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20100921

Políticos apanham do Twitter

O Twitter vai ser uma presença constante nas eleições de 2010. A rede social virou moda entre os políticos. Parece que todos querem embarcar na nova onda tecnológica (no "estilo Barack Obama", eleito presidente dos Estados Unidos com a ajuda de sites como o Twitter e o YouTube). Mas a rede social não vai ter um grande peso na definição do presidente ou dos parlamentares brasileiros. Por aqui a realidade é outra: enquanto nos EUA 74% da população tem acesso à internet, 65,2% dos brasileiros acima de 10 anos nunca tiveram acesso à rede.

A distância que a população está da web reflete também nos políticos que se aventuram no Twitter. José Serra, o candidato mais popular do país no site, não tem 300 mil seguidores. Obama tem mais de 4,4 milhões de seguidores. E a maioria dos políticos brasileiros não estão preparados para sobreviver nesse novo mundo. Muitas gafes foram cometidas nos últimos meses por políticos no Twitter, mas a maior parte delas foram tropeços de discurso: frases que ficaram fora de contexto, piadas que não tiveram graça, sentidos que se perderam pelo mau uso da ferramenta. O exemplo mais recente desses casos é o de Marina Silva, que por não saber como funciona o retweet [quando um usuário reenvia a mensagem de outro], entrou em uma discussão religiosa com alguns usuários.

Com a proximidade das eleições as táticas para ganhar popularidade no Twitter estão ficando mais agressivas, o que pode causar deslizes mais graves.

Na noite de quarta-feira (7), o perfil @jorgecortereal, de Jorge Côrte Real, candidato a deputado federal em Pernambuco, apareceu de uma hora para outra na lista de perfis seguidos de mais de 30 mil pessoas. Logo os tuiteiros começaram a discutir o episódio. Alguns lançaram a suspeita de que Real, ou alguma assessoria de comunicação, teria comprado o perfil @naoehamor e trocado de nome, para ficar com seus seguidores. É possível trocar o nome de uma conta no Twitter a qualquer momento, se o novo nome não estiver em uso. Todas as mensagens da conta anterior haviam sido apagadas. Usuários estranharam uma conta nova nas suas listas, com mais de 30 mil seguidores, criada em setembro de 2009, e apenas uma mensagem enviada.

Depois que a discussão se espalhou pelo Twitter, o @jorgecortereal de 30 mil seguidores desapareceu e reapareceu com uma outra conta, mais recente, que tem menos de 100 seguidores - seu perfil original, antes da tentativa de ganhar milhares de seguidores rapidamente. No Twitter, Real escreveu: “Tive um pequeno problema com o gerenciamento do meu perfil do twitter, mas já foi normalizado. Obrigado pela compreensão.” Uma conta nova chamada @naoehamorr surgiu e afirmou: "A ideia foi nossa, do perfil naoehamor. Mas dr. Jorge pediu para retirar".

Os boatos sobre a troca de um perfil com poucos seguidores por outro mais popular surgiram, já que a venda de contas com muitos seguidores ocorre em todo o mundo entre pessoas e empresas que querem ter perfis populares. No exterior, uma conta com 100 mil seguidores [mais do que Marina Silva e um pouco menos que Dilma Rousseff] pode custar até R$ 9,5 mil. Há soluções nacionais também, como um software que replica convites de outras contas, citado em uma reportagem de junho do Correio Braziliense. Um pacote de um milhão de mensagens para usuários custaria R$ 5 mil. É fácil encontrar na internet perfis com dezenas de milhares de seguidores vendidos por menos de 500 reais.

O Twitter não vai definir a eleição presidencial. Talvez tenha mais influência para cargos menores, como os de deputados federais e estaduais - em 2012 pode ser muito importante para prefeitos e vereadores - mas é preciso prestar em atenção nos seus candidatos. Você não vai querer votar em que te engana, mesmo que na internet.

