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20100830

E-mails em demasia, irritação para a freguesia

Seja sincero consigo mesmo. Você lê todos os e-mails que chegam à sua caixa de entrada? Tenho certeza que a maioria das pessoas responderá que não, afinal, a quantidade de informação que recebemos diariamente pelos diversos tipos de canais de comunicação é assombrosa. São e-mails profissionais, pessoais, piadas, pedidos, correntes religiosas, protestos e uma infinidade de outros assuntos – nem sempre relevantes ao interlocutor.

Isso sem contar todas as outras formas possíveis de nos encontrar: telefones, sites de relacionamento (pessoal e profissional), celulares, bips etc. Mesmo assim, pelo que vejo diariamente acontecer com as pessoas à minha volta, me arrisco a dizer que o celular e o e-mail caminham lado a lado no ranking de ferramentas mais utilizadas para as pessoas nos contatarem.

No entanto, existe uma diferença muito grande entre os dois meios. No celular, normalmente as pessoas nos procuram quando realmente têm algo a dizer. Pode ser algo importante (ou nem tanto), mas o que tem para ser dito é dito e ponto final (não estou falando de namoricos por telefone, que se estendem horas a fio). Já por e-mail as pessoas tendem a ser mais prolixas. E pior, algumas usufruem tanto dessa ferramenta que enchem a caixa dos outros com textos e mais textos nem sempre pertinentes. Sem contar a chuva de spams que lotam nosso e-mail sem pudores.

Reparei nos últimos tempos uma grande dependência das pessoas em utilizar o e-mail para se expressar. Nas empresas, por exemplo, vejo pessoas que sentam lado a lado se comunicarem através de e-mails e, no final do dia, somarem quantidades exorbitantes de mensagens – umas lidas, outras não. Isso acontece por vários motivos.

Os mais preocupados, utilizam o e-mail como forma de documentar pedidos e avisos que, posteriormente, podem gerar algum tipo de problema. Os mais políticos acreditam que por e-mail conseguem manter uma proximidade maior com pessoas que não dão tanta abertura para um contato mais contíguo. Há quem utilize o e-mail por timidez. E outros, ainda, preferem o e-mail por acreditar que se expressam melhor pela via escrita.

Por conta disso, muitas informações realmente relevantes acabam se perdendo em meio a tanta baboseira. Pense comigo: se há uma pessoa que sempre envia mensagens supérfluas, chegará uma hora em que não darei mais atenção a suas mensagens. Mas quando ela me mandar algo realmente fundamental, pelo costume, vou ignorar a mensagens e não terei acesso àquele e-mail ou àquelas informações importantes.

É aí que chego ao ponto em que queria. É preciso ter uma maior consciência ao enviarmos e-mails para nossos contatos. As ferramentas de comunicação têm sido banalizadas por todos, fazendo com que informações importantes não cheguem ao destino corretamente. Veja bem: se você tem o costume de expedir muitos e-mails, sugiro que antes de enviar pense se é realmente necessário.

Existem casos em que você poderá optar por falar pessoalmente ou esperar até que haja uma oportunidade mais adequada. Se for realmente necessário, tente colocar todas as informações numa mensagem só. Assim, evitará que a pessoa retorne aquele e-mail com perguntas que você poderia ter respondido na primeira mensagem. Afinal, a falta de informação gera problemas sérios de entendimento para o interlocutor, assim como pode aumentar exponencialmente o troca troca de mensagens pelo mesmo assunto. A máxima na comunicação não muda: expresse-se de forma clara, concisa e precisa.
Fonte: Revista Amanhã

20100805

O que a F-1 ensina sobre estratégia

Quem acompanha a Fórmula 1 como eu, sem maior atenção, surpreende-se a cada início de temporada. De uma hora para outra, escuderias que apresentavam desempenho ruim em um ano despontam como líderes no outro, como que por mágica.

Daí a imprensa especializada esmera-se em descobrir de onde vem o aparente milagre: de um motor novo, desenvolvido ao longo de anos, de um sistema aerodinâmico mais eficiente, de uma suspensão aprimorada etc. Era assim quando Ferrari, McLaren, Benetton e Williams se revezavam no pódio dos anos 80 e 90, e tem sido assim mais recentemente, com a Brawn GP (2009) e a Red Bull (2010).

É possível associar esses altos e baixos dos times de F-1 com alguns conceitos de estratégia. Para triunfar de maneira inconteste em uma temporada, uma equipe precisa construir uma vantagem competitiva perante suas concorrentes. Essa vantagem - geralmente decorrente de melhorias no carro - tenderá a ser decisiva para as vitórias caso seja valiosa (ou seja, caso diga respeito a um aspecto fundamental do desempenho do carro) e inimitável (difícil de copiar em um curto período de tempo; por exemplo, menos de uma temporada).

É o que as escuderias geralmente conseguem: melhoram o carro em aspectos essenciais (valiosos, portanto), a ponto de conseguir consagrar pilotos apenas razoáveis. E dedicam bastante tempo a isso; embora o telespectador só descubra a mudança de uma hora para outra, ela vem sendo construída ao longo de um ano inteiro. Enquanto uma parte da equipe se dedica à competição em andamento, a outra já pensa na do ano seguinte. Por isso - e pelas próprias condições internas de cada time, como recursos humanos, tecnológicos e financeiros -, a melhoria se torna incopiável de maneira imediata, garantindo uma vantagem duradoura ao longo de uma temporada, ao menos.

O ideal para uma equipe é que a fonte de sua vantagem competitiva seja um mistério para os concorrentes

Melhor dos mundos? Nem tanto. Além dessas duas características, o ideal para uma equipe é que a fonte de sua vantagem competitiva seja um mistério para os concorrentes. Ou seja, que existam dúvidas sobre a causa do carro lanterninha do ano passado estar sempre no pódio na temporada atual.

Esta é a parte mais difícil. Como evitar que imprensa e concorrentes descubram os segredos da vitória? Complicado, inclusive porque, até onde sei, os carros são inspecionados pela FIA, que torna públicas suas principais características, para garantir a transparência da competição.

Desse jeito, com a informação circulando de maneira relativamente aberta, seguir ganhando por muitas temporadas é mais plausível do que conseguir guardar segredo sobre os motivos que tornam o carro superior.

Por isso, estão sempre sujeitas a serem superadas na temporada seguinte – o que torna a acomodação uma palavra proibida na F-1.
Fonte: Amanhã

20100723

3 passos para fazer sua empresa acontecer no Facebook

Meio bilhão de pessoas não podem ser ignoradas, muito menos nos negócios. Ter uma página na maior rede social do mundo é um começo.

