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20110214

A presidente Dilma não dá lide, nem explicações

Acho que até quem nunca foi jornalista entende o jargão, sabe o que é lide. Em todo caso, aqui vai: a palavra deriva do inglês, lead, e é a cabeça da notícia, da matéria, da reportagem, do artigo, do editorial, enfim, do que saia publicado. E destina-se a atrair a atenção do leitor para o tema.

Lula dava lides sobre os mais diversos temas nos seus dois ou três discursos diários, da permanente villegiatura pelo Brasil ou no exterior. Se não tivesse um assunto, criava-o.

Bom, pelo menos até agora, essa me parece a maior diferença entre os dois: Lula falava demais, Dilma fala de menos. Lula não gosta de que a gente aponte diferenças entre eles. Disse na festa do PT que isso é parte da tática da "desconstrução do governo Lula". Acho que não. Acho que é parte normal das análises que a imprensa, nacional ou estrangeira, sempre faz a respeito de governantes que se sucedem. Mas pouco importa o que ele diga. No que me concerne, como diria o ex-presidente Jânio Quadros - outro que falava muito, e muito bem, com rico vernáculo, mas também não fazia nada -, trabalho, sim, pela desconstrução total de Lula naquilo que posso. Nunca gostei dele, e gosto menos ainda depois de oito anos de Lulíadas.

A questão aqui não é a mera diferença de estilos parlatórios dos dois, mesmo porque, ambos falam muita besteira de improviso. Por exemplo, o slogan do primeiro pronunciamento de Dilma pela televisão: "Brasil, país rico é país sem pobreza". Bobagem. Além da tautologia rasgada, não existe nenhum país no mundo sem pobreza - até na Suécia existe pobreza -, portanto, não existiria nenhum país rico. Mas, deixemos, a lógica nunca foi o forte do PT e das suas lideranças.

O importante, na verdade, é a clareza de enunciados, propósitos e ações.

Nesse aspecto, o primeiro mês de mandato de Dilma não difere muito dos oito anos de ações de Lula, cujos enunciados, propósitos e ações eram propositalmente confusos.

A semana encerrou-se com um propósito enunciado, mas não definido, de cortes de R$ 50 bilhões no orçamento, como parte do programa fiscal para este ano. Deixemos, mais uma vez, de lado o fato de que a nova presidente, quando candidata, ironizou e repudiou a necessidade de ajuste fiscal, pois, na sua opinião, a economia ia bem e ajuste fiscal era conversa mole de economistas ortodoxos para prejudicar o povo e os pobres. Se agora o seu governo embarca num ajuste fiscal dessa magnitude, palmas para a oposição que alertava para essa necessidade nos últimos dois anos.

O problema é que, da maneira como foi anunciado, o corte orçamentário não granjeou nenhuma credibilidade, pois, para bons entendedores do mundo da economia e dos negócios, ao contrário do que se diz, meias palavras não bastam. É necessário tudo muito bem explicadinho. E praticamente nada foi explicado sobre onde serão feitos os cortes para se chegar àquela vultosa quantia, a não ser algumas dúbias referências a cortar verbas de emendas de parlamentares e algumas coisas no custeio do governo federal. Emendas parlamentares que propõem despesas, mas não criam receitas, podem ser cortadas à vontade, pois é o mesmo que cortar vento. Feitas algumas poucas contas, já se percebe que, isso tudo somado, não representaria quase nada do que se propõe.

Acresce que os mensageiros do pacote foram os ministros Guido Mantega, da Fazenda, e a ministra Miriam Belchior, do Planejamento. A presidente não se fez presente. A credibilidade do primeiro, com quem comanda a economia - analistas, investidores, empresários - compete seriamente com a dos técnicos de futebol, para dizer o mínimo. Já a ministra Belchior disse que o corte "não vai ser sem dor", mas também não explicou direitinho como e onde seria feito, e na foto do jornal Valor parecia é estar arrancando os cabelos...

Talvez tenha algum motivo para isso.

O fato é que a inflação disparou para fora da meta, e os mais otimistas creem que será possível reconduzi-la para dentro da meta só no ano que vem. Talvez, se realmente for feito um corte significativo no custeio do governo, pois é essa despesa do dia a dia que alimenta a inflação, e se for feito um corte não desprezível nos investimentos do PAC. Fora essas duas coisas, ainda há o problema do excesso de crédito, dos financiamentos a juros subsidiados, dos déficits da previdência, do câmbio supervalorizado que estimula o consumo e, last but not least, do reajuste do salário mínimo. Esse é um assunto que, parece, terá solução nesta semana. E, segundo se diz, a presidente não quis definir a questão dos cortes sem ter definido, antes, a do salário mínimo, tal a importância desse para a preservação do equilíbrio do conjunto das contas públicas. Assim, caso não consiga o reajuste do salário mínimo em R$ 545, e tiver de aceitar algo maior, como os R$ 560 que teriam sido acordados com a oposição, o jeito será aumentar os cortes no custeio e nos investimentos.

Já o plantador desses abacaxis, que a sucessora colhe agora, aproveitou o aniversário do PT para já começar a sua campanha eleitoral, exortando os companheiros a correrem para, daqui a dois anos, abocanhar muitas prefeituras, e proclamando que o sucesso de Dilma será o dele.

Jornalista

Fonte: O Estado de São Paulo







20101126

Um perverso parlamentarismo

João Geraldo Piquet Carneiro, ex-presidente da Comissão de Ética da Presidência da República, não vê solução simples para uma deformação do modelo político brasileiro em que os governos só costuram apoios pela via da cooptação de congressistas
Por Eugênio Esber  


Nos mais de 450 mergulhos que praticou e continua a praticar até hoje, aos 69 anos, o advogado carioca João Geraldo Piquet Carneiro, presidente do Instituto Hélio Beltrão de estudos sobre administração pública, evita descer além dos 20 metros. “A partir daí, a visão dos corais e toda aquela beleza hipnotizante vai ficando cinza”, constata. O mesmo cinza que, com bom humor, ele diz ter encontrado na medida em que baixava às profundezas do setor público. Foi uma incursão de 11 anos: seis como coordenador do Programa Nacional de Desburocratização, nos anos 1980, e cinco na presidência da Comissão de Ética da Presidência da República, de onde saiu em 2004.

Desde então , voltou a advogar – é sócio da Veirano e Piquet Carneiro, de Brasília –, mas mantém o comportamento do setor público enquadrado na sua alça de mira. E, como demonstra nesta entrevista a AMANHÃ, não gosta muito do que vê. Mas não se surpreende com o andar lento e incerto das mudanças que deveriam ser incorporadas à gestão pública. “O (Hélio) Beltrão tinha uma frase que não esqueço”, sorri Piquet. “Ele dizia que o poder não resiste a um teste de intimidade.” A grande preocupação é com o modelo de governabilidade em voga no Brasil. “Estamos formando um sistema parlamentarista pelo mais perverso dos modos”, adverte.

Que Congresso o Brasil está elegendo em 2010?

Apesar de todas as campanhas de imprensa em torno da bandeira da Ficha Limpa, não há renovação, não há pessoas sem vínculo, sem rastro, chegando. Porque o candidato, o extrato dele, vem do processo eleitoral, do sistema partidário, tal como existe hoje. Vem de um sistema político que já foi chamado um dia – o nome não louva muito o processo – de “presidencialismo de coalizão”. Nele, o governo é sempre de coalizão: senão o presidente não consegue governar. Assim, vamos ter nos próximos anos o mesmo processo de cooptação de parlamentares vinculados aos partidos A, B, C e D e que formarão a nova base parlamentar. E a moeda de troca continuará a ser, necessariamente, cargo público. Cargo e verba pública. É o princípio do “Follow the Money”, ou veja aonde o dinheiro vai para saber para onde as pessoas estão indo. Em resumo, não vejo grande chance de renovação porque o sistema (que obviamente está vencido) não permite isso. O método da cooptação, para formação de governos, vai continuar. Assim foi sempre, incluindo a era Fernando Henrique e a fase do PT.

