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20101124

Campanha de Barack Obama nas Mídias Sociais

20100804

No Brasil, Twitter é mais forte do que na eleição de Obama

Juliana Dal Piva

Impressionado. Foi assim que o jornalista brasileiro Rosental Calmon Alves, diretor do Knight Center for Journalism in the Americas e professor da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, ficou ao perceber a utilização do Twitter na campanha eleitoral brasileira em 2010. Em entrevista ao Terra, Rosental foi ainda mais longe dizendo que o uso do microblog ganhou mais importância no País do que na campanha que elegeu o presidente dos EUA, Barack Obama. "Assim? Nunca vi, nem nos EUA em 2008. A internet vai ter uma importância nessa eleição como nunca teve antes", afirmou o pesquisador.

Para Rosental, o que torna a internet e, especialmente, o Twitter um diferencial na campanha eleitoral deste ano, é o fato de o internauta brasileiro ser mais ativo em rede social que o internauta americano.

"As pesquisas mostram isso, mas não sei exatamente a que se deve. Talvez à nossa socialização, ao nosso contato, ao nosso jeito. Um país onde há toda essa atividade, essa grande conversa, não é de se estranhar que a eleição seja dominada pela internet", explicou.

No caso dos EUA, o pesquisador observa que o microblog funcionou como importante meio de mobilização dos correligionários de Obama, especialmente os jovens que em outras eleições não queriam participar. "Com o Twitter e o facebook começaram a se envolver mais com a campanha".

A diferença é que no Brasil hoje, a ferramenta tem sido utilizada para disseminação de informação e tanto por eleitores como por inúmeros candidatos. "O Twitter já está muito mais maduro agora, não como uma rede social, mas como uma rede de informação e os marqueteiros políticos brasileiros perceberam a riqueza de atividade social e estão usando isso muito bem", explicou Rosental.

Ele fez questão de pontuar que o espaço aberto pela rede de computadores tem aspectos positivos e negativos e todos os pontos precisam ser avaliados. "O Twitter e as outras redes proporcionam oportunidades de uma maior participação cidadã. Você sente poder e controle sobre a informação, sabe que a sua voz está sendo escutada. O cidadão comum também pode ser escutado. Há uma cidadania espontânea que vem da cidadania do mundo real e que se potencializa na internet", apontou.

Por outro lado, o diretor do Knight Center for Journalism avalia que liberdade da internet pode ser aproveitada como arma de campanha para infiltrar notícias falsas ou espalhar rumores falsos. Mesmo assim, ele acredita que o internauta convive bem com os mundos paralelos e desenvolverá a perspicácia para se defender.

Rosental disse ainda que, apesar da dinâmica com o Twitter ser nova, muitos pesquisadores internacionais ficaram impressionados já em 2006 com os vídeos feitos por Lula e Alckmin e distribuídos pelo Orkut. "Aquilo já era um sintoma, pois as comunidades na rede social com interesse político já eram significativas em números de eleitores".

No entanto, o professor da Universidade do Texas admite que, por enquanto, sua opinião é mais uma sensação do atual momento já que não fez um estudo científico sobre o caso. "É preciso esperar e ver amadurecer".
Fonte: Portal Terra

20100422

Eleições 2.0 l Não foi o Obama quem começou!

O exemplo que Obama teve para iniciar sua campanha e chegar a vitória.
Um debate muito bacana e cheio de idéias foi esse relacionada à eleição de Barack Obama em 2008 e até hoje esta repercutindo nas mídias e nas Redes Sociais. Algo que muita gente não sabe é que o Presidente dos EUA não iniciou essa “revolução” na política mundial.

Em 2000 o senador John McCain, que foi derrotado por Obama em 2008 ficou conhecido ao veicular banners em diversos sites divulgando e pedindo o apoio à sua pré-candidatura.

Mas o primeiro candidato em uma corrida presidencial a conseguir de fato usar a internet como mais que uma ferramenta de comunicação de mão única foi Howard Dean (foto), pré-candidato democrata nas eleições de 2004 e então governador do estado de Vermont.

Dean é pouco conhecido por governar Vermont – um estado com pouco mais de 600 mil habitantes -, Dean era considerado um azarão na disputa pela vaga de candidato democrata à presidência. Nos EUA, os partidos costumam organizar prévias para definir o candidato que concorrerá nas eleições. Usando a internet para levantar fundos e mobilizar apoiadores por todo o país, Dean conseguiu se posicionar como um concorrente real à vaga.