Sua empresa não pode ficar de fora do Facebook. A rede social tem agora mais de meio bilhão de usuários – e isso apesar das brigas motivadas por questões de privacidade e de uma pesquisa recente que sugere que a satisfação do consumidor, no site, é decepcionante. Eis algumas dicas para quem deseja trazer à sua empresa uma audiência de meio bilhão de clientes em potencial.

1::Monte sua página

O primeiro passo é montar uma página. Elas já foram conhecidas como Página de Fãs, e aqueles que a seguiam tinham de escolher ser um “fã”. Mas o Facebook mudou seu nome simplesmente para Páginas, e os membros podem agora apenas “gostar” da página em vez de se declararem “fãs”.

Foi uma boa medida. Tornar-se fã de um produto ou serviço intimidava alguns usuários, que viam na ação um comprometimento exagerado em se tratando de empresas. No entanto, a maioria dos usuários não tem nada contra compartilhar os produtos e serviços de que gosta.

Esses passos podem mudar, mas por enquanto você pode encontrar Ads e Pages clicando no link “More” em algum lugar no meio do painel esquerdo presente na página principal (Home) do Facebook. Quando o painel for expandido, clique em “Ads and Pages” e, depois, em “+ Create Page".
Você pode criar uma página no Facebook para uma empresa, marca ou produto específicos oferecidos por seu negócio. Você também pode montar uma página para um artista, banda ou personalidade pública, ou usar a página para promover uma causa.

Escolha o tipo de página que quer criar, e dê a ela um nome. Marque a caixa indicando que você tem autoridade para representar a pessoa, negócio, marca ou produto para o qual está criando a página. Clique em “Create Official Page” – você acaba de marcar presença no Facebook.

Com a página criada, você vai precisar configurá-la e personalizá-la. Acrescente uma foto ou logotipo, bem como informações básicas sobre o produto, negócio ou marca que quer promover. Nesse ponto, você precisa fazer com que outros usuários do Facebook “gostem” da página e começar a formar uma audiência.

2::Atraia clientes

A primeira coisa que o Facebook sugere é que você convide todos os seus amigos da rede social para “gostar” de sua página. Não há nada de errado com isso, mas lembre-se de que provavelmente seus amigos já conhecem sua empresa, seus produtos e serviços, e que – pelo menos como uma ferramenta de marketing e de relações com clientes – há provavelmente pouco valor em ter apenas amigos visitando a página.
Uma das principais vantagens das páginas do Facebook é que elas permitem interagir com membros do Facebook sem que eles precisem se conectar com seu círculo íntimo de amigos. Experimente um ou mais widgets Social Plugins disponíveis no Facebook. Você poderá usá-los no site da empresa ou divulgar, em blog, a existência da página do Facebook.

Você também deveria acrescentar um link para a página do Facebook em sua assinatura padrão de e-mail, e arranjar a publicação cruzada com o Twitter – tanto para promover a existência da página no Facebook como para divulgar conteúdos cruzados que aparecerão ao mesmo tempo no Facebook e no Twitter.

Se tiver verba e quiser apostar numa abordagem mais agressiva, você poderá comprar um anúncio no Facebook para promover a existência da página.

3::Promova o engajamento

Não há muito sentido no esforço de criar uma página no Facebook e atrair uma audiência se você não se empenha para promover o engajamento dos consumidores. Agora que já construiu uma audiência para sua página no Facebook, você tem de dar a essa audiência uma razão convincente para visitá-la.
As regras para as páginas do Facebook são semelhantes às regras para construir de forma efetiva uma audiência para um blog. Certifique-se que você está adicionando conteúdo regularmente – de preferência, ao menos diariamente. Você precisa fornecer uma razão para a audiência voltar à sua página e ver o que há de novo.

Tão importante quanto a frequência é o conteúdo dos posts. Consumidores querem informação e envolvimento, não ser assediados. Tudo bem citar seus produtos e serviços quando eles forem relevantes, mas não use o Facebook simplesmente como uma plataforma de divulgação.

Você pode publicar notícias ou histórias relacionadas a seu negócio e fornecer comentários e insights únicos. Você também pode usar a página no Facebook para fornecer dicas, truques ou conteúdo informativo. Em vez de simplesmente falar para a audiência, tente incitar comentários e feedbacks dos membros, para cultivar um sentimento de comunidade entre os consumidores.

O Facebook representa uma enorme oportunidade de divulgar sua empresa e promover seus produtos e serviços. Tenha a certeza de tirar proveito dessa imensa massa de audiência que o Facebook tem a oferecer.
Fonte: IDG NOW

20100721

Dinheiro não educa

Oitava maior economia do mundo, o Brasil investe, todos os anos, cerca de 4,2% do seu PIB na educação básica – o equivalente a US$ 70 bilhões. Já os Estados Unidos, grande dínamo da economia global, aplica 5,7% do PIB em educação, o que representa nababescos US$ 850 bilhões por ano. Para elevar a qualidade do ensino brasileiro, porém, não basta elevar o volume de investimentos, tampouco equipará-lo ao dos norte-americanos. Segundo Roberto Saco, presidente do conselho da American Society for Quality (ASQ), a busca por uma educação de qualidade não depende somente de dinheiro, e sim da forma como ele é gasto.

“A educação está em crise, mas o dinheiro, apesar de ser um fator importante, sozinho não responde a esse questionamento. Precisamos pensar em novas formas de educar”, diz Saco. “Os norte-americanos se enganam porque têm as melhores universidades do mundo. E têm mesmo. Mas os ensinos fundamental e médio estão bem abaixo do desejado”, garante.

Nas provas de Ciências do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), que avalia a efetividade dos sistemas de educação ao redor do mundo, a média dos norte-americanos em ciências é de 489. Já nos países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), é de 500. A média dos estudantes brasileiros fica bem abaixo – é de 390 pontos. Mas é errado pensar que a discrepância se deve apenas ao nível de investimentos que cada país dedica ao setor.

Para se chegar a uma educação de qualidade, diz Saco, é necessário preparar os alunos para o século XXI. Esse preparo envolve vários aspectos, não só técnicos como comportamentais. “Não basta ir para a escola para aprender as disciplinas básicas. Isso é importante, mas os alunos terão que sair da escola preparados para enfrentar o mundo”, destaca o presidente do conselho da ASQ, maior organização do mundo na área da qualidade, que se dedica a atividades de treinamento e certificação.