Alguns analistas creem que a vitória de Dilma desloca o poder de um líder, Lula, para um partido, o PT. O relacionamento do governo com o Congresso, sob esta perspectiva, muda?

Não. Porque Dilma não conseguirá governar sem o PMDB. Ela não tem o carisma e a liderança de Lula. Para governar, ela teria de caminhar muito para o lado do PMDB. E o PT vai estar satisfeito com o poder que terá? Esta é a questão. Aliás, o PT não é um só, é um conjunto de tendências, algumas mais fortes, outras menos, com disposição histórica para brigar internamente, puxar o tapete... O problema, na minha opinião, será esta expectativa maior do PT de que vai mandar, e a dificuldade de Dilma de lidar com isso. É um cenário difícil para Dilma. Eu tenho a impressão de que um certo núcleo ela conseguirá formar a partir de pessoas como Palocci e outros que passaram pelo governo e que têm prestígio. Eles poderão ajudá-la diante destas pressões. Agora, que os quadros do PT virão com força, virão.

O que muda no governo com Dilma no lugar de Lula?

É um governo focado muito menos na figura presidencial, carismática. Ela não será nem um Lula nem um Fernando Henrique. É claramente uma solução mais tecnocrática, embora esta palavra talvez não seja a mais adequada. O Fernando Henrique pode até ter desejado fazer uma administração técnica, mas ele não era um gestor. Suas credenciais não eram de gestão. As credenciais do Lula também não. Talvez o Collor tenha sido um governador com esse perfil, mas, vindo de um Estado pobre, não tinha a condição de um grande gerente. Já a Dilma tem esta condição, tanto que ela ressalta com frequência o currículo ministerial que tem, a capacidade executiva. Mas governar um país é mais complexo, e sua presidência deve começar muito complicada, especialmente no primeiro ano. Talvez o bom momento da economia colabore muito para manter as coisas bem.
E o governo José Serra, como seria?

Na comparação com Fernando Henrique, o Serra me parece um pouco diferente. Fernando Henrique era um grande negociador também, era paciente, sedutor, delegava mais. Já o Serra é um forte centralizador. Mas, como teve uma grande experiência parlamentar e fez um governo exitoso em São Paulo, eu acho que o Serra negociaria bem o Congresso, especialmente na relação com o PMDB paulista.

Você elege hoje o Tiririca pensando que está fazendo um voto de protesto. Mas, com as sobras eleitorais do Tiririca, você pode estar elegendo um membro do mensalão

Para mudar esta realidade... só mesmo na hipótese de uma reforma partidária muito séria e conduzida em um início de governo. Mas sou muito cético sobre isso. As mudanças teriam de ser profundas. Teríamos de tapar grandes buracos. Vou dar um exemplo deles. Você elege hoje o Tiririca pensando que está fazendo um voto de protesto. Mas, com as sobras eleitorais do Tiririca, você pode estar elegendo um membro do mensalão. Porque as sobras vão para o partido, e estas sobras beneficiam candidatos que você nem sabe quem são. Que representatividade é esta? Como resolver isso? Talvez com a adoção de um sistema que combine elementos do voto proporcional com o do voto distrital. Mas não vejo nenhum horizonte para isso. Não há ninguém se empenhando para fazer esta reforma. E não acho que Dilma, por exemplo, tenha credenciais para liderar esta mudança. Ela vai querer, acima de tudo, assegurar a governança dela. Como vai conseguir governar o país, como atender a todos... O início de governo de Dilma vai ser um déjà vu de vários outros inícios de governo. Nem eles, os governantes, sabem com quem vão governar.

Você publicou um artigo sustentando que, antes da eleição, os candidatos deveriam apontar as pessoas que, em caso de vitória, ocupariam os postos-chave de seu governo, como o cargo de presidente do Banco Central. Isso é factível?

No estado de coisas atual, é difícil, porque não se sabe qual vai ser a composição do Congresso, qual o tamanho do grupo que vai apoiar o presidente e qual o tamanho do grupo que fará oposição. Ao que tudo indica, a situação – PMDB e PT – vai crescer. Isso significará mais aparelhamento, e, de outra parte, mais críticas às escolhas para os cargos com verba. Esta será a pressão, e ela não melhora em nada o padrão ético da política. Nem da política, nem da gestão.

Em que países há menos incerteza sobre formação de equipes de governo?

Nos regimes parlamentaristas é muito fácil prever de que pessoas será composto o governo, porque lá esta questão envolve uma negociação muito mais restrita. O que nós temos hoje no Brasil, e que é uma verdadeira curiosidade, é um regime presidencialista em que o parlamentar pode ocupar cargo no Executivo sem perder o mandato. No presidencialismo americano, isso é impossível. Lá, nenhum parlamentar vai trabalhar no Executivo porque, para fazer isso, teria de renunciar ao mandato. E aqui, não. Aqui, os parlamentares vão para o governo sem abrir mão do mandato, e acabam formando um sistema parlamentarista pelo mais perverso dos modos. Então o parlamentar vai ocupar um cargo com verba e enquanto estiver no posto vai privilegiar suas bases eleitorais. Essa peculiaridade dá ao congressista um poder gigantesco. E também impede mudanças na gestão de empresas que são joias da coroa.

É muito importante que, também no Brasil, um parlamentar seja impedido de servir ao Poder Executivo

Em 2003, a Comissão de Ética Pública, que presidi durante cinco anos, fez um estudo que resultou em um ranking de órgãos mais suscetíveis de corrupção. E quem ficou em primeiro lugar foi a ECT, uma empresa que tem um enorme caixa, muito poder de mercado, é um monopólio e praticamente não tem instrumento interno de reequilíbrio do ponto de vista da ética gerencial. E você nunca viu, até agora, nenhum candidato trazendo sugestões de como lidar com isso. Porque, se trouxer, vai meter medo nos aliados. Então é muito importante que, também no Brasil, um parlamentar seja impedido de servir ao Poder Executivo. E que adotemos alguns instrumentos elementares para moralizar a administração pública.
Por exemplo?

Por exemplo: se você vai fazer uma licitação no âmbito de uma estatal que é objeto de partilha política de cargos, é inadmissível que a Comissão de Licitação seja composta só de funcionários daquela empresa. Porque aí você está oferecendo a banana já sem casca para o macaco. E você pode, por exemplo, criar controles próprios sobre as verbas para poder seguir o dinheiro. Isso pode ajudar a melhorar um pouco. O México, por exemplo, que não chega a ser nenhuma Brastemp em matéria de moralidade pública, tem a figura do representante do povo, que é chamado a participar de comissões de licitação pública. Este representante não pertence ao governo. Claro que tem de trocar logo, porque senão ele pode entrar no esquema. Mas são mecanismos que podem melhorar a gestão das estatais. Para órgãos que não têm seus cargos partilhados politicamente, como Banco Central, Receita Federal, Tesouro Nacional, e que são autorregulados, você não precisa ter este controle.

