Mostrando postagens com marcador Campanhas Digitais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Campanhas Digitais. Mostrar todas as postagens

20100921

Políticos apanham do Twitter

O Twitter vai ser uma presença constante nas eleições de 2010. A rede social virou moda entre os políticos. Parece que todos querem embarcar na nova onda tecnológica (no "estilo Barack Obama", eleito presidente dos Estados Unidos com a ajuda de sites como o Twitter e o YouTube). Mas a rede social não vai ter um grande peso na definição do presidente ou dos parlamentares brasileiros. Por aqui a realidade é outra: enquanto nos EUA 74% da população tem acesso à internet, 65,2% dos brasileiros acima de 10 anos nunca tiveram acesso à rede.

A distância que a população está da web reflete também nos políticos que se aventuram no Twitter. José Serra, o candidato mais popular do país no site, não tem 300 mil seguidores. Obama tem mais de 4,4 milhões de seguidores. E a maioria dos políticos brasileiros não estão preparados para sobreviver nesse novo mundo. Muitas gafes foram cometidas nos últimos meses por políticos no Twitter, mas a maior parte delas foram tropeços de discurso: frases que ficaram fora de contexto, piadas que não tiveram graça, sentidos que se perderam pelo mau uso da ferramenta. O exemplo mais recente desses casos é o de Marina Silva, que por não saber como funciona o retweet [quando um usuário reenvia a mensagem de outro], entrou em uma discussão religiosa com alguns usuários.

Com a proximidade das eleições as táticas para ganhar popularidade no Twitter estão ficando mais agressivas, o que pode causar deslizes mais graves.

Na noite de quarta-feira (7), o perfil @jorgecortereal, de Jorge Côrte Real, candidato a deputado federal em Pernambuco, apareceu de uma hora para outra na lista de perfis seguidos de mais de 30 mil pessoas. Logo os tuiteiros começaram a discutir o episódio. Alguns lançaram a suspeita de que Real, ou alguma assessoria de comunicação, teria comprado o perfil @naoehamor e trocado de nome, para ficar com seus seguidores. É possível trocar o nome de uma conta no Twitter a qualquer momento, se o novo nome não estiver em uso. Todas as mensagens da conta anterior haviam sido apagadas. Usuários estranharam uma conta nova nas suas listas, com mais de 30 mil seguidores, criada em setembro de 2009, e apenas uma mensagem enviada.

Depois que a discussão se espalhou pelo Twitter, o @jorgecortereal de 30 mil seguidores desapareceu e reapareceu com uma outra conta, mais recente, que tem menos de 100 seguidores - seu perfil original, antes da tentativa de ganhar milhares de seguidores rapidamente. No Twitter, Real escreveu: “Tive um pequeno problema com o gerenciamento do meu perfil do twitter, mas já foi normalizado. Obrigado pela compreensão.” Uma conta nova chamada @naoehamorr surgiu e afirmou: "A ideia foi nossa, do perfil naoehamor. Mas dr. Jorge pediu para retirar".

Os boatos sobre a troca de um perfil com poucos seguidores por outro mais popular surgiram, já que a venda de contas com muitos seguidores ocorre em todo o mundo entre pessoas e empresas que querem ter perfis populares. No exterior, uma conta com 100 mil seguidores [mais do que Marina Silva e um pouco menos que Dilma Rousseff] pode custar até R$ 9,5 mil. Há soluções nacionais também, como um software que replica convites de outras contas, citado em uma reportagem de junho do Correio Braziliense. Um pacote de um milhão de mensagens para usuários custaria R$ 5 mil. É fácil encontrar na internet perfis com dezenas de milhares de seguidores vendidos por menos de 500 reais.

O Twitter não vai definir a eleição presidencial. Talvez tenha mais influência para cargos menores, como os de deputados federais e estaduais - em 2012 pode ser muito importante para prefeitos e vereadores - mas é preciso prestar em atenção nos seus candidatos. Você não vai querer votar em que te engana, mesmo que na internet.

Atualização: A assessoria de comunicação de Jorge Côrte Real publicou um comunicado afirmando que não houve nenhuma compra de perfis no Twitter e nunca existiu a intenção de enganar as pessoas. "Se houve alguma falha, foi por total desconhecimento de regras de conduta do twitter", afirma o comunicado. Segundo a assessoria foi o dono do perfil @naoehamor que quis ajudar Real voluntariamente e resolveu fazer a mudança.
Fonte: Revista Época

20100915

Estudo do IBOPE Nielsen Online comprova reação em cadeia na web sobre o debate em torno das eleições

O debate em torno das eleições comprova que o poder de reação em cadeia das mídias sociais é uma realidade. Um estudo da ferramenta BuzzMetrics, que o IBOPE Nielsen Online trouxe ao mercado para diagnosticar a situação de uma determinada marca ou assunto nas redes sociais, joga luz sobre a mobilização de simpatizantes na internet e ratifica a rede como grande aliada para angariar apoio.

Por meio da ferramenta, a empresa verificou a evolução da participação do tema eleições no meio digital desde o início oficial da campanha eleitoral, dia 6 de julho. O assunto alcançou um pico de mensagens no Brasil em blogs, fóruns, grupos de discussão e no Twitter, no dia 18 de agosto, data do primeiro debate eleitoral online entre os candidatos a presidente.

O Buzzmetrics apontou ainda outros dois grandes picos de mensagens: um deles foi no dia seguinte ao primeiro debate realizado pela televisão aberta entre os candidatos a presidente, o outro ocorreu quando a candidata do Partido Verde, Marina Silva, foi entrevistada em um telejornal, cinco dias depois. Por meio da ferramenta ainda é possível verificar que no total de mensagens em torno do debate na web, a candidata Dilma Rousseff, do PT, aparece em primeiro lugar, seguida de José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL).

Internet brasileira
Segundo o IBOPE Nielsen Online, cerca de 67,4 milhões de brasileiros acessam a rede mundial. O número leva em consideração os acessos feitos em domicílios, escolas, universidades, trabalho, locais públicos e lan houses, no período de janeiro a dezembro de 2009.

O acesso online também não é mais um recurso exclusivo das elites. A ascensão digital da classe C passa pelo processo de evolução econômica e cultural vivenciado por essa parcela da população brasileira.

Segundo a Internet Pop, realizada em novembro de 2009, 42% dos internautas brasileiros pertenciam à classe C, contra 48% das classes A/B e 10% da D/E. “Há dez anos, a participação da classe C, entre os usuários de internet, representava 21% e, há cinco anos, 31%, o que comprova a crescente popularização do meio internet”, avalia Fábia Juliaz CEO do IBOPE Nielsen Online e diretora executiva de negócios do IBOPE Media para a América Latina.

Atento a esses números, os principais partidos políticos do país apostam que as redes sociais serão peças-chave para conquistar votos. Pela primeira vez, a legislação brasileira permite a exploração das ferramentas online, consentindo doações pela internet e o uso de sites, blogs e redes sociais (como Orkut, Facebook e Twitter) ao longo da campanha, mesmo no dia da votação.

Sobre o Buzzmetrics
Atualmente, a cobertura na língua portuguesa do BuzzMetrics é de mais de 4,5 milhões de blogs, 70.000 fóruns e 50 milhões de comentários. Por meio de uma palavra-chave é possível identificar quantas vezes empresas, marcas, produtos, campanhas ou eventos foram citados em redes sociais, blogs, microblogs, fóruns, vídeos e conteúdo online de mídias tradicionais.

A ferramenta não só permite o entendimento das percepções dos consumidores online, como também seu poder de influência: quanto se fala, quem fala e quem escuta, como e onde se fala, do que se fala e o sentimento que prevalece em cada comentário.
Fonte: IBOPE

20100825

Cinco diretrizes para campanhas políticas na web

Os candidatos precisam inserir suas campanhas no ambiente digital e isso requer novas diretrizes. Consultor lista algumas. Confira! O Brasil já possui quase 70 milhões de internautas, que passam quase três vezes mais tempo diante do computador do que na TV. O país está entre os dez com maior número de usuários de redes sociais e o segundo no Twitter. Quase 60% das pessoas só concretizam um negócio depois de pesquisar a web.