Entre essas características, Saco destaca a chamada “consciência global”. A globalização é uma das grandes impulsionadoras do desenvolvimento. Logo, diz ele, os alunos precisam sair da escola preparados para conviver e interagir com diferentes culturas. As qualidades interpessoais também envolvem outros fatores intangíveis, mas bastante exigidos pelo mercado: flexibilidade e adaptabilidade, iniciativa, autoconhecimento, liderança, pensamento crítico, inovação e ética. “Sim, ética. Lidamos com coisas que não entendemos totalmente, então parte dessa educação precisa ser moral. No futuro, esses estudantes vão lidar com várias questões que ainda não compreendemos completamente”, aponta. E dá um exemplo: “Como definir um ser humano quando estamos lidando com situações delicadas, como células-tronco ou aborto?”.

Ainda devido à globalização, os estudantes também precisam conhecer temas como informação, mídia e tecnologia. “Eles devem estar preparados, por exemplo, para uma videoconferência com pessoas de outros países. Precisam aprender a falar com a câmera, a projetar a voz, a controlar os movimentos, a usar corretamente os recursos da mídia”, projeta Saco. E lamenta: “O que eles aprendem na escola, hoje, é insuficiente. Acabamos tendo de assumir esse ônus, de reensinar os alunos ou ensinar o que eles não aprenderam na escola”.

Saco foi um dos palestrantes do segundo dia do 11º Congresso Internacional de Gestão, organizado pelo Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade (PGQP). O evento ocorreu na Fiergs e teve seu grande momento na noite de ontem, com a cerimônia de entrega dos troféus do 15º Prêmio Qualidade RS. O Congresso se encerra hoje, com visitas técnicas a empresas que se destacam na adoção dos conceitos de qualidade no Rio Grande do Sul, tais como Gerdau, Refap, Braskem, Fruki e a Fazenda Quinta da Estância Grande, da cidade de Viamão. Mais informações: www.portalqualidade.com/pgqp
Fonte: Amanhã

A interação que cria valor

“Como as organizações podem envolver seus clientes e criar valor junto com eles?”. O questionamento do presidente da Experience Co-Creation Partnership, o indiano naturalizado norte-americano Venkat Ramaswamy, calou a plateia presente no 11º Congresso Internacional da Gestão, promovido pelo Programa Gaúcho da Qualidade e Produtividade (PGQP) em Porto Alegre. As novas dinâmicas de interação estão abalando os pressupostos tradicionais do mercado. Entre eles, o de que qualquer empresa pode criar valor isoladamente, sem contar com a presença de seus parceiros. E é nesse ponto que a chamada ECC – experience co-criation, ou cocriação de experiências – entra em cena. Mais do que oferecer produtos e serviços de qualidade, a empresa precisa pensar no desenvolvimento de uma experiência positiva para os clientes.

O termo “cocriação” não é novo. Foi proposto por Ramaswamy no livro O Futuro da Competição, lançado em 2004 e escrito em coautoria com o professor de gestão de negócios da Michigan Business School, Coimbatore Krishnarao Prahalad – um dos maiores gurus do management mundial, morto em abril deste ano. “A empresa precisa dispor de plataformas de cocriação que permitam uma interação permanente com seus clientes e sua rede estendida, gerando um desenvolvimento contínuo de novas experiências para o cliente e novas oportunidades de negócios”, destaca Ramaswamy em seu livro. No evento do PGQP, o tom do discurso foi o mesmo: “Essas plataformas podem ser tanto físicas quanto digitais, como call centers, sites ou aplicativos para celular, desde que seja uma via de mão dupla. As pessoas precisam participar e ter um retorno a respeito de suas solicitações”.

Para Rasmawamy, o consumidor e a empresa devem se envolver na criação de valor. “A empresa não pode criar nada de valor sem o envolvimento dos indivíduos. Os gestores devem cuidar da qualidade da cocriação de experiências em vez de zelar apenas pela qualidade dos produtos e processos da empresa”. A proposta da cocriação é colocar o cliente no centro, com padrões de atividade econômica no modelo C2B2C (consumer-to-business-to-consumer) – um contraponto aos modelos B2B (business-to-business) e B2C (business-to-consumer), que colocam a empresa no centro da criação de valor.

Isso não significa, contudo, que as organizações devem abandonar os padrões de qualidade dos produtos e serviços. “A questão é que, agora, criar produtos não será mais suficiente. As pessoas querem ser envolvidas nesse processo”, afirma o autor. “A cocriação converte o mercado em fórum, onde se desenvolve o diálogo entre o consumidor, a empresa, as comunidades de consumidores e as redes de empresas”.

Referências para a criação de valor
TRADICIONAIS

 A empresa cria valor
 Os produtos e serviços são base do valor
 Os consumidores representam demanda para as ofertas da empresa
 A interface empresa-consumidor é o lugar da extração de valor
 Criação e entrega de uma variedade de ofertas
 Personalização das ofertas e encenação das experiências
 Foco nas cadeias de valor e na qualidade dos processos internos
 Foco na inovação da tecnologia, dos produtos e dos processos
 Foco nas cadeias de suprimento e na gestão de demanda

NOVO SISTEMA

 O consumidor e a empresa cocriam valor
 As experiência de cocriação são a base de valor
 O individuo é o ponto central da experiência de cocriação
 A interação consumidor-empresa é o lugar da cocriação de valor
 Variedade de cocriação de experiências, por meio de interações heterogêneas
 Personalização da experiência de cocriação
 Foco na qualidade das interações consumidor-empresa
 Foco na inovação dos ambientes de experiências
 Foco na rede de experiência

Os consumidores de hoje têm acesso a um volume cada vez maior de informações. As pessoas, contudo, não têm tempo de avaliar todos os produtos e serviços e, por isso, a oferta crescente de produtos e serviços acaba confundindo e frustrando a maioria delas. Nesse cenário, os gestores não podem mais se concentrar somente na qualidade dos produtos e dos processos ou na velocidade e na eficiência; eles também têm de buscar fontes de inovação e criatividade. “A mudança mais básica decorreu da transformação do papel do consumidor – de isolado para conectado, de desinformado para informado, de passivo para ativo”, explica Rasmawamy.

Capazes de tomar decisões mais qualificadas, os consumidores estão transformando os mercados tradicionais também por outro aspecto: a comunicação entre os próprios consumidores através das mídias sociais. A independência em relação às empresas e a diminuição das barreiras geográficas e sociais tornam essas comunidades cada vez mais relevantes para o mercado. “As redes de consumidores invertem os padrões tradicionais do marketing”, destaca Rasmawamy. “Elas possibilitam a experiência por procuração, ou seja, aprender com as experiências dos outros”.