Uma das marcas da campanha de Dean foram os encontros promovidos pelo site Meetup. O site trata-se de um serviço online e gratuito que permite aos usuários encontrarem ou criarem grupos que se reúnem presencialmente.

Por acaso, Joe Trippi, coordenador da campanha de Dean, ficou sabendo que algumas centenas de pessoas tinham se inscrito no Meetup para participar de encontros e conversar sobre a candidatura de Dean. Percebeu também que ele era o pré-candidato com o maior números de interessados em encontros no site.

Com isso Dean incluiu no site da sua campanha um link para a página no Meetup divulgando mais ainda os encontros dos interessados em sua candidatura, em poucas semanas o número de participantes cresceu de 2.700 para mais de oito mil participantes e durante toda campanha esse número chegou a 190 mil pessoas.

Outra iniciativa foi criar um blog no site da campanha, só que em vez de usar o blog apenas como mais um canal para mensagens oficiais, os posts eram escritos e assinados por colaboradores de várias áreas da campanha e usavam o mesmo tom e estilo informais característicos do meio em que estavam.

Dean também surpreendeu ao usar a internet como forma de angariar fundos para sua campanha. Na forma tradicional os candidatos procuram poucos eleitores que fazem doações expressivas, mas na campanha feita pela internet, Dean angariava doações pequenas, mas de diversos eleitores e até mesmo por cartão de crédito. A campanha foi um sucesso e recebeu mais de 53 milhões de dólares em doações superando Bill Clinton em 1995.

Dean não ganhou a candidatura que foi dada a John Kerry que acabou perdendo para Bussh em 2004, mas fica um grande exemplo que foi utilizado com êxito por Obama em 2008.
Fonte: Outro Lado

20100420

O futuro da política estará na Internet

PRODÍGIO
O blog comandado por Felsen arrecadou meio bilhão de dólares
para a campanha de Obama

A eleição do presidente Barack Obama em 2008 foi um divisor de águas na forma de se fazer campanha política pela internet. Sites, blogs e o Twitter, além de permitirem maior interação com os eleitores, tornaram-se uma poderosa ferramenta de arrecadação. Quem conhece a fundo essa história é o jornalista americano Sam Graham-Felsen, que foi diretor da área de blogs da campanha online do candidato democrata, coordenada pela Blue State Digital.

Graham-Felsen conta que «mais de três milhões de doadores individuais contribuíram cada um com pouco mais de US$ 100, resultando num montante de US$ 500 milhões«. Segundo ele, «as campanhas nos Estados Unidos eram marcadas por grandes doações de um grupo de interesses, mas Obama rompeu com essa tradição«.

Com base na experiência americana, Graham-Felsen acredita que em pouco tempo a televisão deixará de ser fundamental nas campanhas eleitorais. Quem assumirá seu papel, é claro, será a internet.

Na lógica do blogueiro, que esteve no Brasil há duas semanas, quando um grande número de pessoas comuns financia a campanha, o governo sente «uma obrigação maior de servir à população«. Formado em ciências sociais na Universidade de Harvard, Graham-Felsen se auto-define como um «estrategista digital«. Aos 28 anos, ele dirige a ONG de ativismo on-line «Aliança para Movimentos Juvenis« (Allyance for Youth Movements). Em sua opinião, a internet também pode ajudar candidatos que nunca disputaram uma eleição, como a petista Dilma Rousseff. «Quem usar a internet para envolver as pessoas na campanha certamente será beneficiado«, diz o blogueiro de Obama.

Entrevista.



Sam Graham-Felsen

Como responsável pelo blog de Obama, o sr. tinha liberdade ou o comando da campanha interferia no processo?

Sam Graham-Felsen - Eu era muito independente como blogueiro. A coordenação da campanha confiou em mim totalmente para transmitir suas mensagens com minha própria voz. Eu fiquei muito agradecido pela liberdade que eles me deram no blog e isso me ajudou a dar mais autenticidade ao discurso na internet. A ênfase na autenticidade do que você publica é o melhor caminho para construir um relacionamento com a base.

E como era sua relação com Barack Obama?

Sam Graham-Felsen - Obama vinha ao escritório ocasionalmente e tive algumas oportunidades de me reunir com ele. Mas ele passava a maior parte do tempo falando com os eleitores e tentando obter apoio.

Fale um pouco da estrutura do blog. O sr. precisou montar uma equipe grande?