Sem dúvida, a internet já faz parte de nossas vidas: nos relacionamentos, no lazer, no trabalho, nas compras, nos negócios. E em 2010 vai passar a fazer parte também da nossa política. Pela primeira vez no Brasil as redes e mídias sociais terão poder de influência sobre as eleições para presidência, governos estaduais, senado e Câmara dos Deputados. Se o impacto será tão grande quanto o que elegeu Barack Obama nos EUA ainda é cedo para dizer, mas com certeza vai mudar a forma de se fazer política no país.

Por um lado, amplia-se a possibilidade de comunicação dos candidatos (que não se restringe mais apenas à mídia tradicional e ao jurássico “horário eleitoral gratuito” no rádio e na TV) garantindo repercussão imediata, como o recente “twitaço” da candidata Marina Silva que garantiu 100 mil novos seguidores em apenas um dia. Por outro, abre um canal direto para o eleitorado acompanhar e cobrar os candidatos, o que os obriga a ser mais transparentes em suas ações.

Para se adequar à internet e conquistar os eleitores, os candidatos precisam inserir suas campanhas no ambiente digital e isso requer novas diretrizes, em muitos casos totalmente opostas às campanhas tradicionais. Por esse motivo veremos a dificuldade de muitos em se adaptar, pois os meios de comunicação da internet como os blogs, redes e mídias sociais não são apenas veículos de propaganda, mas formas de diálogo com os eleitores, opinião pública, imprensa e a sociedade como um todo. Dessas diretrizes, as principais são:

Descentralização: ao contrário das campanhas tradicionais, que tendem a monopolizar toda a comunicação e disseminação de mensagens, a ordem na internet é descentralizar, ou seja, incentivar os correligionários e simpatizantes a criar os próprios meios para divulgar seus candidatos. Nesse caso, o comitê da campanha funciona como uma fonte de referência de conteúdo, colocando à disposição informações e notícias e fornecendo orientação a quem quiser formar a sua comunidade em prol do candidato ou partido.

Interação: a internet permite que, além dos comícios, do rádio e da TV, também seja possível interagir virtualmente por meio das redes e mídias sociais. Essa participação é tão importante quanto a presença física, pois permite ter contato direto com um número muito maior de eleitores.

Mobilização: talvez este seja o maior desafio dos partidos e dos candidatos nesta e nas próximas eleições. De acordo com a empresa de pesquisas ComScore, somente 2% dos internautas brasileiros acessa sites com conteúdo político, número bem inferior aos 9,8% dos norte-americanos, indicando o baixo interesse pelo assunto. Portanto, para mobilizar o eleitor a não apenas escolher o candidato, mas também promovê-lo em comunidade ou redes de relacionamentos, também é necessária uma mudança de postura. Não bastam mais as promessas de campanha; elas devem ser acompanhadas pela defesa de causas (sociais, ambientais, educacionais etc) que sensibilizem os eleitores e os identifiquem. Nas eleições presidenciais americanas, isso ficou bem claro na campanha “Yes, we can!”, que mobilizou, sobretudo os jovens.

Transparência: a internet é uma arma importante para fazer com que a honestidade e a transparência deixem de ser uma opção para se tornar uma obrigação no meio político. É o principal meio para a sociedade pressionar os órgãos públicos a serem mais transparentes em relação aos gastos e, com a recente regulamentação das doações via internet, isso tende a se estender também para as campanhas eleitorais.

A partir de 2010 qualquer pessoa poderá fazer doações por meio do site do candidato, que fará o registro e identificação de cada doação. Todos os dados serão utilizados para prestar contas após a eleição e, caso estejam irregulares, o candidato corre o risco de ter sua posse impugnada ou se tornar inelegível nas futuras eleições. ONGs também tem usado a internet para incentivar os políticos a serem mais transparentes e o exemplo mais recente é o site http://www.fichalimpa.org.br/ que mostra o histórico dos candidatos.

Monitoramento: a internet vai muito além das pesquisas de intenção de voto e permite que seja possível monitorar, de forma quase imediata, o impacto sobre as ações realizadas durante a campanha. É possível monitorar quais assuntos geram maior repercussão ou porque determinado candidato tem a preferência sobre o outro. Em uma campanha de curta duração, usar estas informações para direcionar as ações pode representar o sucesso ou o fracasso na eleição.

Ao contrário das campanhas tradicionais, a aplicação destas cinco diretrizes não termina com a eleição. Assim como promoveram seus candidatos, os internautas vão continuar a fazer uso da web para acompanhar e fiscalizar o seu trabalho no novo mandato. Por sua vez, os políticos devem continuar a usar a internet para manter o canal de relacionamento com seus eleitores, imprensa e opinião pública em geral. É por isso que estas eleições são um verdadeiro divisor de águas na política brasileira. A partir de agora, nada será como antes.
Fonte: HSM Online

O debate pela internet

O primeiro debate presidencial transmitido pela internet, organizado pela Folha de S. Paulo e pelo UOL, bateu recordes de audiência, virou um dos assuntos mais comentados no twitter e trouxe inovações importantes, como as perguntas feitas pelos internautas (ótimas, por sinal).

Mas, como todos os outros debates anteriormente transmitidos pela TV, deixou muito a desejar com relação ao objetivo da exposição das diferenças de ideias e propostas dos candidatos - sempre alardeado como o primeiro e principal objetivo desse tipo de confronto, na voz de seus promotores, que, nessas ocasiões, gostam de encher o peito e falar em defesa do aprofundamento da democracia, pluralidade de opiniões, etc, etc.

Quem acompanhou o debate de ontem viu o mesmo desfile de sempre de discursos rasos, superficiais e atulhados de números enganosos sobre questões que passearam – sempre muito rapidamente e sem qualquer profundidade – pelas reformas tributária e política, o uso de incentivos fiscais para impulsionar a economia, a política de saneamento, a legalização do aborto, entre outros assuntos, todos muito complexos.

Tudo concentrado em duas horas, com falas, réplicas e tréplicas de, no máximo, dois minutos. Isso significa que não há chance de qualquer candidato aprofundar-se, revelar-se ou expor-se , um pouquinho que seja, em qualquer assunto. Quem procura mais densidade sai muitas vezes desses debates com uma sensação de que eles não serviram para nada.

Em geral, culpa-se a crescente influência dos marqueteiros nas campanhas pela esterilização dos debates e pela infinidade de regras que acabam engessando o comportamento dos candidatos . Acho que isso é verdade, mas desconfio que isso também não explica tudo. Quem viu os debates das últimas campanhas presidenciais americanas – entre Barack Obama e John McCain, George W. Bush e John Kerry ou George W. Bush e Al Gore – sabe que, nos EUA, os candidatos se expõem muito mais nesses confrontos. E lá é a pátria por excelência do marketing eleitoral e político.

Orjan Olsen, um dos maiores estudiosos brasileiros de campanhas eleitorais, costuma dizer que não vai dar para levar a sério nenhum debate político no Brasil, enquanto eles continuarem a ser transmitidos fora do horário nobre de audiência, com intervalos comerciais no meio e com assessores cochichando nos ouvidos dos candidatos durante esses intervalos.

Acho que ele tem razão. Ontem, o primeiro debate presidencial pela internet reproduziu o mesmo formato da TV, com blocos e intervalos no meio. Alguém pode explicar a razão se o objetivo do debate era o “aprofundamento das ideias”, como alegaram seus promotores? Se a internet é o terreno fértil da inovação, o primeiro debate presidencial no Brasil pela web não deveria também ter um formato mais inovador?
(Guilherme Evelin)
Fonte: Revista Época

20100810

Após impasse, partidos começam a receber doações pela internet

Após um impasse sobre a legislação e dificuldades técnicas por parte das operadoras de cartões de crédito, as campanhas dos presidenciáveis começam a receber doações pela internet.

O comitê de Marina Silva (PV) arrecada pela web desde a noite de sexta-feira (6). A campanha de Dilma Rousseff (PT) anunciou que começará a receber a partir desta segunda (9).

O PSDB informou que tem interesse, mas ainda busca soluções para disponibilizar a possibilidade aos simpatizantes de José Serra. Na tarde deste domingo, o G1 consultou o site dos outros seis candidatos à Presidência e não encontrou em nenhum deles a possibilidade de doar pela internet.