Os exemplos vão da medicina ao mercado automobilístico. A Fiat, por exemplo, começou no ano passado o desenvolvimento do FiatMio (www.fiatmio.cc) carro-conceito baseado em sugestões de internautas. A partir dessas ideias, os engenheiros da empresa fazem uma análise para verificar quais delas são ou não viáveis. No Rio Grande do Sul, esse processo também pode ser visto através de ações como a Agenda 2020 (www.agenda2020.org.br)moimento que, desde março de 2006, une os gaúchos em busca de melhorias para o Estado. Ainda é difícil avaliar o impacto dessas iniciativas, mas o fato é que os consumidores estão cada vez mais atentos e exigentes, buscando construir redes e compartilhar experiências.

A perspectiva de criação de valor centrada na empresa tem raízes profundas e foi, até o século passado, o grande fundamento da competição. “O futuro da competição, no entanto, situa-se em uma nova abordagem, baseada na cocriação de valor”, prevê Rasmawamy. E sentencia: “Para vermos esse futuro, devemos nos libertar daquele passado”.
Fonte: Amanhã

20100720

Qual o impacto do branding para os resultados dos negócios?

Definimos marca como sendo a criação de um conjunto organizado de percepções e sentimentos no consumidor que faz com que um determinado bem ou serviço seja mais do que simplesmente diferente de seus competidores. Um conjunto de percepções e sentimentos que faz com que ele seja único, indispensável, e capaz de satisfazer as necessidades desse consumidor ou cliente. E por que ela é tão importante nas relações comerciais ou no resultado dos negócios? Estamos vivendo uma fase onde, cada vez mais, o eixo da economia está se deslocando da produção para o mercado (para a competição).

No mundo dos negócios, há uma crescente paridade tecnológica, física, de “features”, de qualidade, enfim, entre a maior parte dos produtos. Nesse regime de similaridade, ou seja, de um ambiente commodity-driven, as diferenças que definem a competição de mercado localizam-se, acima de tudo, no plano das marcas e de outros intangíveis. Isto é, os produtos são iguais, mas as marcas são diferentes. Ou, dito de outra forma: a diferença de personalidade entre as marcas conduz a uma percepção diferenciada dos produtos.

Isso vale para uma marca que produza uma peça de roupa, um carro e também para aquelas que fabricam cimento, conexões, caixas d’água e para as que constroem prédios. Nos próximos anos, muitas empresas perderão uma parte de seu quadro de funcionários; outras substituirão os imóveis que ocupam; outras, ainda, ampliarão seus segmentos de negócios ou passarão por fusões, enxugamentos etc. A única garantia de que elas estarão preparadas para enfrentar as incertezas do futuro, porém, é a competência com que administrarão e preservarão o poder e a identidade de suas marcas!

De forma resumida, posso indicar onde as marcas têm impacto nos resultados de uma empresa:

- Elas criam relações mais duradouras entre clientes/consumidores e a organização.
A marcas de mais prestígio podem praticar políticas de preços premium, o que alimenta a lucratividade.
Marcas com reconhecida autoridade têm capacidade de multiplicar negócios em novos territórios de produtos (brand extension).
É muito comum que marcas bem administradas tenham maior propensão a crescer em market share.
É também muito comum que os espaços de gôndola, no caso de produtos de consumo, sejam maiores quanto mais poderosa for a marca. Afinal, o próprio varejo se beneficia disso.

Por todas essas razões, administração de marcas ou branding deixou de ser um compromisso passageiro, um movimento modal, uma preocupação cosmética de designers e profissionais de comunicação. Não é, também, uma elaboração intelectual e filosófica sem compromisso com o bottom line.

Branding tem se transformado rapidamente em um instrumento de gestão nas empresas. Um estudo que realizamos recentemente mostra como os próprios CEOs estão ansiosos por verem esse instrumento e suas manifestações aplicadas no dia a dia da organização. Na medida em que o valor das marcas representa uma fração substancial do valor da empresa como um todo ou da sua capitalização de mercado, não há mais justificativas para que elas façam parte apenas do job description dos profissionais de marketing.

Branding hoje é o instrumento de gestão potencialmente mais eficaz na construção de valor e de sustentabilidade na vida das organizações. A história das empresas nos mercados caminhou de uma disputa entre produtos, para uma concorrência das suas respectivas formas de propaganda e comunicação em geral, até chegar ao estágio que começou a se descortinar atualmente: uma competição entre realidades simbólicas de suas marcas.

Branding é, em certo sentido, a continuação e a negação da Revolução Industrial. É a continuação por se tratar da forma suprema de relacionamento entre produção e consumo. Por outro lado, é a negação porque branding é o princípio da desmaterialização da economia, onde cada vez operaremos mais com bits e menos com átomos, cada vez mais com ingredientes emocionais do que com a materialidade dos produtos.
Fonte: HSM Online

20100719

Contrate gente inteligente

O colunista de AMANHÃ Eloi Zanetti aponta "a turma de Steve Jobs" como exemplo de competitividade baseada na inteligência das pessoas: "Um inteligente atrai o outro"
Quando era diretor de comunicação do Bamerindus, vivia dizendo aos meus auxiliares: “É preciso mostrar que existe vida inteligente aqui na Rua Mauá, 33” – em alusão, é claro, ao endereço da agência. Era a minha maneira de estimular a equipe a pensar por conta própria e a não me trazer problemas que eles próprios deveriam resolver. Acredito que a fórmula deu certo. Os trabalhos realizados por aquela equipe repercutem até hoje e vejo muito dos meus antigos colaboradores em altos cargos empresariais. Mudei para O Boticário e carreguei o mesmo procedimento:“Precisamos provar que existe vida inteligente...”.

Esses dias, conversando com um empresário e sua diretora de RH, o assunto versou sobre recrutamento e seleção. Eles haviam chegado à seguinte conclusão: “Daqui para frente, só iremos contratar gente inteligente, do boy aos cargos de diretoria”. O presidente da empresa arrematou: “Não adianta o candidato chegar com muitos cursos, mestrado, pós-graduação e formação acadêmica no exterior. Se ele não for inteligente, não entra”. Lembrei que na mesma empresa, um ano antes, num exercício em workshop, percebi um funcionário se destacando dos demais pela sagacidade na proposição e resolução de problemas. Perguntei a esse mesmo empresário, quem era aquele? Ele me disse: “Um operário da linha de produção”. Rebati: “Fique de olho nele, esse cara é bom”.

