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20100630

Redes sociais: comunique e não complique

Fique de olho em alguns detalhes no uso das redes sociais no trabalho. Especialista dá dicas para líderes e liderados. Confira!
Por Renato Grinberg
 
Com o boom de ferramentas como o Facebook, Orkut e Twitter entre os internautas brasileiros, a vida pessoal torna-se ainda mais exposta em toda a rede. Isso pode trazer benefícios, caso as informações sejam bem gerenciadas, mas também  tem o potencial de gerar graves conseqüências, até mesmo no ambiente profissional. Alguns casos ganharam notoriedade pela falta de cuidados de profissionais ao emitir opiniões sobre as companhias em que trabalhavam. Um exemplo disso é o caso do diretor Comercial de uma empresa que foi demitido ao escrever no microblog ofensas aos torcedores de um time de futebol patrocinado pela organização.

Nesses casos, é preciso ter mente que as informações disponibilizadas na internet estão em um espaço público, que pode ser acessado por qualquer pessoa, inclusive pelo seu chefe. De acordo com uma pesquisa da consultoria Manpower, que contou com a participação de quase mil empregadores, 55% das empresas brasileiras controlam o uso das mídias sociais. Dentre elas, 32% diz que o motivo é proteger informações confidenciais e 19% que é preciso proteger a reputação.

Tudo isso trouxe à tona o questionamento sobre a relação existente entre as esferas pública e privada da vida de um cidadão. Acredito que uma empresa não pode dispensar um funcionário apenas pelo fato de discordar de alguma de suas ações. Porém, ‘desabafos em ambientes virtuais que digam respeito à companhia onde trabalha ou aos seus parceiros, denegrindo a imagem de ambos, podem gerar demissão por justa causa. Isso, inclusive, está de acordo com a lei brasileira, desde que o colaborador tenha infringido regras apresentadas anteriormente ou que a empresa comprove que determinada atitude tenha sido prejudicial.

Veja, a discussão aqui não deve ser sobre o que é certo ou errado quanto ao monitoramento realizado por parte das empresas. O fato é que mesmo sem a intenção da companhia de controlar o conteúdo, as informações geradas na internet são disseminadas e podem chegar aos ouvidos de um profissional que tenha o poder de decidir sobre sua permanência ou não no cargo que ocupa. Por isso, vale a pena pensar em maneiras de evitar situações prejudiciais, tanto para as empresas quanto para os profissionais. 

Abaixo listo alguns cuidados básicos que podem ser tomados.

Para os profissionais

- Avalie o peso da sua opinião e possíveis consequências que podem ser geradas, principalmente se ocupa um cargo gerencial ou de confiança. 

- Tenha em mente que o mundo inteiro pode ter acesso ao que escreve e que sua imagem está em jogo.

- Cuidado com a divulgação de questões internas da empresa, mesmo que pareçam simples ao seu julgamento. Muitas vezes, estamos tão imersos em uma realidade que não damos conta de como um pequeno detalhe pode revelar muitas coisas. 

- Evite falar mal de concorrentes, pois essa é uma prática considerada antiética.

- Tenha uma conversa com seus superiores sobre o que pode ou não ser divulgado na internet. Nada melhor do que ter o aval da companhia para evitar possíveis problemas por falta de alinhamento.

Para os gestores de empresas ou líderes

- Reconheça que a presença das mídias sociais na rotina da maioria dos funcionários é uma realidade. Portanto, busque elaborar um código de conduta explicativo quanto às informações que podem ser ou não divulgadas.

- Oriente a equipe quanto aos cuidados que devem tomar, pois os colaboradores devem entender que carregam consigo a imagem corporativa.

- Esteja sempre aberto para dúvidas relacionadas a esse tema e não trate o assunto como algo que não pode ser discutido dentro da empresa.

Como usar a Inteligência para vencer a Copa ... da sua Vida

Em época de Copa do Mundo, consultor fala sobre um tipo de inteligência necessária para se vencer um torneio como este: a inteligência de Pelé, a Corporal-Cinestésica.