Novidade nas eleições 2010, essa modalidade de doação trouxe problemas para partidos e operadoras de cartões e motivou duas mudanças nas regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

De acordo com a legislação eleitoral, é necessário identificar o doador pelo número do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF). Além disso, o limite de doação por pessoa deve corresponder a 10% dos rendimentos no ano anterior à eleição. Diante da dificuldade das operadoras em controlar esses dados dos clientes, o TSE mudou a resolução e delegou às legendas a responsabilidade de identificar a fonte da doação.

Ainda pela lei eleitoral, os repasses só podem ser feitos por pessoas físicas e é proibido o uso de cartões corporativos ou emitidos no exterior. As empresas tiveram de encontrar soluções técnicas para impedir essas doações.

Outra pendência era em caso de erro ou eventual desistência do doador. As empresas não queriam se responsabilizar pelos valores. Por conta disso, na última quinta (5), o TSE fez nova mudança nas normas para esse tipo de arrecadação de campanha e definiu que se a doação for rejeitada ou não reconhecida pelo titular do cartão, o valor creditado ficará sujeito a estorno.

PV
A assessoria de imprensa da campanha de Marina disse que já foram registradas doações para a candidata e que o sistema está funcionando normalmente desde a noite de sexta-feira. Nesta semana, está prevista a divulgação de um balanço sobre os recursos arrecadados pela internet. É possível doar a partir de R$ 5.

O coordenador da campanha de Marina Silva, João Paulo Capobianco, disse que a doação pela web demorou a ser disponibilizada porque é novidade. "A única coisa um pouco chata é que, em vez de encontrarem todos os problemas [em relação ao uso do cartão para doações] de uma só vez, isso foi aparecendo aos poucos. Mas é normal para um sistema novo."

De acordo com Capobianco, não houve nenhum entrave em relação às taxas. Para o coordenador, as doações pela internet podem representar entre 20% e 30% de todos os recursos captados para a campanha.

"O uso da ferramenta é uma incógnita. É a primeira vez que acontece. Porém, o brasileiro tem índice de uso da internet para compra muito importante. Há predisposição para uso do sistema. E a campanha da Marina é muito voltada para participação, para mobilização. A campanha avalia que a ferramenta [doação por cartão de crédito] será vista como uma forma de participação”, disse Capobianco.

PT
Pelo Twitter, o tesoureiro da campanha de Dilma, José de Fillipi Júnior, disse que as doações começam nesta segunda (9) e que a primeira-dama Marisa Letícia será a primeira doadora. O valor mínimo para doações será de R$ 13.

A advogada do PT responsável pela implantação das doações, Márcia Pellegrini, informou ao G1 que a principal questão antes de oferecer o serviço foi adequar a tecnologia e a forma de trabalho das operadoras de cartões às regras exigidas pela Justiça Eleitoral.

“O que é novo é mais complicado. As operadoras estão acostumadas a lidar com lojistas. Por isso, as empresas de cartões pediram, e o TSE alterou a lei", explicou.

Os petistas fecharam parceria com uma bandeira de cartões que conseguiu fazer o bloqueio conforme a exigência legal. Foram feitos ainda testes para tentar disponibilizar, além do cartão de crédito, a opção de doar por meio do débito em conta corrente.

“A legislação eleitoral no Brasil é muito mais complicada. Nos Estados Unidos, por exemplo, essa maneira de doar deu muito certo. Como a lei brasileira é muito rígida, as doações pela internet são uma forma mais fácil, ágil e segura”, avaliou a representante do PT.

PSDB
Ainda sem data para iniciar o serviço de arrecadação por cartões via internet, a coordenação da campanha tucana enfrenta basicamente os mesmos problemas e já cogitou desistir da modalidade de doação.

Segundo o advogado do PSDB Ricardo Penteado, há interesse do partido em arrecadar por meio das doações via cartão, mas é preciso garantir a eficiência do sistema.

“Essa parte é muito sensível numa campanha. Se fizer algo de errado, é muito grave e pode atingir a prestação de contas do candidato. Precisamos ter certeza absoluta de que não vai ter problemas”, disse Penteado.

Operadoras

Por meio de nota, a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) afirmou que fez pedidos ao TSE para que fossem revistas as regras sobre o estorno das doações e o bloqueio de cartões corporativos e de outros países.

“O objetivo principal é garantir a segurança do processo, evitando fraudes, especialmente no caso das transações não presentes, ou seja, pela internet. A associação e os integrantes do setor desejam colaborar para que o sistema de doação seja implantado com sucesso ainda este ano”, informou a associação.
Fonte: G1

20100806

A internet e as eleições

As campanhas das eleições presidenciais de 2010 estão sendo marcadas por algumas especificidades, destacando-se as seguintes:

01.forte polarização entre candidatos;

02.o presidente Lula como um de seus principais protagonistas;

03.a presença da Internet como um dos mais importantes meios de campanha.

Com o crescimento do número de pessoas que tem acesso ao computador, é inevitável supor que a Internet deverá ser um fator diferencial nesta campanha, principalmente se tomarmos como horizonte a campanha de Barack Obama à Casa Branca e a popularização tipicamente brasileira das redes sociais, como Twitter, Facebook, Orkut e blogs de todos os gêneros.

Mas a largada desta campanha se demonstra, até aqui, bastante estéril e imatura. Uma análise feita durante um período de dois meses nos possibilitou auferir, por exemplo, a quantidade e a qualidade das citações a determinadas marcas e nomes, no caso, os candidatos nas redes sociais. Já foi possível constatar a falta de qualificação do debate e dos conteúdos políticos e os ataques gratuitos que vicejam na web.

Parte deste cenário desanimador pode, sim, ser imputado aos próprios candidatos que, se não exortam seus eleitores a esta batalha cibernética insana, também não inibem este comportamento. Os comandos estratégicos das campanhas, afinal de contas, são responsáveis pela qualidade ou a falta dela no debate político-eleitoral.

Há, por trás disto tudo, uma estratégia caótica de guerra em curso, na qual os dois principais candidatos parecem se valer do que no mundo da internet é chamado de "missionários digitais". Este termo, que foi criado para designar os profissionais que dispõem de tempo para promover as empresas na web e que é um bom exemplo de estratégia digital nos EUA, desvirtuou-se por aqui. Nesta lógica, é possível ver militantes na Internet trabalhando para convencer indecisos, acusando adversários e rebatendo críticas no pior exemplo da desqualificação política.

As etiquetas básicas das mídias sociais são na maioria das vezes esquecidas, e um debate de surdos flui surpreendentemente. Parece não se perceber que a Internet é um instrumento singular e poderoso de mediação de conteúdos e que a eficácia de uma campanha depende da combinação da potência do meio com a qualidade do conteúdo.

Um olhar mais próximo da blogosfera mostra que boa parte de seus influenciadores possui algum tipo de ligação com a grande imprensa ou são celebridades. A transmissão das propostas de governo dos principais candidatos está ainda confusa, e isso atrapalha vínculo entre a comunidade web e a qualificação do debate.

As estratégias adotadas nas redes sociais comprovam a percepção de que os presidenciáveis ou os responsáveis por suas campanhas não enxergaram ainda a necessidade de responder a algumas perguntas básicas. Onde meu eleitor está? Quem ele influencia? Por quem é influenciado? Como ele usa as tecnologias do ponto de vista da política? Ele apenas assiste a conteúdos, compartilha com os outros, comenta, cria ou modera comunidades? Que tipo de ações específicas deveriam ser usadas para cada grupo? Como responder a acusações infundadas? Como propagar minhas ideias de forma eficiente e sintética?