Atualização: A assessoria de comunicação de Jorge Côrte Real publicou um comunicado afirmando que não houve nenhuma compra de perfis no Twitter e nunca existiu a intenção de enganar as pessoas. "Se houve alguma falha, foi por total desconhecimento de regras de conduta do twitter", afirma o comunicado. Segundo a assessoria foi o dono do perfil @naoehamor que quis ajudar Real voluntariamente e resolveu fazer a mudança.
Fonte: Revista Época

20100915

Estudo do IBOPE Nielsen Online comprova reação em cadeia na web sobre o debate em torno das eleições

O debate em torno das eleições comprova que o poder de reação em cadeia das mídias sociais é uma realidade. Um estudo da ferramenta BuzzMetrics, que o IBOPE Nielsen Online trouxe ao mercado para diagnosticar a situação de uma determinada marca ou assunto nas redes sociais, joga luz sobre a mobilização de simpatizantes na internet e ratifica a rede como grande aliada para angariar apoio.

Por meio da ferramenta, a empresa verificou a evolução da participação do tema eleições no meio digital desde o início oficial da campanha eleitoral, dia 6 de julho. O assunto alcançou um pico de mensagens no Brasil em blogs, fóruns, grupos de discussão e no Twitter, no dia 18 de agosto, data do primeiro debate eleitoral online entre os candidatos a presidente.

O Buzzmetrics apontou ainda outros dois grandes picos de mensagens: um deles foi no dia seguinte ao primeiro debate realizado pela televisão aberta entre os candidatos a presidente, o outro ocorreu quando a candidata do Partido Verde, Marina Silva, foi entrevistada em um telejornal, cinco dias depois. Por meio da ferramenta ainda é possível verificar que no total de mensagens em torno do debate na web, a candidata Dilma Rousseff, do PT, aparece em primeiro lugar, seguida de José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL).

Internet brasileira
Segundo o IBOPE Nielsen Online, cerca de 67,4 milhões de brasileiros acessam a rede mundial. O número leva em consideração os acessos feitos em domicílios, escolas, universidades, trabalho, locais públicos e lan houses, no período de janeiro a dezembro de 2009.

O acesso online também não é mais um recurso exclusivo das elites. A ascensão digital da classe C passa pelo processo de evolução econômica e cultural vivenciado por essa parcela da população brasileira.

Segundo a Internet Pop, realizada em novembro de 2009, 42% dos internautas brasileiros pertenciam à classe C, contra 48% das classes A/B e 10% da D/E. “Há dez anos, a participação da classe C, entre os usuários de internet, representava 21% e, há cinco anos, 31%, o que comprova a crescente popularização do meio internet”, avalia Fábia Juliaz CEO do IBOPE Nielsen Online e diretora executiva de negócios do IBOPE Media para a América Latina.

Atento a esses números, os principais partidos políticos do país apostam que as redes sociais serão peças-chave para conquistar votos. Pela primeira vez, a legislação brasileira permite a exploração das ferramentas online, consentindo doações pela internet e o uso de sites, blogs e redes sociais (como Orkut, Facebook e Twitter) ao longo da campanha, mesmo no dia da votação.

Sobre o Buzzmetrics
Atualmente, a cobertura na língua portuguesa do BuzzMetrics é de mais de 4,5 milhões de blogs, 70.000 fóruns e 50 milhões de comentários. Por meio de uma palavra-chave é possível identificar quantas vezes empresas, marcas, produtos, campanhas ou eventos foram citados em redes sociais, blogs, microblogs, fóruns, vídeos e conteúdo online de mídias tradicionais.

A ferramenta não só permite o entendimento das percepções dos consumidores online, como também seu poder de influência: quanto se fala, quem fala e quem escuta, como e onde se fala, do que se fala e o sentimento que prevalece em cada comentário.
Fonte: IBOPE

20100825

Cinco diretrizes para campanhas políticas na web

Os candidatos precisam inserir suas campanhas no ambiente digital e isso requer novas diretrizes. Consultor lista algumas. Confira! O Brasil já possui quase 70 milhões de internautas, que passam quase três vezes mais tempo diante do computador do que na TV. O país está entre os dez com maior número de usuários de redes sociais e o segundo no Twitter. Quase 60% das pessoas só concretizam um negócio depois de pesquisar a web.

Sem dúvida, a internet já faz parte de nossas vidas: nos relacionamentos, no lazer, no trabalho, nas compras, nos negócios. E em 2010 vai passar a fazer parte também da nossa política. Pela primeira vez no Brasil as redes e mídias sociais terão poder de influência sobre as eleições para presidência, governos estaduais, senado e Câmara dos Deputados. Se o impacto será tão grande quanto o que elegeu Barack Obama nos EUA ainda é cedo para dizer, mas com certeza vai mudar a forma de se fazer política no país.