Licitações têm “n” estágios. Etapas, controles, etc. Depois, você tem corrupção. Como é possível que esses controles não sirvam pra nada? Aliás, eles servem, sim: para corrupção

Pois é... Na verdade, a quantidade de controles aumenta substancialmente a quantidade de corrupção. Vamos dar um exemplo concreto: essa quantidade espantosa de certidões negativas que se pede. Ela leva à indústria da certidão e à indústria da falsificação. O excesso de atestados leva à mesma coisa. Sempre se compra um atestado. Vejamos as compras públicas. É um processo complicadíssimo. Licitações têm “n” estágios. Etapas, controles, etc. Depois, você tem corrupção. Como é possível que esses controles não sirvam pra nada? Aliás, eles servem, sim: para corrupção.
Como melhorar esse processo?

Vejamos um caso. O pagamento de uma obra é feito, sempre, em função da quantidade construída. Você vai fazer uma estrada e a cada “x” quilômetros você mede a obra e tem direito a receber a primeira, segunda, terceira, quarta, quinta parcela, e por aí vai. Cada momento desses é uma oportunidade de corrupção. A gente pode imaginar uma obra no meio da Floresta Amazônica. Está o engenheiro de campo mais o fiscal para medir. Imagina se aí não pode rolar uma conversa de facilitação? Esse processo é uma tentação que se cria para a corrupção. Como funciona um sistema equivalente de obras públicas na Europa? Claro que, lá, tem corrupção, tem influências políticas até na fase da pré-obra... Mas lá é tudo mais simples. Para fazer uma ponte, o poder público pode escolher, a partir de critérios técnicos, entre dois ou três melhores preços. No dia em que o camarada aprontar e entregar a ponte, ele recebe o dinheiro. Até lá, aquilo é financiado pelo próprio empreiteiro – é claro que se submetendo a taxas de juros muito mais razoáveis que as nossas...
Qual a lição que se pode extrair daí?

A lição de que você não precisa de imensos controles. No exemplo anterior, se o empreiteiro não cumprir o prazo leva multa. Mas não tem essas fiscalizações todas, essas oportunidades todas para a corrupção. O que temos hoje em licitações? A fase de pré-qualificação. A regra estabelece que só determinadas empresas, com tais e tais características e experiências, podem participar. Mas o sistema permite que as empresas virem consórcios. Em consórcios, um se soma ao outro, combinam-se divisões... Isso não melhorará o preço da obra final. Eu acredito que, se nós reduzíssemos drasticamente essas exigências formais, no fundo talvez viéssemos a ter um sistema mais competitivo.
As concorrências via internet não tornam o processo mais seguro?

O que vou dizer pode parecer absurdo, mas por enquanto não faz diferença nenhuma ter papel ou não ter papel. Afinal, sempre se terá de cumprir algum tipo de exigência. Pregão eletrônico foi saudado como sendo, esse sim, um sistema de compras maravilhoso. “Ninguém pode corromper, pois afinal aquilo tudo é feito ao vivo. E presencialmente.” Pois já começam a aparecer vários casos de pregões também manipulados. Porque as combinações prévias podem acontecer, ainda mais em situações cartelizadas.

Sempre achei que a digitalização e os recursos eletrônicos deveriam seguir uma política de desburocratização, isto é, ser antecedidos de uma boa limpa do que é desnecessário

Acho que, no Judiciário, faz todo o sentido a digitalização do processo. Afinal de contas, o processo físico, com 100 mil páginas, é imanipulável. Mas a pergunta que deve ser feita é se um processo precisa ter 100 mil páginas. Tudo isso tem de ser lido. Alguém tem de olhar para aquilo tudo. Eu sempre achei que a digitalização e esses recursos eletrônicos deveriam seguir uma política de desburocratização, isto é, ser antecedidos de uma boa limpa do que é desnecessário. De certo modo, isso passa a acontecer no Judiciário porque, na hora de digitalizar, começam a aparecer coisas irrelevantes, papéis que não têm nada a ver com o processo, ou que estão em duplicata... E então passa a existir uma certa preocupação com a tarefa de limpar o processo. Veja, o número de vezes que alguém pode recorrer na Justiça independe de o processo ser digitalizado ou não. Você está aí em Porto Alegre, você é advogado, tem acesso eletrônico ao seu processo, pode recorrer, e fica até mais barato apresentar recurso...

Uma de suas especialidades é a defesa da concorrência, assunto que ganha evidência com a avaliação que o Cade está fazendo sobre a incorporação da Sadia pela Perdigão. Como evitar a formação de cartéis e trustes sem impedir, também, a formação de grandes grupos brasileiros que pretendam competir em escala global?

As autoridades antitruste acabam homologando essas associações, embora fiscalizem e imponham restrições. Acho até que o nosso Cade funciona bastante bem nesse sentido. Mas são ciclos. Hoje, vivemos o ciclo da megaempresa. Concentração empresarial é vista como muito boa, como saudável para os mercados, etc. Então para cada atividade-chave você tem uma ou duas grandes empresas, e só. Foi o modelo que adotamos para Telefonia, Energia Elétrica, etc. Mas já houve época de small is beatiful. Foi nos anos 1980, quando nenhuma grande empresa poderia se associar a outra grande companhia porque a autoridade norte-americana antitruste vinha e vetava. Mas aí era outra filosofia. Agora, não. Agora é big is beatiful. No fundo são ondas, modismos. Já vi umas quatro. Daqui a pouco, se houver problemas com alguma forma criminosa de concentração, então virão as críticas, a sustentar que a culpa é do modelo. E, de fato, quando você tem poucos atores em um mercado, a possibilidade de eles se articularem é grande.
O modelo está permissivo com fusões e aquisições?

 
Talvez em parte esteja, sim. O facilitário existe. Numa reflexão de fundo mais histórico e filosófico, a queda do muro de Berlim decretou o fim dos contrastes. Não há mais alternativa ao capitalismo nosso de cada dia. E os casos de corrupção cresceram na medida em que o Estado não está mais presente e a atividade regulatória diminuiu drasticamente. Agora é que ela está voltando. Mas vigorou o princípio de que não tem mais rédea nenhuma. Tira a rédea do cavalo e deixa ele correr para onde quiser. E aí dá nisso. O Brasil até que ficou bastante protegido. Por mais que a gente não goste, nós aqui temos um excelente Banco Central, uma boa Receita Federal, a Comisão de Valores Mobiliários, – que funciona bem – e o Cade, que também funciona. Portanto, o Brasil dispõe de um mínimo de controles regulatórios, e que têm sido observados. Nossa Lei das S.A, que vem lá dos anos 1970, é excelente – muito melhor que a norte-americana. A nossa legislação de mercado de capitais também. São instituições que funcionam bem. Raramente – ou nunca – aparecem na página policial.

Fonte: Revista Amanhã

20100921

Políticos apanham do Twitter

O Twitter vai ser uma presença constante nas eleições de 2010. A rede social virou moda entre os políticos. Parece que todos querem embarcar na nova onda tecnológica (no "estilo Barack Obama", eleito presidente dos Estados Unidos com a ajuda de sites como o Twitter e o YouTube). Mas a rede social não vai ter um grande peso na definição do presidente ou dos parlamentares brasileiros. Por aqui a realidade é outra: enquanto nos EUA 74% da população tem acesso à internet, 65,2% dos brasileiros acima de 10 anos nunca tiveram acesso à rede.