Um breve comparativo entre as "tags" "José Serra", "Dilma Rousseff" e "Marina Silva" na blogosfera, num período de 30 dias (até 14 de julho), mostra que o primeiro foi responsável por 44.5% das menções, a segunda, por 39.33% e "Marina Silva" por 16.20%. No dia 30 de junho, o termo "José Serra" alcançou mais de 3.000 menções no Twitter. O anúncio do vice Índio da Costa foi bastante responsável por esse buzz. Já a comparação entre as expressões "José Serra", "Dilma Rousseff" e "Marina Silva" na twittosfera, num período de 30 dias, (também até 14 de julho), o primeiro é responsável por 46.4% das menções, a segunda, por 21.9%, e o termo "Marina Silva", por 31.8%, com 27.509, 12.984, 18.854, respectivamente. Um pouco menos de 1/4 das citações sobre Dilma Rouseff no Twitter são relacionadas ao presidente Lula.

Além dos EUA, mais recentemente, Inglaterra e Colômbia vivenciaram intensa campanha política pela Internet. Nestes países foi possível verificar que, muitas vezes, a Internet pautou o debate transbordando a discussão para bares, escolas e casas, algo que até agora não vem ocorrendo no Brasil. Parece que será mais bem-sucedida a campanha que souber escrever este roteiro e quem apostar principalmente nos jovens, que são os mais conectados.

Os jovens mais escolarizados são grandes influenciadores na sociedade. Eles têm na rede mundial uma fonte inesgotável de pesquisa e informação e, nesta eleição, este processo não será diferente. Indiretamente, a internet se tornará um veículo de comunicação política para pais, familiares, colegas de classe, amigos, entre outros. A dica é seguir o comportamento destes jovens em vez de seguir a tecnologia de forma obstinada e sem critérios. Os jovens se importam com o que pessoas da mesma idade e comunidade pensam, e o bom debate político terá mais espaço entre eles do que com qualquer outro público internauta.

Como nenhuma outra, esta eleição tem um caráter de experimentação devido à popularização da internet nos últimos anos. Erros serão normais, mas o inadmissível será a perda do pudor, das boas maneiras e da inteligência. Talvez a maior contribuição deste fenômeno seja a inevitável introdução da escuta estratégica do eleitorado, que, com o advento da web social, passou a fornecer pistas e informações vitais na condução de uma campanha e de projetos políticos. Mudanças de rota, coisa que antes levaria dias para acontecer, a internet levará segundos para mostrar a necessidade da adoção de táticas diversas e eficazes. Perderá quem não perceber que o online também constitui o real. Até mesmo na política.
Fonte: iMasters

20100805

Google Brasil nas eleição 2010

O Google Brasil anuncia um pacote de ferramentas para facilitar a busca de conteúdos sobre os candidatos na eleição deste ano na web (clique aqui). Uma parceria firmada ainda com a TV Bandeirantes leva ao telespectador o YouTube e o Google Moderator para o Band Eleições, novo programa semanal de eleições da emissora, que pretende aproximar eleitores e políticos.

Via Google Maps, o internauta poderá acompanhar a agenda de viagens dos candidatos e se informar sobre o que cada um está fazendo, graças ao conteúdo do eBand, portal da Band. Já o Google Insights for Search apresenta a número de buscas feitas pelo nome dos principais candidatos.

Os outros aplicativos são o Mapa Histórico, com informações sobre a sucessão de governo nas eleições para governador e presidente desde 1994; e Google News Gadget, onde se pode acompanhar as notícias em rede sobre um candidato específico - seja ele presidenciável ou governadorável. A iniciativa conta ainda com ferramentas (clique aqui) em que os candidatos podem se comunicar os eleitores.

A recém-parceria com a Band prevê conteúdo exclusivo da emissora paulista em seu canal do Youtube. No espaço, os usuários poderão interagir, votando nos seus vídeos favoritos e enviando vídeos e perguntas via Google Moderator, os quais serão utilizados no programa semanal Band Eleições.
Fonte: M&M Online

20100723

Eleições | Participe do 1º debate on-line presidenciáveis 2010 no dia 26 de Julho

Para quem não sabe somos um dos países mais avançados em termos de tecnologia para eleições. Mas isso não quer dizer que somos um dos mais democráticos e entendidos no assunto, pelo menos os eleitores não muito.

Aproveite essa revolução que a Internet e as mídias sociais estão criando e seja mais cidadão, mais patriota e participe do 1º debate on-line com os candidatos à presidência da república.

O 1º Debate On-line Presidenciáveis 2010 é uma iniciativa dos portais iG, MSN, Terra e Yahoo!, que funcionam 100% na Internet, ou seja, não têm ligação direta com nenhuma outra mídia.

A objetivo central do projeto é oferecer aos cidadãos brasileiros o acesso facilitado e direto às propostas dos atuais candidatos à Presidência da República. Este é o primeiro debate do período eleitoral de 2010 e também o primeiro confronto de ideias entre presidenciáveis realizado pela Internet brasileira.

Além disso, o projeto também explora um ambiente altamente interativo para aproximar a população das questões políticas e ressaltar a necessidade de participação popular.

O 1º Debate On-line Presidenciáveis 2010 também é feito pelo internauta, que pode enviar questões sobre qualquer tema de interesse. Para participar, existem três formas:

Auditório: Para participar, basta acompanhar as informações veiculadas nos sites iG, MSN, Terra e Yahoo!.

Perguntas: Durante as semanas que antecedem o debate, os internautas poderão enviar suas perguntas aos candidatos através dos portais participantes. Basta visitar os sites iG, MSN, Terra e Yahoo! e acessar as páginas especiais sobre o 1º Debate On-Line Presidenciáveis 2010.

Mídias Sociais

Facebook: Após curtir a página Debate On-line 2010, os internautas poderão confirmar sua presença no evento, assim como postar suas perguntas a partir da zero hora do dia 26 de julho, no próprio perfil.

Twitter: Além da atualização diária com assuntos relacionados à corrida eleitoral, os internautas poderão enviar suas perguntas via Twitter, a partir da zero hora do dia 26 de julho, para @debateonlinebr, com a hashtag #debateonline. Serão selecionadas perguntas a serem realizadas no bloco final do programa.

Participe do processo que promete mudar – para melhor – a cara da política nos meios on-line!
Fonte: Mídia Boom

20100720

O eleitor volátil e a propaganda

Análise de resultados de uma série de três pesquisas mostra que mulheres e jovens tendem a oscilar mais ao manifestar sua intenção de voto

O Ibope Inteligência realizou e divulgou três pesquisas nacionais sobre a sucessão presidencial em um intervalo de menos de um mês. Constatamos um empate total entre os dois principais candidatos, Dilma Rousseff e José Serra, na primeira e na última pesquisa, enquanto a rodada do meio do período apontava vantagem estatisticamente significativa para a candidata do PT.

É conhecida a imagem usada pelos especialistas para descrever o significado dos resultados das pesquisas eleitorais, como "um retrato do momento". Por trás dessa metáfora do retrato existe um fenômeno muito real e importante conhecido na ciência política como "volatilidade" do voto ou do eleitor. A volatilidade é mais presente em períodos pré-campanha eleitoral, e, quanto maior ela for, maior a dificuldade para precisar os resultados finais de uma eleição.

A volatilidade, porém, não é homogeneamente distribuída em todo o eleitorado. Em cada sociedade, por conta de fatores culturais, históricos e políticos, alguns segmentos sociais apresentam um grau maior de volatilidade, ou seja, uma variabilidade acima da média nas intenções de voto. Além disso, o contexto de cada disputa eleitoral e até mesmo os diferentes momentos de uma campanha podem resultar em diferentes segmentos com maior volatilidade.

No Brasil, considerando as últimas eleições para presidente e para governador, temos observado sistematicamente uma volatilidade acima da média entre os eleitores mais jovens, que muitas vezes estão votando pela primeira vez. Ao mesmo tempo, as eleitoras brasileiras tendem a demorar mais para decidir o seu voto e, quando os homens já apresentam uma tendência mais estável, ainda observamos oscilações significativas entre as mulheres.

Essa maior volatilidade de jovens e mulheres pode ser confirmada nos resultados dessas três pesquisas recentes do Ibope Inteligência. Entre as mulheres a intenção de votar em Dilma cresceu de 33% para 37% entre a rodada do início de junho e a do meio do mês. Em seguida, a intenção de voto para Serra subiu 4 pontos porcentuais (de 37% para 41%) na rodada do final do mês, em detrimento de Dilma, cuja intenção de voto entre as eleitoras é hoje 3 pontos porcentuais inferior à registrada na pesquisa anterior. Já entre os homens, os porcentuais sofrem oscilações residuais.