Sam Graham-Felsen - Essa questão da estrutura é importante. A campanha investiu pesado na equipe de novas mídias. Tínhamos 85 pessoas no total. Ou seja, éramos um dos maiores departamentos de toda a campanha. Eu tinha três blogueiros trabalhando comigo diretamente, além de uma dúzia ou mais de blogueiros regionais que postavam especificamente sobre alguns Estados onde a disputa entre democratas e republicanos era mais acirrada. Eu mantinha contato diário com muitos dos melhores blogueiros em nível nacional e estadual, fornecendo a eles o que precisavam para cobrir a eleição.

Aqui no Brasil, os políticos estão aderindo cada vez mais às novas mídias. O candidato tucano José Serra faz questão de postar pessoalmente seus comentários. Mas muitos admitem que postar no Twitter, por exemplo, toma-lhes muito tempo...

Sam Graham-Felsen - De fato. Eu costumava trabalhar sete dias por semana, geralmente mais de 12 horas por dia. Com tantas coisas em jogo nessa eleição, nós sentíamos que tínhamos o dever de trabalhar por quantas horas fossem necessárias para causar impacto.

O sr. acha que a televisão continuará a ter papel dominante nas campanhas políticas por muito tempo ainda?

Sam Graham-Felsen - Em algum momento, a televisão deixará de ter esse papel e quem vai assumi-lo é a internet. A rede está provando ser uma arma poderosa para campanhas, porque com ela é muito mais fácil testar mensagens e público-alvo. Além disso, com a internet se gasta bem menos que com a tevê. Por outro lado, tevê e internet estão confluindo. Em poucos anos será possível ligar a tevê e ser imediatamente transportado para uma “página de doação”, como ocorre hoje nos sites.

Uma das diferenças básicas entre a campanha da tevê e da internet é certamente a possibilidade de o eleitor interagir. Como era a interação com o blog? Vocês deixavam as pessoas comentarem o que era postado?

Sam Graham-Felsen - Certamente. O blog recebia geralmente cerca de mil comentários para cada postagem. Nós sempre tentamos responder a esses comentários tanto quanto possível, mas não dava para atender todo mundo. Além disso, a maioria dos comentários era de apoio à campanha, em tom amigável. Mas também havia aqueles que aproveitavam o blog para atacar Obama.

Mas vocês permitiam que as ofensas fossem publicadas?

Sam Graham-Felsen - A menos que fossem comentários realmente ofensivos, nós geralmente permitíamos que as pessoas pudessem se expressar livremente no blog.

Qual o real impacto que o blog e todas as ferramentas de internet podem ter em termos percentuais na conquista de votos?

Sam Graham-Felsen - No caso de Obama, o blog ajudou a contar a história, não apenas dele, mas do movimento que ele inspirou. Nós criamos uma narrativa, a de que pessoas comuns podem realmente fazer a diferença em seu país. Isso foi muito inspirador. E o povo respondeu acima das expectativas. Nós conseguimos US$ 500 milhões em doações individuais e também reunimos milhares de voluntários. Eu acredito absolutamente que a internet foi decisiva para o sucesso de Obama.

A campanha de Obama foi baseada numa forte mensagem: Yes, we can, que basicamente significa “esperança”. O segredo é apostar num único mote?

Sam Graham-Felsen - Acredito que tivemos sucesso porque insistimos numa mensagem básica: pessoas comuns podem causar a mudança. Outras campanhas mudaram suas mensagens frequentemente, enquanto nós fomos consistentes e nunca oscilamos, mesmo quando as coisas não iam tão bem nas pesquisas de intenção de voto.

A internet pode ajudar a tornar o financiamento eleitoral mais transparente ao estimular doações individuais?

Sam Graham-Felsen - Eu realmente acredito que pequenas doações podem ter um poderoso impacto nas campanhas. No passado, as campanhas nos Estados Unidos eram marcadas por gran¬des doações de um pequeno grupo de doadores. Mas a campanha de Obama rompeu com essa tradição. O meio bilhão de dólares arrecadados veio de três milhões de doadores individuais que doaram cada um pouco mais de US$ 100.

É a tal história do grão em grão...

Sam Graham-Felsen - Exatamente. A campanha de Obama mostrou que pequenos doadores, em grande quantidade, podem ter um peso maior que grandes doações de poucos doadores. Eu acredito também que, quando um grande número de pessoas financia uma campanha, o governo eleito sente uma obrigação maior de servir aos interesses da população de forma geral, em vez de servir a um grupo de interesses. Afinal, essas pessoas ajudaram o político a chegar lá.