A distância que a população está da web reflete também nos políticos que se aventuram no Twitter. José Serra, o candidato mais popular do país no site, não tem 300 mil seguidores. Obama tem mais de 4,4 milhões de seguidores. E a maioria dos políticos brasileiros não estão preparados para sobreviver nesse novo mundo. Muitas gafes foram cometidas nos últimos meses por políticos no Twitter, mas a maior parte delas foram tropeços de discurso: frases que ficaram fora de contexto, piadas que não tiveram graça, sentidos que se perderam pelo mau uso da ferramenta. O exemplo mais recente desses casos é o de Marina Silva, que por não saber como funciona o retweet [quando um usuário reenvia a mensagem de outro], entrou em uma discussão religiosa com alguns usuários.

Com a proximidade das eleições as táticas para ganhar popularidade no Twitter estão ficando mais agressivas, o que pode causar deslizes mais graves.

Na noite de quarta-feira (7), o perfil @jorgecortereal, de Jorge Côrte Real, candidato a deputado federal em Pernambuco, apareceu de uma hora para outra na lista de perfis seguidos de mais de 30 mil pessoas. Logo os tuiteiros começaram a discutir o episódio. Alguns lançaram a suspeita de que Real, ou alguma assessoria de comunicação, teria comprado o perfil @naoehamor e trocado de nome, para ficar com seus seguidores. É possível trocar o nome de uma conta no Twitter a qualquer momento, se o novo nome não estiver em uso. Todas as mensagens da conta anterior haviam sido apagadas. Usuários estranharam uma conta nova nas suas listas, com mais de 30 mil seguidores, criada em setembro de 2009, e apenas uma mensagem enviada.

Depois que a discussão se espalhou pelo Twitter, o @jorgecortereal de 30 mil seguidores desapareceu e reapareceu com uma outra conta, mais recente, que tem menos de 100 seguidores - seu perfil original, antes da tentativa de ganhar milhares de seguidores rapidamente. No Twitter, Real escreveu: “Tive um pequeno problema com o gerenciamento do meu perfil do twitter, mas já foi normalizado. Obrigado pela compreensão.” Uma conta nova chamada @naoehamorr surgiu e afirmou: "A ideia foi nossa, do perfil naoehamor. Mas dr. Jorge pediu para retirar".

Os boatos sobre a troca de um perfil com poucos seguidores por outro mais popular surgiram, já que a venda de contas com muitos seguidores ocorre em todo o mundo entre pessoas e empresas que querem ter perfis populares. No exterior, uma conta com 100 mil seguidores [mais do que Marina Silva e um pouco menos que Dilma Rousseff] pode custar até R$ 9,5 mil. Há soluções nacionais também, como um software que replica convites de outras contas, citado em uma reportagem de junho do Correio Braziliense. Um pacote de um milhão de mensagens para usuários custaria R$ 5 mil. É fácil encontrar na internet perfis com dezenas de milhares de seguidores vendidos por menos de 500 reais.

O Twitter não vai definir a eleição presidencial. Talvez tenha mais influência para cargos menores, como os de deputados federais e estaduais - em 2012 pode ser muito importante para prefeitos e vereadores - mas é preciso prestar em atenção nos seus candidatos. Você não vai querer votar em que te engana, mesmo que na internet.

Atualização: A assessoria de comunicação de Jorge Côrte Real publicou um comunicado afirmando que não houve nenhuma compra de perfis no Twitter e nunca existiu a intenção de enganar as pessoas. "Se houve alguma falha, foi por total desconhecimento de regras de conduta do twitter", afirma o comunicado. Segundo a assessoria foi o dono do perfil @naoehamor que quis ajudar Real voluntariamente e resolveu fazer a mudança.
Fonte: Revista Época

20100915

Estudo do IBOPE Nielsen Online comprova reação em cadeia na web sobre o debate em torno das eleições

O debate em torno das eleições comprova que o poder de reação em cadeia das mídias sociais é uma realidade. Um estudo da ferramenta BuzzMetrics, que o IBOPE Nielsen Online trouxe ao mercado para diagnosticar a situação de uma determinada marca ou assunto nas redes sociais, joga luz sobre a mobilização de simpatizantes na internet e ratifica a rede como grande aliada para angariar apoio.

Por meio da ferramenta, a empresa verificou a evolução da participação do tema eleições no meio digital desde o início oficial da campanha eleitoral, dia 6 de julho. O assunto alcançou um pico de mensagens no Brasil em blogs, fóruns, grupos de discussão e no Twitter, no dia 18 de agosto, data do primeiro debate eleitoral online entre os candidatos a presidente.

O Buzzmetrics apontou ainda outros dois grandes picos de mensagens: um deles foi no dia seguinte ao primeiro debate realizado pela televisão aberta entre os candidatos a presidente, o outro ocorreu quando a candidata do Partido Verde, Marina Silva, foi entrevistada em um telejornal, cinco dias depois. Por meio da ferramenta ainda é possível verificar que no total de mensagens em torno do debate na web, a candidata Dilma Rousseff, do PT, aparece em primeiro lugar, seguida de José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL).

Internet brasileira
Segundo o IBOPE Nielsen Online, cerca de 67,4 milhões de brasileiros acessam a rede mundial. O número leva em consideração os acessos feitos em domicílios, escolas, universidades, trabalho, locais públicos e lan houses, no período de janeiro a dezembro de 2009.

O acesso online também não é mais um recurso exclusivo das elites. A ascensão digital da classe C passa pelo processo de evolução econômica e cultural vivenciado por essa parcela da população brasileira.

Segundo a Internet Pop, realizada em novembro de 2009, 42% dos internautas brasileiros pertenciam à classe C, contra 48% das classes A/B e 10% da D/E. “Há dez anos, a participação da classe C, entre os usuários de internet, representava 21% e, há cinco anos, 31%, o que comprova a crescente popularização do meio internet”, avalia Fábia Juliaz CEO do IBOPE Nielsen Online e diretora executiva de negócios do IBOPE Media para a América Latina.

Atento a esses números, os principais partidos políticos do país apostam que as redes sociais serão peças-chave para conquistar votos. Pela primeira vez, a legislação brasileira permite a exploração das ferramentas online, consentindo doações pela internet e o uso de sites, blogs e redes sociais (como Orkut, Facebook e Twitter) ao longo da campanha, mesmo no dia da votação.

Sobre o Buzzmetrics
Atualmente, a cobertura na língua portuguesa do BuzzMetrics é de mais de 4,5 milhões de blogs, 70.000 fóruns e 50 milhões de comentários. Por meio de uma palavra-chave é possível identificar quantas vezes empresas, marcas, produtos, campanhas ou eventos foram citados em redes sociais, blogs, microblogs, fóruns, vídeos e conteúdo online de mídias tradicionais.

A ferramenta não só permite o entendimento das percepções dos consumidores online, como também seu poder de influência: quanto se fala, quem fala e quem escuta, como e onde se fala, do que se fala e o sentimento que prevalece em cada comentário.
Fonte: IBOPE

20100825

O debate pela internet

O primeiro debate presidencial transmitido pela internet, organizado pela Folha de S. Paulo e pelo UOL, bateu recordes de audiência, virou um dos assuntos mais comentados no twitter e trouxe inovações importantes, como as perguntas feitas pelos internautas (ótimas, por sinal).

Mas, como todos os outros debates anteriormente transmitidos pela TV, deixou muito a desejar com relação ao objetivo da exposição das diferenças de ideias e propostas dos candidatos - sempre alardeado como o primeiro e principal objetivo desse tipo de confronto, na voz de seus promotores, que, nessas ocasiões, gostam de encher o peito e falar em defesa do aprofundamento da democracia, pluralidade de opiniões, etc, etc.