Meses mais tarde, fiquei sabendo que esse funcionário havia criado coragem e solicitado uma conversa com o presidente. Trazia uma série de ideias para aumentar a eficiência do seu trabalho e setor e dizia não aguentar mais ficar ouvindo baboseira de projetos que não terminavam nunca, de retrabalhos e de sobreposição de tarefas. O presidente pacientemente ouviu as ideias. Gostou do que ouviu e mandou o funcionário colocá-las em execução – o que melhorou substancialmente o fluxograma da empresa, trazendo economia de tempo e dinheiro. Hoje, o operário ocupa um cargo melhor e desempenha bem o seu papel, apesar da sua carência de formação. Mas, como homem inteligente, já se matriculou em uma faculdade. A empresa está ajudando. Ele percebeu que a inteligência ou o trabalho, isolados, não são nada; mas que, somados, podem tudo.

O que muitas vezes acontece não é a falta de inteligência, mas a preguiça de pensar. O colaborador pode ser inteligente e criativo fora da empresa. Mas fica no débito na hora em que precisa trocar essa capacidade por um salário. Muitas vezes, a culpa é da própria empresa que só faz travar o processo criativo e o livre pensar dos seus funcionários. Qualquer ambiente em que só os diretores e gerentes podem pensar está condenado a ter poucas ou péssimas ideias.

Gente inteligente gosta de trabalhar com gente inteligente. É estimulante e desafiante fazer parte de uma equipe que sabe pensar. A turma pode ser altamente competitiva, mas vibra quando as boas ideias aparecem. É assim que se formam as grandes equipes criativas, aquelas que mudam o mundo. Um inteligente atrai o outro, que atrai o outro e em breve o ambiente está brilhando e carregado de boas energias. Quer melhor exemplo do que a turma do Steve Jobs? Faça como a Apple e como esse meu cliente: pense diferente – só contrate gente inteligente.

E já que estamos em tempos de futebol, o que um time precisa é de jogadores pensadores e não de carregadores de bola. Aproveite a Copa e observe os craques jogando: eles param por milésimos de segundo, pensam e só depois é que disparam seus passes ou chutam em direção ao gol. Craque é craque porque sabe pensar.
Fonte: Amanhã

20100715

Reputação em tempos de redes sociais

Empresária fala como a forma de trabalho começou a mudar na mesma proporção que os riscos de imagem e de reputação começaram a aumentar.

A era “Jack Welch” e a ideia de lucro a qualquer custo, que dominaram o mercado nos últimos 25 anos, podem estar chegando ao fim. A crise econômica reviveu o velho debate sobre se as empresas deveriam se concentrar mais em seus acionistas, seus clientes ou seus funcionários. Com isso, a forma de trabalho começou a mudar na mesma proporção que os riscos de imagem e de reputação começaram a aumentar. Agora, com as redes sociais e com as comunidades na Internet, todos os públicos que se relacionam com as empresas passaram a ter uma voz ainda mais ativa, a opinar, criticar, dizer o que realmente pensam e a influenciar outras pessoas com sua visão.

O conceito de reputação é maior do que todo o relacionamento com o mercado. Transcende as áreas de marketing e de relacionamento com investidores. Mesmo sendo um tema volátil, tem poder para impactar e definir o futuro das companhias. Muitas vezes de forma dolorosa, descobre-se que não existe nada mais difícil de construir, nem mais fácil de destruir do que a reputação corporativa. Um deslize, apenas, é o suficiente para um confronto com a opinião pública, para perda de credibilidade ou até mesmo para uma desvalorização financeira sem precedentes.

Com milhões de seguidores e uma capacidade de mobilização sem precedentes, as redes sociais estão criando uma revolução e uma nova relação entre cliente/opinião pública/empresas. Mesmo não querendo, o mercado corporativo vai ser obrigado a pensar, planejar e aprender a trabalhar diferente. Muitos ainda fecham seus olhos para a questão, argumentando que o movimento é restrito aos Estados Unidos e que o brasileiro não tem computador e nem perfil para isso. Ledo engano. Apesar de seu povo adorar o contato pessoal, o Brasil aderiu rapidamente às redes sociais e é um dos países que mais as utiliza: são 4h27min por dia nas redes. Além disso, temos por aqui 50,6% dos usuários de Orkut do mundo e mais de 4 milhões de brasileiros no Facebook.

Se antes os desafios como globalização, competitividade acirrada e busca incessante por lucro pareciam enormes, hoje não são os únicos motivos de preocupação. A falta de controle da reputação corporativa é o tema do momento. A preocupação não é mais apenas centrada em acionistas e investidores, pois qualquer pessoa, mesmo não sendo um cliente, pode fazer um julgamento de juízo de uma empresa, criar movimentos desfavoráveis a um determinado produto ou simplesmente criticar de forma maldosa.

Parece fácil criar boa imagem e reputação diferenciada. Num primeiro momento pode surgir a percepção de que basta ter uma boa verba de marketing. Mas esse processo nunca foi fácil e está cada vez mais difícil. Por isso, temas importantes como comunicação, transparência, ética, confiança, honestidade, preocupação social e ambiental começaram a fazer parte da agenda executiva e tornou-se motivo de destaque - e, por que não, de sucesso - dos principais CEOs do mundo.

Os líderes diferenciados da atualidade já descobriram que lucro faz parte dos itens básicos de ‘obrigação’, mas os demais temas são resultado de um trabalho contínuo. Quanto mais bem preparados eles forem para gerenciar o intangível, mais destaque terão em suas áreas e com a sociedade como um todo. Descobriram também que o que torna suas empresas únicas é a oferta de produtos e serviços inéditos, únicos e com alto valor agregado. De novo, com algo intangível, que torne a experiência de seus clientes única.

Steve Jobs que o diga. Brilhante, sempre teve ideias inovadoras e desenvolveu produtos diferenciados. Mas seu destaque mundial, sem precedentes na indústria, deve-se à combinação desses fatores a uma habilidade única de mobilizar outras pessoas para temas de seu interesse. Foi assim na época da faculdade, quando não podia mais frequentar o campus, mas continuava indo às aulas que o interessavam graças ao apoio de diversos amigos que infringiam as leis do local para hospedá-lo em seus quartos, com um colchonete debaixo do braço. E continua sendo assim em todos os últimos lançamentos da Apple. Mesmo tímido, criou uma fórmula para lançar seus novos ‘gadgets’ e repete há anos sempre o mesmo formato em todos os eventos. Os invejosos vão além, comentando que a receita prevê, inclusive, o uso da mesma roupa.