No Brasil, onde menos de 25% da população tem acesso à internet, essas ferramentas virtuais não tendem a ter um impacto limitado?

Sam Graham-Felsen - Mesmo 25% da população pode trazer uma mudança significativa, caso se envolva mais nas eleições por causa da internet. Além disso, não podemos esquecer da interação dessa plataforma digital com os telefones celulares – e há mais de 170 milhões de celulares em uso no Brasil. Isso também pode ter um grande impacto.

Como a internet pode ajudar, por exemplo, a eleger alguém que nunca disputou uma única eleição presidencial?

Sam Graham-Felsen - Bem, os candidatos que usarem a internet para permitir que as pessoas comuns se envolvam em suas campanhas podem certamente se beneficiar dessas ferramentas. As pessoas se engajarão no processo político se elas sentirem que são levadas a sério por seus candidatos, que não estão sendo manipuladas, mas, sim, ouvidas no processo. E que esses mesmos candidatos lhes dão as ferramentas para poderem se envolver e se organizar em sua própria vizinhança.

A que ferramentas o sr. se refere exatamente?

Sam Graham-Felsen - A melhor maneira de mobilizar as pessoas é dar a elas tecnologias para que possam se organizar. Como disse antes, em vez de dizer a elas exatamente o que devem fazer, forneçam as ferramentas para que organizem comitês e eventos de arrecadação de fundos em suas próprias vizinhanças. Deixe-as toma a campanha em suas próprias mãos, fornecendo o suporte necessário.

No Brasil haverá cerca de dez candidatos nestas eleições, mas apenas dois têm chances reais de vitória. A internet pode ajudar os pequenos a crescer durante a campanha?

Sam Graham-Felsen - Definitivamente, a internet pode ajudar os candidatos menos conhecidos. Por exemplo, nos Estados Unidos, um candidato republicano pouco conhecido chamado Ron Paul usou a internet para ganhar visibilidade. Conseguiu arrecadar dezenas de milhares de dólares e teve destaque significativo nas primárias do Partido Republicano.

O sr. acha que o blog pode ser usado para deter ou contrapor a repercussão negativa de eventuais escândalos envolvendo algum candidato?

Sam Graham-Felsen - Bem, nós geralmente tentávamos usar o blog do Obama para transmitir suas propostas políticas e amplificar a mensagem de que a campanha em si era um movimento pela mudança. Nós não estávamos ali para responder a ataques a Obama porque não tínhamos tempo para mais nada.

Mas vocês não reagiam aos boatos, que são um fenômeno inerente à internet?

Sam Graham-Felsen - Sim, ocasionalmente nós respondíamos a falsos ataques, de modo que a verdade pudesse vir à tona. Por exemplo, nós criamos o site fightthesmears.com para combater mentiras e falsos rumores sobre Obama.

Depois das eleições, Obama continua usando a plataforma da internet para conseguir apoio às suas políticas?

Sam Graham-Felsen - Sim. O site whitehouse.gov é um grande exemplo de como governos podem ser mais transparentes e manter o diálogo com o público, mesmo depois do fim da campanha eleitoral.

Fonte: State Digital

20100407

Mídias digitais | Campanha de Barack Obama a presidência dos Estados Unidos

Uma analise do papel das mídias digitais na campanha de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos em 2008.

Até que ponto elas fizeram a diferença? O que ela modifica para futuras campanhas políticas? Como a internet pode transmitir mensagens e engajar pessoas em prol de uma causa?

Essas e outras questões foram levantadas nesse documentário, que é um resumo de como a tecnologia e a "Sociedade em Rede" podem alterar a dinâmica de uma campanha política.





20100401

Desde a utilização por Barack Obama, internet vira vedete de qualquer ação eleitoral

A eleição do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em 2008, significou uma revolução no planejamento de uma campanha política. O uso da rede mundial de computadores não era, claro, uma novidade, mas o modo como o candidato valeu-se dos recursos da internet transformou-se em parâmetro para especialistas em marketing político. Os votos de milhões de brasileiros no pleito deste ano começaram a ser disputados na web já seguindo os novos padrões. As páginas eletrônicas estáticas, usadas apenas como propaganda, continuam ativas. No entanto, a procura por interatividade com os eleitores nas redes sociais e em trocas dinâmicas de mensagens é a grande aposta para a vitória nas urnas em 2010.