Quem acompanhou o debate de ontem viu o mesmo desfile de sempre de discursos rasos, superficiais e atulhados de números enganosos sobre questões que passearam – sempre muito rapidamente e sem qualquer profundidade – pelas reformas tributária e política, o uso de incentivos fiscais para impulsionar a economia, a política de saneamento, a legalização do aborto, entre outros assuntos, todos muito complexos.

Tudo concentrado em duas horas, com falas, réplicas e tréplicas de, no máximo, dois minutos. Isso significa que não há chance de qualquer candidato aprofundar-se, revelar-se ou expor-se , um pouquinho que seja, em qualquer assunto. Quem procura mais densidade sai muitas vezes desses debates com uma sensação de que eles não serviram para nada.

Em geral, culpa-se a crescente influência dos marqueteiros nas campanhas pela esterilização dos debates e pela infinidade de regras que acabam engessando o comportamento dos candidatos . Acho que isso é verdade, mas desconfio que isso também não explica tudo. Quem viu os debates das últimas campanhas presidenciais americanas – entre Barack Obama e John McCain, George W. Bush e John Kerry ou George W. Bush e Al Gore – sabe que, nos EUA, os candidatos se expõem muito mais nesses confrontos. E lá é a pátria por excelência do marketing eleitoral e político.

Orjan Olsen, um dos maiores estudiosos brasileiros de campanhas eleitorais, costuma dizer que não vai dar para levar a sério nenhum debate político no Brasil, enquanto eles continuarem a ser transmitidos fora do horário nobre de audiência, com intervalos comerciais no meio e com assessores cochichando nos ouvidos dos candidatos durante esses intervalos.

Acho que ele tem razão. Ontem, o primeiro debate presidencial pela internet reproduziu o mesmo formato da TV, com blocos e intervalos no meio. Alguém pode explicar a razão se o objetivo do debate era o “aprofundamento das ideias”, como alegaram seus promotores? Se a internet é o terreno fértil da inovação, o primeiro debate presidencial no Brasil pela web não deveria também ter um formato mais inovador?
(Guilherme Evelin)
Fonte: Revista Época

20100818

Programa de Ética e Transparência Eleitoral | TRE ES #Eleição2010

Não há vagas

Por Ferreira Gullar

O preço do feijão

não cabe no poema. O preço

do arroz

não cabe no poema.

Não cabem no poema o gás

a luz o telefone

a sonegação

do leite

da carne

do açúcar

do pão


O funcionário público

não cabe no poema

com seu salário de fome

sua vida fechada

em arquivos.

Como não cabe no poema

o operário

que esmerila seu dia de aço

e carvão

nas oficinas escuras


- porque o poema, senhores,

está fechado:

"não há vagas"


Só cabe no poema

o homem sem estômago

a mulher de nuvens

a fruta sem preço


O poema, senhores,

não fede

nem cheira

20100810

Após impasse, partidos começam a receber doações pela internet

Após um impasse sobre a legislação e dificuldades técnicas por parte das operadoras de cartões de crédito, as campanhas dos presidenciáveis começam a receber doações pela internet.

O comitê de Marina Silva (PV) arrecada pela web desde a noite de sexta-feira (6). A campanha de Dilma Rousseff (PT) anunciou que começará a receber a partir desta segunda (9).

O PSDB informou que tem interesse, mas ainda busca soluções para disponibilizar a possibilidade aos simpatizantes de José Serra. Na tarde deste domingo, o G1 consultou o site dos outros seis candidatos à Presidência e não encontrou em nenhum deles a possibilidade de doar pela internet.

Novidade nas eleições 2010, essa modalidade de doação trouxe problemas para partidos e operadoras de cartões e motivou duas mudanças nas regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

De acordo com a legislação eleitoral, é necessário identificar o doador pelo número do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF). Além disso, o limite de doação por pessoa deve corresponder a 10% dos rendimentos no ano anterior à eleição. Diante da dificuldade das operadoras em controlar esses dados dos clientes, o TSE mudou a resolução e delegou às legendas a responsabilidade de identificar a fonte da doação.

Ainda pela lei eleitoral, os repasses só podem ser feitos por pessoas físicas e é proibido o uso de cartões corporativos ou emitidos no exterior. As empresas tiveram de encontrar soluções técnicas para impedir essas doações.

Outra pendência era em caso de erro ou eventual desistência do doador. As empresas não queriam se responsabilizar pelos valores. Por conta disso, na última quinta (5), o TSE fez nova mudança nas normas para esse tipo de arrecadação de campanha e definiu que se a doação for rejeitada ou não reconhecida pelo titular do cartão, o valor creditado ficará sujeito a estorno.

PV
A assessoria de imprensa da campanha de Marina disse que já foram registradas doações para a candidata e que o sistema está funcionando normalmente desde a noite de sexta-feira. Nesta semana, está prevista a divulgação de um balanço sobre os recursos arrecadados pela internet. É possível doar a partir de R$ 5.

O coordenador da campanha de Marina Silva, João Paulo Capobianco, disse que a doação pela web demorou a ser disponibilizada porque é novidade. "A única coisa um pouco chata é que, em vez de encontrarem todos os problemas [em relação ao uso do cartão para doações] de uma só vez, isso foi aparecendo aos poucos. Mas é normal para um sistema novo."

De acordo com Capobianco, não houve nenhum entrave em relação às taxas. Para o coordenador, as doações pela internet podem representar entre 20% e 30% de todos os recursos captados para a campanha.

"O uso da ferramenta é uma incógnita. É a primeira vez que acontece. Porém, o brasileiro tem índice de uso da internet para compra muito importante. Há predisposição para uso do sistema. E a campanha da Marina é muito voltada para participação, para mobilização. A campanha avalia que a ferramenta [doação por cartão de crédito] será vista como uma forma de participação”, disse Capobianco.

PT
Pelo Twitter, o tesoureiro da campanha de Dilma, José de Fillipi Júnior, disse que as doações começam nesta segunda (9) e que a primeira-dama Marisa Letícia será a primeira doadora. O valor mínimo para doações será de R$ 13.

A advogada do PT responsável pela implantação das doações, Márcia Pellegrini, informou ao G1 que a principal questão antes de oferecer o serviço foi adequar a tecnologia e a forma de trabalho das operadoras de cartões às regras exigidas pela Justiça Eleitoral.

“O que é novo é mais complicado. As operadoras estão acostumadas a lidar com lojistas. Por isso, as empresas de cartões pediram, e o TSE alterou a lei", explicou.

Os petistas fecharam parceria com uma bandeira de cartões que conseguiu fazer o bloqueio conforme a exigência legal. Foram feitos ainda testes para tentar disponibilizar, além do cartão de crédito, a opção de doar por meio do débito em conta corrente.

“A legislação eleitoral no Brasil é muito mais complicada. Nos Estados Unidos, por exemplo, essa maneira de doar deu muito certo. Como a lei brasileira é muito rígida, as doações pela internet são uma forma mais fácil, ágil e segura”, avaliou a representante do PT.

PSDB
Ainda sem data para iniciar o serviço de arrecadação por cartões via internet, a coordenação da campanha tucana enfrenta basicamente os mesmos problemas e já cogitou desistir da modalidade de doação.

Segundo o advogado do PSDB Ricardo Penteado, há interesse do partido em arrecadar por meio das doações via cartão, mas é preciso garantir a eficiência do sistema.