Maldades à parte, o fato é que os avanços do mercado só acontecem quando as empresas se sentem ameaçadas. Por medo de multa, atendem aos clientes rapidamente em seus call centers, não divulgam projeções ou números antes de seus balanços públicos para não prejudicar o valor de suas empresas na bolsa. Por medo da crise, repensam seus gastos. Por medo do governo, não destroem mais áreas verdes. E assim vai.

Pós-crise, as companhias estão redescobrindo que o preço da ação em um determinado dia é uma diretriz imprecisa para o valor em longo prazo para o acionista. A obsessão pelos acionistas mudou. Ela começou em 1976 quando os economistas Michael Jensen e William Meckling publicaram o artigo “Teoria da Empresa, Comportamento Gerencial, Custos do Agente e Estrutura da Propriedade”, questionando proprietários de empresas e inspirando um movimento, aparentemente irresistível, para que os profissionais se concentrassem apenas no valor dos acionistas.

Isso mudou. Economistas e sociólogos estão comprovando a força de fatores externos e o poder de opinião e de mobilização de clientes, funcionários, fornecedores, credores, comunidades, ambientalistas, representantes do governo, enfim, da sociedade como um todo. Líderes mundiais, como Pail Polman, que no ano passado se tornou o cabeça da Unilever, fazem coro: “Não trabalho para o acionista. Para ser honesto, trabalho para o consumidor, para o cliente”.

Mas quantos conseguem? Poucos. A razão é simples. Reputação é algo intangível e apenas um pequeno grupo de líderes empresariais consegue dedicar atenção especial a isso. Talvez porque foram instruídos durante toda a carreira a só pensar em números. Talvez porque estão mal assessorados.

Como já dizia Adam Smith, pai do liberalismo econômico, “a ética deve vir antes da riqueza”. Demoramos mais de 200 anos para ver o mercado atento a este pensamento, mas com as redes sociais apenas um minuto será o suficiente para mudar a trajetória de nossas empresas para sempre.
Fonte: HSM Online

Lições gerenciais de um Dunga

O que o fracasso da seleção comandada por Dunga tem a ver com as organizações? Que lições podemos tirar deste filme com final pouco feliz? Veja aqui!

Perdemos a Copa da África do Sul. Nosso senso patriótico e ufanista vai do céu ao inferno no tempo de duração do jogo. Voltamos ao mundo de onde acreditamos ter saído por alguns breves momentos: o mundo corporativo. Mais calmos, analisamos o que, para nós, foi um despencar das ações do Brasil na bolsa futebolística mundial. Mas o que o fracasso da seleção comandada por Dunga tem a ver com as organizações? Que lições podemos tirar deste filme com final pouco feliz?

Objetiva e sucintamente, como deve ser toda análise, abordaremos os pontos que fazem de Dunga, mais um gestor à moda Brasil.

1- Dunga - Virou as costas para a opinião de um país inteiro. Dunga compôs um time, não uma seleção como outras que lá estavam. O mercado consumidor formado por expectadores, jornalistas, torcedores e peladeiros esforçaram-se em tentar mostrar isso ao supremo gestor. Assim como em muitas empresas, os gestores parecem surdos às vozes do mercado. Insistem em oferecer produtos conforme suas próprias percepções. Num mercado competitivo, a concorrência se inova a cada minuto. Ganha credibilidade quem faz, se expõe e investe em produtos cuja qualidade possa ser testada, aprovada e comprovada pelo mercado. Dunga convocou e pôs em campo produtos/jogadores de qualidade – assim entendida pelo mercado – duvidosa. Não eram produtos que encabeçariam a lista dos top of mind de qualquer brasileiro; eram sim, os que ele, Dunga, gostava mais.

2- Comportamentos táticos que ferem a nossa natureza – O Brasil não jogou como Brasil, a seleção brasileira perdeu identidade; teve seu DNA alterado, isto é, assumiu uma identidade que não era dela. Uma seleção que a história mundial reconhece como que joga avançada, que ataca, que objetiva o gol parece ter perdido o foco. Jogar bonito e fazer gols sempre estiveram associados ao futebol brasileiro; vencer era consequência. Isso funciona como uma empresa que nasce e cresce com o DNA dos seus idealizadores, focada na satisfação do cliente e que, como num toque de mágica – e das ruins – passa a ter foco no produto. Abandona tudo o que a fez adorada pelo mercado e, remando contra a corrente, preocupa-se mais com preço do que com valor. O Brasil esqueceu o futebol ofensivo. Os fins pretensamente justificariam os meios: o resultado a qualquer preço, toques para o lado falta de pró-atividade e improviso dos jogadores que sempre venderam talento e criatividade para o mundo.

3- A marca Brasil – Vitoriosa, invejável e intocável. O Brasil é penta! O certificado de qualidade da seleção brasileira de futebol é tão forte quanto de uma grande multinacional. Tivemos produtos como Garrincha, Nilton Santos, Vavá, Zico, Pelé. Este último, descontinuado como os outros citados é, no futebol, mais do que a Coca-Cola como refrigerante. Dunga não soube explorar bem o poder do branding que, dentre outras coisas, serve até para inibir a concorrência. Na verdade, a descaracterização da marca, traduzida pela relação de produtos que apresentou, gerou efeito contrário. Submetidos a um esquema tático difuso, a marca Brasil passou a ser vista pelos concorrentes como algo a ser humilhado, um Golias, agora fraco. Quantas não são as empresas cujas marcas, ainda de pouco valor percebido, aproveitam-se dos espaços deixados pelas maiores e mais fortes. Num mercado competitivo e globalizado, qualquer empresa, de qualquer nacionalidade pode explorar a demanda fomentada pela líder e se beneficiar com isto; principalmente quando a líder, fragilizada pelas falhas que lhes percebem os tradicionais consumidores, deixa satisfazê-los.