De acordo com dados divulgados pelo IBOPE Nielsen Online, em 2009, o Brasil tinha 66,3 milhões de usuários de internet com mais de 16 anos. Ou seja, todos eleitores em potencial. Respaldados por uma legislação que incentiva o uso de meios digitais, os políticos se aventuram em novas empreitadas. A lei permite ações em sites próprios, blogs e páginas de relacionamento, como Facebook, Orkut, MySpace e o microblog Twitter. Portanto, muito antes de 6 de julho, quando propagandas eleitorais passam a ser permitidas, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os aspirantes a uma vaga e os que pretendem permanecer no Executivo já tentam conquistar, online, o maior número de votos — embora tenham que manter as verdadeiras intenções veladas. A única restrição, mesmo depois que a campanha começar oficialmente, refere-se às publicidades pagas.

O especialista em campanhas eleitorais na internet Moriael Paiva ressalta a força da rede mundial de computadores. Responsável por campanhas bem-sucedidas na internet, como o projeto virtual que desenvolveu nas últimas eleições para a prefeitura de São Paulo, o publicitário ressalta, porém, que a web ainda não tem o mesmo peso da televisão ou do rádio por causa das limitações no acesso ao recurso. Mesmo assim, Paiva afirma que candidatos a deputado ou senador, por exemplo, devem recorrer ao uso da ferramenta porque os eleitores têm procurado informações online.

Embora seja um campo vasto a ser explorado, a internet requer alguns cuidados e, ainda segundo ele, os políticos precisam de orientação, especialmente no uso das redes sociais, onde os questionamentos dos internautas costumam ser mais intensos. “No Brasil, a internet ainda não é capaz de decidir uma eleição presidencial porque é um pleito que envolve uma parcela muito grande da população que não tem acesso ao recurso. Quando o político, porém, é candidato a deputado e seu público-alvo está nas classes A, B e C, a rede mundial de computadores pode fazer a diferença”, acredita Moriael Paiva.

“A web requer transparência, autenticidade. Não adianta o cara criar um perfil no Twitter e pedir para o assessor atualizar, porque os usuários descobrem e o trabalho perde credibilidade. Essa é exatamente a grande diferença da internet em relação aos outros meios de comunicação: a possibilidade de interação direta e eficiente entre candidato e internauta”, ensina.

Anarquia

A grande angústia dos políticos quanto ao uso da internet é a falta de controle sobre o que é publicado sobre eles. Por isso, alguns erram o tom em resposta aos eleitores e a campanha online acaba sendo um tiro no pé. Essa é a opinião de Leonardo Barreto, professor de ciências pol&ia cute;ticas da Universidade de Brasília. De acordo com ele, a rede mundial de computadores é um espaço anárquico e o uso político da web significa uma nova era na democracia. “Não basta o candidato ter um perfil em cada rede social se não souber usá-las. É necessário manter o equilíbrio na troca de ideias com os eleitores e não simplesmente querer enfiar a informação goela abaixo, como é na televisão ou no rádio. Na minha opinião, os políticos brasileiros ainda não estão totalmente preparados para utilizar a internet”, diz.

Com o intenso fluxo de informações na web, candidatos e eleitores tendem a perder o foco sobre o que é realmente importante na discussão dos direitos e dos deveres de cada um. Barreto ressalta quão necessária é a filtragem das notícias para auxiliar na decisão na hora do voto. O estudante de direito Marcos Alves, 22 anos, faz questão de acompanhar o máximo de candidatos possível. Para ele, essa é um maneira eficiente de escolher seus favoritos e influenciar as outras pessoas. Com perfis no Orkut e no Twitter criados especificamente para ter contato com políticos e eleitores, o jovem declara que é testemunha da inabilidade de internautas e candidatos na troca de ideias.

“Eu sei que a internet ainda não tem um peso tão grande no Brasil, mas acho que a participação na rede dos interessados por política é baixa e ruim. Basta qualquer palavra mal colocada para que o debate se transforme em um pandemônio de acusações recheadas de palavras de baixo calão. O político, que deveria ser um mediador durante essas discussões, claramente não está familiarizado com o universo virtual”, comenta Alves. “Espero que essas eleições ensinem alguma coisa sobre o uso da política na internet para nós, brasileiros, e que as lições aprendidas possam ser utilizadas em votações futuras. Só temos a ganhar com esse espaço democrático, onde todos podem falar de igual para igual, que é a rede mundial de computadores”, completa.