“Essa parte é muito sensível numa campanha. Se fizer algo de errado, é muito grave e pode atingir a prestação de contas do candidato. Precisamos ter certeza absoluta de que não vai ter problemas”, disse Penteado.

Operadoras

Por meio de nota, a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) afirmou que fez pedidos ao TSE para que fossem revistas as regras sobre o estorno das doações e o bloqueio de cartões corporativos e de outros países.

“O objetivo principal é garantir a segurança do processo, evitando fraudes, especialmente no caso das transações não presentes, ou seja, pela internet. A associação e os integrantes do setor desejam colaborar para que o sistema de doação seja implantado com sucesso ainda este ano”, informou a associação.
Fonte: G1

Os homens-placa de Skaf

Proibidos de pendurar placas e faixas pela cidade, candidatos usam a criatividade para mostrar seus nomes e tentar serem lembrados na hora do voto. É o caso do candidato ao governo de São Paulo, Paulo Skaf (PSB), ainda desconhecido por grande parte da população.

Ele inovou ao mandar seus homens-placa para a esquina de uma movimentada avenida da capital paulista. Cada homem-placa carrega uma letra e, ao fechar o semáforo, eles correm para formar o nome do seu candidato diante dos motoristas que esperam o sinal verde.

A campanha de Skaf também está espalhando pela cidade cavaletes que levam o nome do candidato e de sua vice, a médica Marianne Pinotti.
Fonte: R7

20100806

A internet e as eleições

As campanhas das eleições presidenciais de 2010 estão sendo marcadas por algumas especificidades, destacando-se as seguintes:

01.forte polarização entre candidatos;

02.o presidente Lula como um de seus principais protagonistas;

03.a presença da Internet como um dos mais importantes meios de campanha.

Com o crescimento do número de pessoas que tem acesso ao computador, é inevitável supor que a Internet deverá ser um fator diferencial nesta campanha, principalmente se tomarmos como horizonte a campanha de Barack Obama à Casa Branca e a popularização tipicamente brasileira das redes sociais, como Twitter, Facebook, Orkut e blogs de todos os gêneros.

Mas a largada desta campanha se demonstra, até aqui, bastante estéril e imatura. Uma análise feita durante um período de dois meses nos possibilitou auferir, por exemplo, a quantidade e a qualidade das citações a determinadas marcas e nomes, no caso, os candidatos nas redes sociais. Já foi possível constatar a falta de qualificação do debate e dos conteúdos políticos e os ataques gratuitos que vicejam na web.

Parte deste cenário desanimador pode, sim, ser imputado aos próprios candidatos que, se não exortam seus eleitores a esta batalha cibernética insana, também não inibem este comportamento. Os comandos estratégicos das campanhas, afinal de contas, são responsáveis pela qualidade ou a falta dela no debate político-eleitoral.

Há, por trás disto tudo, uma estratégia caótica de guerra em curso, na qual os dois principais candidatos parecem se valer do que no mundo da internet é chamado de "missionários digitais". Este termo, que foi criado para designar os profissionais que dispõem de tempo para promover as empresas na web e que é um bom exemplo de estratégia digital nos EUA, desvirtuou-se por aqui. Nesta lógica, é possível ver militantes na Internet trabalhando para convencer indecisos, acusando adversários e rebatendo críticas no pior exemplo da desqualificação política.

As etiquetas básicas das mídias sociais são na maioria das vezes esquecidas, e um debate de surdos flui surpreendentemente. Parece não se perceber que a Internet é um instrumento singular e poderoso de mediação de conteúdos e que a eficácia de uma campanha depende da combinação da potência do meio com a qualidade do conteúdo.

Um olhar mais próximo da blogosfera mostra que boa parte de seus influenciadores possui algum tipo de ligação com a grande imprensa ou são celebridades. A transmissão das propostas de governo dos principais candidatos está ainda confusa, e isso atrapalha vínculo entre a comunidade web e a qualificação do debate.

As estratégias adotadas nas redes sociais comprovam a percepção de que os presidenciáveis ou os responsáveis por suas campanhas não enxergaram ainda a necessidade de responder a algumas perguntas básicas. Onde meu eleitor está? Quem ele influencia? Por quem é influenciado? Como ele usa as tecnologias do ponto de vista da política? Ele apenas assiste a conteúdos, compartilha com os outros, comenta, cria ou modera comunidades? Que tipo de ações específicas deveriam ser usadas para cada grupo? Como responder a acusações infundadas? Como propagar minhas ideias de forma eficiente e sintética?

Um breve comparativo entre as "tags" "José Serra", "Dilma Rousseff" e "Marina Silva" na blogosfera, num período de 30 dias (até 14 de julho), mostra que o primeiro foi responsável por 44.5% das menções, a segunda, por 39.33% e "Marina Silva" por 16.20%. No dia 30 de junho, o termo "José Serra" alcançou mais de 3.000 menções no Twitter. O anúncio do vice Índio da Costa foi bastante responsável por esse buzz. Já a comparação entre as expressões "José Serra", "Dilma Rousseff" e "Marina Silva" na twittosfera, num período de 30 dias, (também até 14 de julho), o primeiro é responsável por 46.4% das menções, a segunda, por 21.9%, e o termo "Marina Silva", por 31.8%, com 27.509, 12.984, 18.854, respectivamente. Um pouco menos de 1/4 das citações sobre Dilma Rouseff no Twitter são relacionadas ao presidente Lula.

Além dos EUA, mais recentemente, Inglaterra e Colômbia vivenciaram intensa campanha política pela Internet. Nestes países foi possível verificar que, muitas vezes, a Internet pautou o debate transbordando a discussão para bares, escolas e casas, algo que até agora não vem ocorrendo no Brasil. Parece que será mais bem-sucedida a campanha que souber escrever este roteiro e quem apostar principalmente nos jovens, que são os mais conectados.

Os jovens mais escolarizados são grandes influenciadores na sociedade. Eles têm na rede mundial uma fonte inesgotável de pesquisa e informação e, nesta eleição, este processo não será diferente. Indiretamente, a internet se tornará um veículo de comunicação política para pais, familiares, colegas de classe, amigos, entre outros. A dica é seguir o comportamento destes jovens em vez de seguir a tecnologia de forma obstinada e sem critérios. Os jovens se importam com o que pessoas da mesma idade e comunidade pensam, e o bom debate político terá mais espaço entre eles do que com qualquer outro público internauta.

Como nenhuma outra, esta eleição tem um caráter de experimentação devido à popularização da internet nos últimos anos. Erros serão normais, mas o inadmissível será a perda do pudor, das boas maneiras e da inteligência. Talvez a maior contribuição deste fenômeno seja a inevitável introdução da escuta estratégica do eleitorado, que, com o advento da web social, passou a fornecer pistas e informações vitais na condução de uma campanha e de projetos políticos. Mudanças de rota, coisa que antes levaria dias para acontecer, a internet levará segundos para mostrar a necessidade da adoção de táticas diversas e eficazes. Perderá quem não perceber que o online também constitui o real. Até mesmo na política.
Fonte: iMasters

20100730

Democracia se faz na internet

O site Vote na Web, que fiscaliza o comportamento dos políticos e faz votações em paralelo ao Congresso, já atraiu a atenção das Nações Unidas.

Por Bruno Ferrari

ATIVISMO: Barreto em seu escritório, em São Paulo, e a home do site Vote na Web. Ele quer melhorar a democracia 

O voto legislativo é um instrumento usado pelos cidadãos. Ele transfere responsabilidade política a um representante com a finalidade de propor e votar leis para melhorar o país. A tarefa é de importância indiscutível, mas pouca gente tem condições – e paciência – para fiscalizar se o candidato que escolheu está correspondendo a suas expectativas. 