O mesmo movimento é verificado entre os eleitores mais jovens, entre 16 e 24 anos, segmento no qual a intenção de voto de Dilma Rousseff subiu 6 pontos (de 34% para 40%) entre a pesquisa realizada no começo de junho e a do meio do mês e caiu 4 pontos (de 40% para 36%) entre esta e a última pesquisa. Ao mesmo tempo, aumentou em 7 pontos a intenção de voto de José Serra nesta parcela do eleitorado, atingindo 44% no final de junho.

Muitos fatores podem ter favorecido essas movimentações do eleitorado nesse período de praticamente 30 dias, mas a maior curiosidade refere-se ao impacto das propagandas partidárias veiculadas desde maio. Tivemos os programas e as inserções do PT na primeira quinzena de maio, depois a comunicação do DEM e por último o programa e as inserções do PSDB na segunda quinzena de junho.

Segundo estimativas do Ibope Mídia, a exposição do eleitorado brasileiro foi equivalente para a propaganda partidária do PT e do DEM e o alcance das inserções (comerciais ao longo da programação durante vários dias) foi quatro vezes maior do que o do programa (veiculado um dia só). Por outro lado, o alcance do programa eleitoral do PSDB foi cerca de 10% maior do que o do PT.

Em duas pesquisas perguntamos se "nas duas últimas semanas" o entrevistado tinha assistido/ouvido comerciais ou programas em que aparecia algum dos candidatos a presidente. O crescimento da exposição declarada às propagandas de José Serra entre início e final de junho foi significativamente maior entre mulheres, eleitores com nível superior, eleitores com renda familiar de até um salário mínimo, eleitores das regiões Norte/Centro-Oeste e Sudeste.

Desses cinco segmentos do eleitorado mais impactados pela propaganda do PSDB, três correspondem aos que identificamos como mais voláteis. Pode-se concluir, portanto, que, para as mulheres, eleitores com nível superior e eleitores do Sudeste, as propagandas partidárias provocaram movimentos relevantes, provavelmente potencializados pela volatilidade desses segmentos no contexto da disputa entre Dilma Rousseff e José Serra.
Fonte: Estadão

20100715

Lei da Eleição Online peca em brechas técnicas

Monitorar blogs, twitters, redes sociais e emails de políticos concorrentes parece mais importante para a área jurídica contratada pelos candidatos para orientá-los no uso legal da internet do que conscientizar o eleitor da governança na web. O resultado disso já são mais de 2,5 mil processos judiciais relacionados às novas regras da eleição digital.

“É uma guerra eleitoral no sentido de vigiar o outro com objetivo de notificar o TSE sobre transgressões. A tendência é essa guerra tornar-se ainda mais acirrada”, admite José Antônio Milagre, consultor e advogado da LegalTech.

Ele justifica que esse monitoramento é necessário para defender o cliente e, apesar da mudança do perfil dos profissionais da área jurídica, ainda é raro o advogado assumir o papel de cidadão no sentido de conscientizar os internautas sobre os direitos e deveres nesta campanha política.“Isso é papel do Tribunal e não da área jurídica”, opina.

Milagre apresentou alguns artigos da Lei 12034, sancionada em 2009, e da Resolução 23191, válida para as eleições digitais desde o dia 5 de julho, durante a reunião da Comissão de Alta Tecnologia da OAB, promovida nesta quarta-feira pelo presidente da casa,
Coriolano Almeida Camargo*.

A conclusão do encontro foi de que há ainda muitas brechas técnicas que a legislação não contemplou. Exemplo disso são os prazos, os quais exigem critérios de tempo e espaço bem diferentes das mídias tradicionais. Outra peculiaridade da rede é a autoria.

Advogados presentes na reunião da OAB destacaram que tal paradoxo exige muitas provas para colocar a lei na prática, o que dificulta sua eficácia. Diante disso, uma das propostas seria punir os candidatos pelo mau uso da rede após as campanhas políticas, assim como já acontece na área criminal com os candidatos de ficha suja.

Regras e proibições

A Resolução que rege o uso da internet nas eleições proíbe qualquer campanha política paga. Ou seja, os candidatos até podem contratar serviços de profissionais especializados para criação de sites e campanhas, mas tais profissionais só podem utilizar recursos de publicidade em sites de terceiros se esses forem pagos em outra mídia. Detalhe: a publicidade deve ser idêntica a que foi vendida e utilizada em outra mídia. Milagre conta que isso mudou muito os tamanhos de anúncios feitos em jornais para otimizá-los para internet.

Apesar da proibição do uso do dinheiro nas campanhas, os sites são desenvolvidos com técnicas, conhecidas como SEO, para relacionar palavras estratégicas (tags) aos candidatos, o que na publicidade é comprado no formato de link patrocinado vendido pelos sites de busca como o Google.

Outra restrição estabelece que os sites devem ser hospedados por provedores no Brasil, mas Milagre alerta para o fato de que a regra não se aplica a blogs, portanto, candidatos com má intenção podem hospedá-los no exterior. Vale ressaltar que, independente do formato blog, rede social ou site, o TSE considera a mídia cujo endereço eletrônico foi encaminhado como site que deve ser hospedado localmente.

É justamente nesses casos em que os provedores, desta vez, serão obrigados a retirar determinados conteúdos quando notificados por qualquer cidadão. Nessa guerra eleitoral, Milagre destaca que essa decisão torna o próprio provedor em juiz na remoção do conteúdo. Vale ressaltar que outros regulamentos só exigem remoção de conteúdo pelo provedor após notificação jurídica.

Há ainda algumas punições relacionadas à suspensão informática, direito de resposta ou multas pelo envio de email marketing que abrem brechas técnicas para manipular data de envio ou publicação de texto, o que dificultará comprovar determinadas denúncias.

São por essas razões que o candidato que estiver disposto a seguir as regras da eleição digital terá de buscar como apoio não só um advogado, mas também um perito digital que tenha capacidade de gerar provas para se defender da guerra de processos.

Vale lembrar, entretanto, que as regras da eleição digital nem sempre condizem com as regras da Sociedade em Rede, que além de preservar a autoregulamentação acredita também na colaboração e no relacionamento.
Fonte: Portal Decision Report

20100713

Os cuidados na hora de apoiar seu candidato na Internet

O que você (não) pode fazer na hora de propagar as idéias do seu candidato na Web. O TSE promete ficar de olho!

As eleições de 2010 serão as primeiras no Brasil onde a Internet desempenhará um papel essencial para os candidatos. Isso porque, além dos partidos, milhares de simpatizantes se mobilizarão para ajudar a eleger seus postulantes aos cargos públicos, seja via blog, via Twitter, via e-mail ou qualquer outra ferramenta de longo alcance.

“A Internet no Brasil é usada muito mais para propaganda negativa de candidatos, do que para mobilizar os eleitores ao debate e ao trabalho de campanha”, afirmou Alexandre Atheniense, professor do curso de pós-graduação de Direito Eleitoral da Escola Superior de Advocacia da OAB-SP e especialista em Direito Eletrônico . “Nos EUA, isso já é muito mais evoluído, já que o ambiente fomenta uma relação entre o candidato e o eleitor, até mesmo na questão de doações, onde a campanha que elegeu Barack Obama fez com muita eficiência e arrecadou grandes quantias”.

A opinião é compartilhada por Leandro Bissoli, advogado especialista em Direito Digital e sócio do Patrícia Peck Pinheiro Advogados. “Nas eleições norte-americanas na Web, quem combatia as difamações era o próprio eleitor. E ele também funcionava como um cabo eleitoral eficiente, mobilizando jovens e arrecadando fundos”.

E, ao contrário do que muitos pensam, a Internet não será uma terra de ninguém nas eleições brasileiras. Em outras palavras, calúnias, injúrias e difamações contra adversários políticos já estão sendo devidamente monitorados pelos militantes e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) – que regulamentou o uso da Web em campanhas a partir do projeto de lei 5984/09, de dezembro de 2009 - está sendo ágil na hora de punir os infratores. “A percepção de que a Internet será um território de vale-tudo nessas eleições é equivocada”, disse Alexandre. “O TSE, deixou bem claro o que será e o que não será permitido nas campanhas e vai punir os excessos com rapidez”.