Por um lado, amplia-se a possibilidade de comunicação dos candidatos (que não se restringe mais apenas à mídia tradicional e ao jurássico “horário eleitoral gratuito” no rádio e na TV) garantindo repercussão imediata, como o recente “twitaço” da candidata Marina Silva que garantiu 100 mil novos seguidores em apenas um dia. Por outro, abre um canal direto para o eleitorado acompanhar e cobrar os candidatos, o que os obriga a ser mais transparentes em suas ações.

Para se adequar à internet e conquistar os eleitores, os candidatos precisam inserir suas campanhas no ambiente digital e isso requer novas diretrizes, em muitos casos totalmente opostas às campanhas tradicionais. Por esse motivo veremos a dificuldade de muitos em se adaptar, pois os meios de comunicação da internet como os blogs, redes e mídias sociais não são apenas veículos de propaganda, mas formas de diálogo com os eleitores, opinião pública, imprensa e a sociedade como um todo. Dessas diretrizes, as principais são:

Descentralização: ao contrário das campanhas tradicionais, que tendem a monopolizar toda a comunicação e disseminação de mensagens, a ordem na internet é descentralizar, ou seja, incentivar os correligionários e simpatizantes a criar os próprios meios para divulgar seus candidatos. Nesse caso, o comitê da campanha funciona como uma fonte de referência de conteúdo, colocando à disposição informações e notícias e fornecendo orientação a quem quiser formar a sua comunidade em prol do candidato ou partido.

Interação: a internet permite que, além dos comícios, do rádio e da TV, também seja possível interagir virtualmente por meio das redes e mídias sociais. Essa participação é tão importante quanto a presença física, pois permite ter contato direto com um número muito maior de eleitores.

Mobilização: talvez este seja o maior desafio dos partidos e dos candidatos nesta e nas próximas eleições. De acordo com a empresa de pesquisas ComScore, somente 2% dos internautas brasileiros acessa sites com conteúdo político, número bem inferior aos 9,8% dos norte-americanos, indicando o baixo interesse pelo assunto. Portanto, para mobilizar o eleitor a não apenas escolher o candidato, mas também promovê-lo em comunidade ou redes de relacionamentos, também é necessária uma mudança de postura. Não bastam mais as promessas de campanha; elas devem ser acompanhadas pela defesa de causas (sociais, ambientais, educacionais etc) que sensibilizem os eleitores e os identifiquem. Nas eleições presidenciais americanas, isso ficou bem claro na campanha “Yes, we can!”, que mobilizou, sobretudo os jovens.

Transparência: a internet é uma arma importante para fazer com que a honestidade e a transparência deixem de ser uma opção para se tornar uma obrigação no meio político. É o principal meio para a sociedade pressionar os órgãos públicos a serem mais transparentes em relação aos gastos e, com a recente regulamentação das doações via internet, isso tende a se estender também para as campanhas eleitorais.

A partir de 2010 qualquer pessoa poderá fazer doações por meio do site do candidato, que fará o registro e identificação de cada doação. Todos os dados serão utilizados para prestar contas após a eleição e, caso estejam irregulares, o candidato corre o risco de ter sua posse impugnada ou se tornar inelegível nas futuras eleições. ONGs também tem usado a internet para incentivar os políticos a serem mais transparentes e o exemplo mais recente é o site http://www.fichalimpa.org.br/ que mostra o histórico dos candidatos.

Monitoramento: a internet vai muito além das pesquisas de intenção de voto e permite que seja possível monitorar, de forma quase imediata, o impacto sobre as ações realizadas durante a campanha. É possível monitorar quais assuntos geram maior repercussão ou porque determinado candidato tem a preferência sobre o outro. Em uma campanha de curta duração, usar estas informações para direcionar as ações pode representar o sucesso ou o fracasso na eleição.

Ao contrário das campanhas tradicionais, a aplicação destas cinco diretrizes não termina com a eleição. Assim como promoveram seus candidatos, os internautas vão continuar a fazer uso da web para acompanhar e fiscalizar o seu trabalho no novo mandato. Por sua vez, os políticos devem continuar a usar a internet para manter o canal de relacionamento com seus eleitores, imprensa e opinião pública em geral. É por isso que estas eleições são um verdadeiro divisor de águas na política brasileira. A partir de agora, nada será como antes.
Fonte: HSM Online

O debate pela internet

O primeiro debate presidencial transmitido pela internet, organizado pela Folha de S. Paulo e pelo UOL, bateu recordes de audiência, virou um dos assuntos mais comentados no twitter e trouxe inovações importantes, como as perguntas feitas pelos internautas (ótimas, por sinal).