Para facilitar a vida de quem pretende acompanhar os passos dos políticos, nasceu, no final do ano passado, o projeto Vote na Web (www.votenaweb.com.br). Ele reúne na internet todos os projetos de lei que entram em votação na Câmara ou no Senado. O site permite ainda que o internauta sinta o gostinho de agir como político. Funciona assim: a cada projeto de lei que entra em votação, o Vote na Web cria uma página na qual os leitores podem ler o texto e opinar: “Sim” ou “Não”. A votação digital pode ser feita enquanto o projeto estiver tramitando no Congresso. Depois que ele é aprovado ou reprovado, o site compara a escolha do público com aquela que foi feita pelos políticos. O Vote na Web mostra quais parlamentares votaram, se foram contra ou a favor do projeto e de que região eles são. Todos os deputados e senadores têm uma página exclusiva no Vote na Web. Além de uma ficha técnica com suas origens e o histórico na vida política, é possível descobrir ali quantos projetos de lei o político sugeriu e como votou em cada situação. 

Por trás desse trabalho em prol da cidadania está o publicitário mineiro Fernando Barreto, de 37 anos, sócio da Webcitizen, que desenvolve sistemas especializados em engajamento social pela internet. Seus clientes são órgãos públicos, ONGs e empresas interessadas em usar a web para mobilizar as pessoas por uma causa, seja ela filantrópica ou comercial. Ao mesmo tempo que coloca o cidadão em contato com o Poder Legislativo, Barreto usa o Vote na Web como vitrine para conseguir novos clientes. “Todas essas informações estão ao alcance dos eleitores em diversos sites do poder público”, afirma Barreto. “O que fizemos foi reuni-las num único lugar e com design mais atraente.” Seu objetivo: ajudar a resgatar o respeito pela atividade política. “Se a política não tem credibilidade, a democracia não evolui”, afirma. 

Não é só o design atraente que torna o Vote na Web uma ferramenta de cidadania interessante. O site tem um sistema de busca que permite ao internauta fazer pesquisas parlamentares detalhadas – por assunto, por político e por Estado. O resultado pode ser luminoso. O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) propôs um projeto de lei que obrigava estudantes de instituições públicas de ensino superior com renda superior a 30 salários mínimos a pagar uma taxa anual para a universidade. Pela escolha popular, o projeto seria aprovado com 67% dos votos. O Congresso, no entanto, o reprovou com 100% dos votos. Já o deputado Zequinha Marinho (PSC-TO) propôs um projeto de lei proibindo a adoção de crianças por homossexuais. Na votação popular, ele vem sendo rejeitado por 78% dos internautas – exceto nos Estados do Tocantins, Maranhão e Piauí, onde vence. O texto ainda tramita em Brasília. 

Alguns dos projetos de lei colocados no site (são inseridos entre 60 e 80 deles por mês) tiveram mais de 1.200 votos de internautas. Alguns de seus fóruns chegam a ter centenas de comentários contra ou a favor de determinados projetos. Cerca de 1.100 pessoas seguem as novidades do site pelo Twitter. Oitocentas pessoas estão cadastradas para receber informações do Vote na Web. “Até maio passado, estávamos montando o acervo de informações”, diz Barreto. “Faz pouco tempo que as pessoas começaram a interagir.”

O projeto levou Barreto a receber um convite da Organização das Nações Unidas (ONU) para participar de um congresso no mês passado, em Barcelona, que discutia o uso da tecnologia para o engajamento civil. A Webcitizen foi a única empresa brasileira a chegar lá, entre mais de 100 participantes. “O projeto teve retorno positivo e entusiasmado da audiência”, afirma Anni Haataja, do Departamento de Interesses Socioeconômicos da ONU. Barreto também tem feito viagens para os Estados Unidos, onde participa de reuniões na ONU como consultor. Ela tenta ajudar a entidade a levar sistemas como o Vote na Web a países com outra cultura política. “É importante ter o apoio de pessoas do setor privado como Barreto”, diz Anni. “Sem isso, nenhuma instituição consegue implementar mudanças.” 

Fonte: G1 | Época

20100728

Instituto lança site para candidatos ficha limpa

Por André Mascarenhas


O Instituto Ethos lança amanhã (29) um site para que os eleitores possam verificar quem são os candidatos com a ficha limpa. Com participação voluntária, o sistema exigirá um compromisso dos políticos cadastrados com o cumprimento da Lei Complementar nº 135, a chamada Lei da Ficha Limpa. A iniciativa está aberta para candidatos à Câmara dos Deputados, ao Senado, aos governos Estaduais e à Presidência da República.
O objetivo é criar um cadastro transparente e de fácil acesso dos políticos cujas candidaturas estejam em acordo com a legislação. Para isso, o político terá de disponibilizar, no site, o registro de sua candidatura na Justiça Eleitoral e assinar dois compromissos – um afirmando não possuir condenação por órgão colegiado e outro garantindo nunca ter renunciado a cargo público para evitar cassação.

Por fim, uma exigência que não está na Lei da Ficha Limpa, mas que será requisitada pelo site, é uma prestação semanal das contas dos candidatos. Para o presidente do Instituto Ethos, Oded Grajew, a iniciativa facilitará o combate ao caixa dois nas campanhas, uma vez que o comportamento dos gastos dos candidato poderá ser verificados ao longo da campanha. “Pela primeira vez, serão tomadas atitudes concretas para entrar nesta seara”, disse Oded em coletiva de apresentação do sitema.

Pela lei, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) só pode divulgar a contabilidade das candidaturas após a realização do pleito.

Cadastro voluntário

Para constar no site, os próprios interessados deverão se cadastrar, o que pode abrir uma brecha para que políticos com a ficha suja tentem burlar o sistema. Com o objetivo de evitar esse tipo de manobra, o site terá um link de denúncias, para que adversários políticos ou mesmo cidadãos comuns apontem eventuais irregularidades nos registros dos credenciados. O instituto aposta na colaboração do internauta e na própria dinâmica da disputa polítia para barrar o credenciamento dos fichas-suja.

Nenhum candidato foi previamente cadastrado e, antes de colocar o site no ar, o Instituto Ethos comunicará a iniciativa a todos os partidos políticos por meio de cartas, que serão enviadas hoje. 

Fonte: Estadão

20100727

Internet mostra os candidatos mais folclóricos das eleições 2010

Dois divertidos blogs – o Não Salvo e o Buteco na Net – prestaram um importante serviço de utilidade pública à população: eles indicaram “famosos” que vão concorrer às vagas de deputado estadual ou federal em seus respectivos estados e que vão tentar mudar o Brasil com o seu profundo conhecimento político e administrativo (Modo Sarcasmo: ON).

Entre os 20 candidatos indicados, estão gente do naipe de Mulher Melão, Tiririca, Batoré, Reginaldo Rossi, Tati Quebra-Barraco e Túlio Maravilha, entre outros. Tudo bem que existe muito mais gente, digamos, folclórica, por aí, mas esses merecem um certo destaque. Confira:

 Batoré (piada de mau gosto)

Kiko do KLB (Hã?!)

Leandro do KLB (alguém conhece uma música do KLB?)

 Marcelinho Carioca (volta a ser comentarista, Marcelinho!)

Mulher Melão (Quem?!)