4- Pressão da função – Dunga era um gerente. Você conhece algum gerente que não trabalhe sob pressão? Muitos, assim como ele, se veem obrigados a suportar também altas doses de tensão. Há quem diga que o gerente de uma grande empresa sofre o “efeito-sanduiche”, pressão de cima (diretores, acionistas) e de baixo (linha de frente, subordinados). Isso nos parece lógico. No caso do nosso técnico, Dunga não se mostrou suficientemente preparado para atingir as metas que lhe foram estabelecidas para venda e participação de mercado do produto Brasil. Mostrou falta de inteligência emocional, incomodou-se com a pressão e com a tensão inerentes ao cargo, xingou, debochou de quem poderia ampará-lo - a mídia e, ainda pior, atestou sua incompetência para diretores e acionistas (FIFA, CBF e povo brasileiro). Bem, pelo menos diretores são menos temidos que a mídia. Dunga ficou sem palavras quando tentou justificar sua opção por outros produtos que não os reclamados pelo mercado consumidor: Neymares, Gansos e Ronaldinhos Gaúchos, por exemplo. Todos os antecessores foram submetidos a igual ou pior pressão e souberam lidar melhor com ela.

5- Venceu – A Copa América, a Copa das Confederações e a Sul-Americana. Mesmo com DNA alterado, sem brilhantismo e esquema tático convincente, teve bons resultados. Isso acontece quando os produtos são testados em mercados menos competitivos, menos exigentes. Sem muita margem e sem gordura, bateram as metas propostas pelos acionistas. Venceram! Todos têm motivos para ficarem felizes, mas não eufóricos! Os bons resultados obtidos em maus mercados criam falsas ilusões de que igual sucesso acontecerá em outras praças. Exatamente esta falácia credenciou a arrogância do gerente em manter uma equipe medíocre, sem os melhores, mas com os mais “fiéis”. Dunga bateu metas trimestrais nos mercados em que era líder, mas não foi capaz de crescer no trimestre pico da sazonalidade; no momento mais importante para construção do seu resultado anual de vendas (a Copa). Iludido, ficou bem abaixo do esperava – ainda bem que o staff já não contava mesmo com bônus e participação nos lucros, pois não vieram.

6- Arrogância – Dunga, pela pouca experiência como gestor, sequer deve saber o que são cenários alternativos; não estava preparado para a situação contingencial em que se viu, mas todo gerente em início de carreira deve ter humildade para contratar ou ser assessorado por profissionais melhores do que ele. Mas o gerente Dunga queria ser único – até mesmo porque a assessoria de que dispunha era quase nula. Talvez tivesse receio de que outro gestor, mais competente, questionasse a relação passional que estabelecera com seus produtos. Quis fazer da fidelidade dos jogadores, obtida em agradecimento ao seu paternalismo incondicional, o seu grande trunfo – como na máfia. “Vamos nos blindar do que o mercado quer, do que os acionistas querem, do que os clientes buscam”. Unidos contra tudo e contra todos, mais difícil fica identificar os incompetentes. Associações vis e falsas amizades completam a proteção. Pessoas cujos telhados são de vidro têm sempre alguma coisa a dizer em favor dos potenciais chantagistas. Há gestores que sabidamente incompetentes permanecem em seus cargos. Frequentam a casa do diretor, almoçam com ele e, nas viagens de negócios, são os primeiros a ser convocados. Situações assim podem até demorar, mas não duram para sempre: o incompetente tende a se enforcar com a corda tecida por ele mesmo ... ou não? Que o digam Kleberson, Josué, Gilberto e Felipe Melo.

7- Outro modelo de jogo – Vendo que os resultados trimestrais não se repetiriam, Dunga deveria ter partido para a execução de um plano alternativo que, decerto, já teria sido hipótese aventada por qualquer gerente pouco mais competente. Dunga foi gerente de um plano só. A mudança do cenário fez com que concorrentes sem tanta expressão ganhassem força competitiva, nossos melhores produtos, Kaká e Luís Fabiano, não estavam, certo momento, disponíveis no estoque. A demanda existiu. Havia produtos substitutos? Que não perfeitamente substitutos, havia produtos que proporcionassem benefícios adicionais tais como maior velocidade, melhor lançamento ou toques mais precisos? Não, não havia nada disso. Demandas de mercado não atendidas por sua empresa acabam sendo atendidas por outra. Não se pode subestimar a demanda, principalmente quando se trata de um produto tradicional, reconhecidamente de qualidade. O mercado tinha expectativas de ver a seleção brasileira. Expectativas frustradas, clientes insatisfeitos. Não havia no plantel produtos em qualidade suficiente para atender tal exigente demanda. Dunga não tinha uma equipe razoável para variar esquema tático nem substituir jogadores quando precisasse. A seleção brasileira foi uma empresa engessada, como é o raciocínio do seu gestor. Assistimos todos, via satélite, a ascensão de outras equipes que souberam se adaptar ao novo mercado e a explorar as fragilidades das antigas concorrentes.

8- Ignorar o cliente – Dia 02 de julho. Fim de jogo. Brasil é eliminado pela Holanda. O objetivo não foi atingido! Não cabe apontar culpados ou atribuir à confluência dos astros o triste resultado. A seleção brasileira, escalada pelo inexperiente técnico Dunga não atendeu às expectativas de todo o mundo. Os produtos não foram capazes de gerar os resultados de venda e participação de mercado conforme todos esperavam. Com hombridade, um bom gestor, líder de sua equipe e defensor dos ideais coletivos, imputaria a si próprio a escolha errada pelo portfólio de produtos e pelas errôneas estratégias adotadas. Alentaria sua equipe e, provavelmente, reuniria acionistas, diretores, grupos representativos de clientes etc, para declarar suas falhas e sua incapacidade – fosse ela técnica ou psicológica – de, naquela situação, atingir o que dele era esperado. Somos humanos; falhamos. Assumir as próprias falhas é ser responsável; é atitude nobre, é um passo para o perdão; é deixar as portas abertas. Ser nobre seria esperar muito do nosso treinador. Vê-lo, como num gesto de gratidão, cumprimentar sua equipe ou, como de educação esportiva, reconhecer a superioridade do seu concorrente é hipótese sem propósito para quem, ao deparar com empecilhos, mostra que não está preparado para o sucesso. Em passos firmes e largos, sem sequer olhar para trás; abandonar o campo imediatamente após o apito final é o cúmulo do descaso para com todos. É voltar à Era Ford e dizer que o produto jamais será customizado porque à empresa, não importa atender às necessidades ou desejos de seus clientes. Para vocês, clientes, o meu total desprezo. Parabéns, Dunga: você está desempregado!
Fonte: HSM Online

20100118

Twitter vendedor - Veja como tirar vantagem desta rede

Matéria publicada pelo site Diário do Comércio Online, em 4 de janeiro de 2010, com dados do IBOPE Nielsen Online


Ele foi criado em 2006, teve as primeiras contas abertas no Brasil em 2007, estourou em 2009 e terá este ano que dizer a que veio. Mesmo sem um plano de negócios definido, o Twitter, palavra mais mencionada na web hoje, conquistou internautas de todo o mundo. O Brasil, com quase 10 milhões de usuários, lidera o ranking dos que permanecem mais tempo no serviço: 57 minutos por mês, ultrapassando os britânicos e norte-americanos, segundo pesquisa do IBOPE Nielsen Online. Os números e a força da ferramenta chamaram a atenção do mundo corporativo, que testa diferentes formas de usar a rede de microblog.

