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20100825

Vendas na internet avançam 40% no semestre, diz e-bit

As vendas por meio da internet somaram R$ 6,7 bilhões nos seis primeiros meses deste ano, o que representou um crescimento nominal de 40% em relação ao mesmo período do ano passado. Para todo o ano de 2010, as vendas de bens de consumo na internet, que excluem veículos e sites de leilão virtual, deverão totalizar R$ 14,3 bilhões, o que indica uma alta de 35% em relação a 2009, segundo projeção divulgada ontem pelo relatório WebShoppers, elaborado pela empresa de monitoramento de comércio eletrônico e-bit, com o apoio da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net). A previsão supera a estimativa inicial, publicada em março, de faturamento de R$ 13,6 bilhões neste ano.

As compras vêm sendo puxadas pela expansão do crédito, aliada à maior confiança dos consumidores em adquirir bens na internet, afirma a e-bit. O setor vem crescendo ainda com a entrada de novas empresas, a consolidação de outras e a fusão de grandes grupos de varejo. Para o diretor-geral da e-bit, Pedro Guasti, a Copa do Mundo alavancou as vendas de produtos de maior valor agregado, como televisores de tela plana, enquanto o fim do prazo de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incentivou a antecipação das compras de itens da linha branca, como geladeiras e lavadoras, no início do ano.

O tíquete médio das vendas na internet totalizou R$ 379 no fim de junho deste ano, ante R$ 323 no mesmo período do ano passado. As categorias de produtos mais vendidas, em termos de pedidos, no primeiro semestre deste ano foram livros, assinaturas de revistas e jornais. Em seguida aparecem eletrodomésticos, produtos de saúde, beleza e medicamentos, equipamentos de informática e eletrônicos.

No segundo semestre de 2010, que representa cerca de 55% das vendas anuais do e-commerce, o faturamento deve alcançar R$ 7,6 bilhões. O número de pessoas que devem realizar ao menos uma compra na internet vai encerrar 2010 em aproximadamente 23 milhões, enquanto no ano passado foram 17,6 milhões de consumidores. Há quatro anos, o número de consumidores na internet era de 6 milhões.
Fonte: Amanhã

20100818

Não há vagas

Por Ferreira Gullar

O preço do feijão

não cabe no poema. O preço

do arroz

não cabe no poema.

Não cabem no poema o gás

a luz o telefone

a sonegação

do leite

da carne

do açúcar

do pão


O funcionário público

não cabe no poema

com seu salário de fome

sua vida fechada

em arquivos.

Como não cabe no poema

o operário

que esmerila seu dia de aço

e carvão

nas oficinas escuras


- porque o poema, senhores,

está fechado:

"não há vagas"


Só cabe no poema

o homem sem estômago

a mulher de nuvens

a fruta sem preço


O poema, senhores,

não fede

nem cheira

20100805

Novos Tempos

Heródoto Barbeiro

As eleições deste ano podem ser um divisor de águas na construção da democracia brasileira com uma participação maior da cidadania e a diminuição dos antigos vícios que enriquecem e felicitam alguns e infelicitam e empobrecem muitos. A sociedade está mais atenta, participativa e formando opinião em quem escolher para gerir os diversos níveis do Estado. Não deve estar fácil pedir votos seja para que cargo for. As pessoas estão mais aparelhadas para contestar, perguntar, debater, e decidir se apóiam ou não um candidato. Ninguém está com pressa de decidir, aprenderam no passado que essa correria só favorece os que desenvolveram técnicas, geralmente não éticas, para se perpetuar no poder. Há candidatos que fogem de determinados temas como o gato escaldado de água fria, não quer se comprometer porque sabe que para agradar uns é preciso desagradar outros e essas raposas querem os votos de todo o galinheiro. Assim, respondem com uma generalidade estonteante a perguntas como aborto, pena de morte, fim do bolsa família, casamento gay, criação de novos estados no Brasil, política externa, privatização, aparelhamento da máquina estatal com cabos eleitorais, combate ao desmatamento e outros temas chamados de sensíveis. Para isso treinam e treinam com suas assessorias respostas para qualquer pergunta que possa ser embaraçosa. Todos os dias, antes de fazer a peregrinação se exercitam na arte de falar o óbvio ululante e não se posicionar claramente diante dos desafios nacionais. Por que não se comprometem pelo a submeter esses temas polêmicos a uma consulta popular como o plebiscito ou o referendo? Podem desagradar a bancada religiosa, ruralista, industrialista, desenvolvimentista, esquerdista, direitista, atéia, conservacionista ou qualquer outra. Uma decisão popular não é fácil de manipular, por isso é preferível que os grande temas sejam decididos nos petits comitês nos escritórios reservados ou nos restaurantes da moda durante a madruga,

Não interessa para os que pretendem deter o poder em benefício próprio, ou ao grupo a que pertencem a participação popular direta nas decisões governamentais. Isso tiraria o poder de barganha que os torna os intermediários entre o poder e a realização da ação do Estado , ou seja a democracia representativa. A democracia direta os enfraquece e se começa a questionar porque se gasta tanto com eles. Membros do executivo e do legislativo se tornam verdadeiros tutores da população como se esta fosse uma incapaz e por isso precisa de suas atuações. Os mecanismos hoje existentes foram urdidos ao longo dos últimos 25 anos para impedir uma participação do cidadão nos destinos nacionais. Ele vota e pronto. Assina um cheque em branco que os detentores dos poderes usam e abusam ao longo de 4 anos e o saldo não termina nunca, uma vez que são criativos e inventivos. Embaralham de uma tal forma as coisas que mesmo os que se esforçam para acompanhar as decisões desses poderes se perdem em um cipoal sem saída. Com o tempo alguns desistem e a grande maioria não se lembra nem do nome da pessoa para que assinou o cheque em branco. Não é má vontade, falta de cidadania, incapacidade intelectual, mas a forma que o poder está estabelecido que conduz a esse marasmo, onde o cidadão é um mero expectador do desenrolar de uma tragicomédia e sua obrigação é pagar a conta através dos impostos.