Por Robert Wong 
 
A palavra Inteligência é composta de três palavras, quais sejam, Inter - de interno -ência de ciência; e a raiz leg- do verbo latim lego, - ere, quer dizer ligar, agrupar, juntar ou conectar (lembra do brinquedo Lego?). Em outras palavras Inteligência significa a ciência ou capacidade de ligar internamente o que é captado externamente.

O Professor Howard Gardner, psicólogo e pesquisador da Universidade de Harvard, vem desafiando a tese da inteligência única e propôs a existência de inteligências múltiplas, conforme segue abaixo. Para ele, o conceito de inteligência é a capacidade para resolver problemas ou elaborar serviços e produtos que sejam úteis e valorizados pela comunidade.

Reconhecer a sua inteligência principal, dentre todas as outras que possuímos, vai ser muito útil para ajudá-lo a acertar na escolha da sua profissão ou encaixar-se na ocupação preferencialmente mais adequada. As oito inteligências identificadas pelo professor Howard Gardner são:

• Inteligência Lingüística ou verbal (a facilidade no uso das linguagens verbal e escrita).

• Inteligência Lógico-matemática (o raciocínio matemático e lógico).

• Inteligência Musical (o dom do talento musical).

• Inteligência Corporal-Cinestésica (a capacidade e coordenação motora do corpo).

• Inteligência Espacial ou Visual (a capacidade de compreender o mundo visual e utilizar-se destas imagens).

• Inteligência Naturalista Ecológica (a sensibilidade para compreender os padrões da natureza e fazer bom uso do meio ambiente).

• Inteligência Interpessoal (a compreensão das outras pessoas e suas motivações, bem como a habilidade de se relacionar socialmente).

• Inteligência Intrapessoal (a capacidade de formar um conceito verídico sobre si mesmo, ou seja, ter o auto-conhecimento com doses de intuição, aspirações, emoções e, essencialmente, atitude para alcançar os objetivos pessoais e, assim, influenciar os outros). 

Como estamos em plena Copa do Mundo na África do Sul, gostaria de citar o nosso Pelé como exemplo, pois ninguém duvida que ele foi e é o melhor jogador de todas as épocas, a fim de ilustrar a importância de se conhecer suas inteligências para vencer a Copa da sua Vida.

• Pelé tinha como inteligência predominante a Corporal-Cinestésica. Ele fazia coisas com a bola que poucos mortais conseguiam fazer. Sua habilidade de jogar futebol era incontestável, tanto que foi escolhido por merecimento o “Atleta do Século”. Tinha, também, a Verbal e a Interpessoal. Falava bem, transmitindo seus pensamentos com clareza, e dava-se bem com todos os níveis de pessoas, de reis e papas ao mais simples torcedor da geral. Possuía também uma inteligência Visual incomum, pois enxergava o lance antes da mesma acontecer e “viu” o Carlos Alberto chegar para lançar-lhe a bola açucaradamente naquele gol antológico na final da Copa de 1970 na vitória do Brasil sobre a Itália.

• Porém, o que fez Pelé ser “o Pelé” foi sua Inteligência Intrapessoal, que o capacitou a separar o ídolo Pelé da pessoa física Edson Arantes do Nascimento, e, deu-lhe o discernimento de inclusive pendurar as chuteiras na hora certa. Quantos ídolos – ou mesmo para não dizer qualquer profissional – souberam, e sabem tomar esta difícil decisão de parar ou mudar em suas respectivas áreas de atuação na hora certa?

• Pelé conhecia a si mesmo a tal ponto que sabia os seus próprios limites como atleta. Reinventou-se e atua agora como “embaixador” da boa vontade e promotor da prática esportiva. Tem o conhecimento de si próprio, ou seja, a inteligência Intrapessoal ou o próprio autoconhecimento, que é o conhecimento mais importante para chegar lá!

• Conclusão: O autoconhecimento ou inteligência intrapessoal é o traço comum entre todas as pessoas que atingiram o verdadeiro sucesso, entre as quais podemos citar Lao Tsé, Sócrates, Leonardo Da Vinci, Abraham Lincoln, Mahatma Gandhi, Madre Tereza de Calcutá, Antonio Ermírio de Moraes, Ayrton Senna, Bill Gates, entre outras.