A seguir, confira os cuidados que você deve ter na hora de apoiar seu candidato nos principais canais de comunicação na Internet:

Blogs

Conhecidos como um dos principais meios do internauta manifestar sua liberdade de expressão, os blogs terão vigilância rígida durante a campanha eleitoral. A começar pela eliminação do anonimato. “O TSE foi bastante enfático na nova lei quanto ao anonimato, que está totalmente proibido. A entidade não quer passar a falsa impressão que privilegia essa tática”, declarou Atheniense. “Logo, quem pretende criar uma página do gênero para apoiar a candidatura deve se identificar e responderá por qualquer excesso que ocorra no site e seja denunciado”.

Segundo o especialista, tanto os textos postados pelo dono do blog quanto os comentários que são feitos na página têm o mesmo peso na consideração do teor ofensivo. Em outras palavras, o blogueiro pode ser multado e até mesmo ter o seu site retirado do ar. “O dono do blog pode ser considerado um responsável solidário pelo conteúdo publicado na página, já que ele deveria exercer a moderação e não o fez”, explica Alexandre.

Além disso, todo e qualquer tipo de site, que não o do partido, está proibido de inserir qualquer tipo de propaganda política – como, por exemplo, banners – seja em grandes portais de notícias, seja em blogs de qualquer tamanho. No entanto, textos de endosso emitidos pelos partidos poderão ser publicados.

Twitter e outras redes sociais

A lei que regulamenta o uso da Internet nas eleições considera que as regras válidas para os blogs são válidas também para outras ferramentas de comunicação como o Twitter e também redes sociais. Em suma, o criador dentro de uma comunidade dentro do Facebook ou Orkut será responsável pelos textos publicados naquele espaço e também em moderar os comentários emitidos.

E o Twitter também entra nessa dança: “Ao contrário do que muitos pensam, o Twitter também não será uma terra sem-lei nessas eleições”, disse Alexandre. “É difícil imaginar que um candidato (no caso sua equipe de Web) não esteja monitorando tudo o que é dito acerca do seu nome, até para poder reagir aos ataques que considerar como calúnias”.

E-mails

As eleições 2010 serão as primeiras no Brasil a contar com uma lei específica de combate ao spam. Isso porque ela diz que os partidos podem criar um e-mail marketing, desde que qualquer mensagem eletrônica permita ao destinatário requerer seu descadastramento. E isso tem de ser cumprido em até 48 horas do recebimento da solicitação, sob pena de multa de até 30 mil reais ao partido e ou candidato. Além disso, a venda de mailing aos partidos está proibida.

O direito de resposta

Com regras claras para meios de comunicação como TV, rádio e impressos, surgiu a dúvida de como o TSE implementará o direito de resposta a um candidato que se sinta prejudicado nos meios virtuais. Segundo Leandro Bissoli, ainda não há uma jurisprudência para esse tipo de caso na Internet. “No Twitter, por exemplo, se você foi ofendido em 140 caracteres, você poderá replicar em 140 caracteres? Acredito que o TSE deva se pautar pelo o que ele já faz em outros meios de comunicação”, afirmou ele. “Ou seja, os direitos de resposta poderão ser postados em blogs e comunidades e ficar visíveis em partes de destaque dos sites durante um determinado tempo”.

Boca de urna virtual

Essa será uma outra vantagem da Web na hora do candidato aferir suas chances nas eleições. Proibida em meios físicos até 48 horas antes das eleições, os políticos poderão monitorar suas chances sem qualquer tipo de restrição na Internet. “A vantagem é que ele poderá fazer isso antes, durante e depois das votações, o que lhe dá uma perspectiva geral das suas chances”, afirmou Bissoli.

Provedores

Outro ponto que Alexandre destaca na participação da Internet nessas eleições é o papel dos provedores. Para ele, os provedores também precisarão tomar cuidado, já que também podem ser acionados pelo TSE como responsáveis solidários. “Os provedores terão de ser mais ágeis e se preocupar mais em monitorar os blogs”, declarou o especialista. “Não acredito que eles farão um monitoramento prévio dessas páginas, mas eles terão de ser bem ágeis na hora de retirar algum conteúdo considerado ofensivo pelo TSE. O ideal seria a realização de uma campanha que esclareça melhor os riscos de tais excessos, mas não acredito que isso vá ocorrer”.
Fonte: Por Rui Maciel, do IDG Now!

20100504

Eleições 2010: O que as empresas têm para aprender com as campanhas digitais?

Candidatos irão reforçar suas campanhas nas redes sociais e muitos exemplos de sucessos e fracassos serão vistos, e quem sabe as boas iniciativas aproveitadas.

Por Katia Cecotosti

A web 2.0, que tem como sinônimo a transparência e a forte ligação entre as pessoas promete ser este ano palco também das eleições brasileiras. A exemplo do sucesso obtido nas eleições dos Estados Unidos, os candidatos brasileiros já começaram uma forte migração para as mídias sociais. E em todo este cenário, veremos muitas iniciativas de marketing digital de sucessos e fracassos nos próximos meses, que poderão ser aproveitadas e até servir de exemplo ao mundo corporativo.

Segundo Claudio Torres, consultor, palestrante, especialista em marketing digital e autor do livro “A Bíblia do Marketing Digital”, as empresas têm muito a aprender com as campanhas digitais das eleições. “Se citarmos o exemplo da campanha Barak Obama, são muitas as lições que as empresas podem tirar deste tipo de marketing digital. A campanha de Obama mostrou que ter foco nas pessoas, envolvê-las e apoiá-las, usando as mídias sociais dá bons resultados. Mostrou também que é preciso criar fãs da marca, pois são estas pessoas que apóiam e defendem os interesses da empresa, quando ela precisa. Para isso é precisos dar mais valor ao relacionamento com os consumidores e ser transparente”, afirma Torres.

Outra lição fundamental para as empresas é a necessidade de ter visão e coragem para agir antes dos concorrentes. Muitas empresas ainda estão esperando para entrar nas mídias sociais, justificando que seu mercado e seus concorrentes ainda não utilizam a Internet em ações de marketing. Para Torres, Obama fez justamente o oposto quando teve coragem de usar fortemente as mídias sociais, ignorando seus concorrentes, e agindo antes deles. “Enfim, ser social, acreditar no relacionamento e na transparência são algumas lições que as empresas podem tirar do efeito Obama e das campanhas de marketing político digital”, complementa.

No caso específico da política brasileira é ainda precoce afirmar que o efeito Obama surtirá o mesmo resultado se adaptado a Dilma, Serra e demais candidatos as eleições. Para Torres, que tem ministrado cursos por todo o Brasil para políticos, assessores e outros profissionais envolvidos em campanhas, o efeito Obama não deve se repetir no Brasil. “O que Obama fez nos Estados Unidos pode servir como ensinamento para as campanhas no Brasil, mas não é diretamente aplicável. O eleitor americano é muito diferente do eleitor brasileiro. O engajamento é diferente e a participação política também. Não podemos esquecer que nos Estados Unidos a política e o engajamento fazem parte do dia a dia dos americanos e que o envolvimento nas campanhas começa muito antes, com as prévias”, explica o especialista em Marketing Digital.

No caso do Brasil, a campanha política dura três meses e o eleitor não tem a mesma tradição de engajamento em campanhas eleitorais como os americanos. Além disso, o especialista chama a atenção para as condições socioeconômicas presentes nos Estados Unidos na época da campanha de Barack Obama, assim como o carisma do próprio candidato, que contribuíram muito para sua vitória. “Eu costumo dizer que Obama não foi eleito por causa das mídias sociais, mas não teria sido eleito sem elas. Neste quadro, os candidatos têm que perceber que há sim o que aprender com o efeito Obama, mas é um erro simplesmente copiar suas estratégias. No Brasil os internautas são muito atuantes, presentes nas mídias sociais, e participativos, e é isso que o candidato tem que aproveitar. É preciso entender profundamente o internauta brasileiro para poder desenvolver uma estratégia nas mídias sociais e ter sucesso com elas nestas eleições”, ressalta Torres.