Há alguma coisa diferente desta vez. Temas como corrupção, desperdício de dinheiro público, grandes escândalos e grandes obras estão na boca de muita gente que antes não se envolvia. Já se pensa inclusive na escolha de membros para os parlamentos que redirecionem os legislativos como fiscalizadores do executivo e não em um bando de vendidos e tranbiqueiros que participam do poder decisório para mordiscar propinas habilmente enfunadas em paraísos fiscais, ou favores materiais que não constem das declarações de imposto de renda. O eleitor está ressabiado, cansado de ser enganado e querer agir de boa fé com quem não tem o menor parâmetro ético e moral. As pessoas estão se falando mais, agora tem a internet, e é possível, que o Brasil emirja melhor no final do ano. Há esperança no ar.
Fonte: Blog do Barbeiro

20100721

Dinheiro não educa

Oitava maior economia do mundo, o Brasil investe, todos os anos, cerca de 4,2% do seu PIB na educação básica – o equivalente a US$ 70 bilhões. Já os Estados Unidos, grande dínamo da economia global, aplica 5,7% do PIB em educação, o que representa nababescos US$ 850 bilhões por ano. Para elevar a qualidade do ensino brasileiro, porém, não basta elevar o volume de investimentos, tampouco equipará-lo ao dos norte-americanos. Segundo Roberto Saco, presidente do conselho da American Society for Quality (ASQ), a busca por uma educação de qualidade não depende somente de dinheiro, e sim da forma como ele é gasto.

“A educação está em crise, mas o dinheiro, apesar de ser um fator importante, sozinho não responde a esse questionamento. Precisamos pensar em novas formas de educar”, diz Saco. “Os norte-americanos se enganam porque têm as melhores universidades do mundo. E têm mesmo. Mas os ensinos fundamental e médio estão bem abaixo do desejado”, garante.

Nas provas de Ciências do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), que avalia a efetividade dos sistemas de educação ao redor do mundo, a média dos norte-americanos em ciências é de 489. Já nos países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), é de 500. A média dos estudantes brasileiros fica bem abaixo – é de 390 pontos. Mas é errado pensar que a discrepância se deve apenas ao nível de investimentos que cada país dedica ao setor.

Para se chegar a uma educação de qualidade, diz Saco, é necessário preparar os alunos para o século XXI. Esse preparo envolve vários aspectos, não só técnicos como comportamentais. “Não basta ir para a escola para aprender as disciplinas básicas. Isso é importante, mas os alunos terão que sair da escola preparados para enfrentar o mundo”, destaca o presidente do conselho da ASQ, maior organização do mundo na área da qualidade, que se dedica a atividades de treinamento e certificação.

Entre essas características, Saco destaca a chamada “consciência global”. A globalização é uma das grandes impulsionadoras do desenvolvimento. Logo, diz ele, os alunos precisam sair da escola preparados para conviver e interagir com diferentes culturas. As qualidades interpessoais também envolvem outros fatores intangíveis, mas bastante exigidos pelo mercado: flexibilidade e adaptabilidade, iniciativa, autoconhecimento, liderança, pensamento crítico, inovação e ética. “Sim, ética. Lidamos com coisas que não entendemos totalmente, então parte dessa educação precisa ser moral. No futuro, esses estudantes vão lidar com várias questões que ainda não compreendemos completamente”, aponta. E dá um exemplo: “Como definir um ser humano quando estamos lidando com situações delicadas, como células-tronco ou aborto?”.

Ainda devido à globalização, os estudantes também precisam conhecer temas como informação, mídia e tecnologia. “Eles devem estar preparados, por exemplo, para uma videoconferência com pessoas de outros países. Precisam aprender a falar com a câmera, a projetar a voz, a controlar os movimentos, a usar corretamente os recursos da mídia”, projeta Saco. E lamenta: “O que eles aprendem na escola, hoje, é insuficiente. Acabamos tendo de assumir esse ônus, de reensinar os alunos ou ensinar o que eles não aprenderam na escola”.

Saco foi um dos palestrantes do segundo dia do 11º Congresso Internacional de Gestão, organizado pelo Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade (PGQP). O evento ocorreu na Fiergs e teve seu grande momento na noite de ontem, com a cerimônia de entrega dos troféus do 15º Prêmio Qualidade RS. O Congresso se encerra hoje, com visitas técnicas a empresas que se destacam na adoção dos conceitos de qualidade no Rio Grande do Sul, tais como Gerdau, Refap, Braskem, Fruki e a Fazenda Quinta da Estância Grande, da cidade de Viamão. Mais informações: www.portalqualidade.com/pgqp
Fonte: Amanhã