Em resumo, conheça-se, pois a Inteligência Intrapessoal, que lhe dá a auto-confiança e a sabedoria, é a principal chave para vencer a Copa da sua Vida.
Fonte: HSM Online

20100529

A seleção canarinho e as marcas corporativas

Por Jaime Troiano


Como no caso da Seleção, as marcas corporativas foram feitas para durar muito. Se possível, quase para sempre.
 
Pode parecer apenas uma metáfora ingênua e oportunista. Afinal, não se fala de outra coisa nestes meses. Mas não é nem oportunista e muito menos ingênua. A relação entre a nossa Seleção e as marcas corporativas é total. 

Nós sabemos como as marcas corporativas, transcendendo as marcas de produto, deixaram de ser somente figurantes, passaram a ser fortes coadjuvantes e hoje são protagonistas nas comunicações e relações das organizações com seu mercado e stakeholders.

Aí vão algumas razões para demonstrar a autencidade desse paralelo entre as marcas corporativas e nossa Seleção.

1. Longevidade - Como no caso da Seleção, as marcas corporativas foram feitas para durar muito. Se possível, quase para sempre. Elas presenciam a entrada e saída de marcas de produto, que têm uma existência normalmente muito mais curta. Nossos craques também. Há muito tempo o Bellini levantou nossa primeira taça. Depois Mauro, Carlos Alberto, Dunga e Cafú. Ao longo desse período, a Seleção continuou nos orgulhando com outros craques.

2. Paternidade - As marcas corporativas dão “paternidade” e orgulho para os produtos que operam sua bandeira. Não é à toa que cresceu tanto a expressão das marcas corporativas nas comunicações de produto. Há muitos exemplos disso. Talvez o da Unilever seja o mais paradigmático nos últimos tempos. Como um produto que recebe o U corporativo em sua embalagem, os jogadores que são chamados para a seleção também são apadrinhados pela camiseta canarinho. Quando perguntaram uma vez a um jogador menos conhecido na época se gostaria de jogar na seleção, ele respondeu: “Mas quanto  eu vou ter que pagar?”

3. Individualidade - As marcas corporativas não eliminam a individualidade das marcas de produto. Em qualquer portfólio de produtos, dentro de uma empresa, é a coisa mais natural e desejável do mundo que os produtos tenham sua própria personalidade e contribuam de forma planejada para os resultados do conjunto. A última coisa que se  espera de um portfólio de produtos e marcas é uma desastrosa canibalização entre eles. Com a nossa Seleção é exatamente a mesma coisa. Robinho e Lúcio sabem que um não é capaz de fazer tão bem o que o outro faz. Acomodar as habilidades desses garotos num todo harmônico sempre foi a principal virtude dos grandes técnicos. O saudoso Telê Santana talvez tenha sido o grande mestre nessa virtude, mesmo sem ter ganho a Copa de 82.

4. Qualidade - Alguém conhece alguma marca corporativa que desfrute de prestígio, porém com um portfólio de produtos de qualidade questionável ou ruim? Eu não! É uma contradição em termos. Nos estudos que realizamos anualmente para a revista Época Negócios, as marcas corporativas de maior prestígio têm sido: Nestlé, Natura, Correios, Petrobrás, J&J, Volkswagen entre outras. A qualidade dos produtos e serviços é o pressuposto de empresas com marcas corporativas com reputação. Seleções não vão a lugar nenhum com jogadores pernas-de-pau. Mesmo grandes técnicos não conseguem essa milagrosa transmutação. Ou seja, qualidade é o price-of-entry de qualquer marca corporativa respeitada. Não há comunicação que cure a falta de qualidade de seus produtos. 

5. Humildade - Quantas e quantas organizações não têm caído na armadilha das disputas internas entre unidades de negócios, entre as marcas de mais brilho versus as menos expressivas no mercado? Não é nada estranho que batalhas internas drenem a força do conjunto e o resultado final da empresa, representada pela marca corporativa como um todo. Isso os faz lembrar de algo semelhante em nossa Seleção? Quantas e quantas vezes não ouvimos coisas do tipo: temos um grupo de grandes craques, mas eles não constituem uma equipe. As “marcas” individuais, os jogadores manifestam seu brilho próprio mas precisam se submeter a estratégia do portfólio, isto é, da Seleção. 