Números significativos

As informações divulgadas na pesquisa do IBOPE Nielsen Online chamaram a atenção dos especialistas não só pela quantidade de pessoas com acesso à internet (em casa e no trabalho) no Brasil, mas pelo tempo que o internauta passa navegando. Em 2009, os brasileiros ficaram online, em média, 44 horas, ultrapassando países como Estados unidos, Austrália e França.

Banco virtual

Outro aspecto da campanha presidencial de Barack Obama que teve influência direta nas estratégias para as eleições brasileiras de 2010 foi a doação pela internet. Pela rede, o então candidato à Casa Branca arrecadou US$ 500 milhões. No Brasil, a legislação permite doações em dinheiro pela rede mundial de computadores, desde que sejam feitas por mecanismos disponíveis na página do próprio candidato. Essa ferramenta deve encaminhar a quantia para a conta bancária do político e os internautas têm de informar o número do CPF. Doações por cartão de crédito só podem ser realizadas por pessoas físicas e o uso de cartões corporativos está proibido.

Matéria publicada pelo site Correio Braziliense Online, em 25 de fevereiro de 2010, com citação à pesquisa do IBOPE Nielsen Online

20100128

Os segredos de Obama


Estrategista da campanha do presidente dos Estados Unidos, Scott Goodstein, palestrou na edição brasileira do acampamento digital
Os candidatos que almejam conquistar uma posição no cenário político têm duas opções: ou seguem os avanços e se enquadram na nova linguagem imposta pela web, ou então ficam para trás. Foi mais ou menos esse o recado dado por Scott Goodstein, um dos principais estrategistas da campanha eleitoral do presidente dos Estados Unidos Barack Obama, durante palestra realizada nesta quarta-feira, 27, durante a Campus Party Brasil.

Um dos principais convidados da terceira edição do acampamento digital - que acontece no Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo, até o próximo dia 31 - o estrategista eleitoral falou sobre a construção da vitoriosa campanha de Obama e deu dicas de como os profissionais de publicidade e do marketing político podem agir para se comunicar com a nova geração de eleitores.

Ao mostrar exemplos da plataforma digital e dos canais agregados na campanha que conduziram Obama à Casa Branca, Goodstein deixou claro que a inovação na abordagem eleitoral foi propiciada graças à observação da queda da audiência televisiva no mercado norte-americano, em contrapartida do aumento da utilização da internet e dos meios digitais.

Sendo um dos responsáveis por uma campanha que se destacou por priorizar as mídias sociais e usar a internet como plataforma central de divulgação, o estrategista ressalta que, em época de campanha eleitoral, é necessário, inicialmente, não ter medo de arriscar e de experimentar novos modelos.

Para uma plateia lotada, formada por "campuseiros" e jornalistas, Goodstein explicou que a construção da campanha de Obama levou um período de dois anos, dentro do qual várias ferramentas foram testadas e, principalmente, modificadas. "Começamos com muita força no MySpace, que era a rede social preferida dos americanos. Depois, o Facebook o ultrapassou e tivemos que nos adaptar e fomos mudando, mudando. Isso sem contar no grande impacto do Twitter, no ano de 2008, que foi responsável por divulgar a mensagem de Obama em todo o planeta", relembrou o estrategista.

Eleitores como membros da campanha

Dando indicativos do panorama que os candidatos irão enfrentar nas próximas eleições brasileiras, que acontecem em outubro deste ano, Goodstein destacou a necessidade de inserir os eleitores e os internautas dentro das estratégias da campanha eleitoral, fazendo com que as pessoas se engajem naquela mensagem.

Como exemplo, ele citou o discurso histórico feito por Barack Obama na cidade de Berlim, que foi acompanhado por centenas de milhares de pessoas. Segundo Goodstein, a visita de Obama à Alemanha não foi promovida com grande ênfase pelo próprio comitê de campanha, mas a notícia acabou repercutindo de forma espontânea pelas redes sociais e culminou com a concentração de uma grande massa na capital alemã. O profissional de marketing político também enfatizou a importância dos celulares e das mídias móveis na construção da imagem de Obama e destacou que o SMS e as mensagens de texto possibilitam a veiculação de mensagens objetivas, fortes e impactantes.


Apesar dessas considerações, quando questionado a respeito da possível eficácia da utilização da internet na campanha de Obama caso o antecessor na presidência dos Estados Unidos não fosse alguém com a popularidade tão baixa - como era o caso de Geroge W. Bush - Goodstein enfatiza que, apesar das estratégias publicitárias na promoção e na divulgação dos candidatos, o que ainda conquista e cativa os eleitores é a figura e a essência do candidato.

Meio & Mensagem