Um dos exemplos brasileiros mais bem-sucedidos é o do site camiseteria.com. A loja virtual que vende camisetas com estampas criadas por designers e escolhida pelos usuários já fazia sucesso na rede. Com um modelo open-source baseado na participação do internauta, a Camiseteria soube como poucas capitalizar seu sucesso no Twitter. Com milhares de seguidores, a empresa foi a primeira a fazer uma campanha de retuíte (que significa passar para frente o tuíte original) na rede. Obteve críticas, mas também muita repercussão. "Estamos sempre inventando coisas diferentes para testar", explica Fábio Seixas, dono da empresa. Ele diretamente e mais duas pessoas são responsáveis pela conta no Twitter (@camiseteria), que além de promover campanhas e produtos, também faz atendimento ao consumidor e funciona como um canal de divulgação da marca. Atualmente, o microblog é responsável por 12% das vendas feitas na loja e a expectativa é que este número cresça com a popularidade cada vez mais alta da ferramenta.

Outra que apostou no Twitter para desenvolver seus negócios foi o e-commerce comprafacil.com. A empresa, que já trabalhava com blog corporativo para reforçar as vendas, viu no serviço uma forma de potencializar o relacionamento com o consumidor. O que já fazia sucesso no blog – o personagem robô Facilita – foi transportado para o serviço de microblog (@BlogCompraFacil). Além de divulgar promoções, explicar funcionalidades dos produtos e atender a demandas dos clientes, o robozinho personifica na web o atendimento ao consumidor. "Nosso principal objetivo é criar relacionamento da marca com os clientes", explica Gustavo Bach, diretor de Marketing da loja virtual. Já na primeira ação via Twitter, o retorno foi além do esperado. A campanha, que consistia em um leilão exclusivo para seguidores com produtos eletrônicos da loja, contou com a interação de 300 participantes e teve mais de 1.200 lances. Depois dele, a empresa promoveu mais três leilões. Segundo Bach, a ação conseguiu triplicar o número de seguidores. "Passamos de 2 mil para quase 6 mil usuários conectados conosco", conta. A empresa também investe em monitoramento de mídias sociais para registrar a percepção do consumidor. "Além de saber o que falam de nós, podemos agir mais rápido em caso de comentários negativos", explica Bach.

Ibope

20091125

Cuidar ou controlar?

"Substitua 'controlar' por 'cuidar'. Essa atitude fará uma grande diferença no seu dia a dia", recomenda o colunista de AMANHÃ Eloi Zanetti


Por: Eloi Zanetti / Revista Amanhã

A reclamação é geral. De um lado, ouve-se: "Meu chefe é muito autoritário e controlador, não me deixa trabalhar." Do outro: "É preciso rígido controle desta turma, senão fazem corpo mole e nada sai a contento." Controle é bom, mas o seu excesso trava a criatividade e a espontaneidade das pessoas. E hoje, mais do que nunca, as empresas precisam de ambiente criativo e inovador.

O controlador, tanto no ambiente pessoal - com a mulher, marido ou filhos - quanto no ambiente empresarial, precisa saber que, quando nos armamos de muitas defesas, criamos exatamente as condições para acontecer aquilo que mais tememos ou procuramos evitar. Isto é, o excesso de autoridade trabalha contra a autoridade pretendida. O controle sub-reptício foge ao controle.

Se você precisa controlar muitas coisas, troque de verbo: substitua "controlar" por "cuidar". Essa atitude fará uma grande diferença no seu dia a dia, em relação ao nível de estresse e aos resultados dos esforços. Quando "cuidamos de algo", trabalhamos com mais suavidade e carinho. E "a coisa a ser controlada" sente a força sutil das nossas ações. Controlar, sem controlar, é a regra do jogo.

É por isso que cuidamos do jardim e não o controlamos. Cuidamos dos animais e não temos controle pleno sobre eles. Na vida pessoal, é melhor cuidar da saúde, do tempo e do dinheiro do que pretender controlá-los a ferro e fogo. O cuidado, quando feito com atenção e zelo, só traz alegria e satisfação, ao passo que o controle é sempre tenso e difícil.

O próprio ato de cuidar traz consigo as atitudes de zelo, cautela, precaução e atenção. A responsabilidade é mais nossa do que do outro. Ao cuidar, somos mais senhores da situação do que quando almejamos o controle de tudo. A vida precisa de mais cuidados e menos controles. Ninguém gosta de ser controlado, mas todo mundo deseja ser cuidado.

Controlar é uma atividade de mando e de subordinação decorrente da força. "Ou você faz, ou..." - diz o controlador.

Cuidar exige que se pense a respeito do que se vai falar, exige presença real junto aos colaboradores e a perícia da persuasão. Isso implica lógica, afetividade e autoridade. Líderes que cuidam em vez de controlar emanam o que chamamos de "autoridade afetuosa", o que os torna imbatíveis em seus cargos de liderança. Por isso, é melhor persuadir por meio do convencimento e da emoção do que obrigar alguém a fazer alguma coisa tentando controlar os seus passos.

Se aqueles que exercem as atividades públicas ligadas à educação, à saúde e ao trânsito, em vez de buscarem o controle absoluto se limitassem a cuidar dos cidadãos e da sociedade, todos viveriam mais felizes, obedeceriam às regras e não criariam tantos subterfúgios para escapar aos controles. Mas, como o poder público faz o controle para poder multar e cobrar impostos e não para resolver os problemas, permanecemos "cada um por si" e a desobediência se instala. É por isso que existe "lei que pega" e "lei que não pega".

Permitir que as pessoas tomem iniciativas, exponham suas ideias, deem sugestões, é o verdadeiro exercício da liderança. Pessoas seguras da sua posição profissional não precisam exercer o controle absoluto das tarefas, mas podem permitir que outros tomem as rédeas para deixá-los sentir a responsabilidade das decisões empresariais.