Longe de mim ignorar o peso fundamental das marcas de produto! Aliás, há dois meses, eu discuti nesta coluna como elas não podem ser substituídas pelas marcas corporativas. Todavia, mais importante do que qualquer uma das duas instâncias (marca de produto e marca corporativa) individualmente é a química entre elas. Como no caso da Seleção, somente a camiseta canarinho não ganha o jogo. Assusta o adversário, mas não ganha. E o inverso também: só um amontoado de craques não cria uma Seleção e nem levanta a taça.
Fonte: HSM Online

No futebol e na empresa: as 11 características de um time campeão

Por César Souza


Entre elas estão a clareza sobre o gol, o propósito, conhecimento do mercado, campo de atuação, capacidade de cuidar do todo, não só da parte, inovação e foco.
 
Um dos maiores desafios dos líderes é o de construir um time de alta performance. Para montar um time campeão, o líder precisa integrar os membros da sua equipe, criando sinergia e obtendo o melhor de cada um a fim de superar os resultados desejados. Mas nem todos conseguem o grau de integração almejado. Alguns atingem os objetivos propostos à custa da felicidade das pessoas, em um ambiente de competição nociva e discórdia.  Outros até criam excelente clima entre as pessoas, mas a equipe não consegue produzir os resultados necessários e reina entre elas uma espécie de integração improdutiva.

Vários presidentes de empresas me convidam para ajudá-los na integração de suas equipes e com grande frequência me revelam que seus diretores “são craques, super reconhecidos pelo mercado, ganham prêmios, são inteligentes, dominam seus assuntos como poucos, mas, não conseguem jogar juntos”. Um deles, mais exaltado com a falta de integração dos seus gerentes, desabafou com o seu sotaque nordestino: “Essa tal de sinergia nunca passou por aqui!”.

Gostaria que você tentasse se lembrar sobre as inúmeras vezes em que presenciou ou soube de pessoas que são competentes individualmente, mas que se mostram incapazes de contribuir para o trabalho em equipe e para maximizar o potencial de cada membro do grupo.

Na prática de esportes visualizamos com mais facilidade os benefícios criados pelo esforço conjunto, integrador e interdependente ou os prejuízos causados pelo individualismo, quando o estrelismo é mais forte que o conjunto. Muitas empresas são parecidas com times de futebol. Elas também possuem craques nos diferentes setores - Finanças, Logística, Marketing, Produção etc – mas a própria estrutura departamentalizada que funciona na base do “cada macaco no seu galho” impede a sinergia. A consequência é um custo invisível bastante elevado que corrói a eficácia da empresa como um todo. Bem ilustra essa dificuldade o time do Real Madri, que gasta fortunas para contar com estrelas em seu quadro e poucos campeonatos consegue ganhar.

O conjunto sempre foi a arma secreta de times notáveis como o Santos Futebol Clube (São Paulo) e o Botafogo de Futebol e Regatas (Rio de Janeiro), que encantavam as platéias dos estádios de futebol ao longo da década de 60. O time do Santos contava com craques como o Pelé, Coutinho, Zito e Pepe. O Botafogo com Garrincha, Didi e Nilton Santos. Mas ambos funcionavam como orquestras bem afinadas mesmo quando não contavam com suas estrelas. O time do Santo André é outro exemplo, quase ganhou o campeonato paulista este ano – a bola que daria o campeonato bateu na trave do time do Santos aos 45 do segundo tempo.

Às vésperas da estréia na Copa do Mundo de Futebol na África do Sul, o técnico Dunga também enfrenta pressões por não ter convocado algumas estrelas, deixando claro que prefere jogadores menos talentosos, porém leais e comprometidos, ao brilho espasmódico e descompromissado de outros. Os resultados vão apontar se ele estava correto na sua avaliação e postura ao escalar o selecionado nacional.

Ao longo da minha trajetória tenho observado algumas iniciativas dos líderes que fazem com que um grupo de pessoas, verdadeiras “ilhas de excelência” se transformem em equipes, em “arquipélagos de excelência” e trabalhem como sinfonias de competências. A primeira iniciativa que faz a diferença é a correta escolha dos membros da equipe.  Muitos líderes negligenciam o processo de escolha e depois passam o resto do tempo gerenciando problemas em vez de lidar com oportunidades. 

