis, FAQs, Podcastin, Videocasting, Portal, Second Life, Linked In ou comunidades internas para a troca de conhecimento entre os colaboradores da empresa.

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