Para Andrea Dunningham, diretora do iDigo, um Núcleo de Inteligência Digital, com capacitações para quem necessita aumentar seus conhecimentos nas novas tecnologias de internet, o case do Obama serve de exemplo para praticamente todas as ações, sejam na política ou nos negócios. Porém, é importante lembrar que Obama não fez nada sozinho. “O atual presidente dos Estados Unidos investiu pesado nas redes, contando com uma equipe de 40 pessoas, dentre elas excelentes estrategistas digitais, já habituados com as redes e o comportamento dos usuários. Acredito que Dilma e Serra também inspirem políticos pelo país afora, mas não podemos ainda dizer se o trabalho deles nesta área servirá de exemplo, embora eles estejam acertando em diversos pontos. Uma coisa importante que os dois pré-candidatos já estão fazendo é buscar trazer um lado mais pessoal para seus perfis no Twitter, e isso é bem visto pelas pessoas”, comenta.

No palco das eleições 2010, as plataformas mais utilizadas serão, segundo Claudio Torres, o Youtube, Twitter, Orkut e Facebook, além de blogs. As plataformas móveis, os smartphones, também devem ter destaque nesta campanha. Existem inúmeras outras plataformas de mídias e redes sociais, mas os candidatos têm devem conhecer sua região e o seu eleitorado antes de priorizar outras plataformas e redes sociais. É preciso estar onde o eleitor estiver, mas trabalhar em muitas plataformas pode ser caro e ineficiente.

Já Andrea, da iDigo, acredita que a tendência é encontrarmos uma certa variedade de ações inspiradas tanto em cases de sucesso de empresas que trabalham suas marcas nas mídias sociais quanto em estratégias adotadas por políticos de fora do Brasil. “Entre as principais estratégias, esperamos ver ações para celular, uma adesão cada vez maior dos políticos no Twitter, bastante inspirada na entrada este ano de José Serra e Dilma Rousseff , ações no Facebook e em comunidades no Orkut mobilizando voluntários”, complementa.

A busca pelo eleitorado 2.0

As mídias sociais são basicamente uma mídia de relacionamento, e portanto os candidatos terão que conversar com o eleitor, e não somente falar algo para ele. É preciso ouvir, debater, contar histórias e informar o eleitor através das mídias sociais. Tudo isso ao mesmo tempo, para que o candidato possa ser entendido, apreciado e por fim escolhido pelo eleitor, que dará seu voto a ele, segundo aconselha Claudio Torres, especialista em Marketing Digital.

“Falando de estratégias, primeiro o candidato tem que ter uma mensagem clara para o eleitor. Eu digo em meus seminários que quem construir uma mensagem clara, objetiva, e que possa ser facilmente compreendida, terá uma grande vantagem nas mídias sociais. Com esta mensagem clara, pode-se partir para o marketing de conteúdo, ou seja, o desenvolvimento de uma série de temas de interesse do eleitor, utilizando blogs próprios do candidato, que servirão de base para todas as outras estratégias. O conteúdo é fundamental para desenvolver o relacionamento e utilizar a segunda estratégia - o marketing nas mídias sociais”, relata Torres.

Outra estratégia que deve ser usada é o monitoramento do acesso ao site do candidato e das mídias sociais. Somente com o monitoramento é que se pode reagir e tomar decisões com a velocidade necessária. Com as mídias sociais o candidato poderá também expandir sua cobertura geográfica e trabalhar com voluntários em diversas regiões de seu estado, misturando ações da internet com ações convencionais de campanha.

Se tratando da gestão de toda a campanha, o modelo tem que partir do um conceito básico, segundo orientação de Torres. “Estamos falando de comunicação social e não de publicidade e propaganda. Portanto, é preciso montar uma equipe focada em se comunicar e estabelecer relacionamentos, e por se tratar de um tema bastante complexo é preciso muito planejamento, principalmente considerando que a campanha tem somente 13 semanas.”

O especialista aponta como ideal uma equipe descentralizada e ágil o suficiente para permitir que se acompanhe o ritmo das mídias sociais, garantindo o controle diretamente ao candidato e a gestão de crise. A equipe de mídias sociais deve ser independente das demais equipes de campanha, liderada por pessoas experientes em mídias sociais, e com apoio de consultores externos que possam apoiar o processo de rápida tomada de decisão necessária ao seu funcionamento, uma espécie de coaching. Esta equipe deve ter diversas células autônomas de trabalho, operando de forma independente, mas fortemente integradas.

O candidato deve montar uma equipe com cerca de 6 células : uma célula para cuidar do conteúdo dos blogs e do contato com os blogueiros; outra para cuidar da conversa nas redes sociais, como Twitter, Orkut e Facebook; outra para monitorar o conteúdo das mídias sociais, providenciando as respostas aos questionamento e dúvidas do eleitorado; outra para a edição e disponibilização de conteúdo multimídia, como vídeos, imagens e podcasts; e uma outra para as campanhas virais nas mídias sociais. Por fim, a célula externa, acompanha o candidato e produz material multimídia para todas as outras.

O comitê de crise deve estabelecer critérios e planejar ações para as crises que ocorrerão nas mídias sociais, causadas por ataques de adversários e por informações negativas sobre o candidato que circulam nas mídias sociais. Caberá a este comitê julgar quando reagir, qual o tipo de reação e quando deve acionar o próprio candidato para que ele responda pessoalmente a eventuais ataques. “Neste modelo de gestão descentralizado é possível ter a agilidade necessária nas mídias sociais e manter um controle sobre o conteúdo e o impacto do trabalho na campanha”, conclui Torres.
Fonte: HSM Online

20100420

O futuro da política estará na Internet

PRODÍGIO
O blog comandado por Felsen arrecadou meio bilhão de dólares
para a campanha de Obama

A eleição do presidente Barack Obama em 2008 foi um divisor de águas na forma de se fazer campanha política pela internet. Sites, blogs e o Twitter, além de permitirem maior interação com os eleitores, tornaram-se uma poderosa ferramenta de arrecadação. Quem conhece a fundo essa história é o jornalista americano Sam Graham-Felsen, que foi diretor da área de blogs da campanha online do candidato democrata, coordenada pela Blue State Digital.

Graham-Felsen conta que «mais de três milhões de doadores individuais contribuíram cada um com pouco mais de US$ 100, resultando num montante de US$ 500 milhões«. Segundo ele, «as campanhas nos Estados Unidos eram marcadas por grandes doações de um grupo de interesses, mas Obama rompeu com essa tradição«.

Com base na experiência americana, Graham-Felsen acredita que em pouco tempo a televisão deixará de ser fundamental nas campanhas eleitorais. Quem assumirá seu papel, é claro, será a internet.

Na lógica do blogueiro, que esteve no Brasil há duas semanas, quando um grande número de pessoas comuns financia a campanha, o governo sente «uma obrigação maior de servir à população«. Formado em ciências sociais na Universidade de Harvard, Graham-Felsen se auto-define como um «estrategista digital«. Aos 28 anos, ele dirige a ONG de ativismo on-line «Aliança para Movimentos Juvenis« (Allyance for Youth Movements). Em sua opinião, a internet também pode ajudar candidatos que nunca disputaram uma eleição, como a petista Dilma Rousseff. «Quem usar a internet para envolver as pessoas na campanha certamente será beneficiado«, diz o blogueiro de Obama.

Entrevista.



Sam Graham-Felsen

Como responsável pelo blog de Obama, o sr. tinha liberdade ou o comando da campanha interferia no processo?

Sam Graham-Felsen - Eu era muito independente como blogueiro. A coordenação da campanha confiou em mim totalmente para transmitir suas mensagens com minha própria voz. Eu fiquei muito agradecido pela liberdade que eles me deram no blog e isso me ajudou a dar mais autenticidade ao discurso na internet. A ênfase na autenticidade do que você publica é o melhor caminho para construir um relacionamento com a base.

E como era sua relação com Barack Obama?

Sam Graham-Felsen - Obama vinha ao escritório ocasionalmente e tive algumas oportunidades de me reunir com ele. Mas ele passava a maior parte do tempo falando com os eleitores e tentando obter apoio.