Os líderes precisam investir muito mais na hora de definir os membros da sua equipe. Nas empresas, precisam resistir à tentação de selecionar pessoas com base no currículo, que apenas registra dados do passado e não do futuro. Precisam fundamentar suas escolhas mais nas atitudes e menos na competência técnica e formalidades educacionais.

Precisam deixar também de preferir pessoas “feitas à sua imagem e semelhança”, ou seja, quem pensa, age e possui competências semelhantes. O Dunga corre esse risco, pois parece confundir “conjunto” com “mesmice” e decidiu convocar jogadores disciplinados, acostumados ao seu comando, deixando de lado jogadores que podem desequilibrar o jogo com a força do seu talento, da imprevisibilidade. 

Ter um bom conjunto não significa ter apenas jogadores previsíveis, pois o risco da mediocridade é grande. Pessoas talentosas também podem desenvolver o sentido de conjunto, de trabalho em equipe. A Seleção montada por Saldanha em 1970 era um belo exemplo de conjunto com talentos fora-de-série. Era um “time de feras”, muito diferente do “time de dungas”, que pode vir a fazer parte do jargão corporativo, caso a integração entre os escolhidos não seja capaz de trazer os resultados desejados pelos quase 200 milhões de “clientes”.

Mas, além da Integração, da força do conjunto, 10 outras características são fundamentais para formar um time de campeões, no futebol ou nas empresas:
1. Clareza sobre o gol, o propósito
2.  Conhecimento do mercado / campo de atuação
3. Capacidade de cuidar do todo, não só da parte
4. Inovação
5. Foco
6. Iniciativa
7.  Perseverança
8. Humildade
9.  Fazer mais que o combinado e superar obstáculos
10.  Paixão

Nesse time de 11 características, ainda falta elencar o 12º jogador, a TORCIDA, que na empresa pode ser simbolizada pelos stakeholders – clientes, comunidade, parceiros, sociedade, etc – que possuem o grande poder de tornar vencedor um empreendimento quando se apaixonam pela sua causa e pela marca. Ou que também, inversamente, possuem a capacidade de destruir a reputação, imagem e a longevidade de qualquer empresa ou time de futebol.
Fonte: HSM Online

A difícil arte de tomar decisões e as escolhas de Dunga

Por Sandro Magaldi


O “professor” Dunga, líder do selecionado canarinho, optou pela zona de conforto montando uma equipe que se caracteriza por atletas disciplinados, focados e comprometidos com sua “cartilha.
 
Como não poderia ser diferente, o grande tema de discussões em todos os bares, programas de televisão, rodas de discussões e afins é  a convocação da seleção brasileira. O “professor” Dunga, líder do selecionado canarinho, optou pela zona de conforto montando uma equipe que se caracteriza por atletas disciplinados, focados e comprometidos com sua “cartilha”. 

É só dar uma olhada na lista dos convocados para perceber que quase inexistem profissionais de perfil mais criativo, inconformista, capaz de mudar um panorama de jogo com sua genialidade (de primeira só enxergo essas características no Robinho, pois até nossa maior esperança, o Kaká, se destaca mais por sua aplicação e determinação do que, exatamente, por sua criatividade). 

Naturalmente a mania nacional é “cair de pau” no treinador cujo estilo faz com que vire presa fácil para os críticos e os mais de 190 milhões de “treinadores” brasileiros. Pois, será que essa opção do líder é tão insensata assim? Será que ele está tão errado? Vamos fazer um paralelo da atitude do Dunga com o mercado corporativo para procurar algumas pistas para essa resposta.

É natural que um líder busque construir um time que tenha absoluta confiança. Gosto da metáfora do paraquedas para tangebilizar a importância da confiança nessas relações. Imagine que você está preparado para saltar de paraquedas em um penhasco. Você não teve tempo para dobrar seu equipamento e pede para um companheiro fazer isso enquanto se prepara para o salto. A pergunta é: você daria seu paraquedas para ser dobrado por qualquer componente de sua equipe em uma situação como essas? 