Mulher Pêra (e o Congresso quer virar quitanda)

Reginaldo Rossi (se até o Cãozinho dos Teclados ganhou eleição)

Romário (Peixe, vai jogar seu futvôlei na praia, vai)

Ronaldo Ésper (o Congresso fica perto de algum cemitério?)

Tati Quebra-Barraco (ela promete fazer lobby por uma marca de fogões)

Tiririca (nem a Florentina votaria nele)

Túlio Maravilha (maravilha seria se ele ficasse em casa, quietinho)

 Vampeta (você já tem um cinema em Nazaré das Farinhas, Vampeta. Pra que mais?)

Menção Honrosa:

  Sérgio Malandro (se eu largar a “facul”, ainda preciso votar em você, Serginho?)

Fonte: IDG Now

20100723

Eleições | Participe do 1º debate on-line presidenciáveis 2010 no dia 26 de Julho

Para quem não sabe somos um dos países mais avançados em termos de tecnologia para eleições. Mas isso não quer dizer que somos um dos mais democráticos e entendidos no assunto, pelo menos os eleitores não muito.

Aproveite essa revolução que a Internet e as mídias sociais estão criando e seja mais cidadão, mais patriota e participe do 1º debate on-line com os candidatos à presidência da república.

O 1º Debate On-line Presidenciáveis 2010 é uma iniciativa dos portais iG, MSN, Terra e Yahoo!, que funcionam 100% na Internet, ou seja, não têm ligação direta com nenhuma outra mídia.

A objetivo central do projeto é oferecer aos cidadãos brasileiros o acesso facilitado e direto às propostas dos atuais candidatos à Presidência da República. Este é o primeiro debate do período eleitoral de 2010 e também o primeiro confronto de ideias entre presidenciáveis realizado pela Internet brasileira.

Além disso, o projeto também explora um ambiente altamente interativo para aproximar a população das questões políticas e ressaltar a necessidade de participação popular.

O 1º Debate On-line Presidenciáveis 2010 também é feito pelo internauta, que pode enviar questões sobre qualquer tema de interesse. Para participar, existem três formas:

Auditório: Para participar, basta acompanhar as informações veiculadas nos sites iG, MSN, Terra e Yahoo!.

Perguntas: Durante as semanas que antecedem o debate, os internautas poderão enviar suas perguntas aos candidatos através dos portais participantes. Basta visitar os sites iG, MSN, Terra e Yahoo! e acessar as páginas especiais sobre o 1º Debate On-Line Presidenciáveis 2010.

Mídias Sociais

Facebook: Após curtir a página Debate On-line 2010, os internautas poderão confirmar sua presença no evento, assim como postar suas perguntas a partir da zero hora do dia 26 de julho, no próprio perfil.

Twitter: Além da atualização diária com assuntos relacionados à corrida eleitoral, os internautas poderão enviar suas perguntas via Twitter, a partir da zero hora do dia 26 de julho, para @debateonlinebr, com a hashtag #debateonline. Serão selecionadas perguntas a serem realizadas no bloco final do programa.

Participe do processo que promete mudar – para melhor – a cara da política nos meios on-line!
Fonte: Mídia Boom

20100720

O eleitor volátil e a propaganda

Análise de resultados de uma série de três pesquisas mostra que mulheres e jovens tendem a oscilar mais ao manifestar sua intenção de voto

O Ibope Inteligência realizou e divulgou três pesquisas nacionais sobre a sucessão presidencial em um intervalo de menos de um mês. Constatamos um empate total entre os dois principais candidatos, Dilma Rousseff e José Serra, na primeira e na última pesquisa, enquanto a rodada do meio do período apontava vantagem estatisticamente significativa para a candidata do PT.

É conhecida a imagem usada pelos especialistas para descrever o significado dos resultados das pesquisas eleitorais, como "um retrato do momento". Por trás dessa metáfora do retrato existe um fenômeno muito real e importante conhecido na ciência política como "volatilidade" do voto ou do eleitor. A volatilidade é mais presente em períodos pré-campanha eleitoral, e, quanto maior ela for, maior a dificuldade para precisar os resultados finais de uma eleição.

A volatilidade, porém, não é homogeneamente distribuída em todo o eleitorado. Em cada sociedade, por conta de fatores culturais, históricos e políticos, alguns segmentos sociais apresentam um grau maior de volatilidade, ou seja, uma variabilidade acima da média nas intenções de voto. Além disso, o contexto de cada disputa eleitoral e até mesmo os diferentes momentos de uma campanha podem resultar em diferentes segmentos com maior volatilidade.

No Brasil, considerando as últimas eleições para presidente e para governador, temos observado sistematicamente uma volatilidade acima da média entre os eleitores mais jovens, que muitas vezes estão votando pela primeira vez. Ao mesmo tempo, as eleitoras brasileiras tendem a demorar mais para decidir o seu voto e, quando os homens já apresentam uma tendência mais estável, ainda observamos oscilações significativas entre as mulheres.

Essa maior volatilidade de jovens e mulheres pode ser confirmada nos resultados dessas três pesquisas recentes do Ibope Inteligência. Entre as mulheres a intenção de votar em Dilma cresceu de 33% para 37% entre a rodada do início de junho e a do meio do mês. Em seguida, a intenção de voto para Serra subiu 4 pontos porcentuais (de 37% para 41%) na rodada do final do mês, em detrimento de Dilma, cuja intenção de voto entre as eleitoras é hoje 3 pontos porcentuais inferior à registrada na pesquisa anterior. Já entre os homens, os porcentuais sofrem oscilações residuais.

O mesmo movimento é verificado entre os eleitores mais jovens, entre 16 e 24 anos, segmento no qual a intenção de voto de Dilma Rousseff subiu 6 pontos (de 34% para 40%) entre a pesquisa realizada no começo de junho e a do meio do mês e caiu 4 pontos (de 40% para 36%) entre esta e a última pesquisa. Ao mesmo tempo, aumentou em 7 pontos a intenção de voto de José Serra nesta parcela do eleitorado, atingindo 44% no final de junho.

Muitos fatores podem ter favorecido essas movimentações do eleitorado nesse período de praticamente 30 dias, mas a maior curiosidade refere-se ao impacto das propagandas partidárias veiculadas desde maio. Tivemos os programas e as inserções do PT na primeira quinzena de maio, depois a comunicação do DEM e por último o programa e as inserções do PSDB na segunda quinzena de junho.

Segundo estimativas do Ibope Mídia, a exposição do eleitorado brasileiro foi equivalente para a propaganda partidária do PT e do DEM e o alcance das inserções (comerciais ao longo da programação durante vários dias) foi quatro vezes maior do que o do programa (veiculado um dia só). Por outro lado, o alcance do programa eleitoral do PSDB foi cerca de 10% maior do que o do PT.

Em duas pesquisas perguntamos se "nas duas últimas semanas" o entrevistado tinha assistido/ouvido comerciais ou programas em que aparecia algum dos candidatos a presidente. O crescimento da exposição declarada às propagandas de José Serra entre início e final de junho foi significativamente maior entre mulheres, eleitores com nível superior, eleitores com renda familiar de até um salário mínimo, eleitores das regiões Norte/Centro-Oeste e Sudeste.

Desses cinco segmentos do eleitorado mais impactados pela propaganda do PSDB, três correspondem aos que identificamos como mais voláteis. Pode-se concluir, portanto, que, para as mulheres, eleitores com nível superior e eleitores do Sudeste, as propagandas partidárias provocaram movimentos relevantes, provavelmente potencializados pela volatilidade desses segmentos no contexto da disputa entre Dilma Rousseff e José Serra.
Fonte: Estadão