Fale um pouco da estrutura do blog. O sr. precisou montar uma equipe grande?

Sam Graham-Felsen - Essa questão da estrutura é importante. A campanha investiu pesado na equipe de novas mídias. Tínhamos 85 pessoas no total. Ou seja, éramos um dos maiores departamentos de toda a campanha. Eu tinha três blogueiros trabalhando comigo diretamente, além de uma dúzia ou mais de blogueiros regionais que postavam especificamente sobre alguns Estados onde a disputa entre democratas e republicanos era mais acirrada. Eu mantinha contato diário com muitos dos melhores blogueiros em nível nacional e estadual, fornecendo a eles o que precisavam para cobrir a eleição.

Aqui no Brasil, os políticos estão aderindo cada vez mais às novas mídias. O candidato tucano José Serra faz questão de postar pessoalmente seus comentários. Mas muitos admitem que postar no Twitter, por exemplo, toma-lhes muito tempo...

Sam Graham-Felsen - De fato. Eu costumava trabalhar sete dias por semana, geralmente mais de 12 horas por dia. Com tantas coisas em jogo nessa eleição, nós sentíamos que tínhamos o dever de trabalhar por quantas horas fossem necessárias para causar impacto.

O sr. acha que a televisão continuará a ter papel dominante nas campanhas políticas por muito tempo ainda?

Sam Graham-Felsen - Em algum momento, a televisão deixará de ter esse papel e quem vai assumi-lo é a internet. A rede está provando ser uma arma poderosa para campanhas, porque com ela é muito mais fácil testar mensagens e público-alvo. Além disso, com a internet se gasta bem menos que com a tevê. Por outro lado, tevê e internet estão confluindo. Em poucos anos será possível ligar a tevê e ser imediatamente transportado para uma “página de doação”, como ocorre hoje nos sites.

Uma das diferenças básicas entre a campanha da tevê e da internet é certamente a possibilidade de o eleitor interagir. Como era a interação com o blog? Vocês deixavam as pessoas comentarem o que era postado?

Sam Graham-Felsen - Certamente. O blog recebia geralmente cerca de mil comentários para cada postagem. Nós sempre tentamos responder a esses comentários tanto quanto possível, mas não dava para atender todo mundo. Além disso, a maioria dos comentários era de apoio à campanha, em tom amigável. Mas também havia aqueles que aproveitavam o blog para atacar Obama.

Mas vocês permitiam que as ofensas fossem publicadas?

Sam Graham-Felsen - A menos que fossem comentários realmente ofensivos, nós geralmente permitíamos que as pessoas pudessem se expressar livremente no blog.

Qual o real impacto que o blog e todas as ferramentas de internet podem ter em termos percentuais na conquista de votos?

Sam Graham-Felsen - No caso de Obama, o blog ajudou a contar a história, não apenas dele, mas do movimento que ele inspirou. Nós criamos uma narrativa, a de que pessoas comuns podem realmente fazer a diferença em seu país. Isso foi muito inspirador. E o povo respondeu acima das expectativas. Nós conseguimos US$ 500 milhões em doações individuais e também reunimos milhares de voluntários. Eu acredito absolutamente que a internet foi decisiva para o sucesso de Obama.

A campanha de Obama foi baseada numa forte mensagem: Yes, we can, que basicamente significa “esperança”. O segredo é apostar num único mote?

Sam Graham-Felsen - Acredito que tivemos sucesso porque insistimos numa mensagem básica: pessoas comuns podem causar a mudança. Outras campanhas mudaram suas mensagens frequentemente, enquanto nós fomos consistentes e nunca oscilamos, mesmo quando as coisas não iam tão bem nas pesquisas de intenção de voto.

A internet pode ajudar a tornar o financiamento eleitoral mais transparente ao estimular doações individuais?

Sam Graham-Felsen - Eu realmente acredito que pequenas doações podem ter um poderoso impacto nas campanhas. No passado, as campanhas nos Estados Unidos eram marcadas por gran¬des doações de um pequeno grupo de doadores. Mas a campanha de Obama rompeu com essa tradição. O meio bilhão de dólares arrecadados veio de três milhões de doadores individuais que doaram cada um pouco mais de US$ 100.

É a tal história do grão em grão...

Sam Graham-Felsen - Exatamente. A campanha de Obama mostrou que pequenos doadores, em grande quantidade, podem ter um peso maior que grandes doações de poucos doadores. Eu acredito também que, quando um grande número de pessoas financia uma campanha, o governo eleito sente uma obrigação maior de servir aos interesses da população de forma geral, em vez de servir a um grupo de interesses. Afinal, essas pessoas ajudaram o político a chegar lá.

No Brasil, onde menos de 25% da população tem acesso à internet, essas ferramentas virtuais não tendem a ter um impacto limitado?

Sam Graham-Felsen - Mesmo 25% da população pode trazer uma mudança significativa, caso se envolva mais nas eleições por causa da internet. Além disso, não podemos esquecer da interação dessa plataforma digital com os telefones celulares – e há mais de 170 milhões de celulares em uso no Brasil. Isso também pode ter um grande impacto.

Como a internet pode ajudar, por exemplo, a eleger alguém que nunca disputou uma única eleição presidencial?

Sam Graham-Felsen - Bem, os candidatos que usarem a internet para permitir que as pessoas comuns se envolvam em suas campanhas podem certamente se beneficiar dessas ferramentas. As pessoas se engajarão no processo político se elas sentirem que são levadas a sério por seus candidatos, que não estão sendo manipuladas, mas, sim, ouvidas no processo. E que esses mesmos candidatos lhes dão as ferramentas para poderem se envolver e se organizar em sua própria vizinhança.

A que ferramentas o sr. se refere exatamente?

Sam Graham-Felsen - A melhor maneira de mobilizar as pessoas é dar a elas tecnologias para que possam se organizar. Como disse antes, em vez de dizer a elas exatamente o que devem fazer, forneçam as ferramentas para que organizem comitês e eventos de arrecadação de fundos em suas próprias vizinhanças. Deixe-as toma a campanha em suas próprias mãos, fornecendo o suporte necessário.

No Brasil haverá cerca de dez candidatos nestas eleições, mas apenas dois têm chances reais de vitória. A internet pode ajudar os pequenos a crescer durante a campanha?

Sam Graham-Felsen - Definitivamente, a internet pode ajudar os candidatos menos conhecidos. Por exemplo, nos Estados Unidos, um candidato republicano pouco conhecido chamado Ron Paul usou a internet para ganhar visibilidade. Conseguiu arrecadar dezenas de milhares de dólares e teve destaque significativo nas primárias do Partido Republicano.

O sr. acha que o blog pode ser usado para deter ou contrapor a repercussão negativa de eventuais escândalos envolvendo algum candidato?

Sam Graham-Felsen - Bem, nós geralmente tentávamos usar o blog do Obama para transmitir suas propostas políticas e amplificar a mensagem de que a campanha em si era um movimento pela mudança. Nós não estávamos ali para responder a ataques a Obama porque não tínhamos tempo para mais nada.

Mas vocês não reagiam aos boatos, que são um fenômeno inerente à internet?

Sam Graham-Felsen - Sim, ocasionalmente nós respondíamos a falsos ataques, de modo que a verdade pudesse vir à tona. Por exemplo, nós criamos o site fightthesmears.com para combater mentiras e falsos rumores sobre Obama.

Depois das eleições, Obama continua usando a plataforma da internet para conseguir apoio às suas políticas?

Sam Graham-Felsen - Sim. O site whitehouse.gov é um grande exemplo de como governos podem ser mais transparentes e manter o diálogo com o público, mesmo depois do fim da campanha eleitoral.

Fonte: State Digital

20100407

Mídias digitais | Campanha de Barack Obama a presidência dos Estados Unidos

Uma analise do papel das mídias digitais na campanha de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos em 2008.

Até que ponto elas fizeram a diferença? O que ela modifica para futuras campanhas políticas? Como a internet pode transmitir mensagens e engajar pessoas em prol de uma causa?

Essas e outras questões foram levantadas nesse documentário, que é um resumo de como a tecnologia e a "Sociedade em Rede" podem alterar a dinâmica de uma campanha política.