Se houver dúvidas quanto a essa simples pergunta é importante refletir sobre os motivos. Sua insegurança tem como origem a dúvida quanto à competência deste componente da equipe para desenvolver sua atividade ou é proveniente de falta de confiança quanto ao alinhamento dessa pessoa com seus valores?  Em qualquer circunstância é necessário adotar uma medida proativa antes que chegue o momento do salto. Pois nesse aspecto o Dunga acertou, pois tem uma equipe que está em suas mãos, tem habilidades reconhecidas e, claramente, estabeleceu-se uma relação de confiança entre o grupo e seu comandante que estão alinhados em prol de um objetivo comum.

Por outro lado a complexidade do atual ambiente corporativo demanda muita flexibilidade. O comprometimento pelo comprometimento não é mais diferencial competitivo. É pressuposto básico. É necessário ter em uma equipe profissionais que aliem a seu envolvimento com o negócio um olhar diferenciado, um toque mágico que permitirá uma melhor adequação aos percalços que surgem diariamente. Uma das características mais claras do atual ambiente de negócios é a imprevisibilidade.

Ambientes imprevisíveis requerem profissionais adaptáveis, resilientes que consigam ter uma leitura rápida do contexto e responder com a mesma agilidade (tal qual o Ronaldinho, Paulo Henrique Ganzo, Neimar e companhia). Nesse sentido criatividade, inovação são competências para lá de requeridas. Aqui temos um ponto a menos para o Dunga, pois como já comentado, essa habilidade não está presente na convocação como poderia. 

Como podemos perceber o tema é para lá de polêmico. Existe um divisor de águas que será o ponto de inflexão para respondermos se realmente o líder da seleção acertou ou não. Você já deve ter adivinhado. Pois bem, se ele trouxer o caneco, todas às críticas serão revistas e talvez Dunga volte como herói (ou pelo menos a reedição do clássico “vocês vão ter de me engolir” do caricato Zagalo). Se ocorrer o contrário você já deve imaginar como esses mesmos críticos irão se regozijar e execrar o treinador talvez enterrando mais uma vez a 2ª “Era Dunga”. 

Muito parecido com nosso ambiente corporativo, não é? A vitória e a derrota são faces da mesma moeda. Quando estamos vencendo somos alçados ao Olimpo. Quando perdemos somos instantaneamente jogados no Inferno (sem escrúpulos). Por isso que a saída, como no caso da seleção, é escolher um caminho que acreditamos e sermos coerentes em sua execução. Talvez optemos por estruturar uma equipe como Dunga. Talvez busquemos em nosso grupo craques diferenciados. O fato fundamental: de qualquer forma, é que, no final das contas, seremos avaliados pelo nosso resultado final. Inapelavelmente. 

A responsabilidade sempre recai nas costas de quem está no comando. Por isso que a posição do crítico é muito confortável e tem muito menos riscos do que quem está com a mão na massa. As críticas devem ser vistas criteriosamente como parte do aprendizado. Existem críticos que estão comprometidos legitimamente com sua evolução, porém existem outros que não tem esse compromisso. Distinguir as visões que têm validade das que não fazem sentido é uma arte que pode fazer toda diferença do mundo em sua auto-avaliação. Em geral a verdade está nas medianas.

Tomar decisões é uma das principais responsabilidades do líder. Abster-se dessa atitude equivale a abrir mão do exercício de liderança. Sempre haverá críticas. Faz parte do jogo. Estar seguro sobre as escolhas e buscar sua execução de forma impecável diferencia os profissionais excepcionais dos medianos. No final do dia, como no caso da seleção, o que vale são nossos resultados. E que venha o Hexa (apesar do Dunga)!
Fonte: HSM Online

20100528

Vira 5 e acaba 10!

Por Gil Giardelli
 
As vésperas da Copa do Mundo, Gil Giardelli compara o futebol com a democracia das redes sociais. Confira!

Em tempos de copa do mundo, vou ousar e comparar o futebol com a democracia das redes sociais! Pode criticar ou aplaudir. Só não vale xingar a mãe do técnico! Neste caso, eu! Seria o futebol na nossa tenra infância, com seus passes, dribles e abraços a cada gol, a nossa primeira rede social coletiva? Para alguém como eu, que cresceu em uma megalópole, no centro da locomotiva paulistana? Nosso campinho de futebol era espremido entre prédios. Durante a semana, era um estacionamento sem graça! Nos finais de semana, nosso Maracanã, Morumbi, nosso templo futebolístico. 

Gol, Gol! Todos se abraçavam! Ninguém se preocupava, se o amigo era o filho do zelador, do pedreiro ou do empresário bem sucedido! Lá, éramos garotos sonhadores! Todos iguais. Enxergo a similaridade entre nosso campinho e a internet de hoje - Cosmopolita, universalista, não sectária e não monopolizadora. Era só chegar e jogar. Sempre cabia mais um. O golzinho era feito de dois tijolinhos ou latinhas, a releitura da inteligência universal, na qual todas as mensagens do Twitter ganharam um arquivo na biblioteca do Congresso USA! Geniais ou medíocres! Todos estarão lá! 

Quando vinha o guarda do estacionamento e nos despejava do “nosso” campinho, seria uma releitura da ACTA, apelidada de Lei Global Sarkozy? Uma lei que pretende por fim a liberdade, negociada em segredo durante dois anos por dezenas de países e se aprovada nos proibirá de ter blogs ou simplesmente twittar!

Os patrocinadores desta lei global são os mesmos que se propagam por aí! A internet enlouqueceu este mundo – Pais colecionam figurinhas da Copa do Mundo e crianças pulseiras de sexo.

Voltemos ao jogo. “Divide os times. Cinco para cada lado. Sem camisa contra o resto.” Enxergou a democracia digital que fez o Dalai Lama sorrir novamente, que depois de 50 anos conversou via Twitter com pessoas na China? 

Se o seu campinho era em uma rua sem saída ou em uma ladeirinha, não tem problema. É como na web, que com criatividade e inovação faz todo mundo participar. No projeto #doepalavras você ”Tweeta” uma frase de ajuda e ela é enviada para uma das 30 TVs, confortando pessoas internadas em um hospital.

O jogo sempre vira 5 e acaba 10 e todo mundo joga. Como na internet, onde uma doce menina passa por um problema de saúde e quase se vai! Quando ela se recupera chama todos os amigos para jogarem no #Veiasocial, um local que une quem deseja receber ou doar sangue. Na Copa do Mundo “são homens e mulheres, de todas as latitudes e conectados” de olho nas grandes jogadas! Seria como as 600 mil Lan houses no Brasil, ensinando e conectando pobres e ricos na maior plataforma de relações que a humanidade já conheceu?

O futebol da molecada é como a internet na era das redes sociais, na qual um leva a bola e todos jogam compartilhando abundância e gratuidade. Como a Academia Real de Shakespeare acaba de lançar Romeu e Julieta em 4.000 Tweets e todo mundo pode palpitar na vida do casal secular.

Quando a torcida grita aperta, rouba a bola! Lembre-se do site propublica, ganhador este ano do maior prêmio de jornalismo – O Pullitzer – onde seu mantra é: roubem nossas histórias e espalhem por aí.

Para os países da África, Ásia, Oriente Médio e Oceania que não estão jogando a Copa, estas pessoas deixam sua nacionalidade de lado, e entram na rede social de torcedores canarinhos! Avante Brasil!

A lenda urbana diz que nos dias de jogos do Brasil as guerras param! Na internet, é igualzinho, em Índios online dezenas de etnias indígenas deixaram suas guerras milenares de lado e se conectaram. No projeto 6 milhões de vozes do Goodplanet.org, vale a pena assistir o que milhares de anônimos em 192 países acham sobre esporte, política e religião. 

Enxergou! No futebol e na Internet, a violência não é mais possível! Se não, você leva cartão vermelho. Nossas partidas acabavam com todos sorrindo e com um refrescante mergulho nos chafarizes da Praça da Sé! A cada jogo de futebol na rua, eu sem saber, na tenra inocência da minha infância estava aprendendo sobre a profissão que amo!

Hoje, olhei para as minhas doces lembranças e percebi que precisamos olhar para o passado e não podemos usar velhos mapas para descobrir novas terras sem olhar para o futuro. No futuro, somos a soma de cada passe e clicada que compartilhamos! 

Boa Copa!
Fonte: HSM Online