Mas, como todos os outros debates anteriormente transmitidos pela TV, deixou muito a desejar com relação ao objetivo da exposição das diferenças de ideias e propostas dos candidatos - sempre alardeado como o primeiro e principal objetivo desse tipo de confronto, na voz de seus promotores, que, nessas ocasiões, gostam de encher o peito e falar em defesa do aprofundamento da democracia, pluralidade de opiniões, etc, etc.

Quem acompanhou o debate de ontem viu o mesmo desfile de sempre de discursos rasos, superficiais e atulhados de números enganosos sobre questões que passearam – sempre muito rapidamente e sem qualquer profundidade – pelas reformas tributária e política, o uso de incentivos fiscais para impulsionar a economia, a política de saneamento, a legalização do aborto, entre outros assuntos, todos muito complexos.

Tudo concentrado em duas horas, com falas, réplicas e tréplicas de, no máximo, dois minutos. Isso significa que não há chance de qualquer candidato aprofundar-se, revelar-se ou expor-se , um pouquinho que seja, em qualquer assunto. Quem procura mais densidade sai muitas vezes desses debates com uma sensação de que eles não serviram para nada.

Em geral, culpa-se a crescente influência dos marqueteiros nas campanhas pela esterilização dos debates e pela infinidade de regras que acabam engessando o comportamento dos candidatos . Acho que isso é verdade, mas desconfio que isso também não explica tudo. Quem viu os debates das últimas campanhas presidenciais americanas – entre Barack Obama e John McCain, George W. Bush e John Kerry ou George W. Bush e Al Gore – sabe que, nos EUA, os candidatos se expõem muito mais nesses confrontos. E lá é a pátria por excelência do marketing eleitoral e político.

Orjan Olsen, um dos maiores estudiosos brasileiros de campanhas eleitorais, costuma dizer que não vai dar para levar a sério nenhum debate político no Brasil, enquanto eles continuarem a ser transmitidos fora do horário nobre de audiência, com intervalos comerciais no meio e com assessores cochichando nos ouvidos dos candidatos durante esses intervalos.

Acho que ele tem razão. Ontem, o primeiro debate presidencial pela internet reproduziu o mesmo formato da TV, com blocos e intervalos no meio. Alguém pode explicar a razão se o objetivo do debate era o “aprofundamento das ideias”, como alegaram seus promotores? Se a internet é o terreno fértil da inovação, o primeiro debate presidencial no Brasil pela web não deveria também ter um formato mais inovador?
(Guilherme Evelin)
Fonte: Revista Época

20100810

Após impasse, partidos começam a receber doações pela internet

Após um impasse sobre a legislação e dificuldades técnicas por parte das operadoras de cartões de crédito, as campanhas dos presidenciáveis começam a receber doações pela internet.

O comitê de Marina Silva (PV) arrecada pela web desde a noite de sexta-feira (6). A campanha de Dilma Rousseff (PT) anunciou que começará a receber a partir desta segunda (9).

O PSDB informou que tem interesse, mas ainda busca soluções para disponibilizar a possibilidade aos simpatizantes de José Serra. Na tarde deste domingo, o G1 consultou o site dos outros seis candidatos à Presidência e não encontrou em nenhum deles a possibilidade de doar pela internet.

Novidade nas eleições 2010, essa modalidade de doação trouxe problemas para partidos e operadoras de cartões e motivou duas mudanças nas regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

De acordo com a legislação eleitoral, é necessário identificar o doador pelo número do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF). Além disso, o limite de doação por pessoa deve corresponder a 10% dos rendimentos no ano anterior à eleição. Diante da dificuldade das operadoras em controlar esses dados dos clientes, o TSE mudou a resolução e delegou às legendas a responsabilidade de identificar a fonte da doação.

Ainda pela lei eleitoral, os repasses só podem ser feitos por pessoas físicas e é proibido o uso de cartões corporativos ou emitidos no exterior. As empresas tiveram de encontrar soluções técnicas para impedir essas doações.

Outra pendência era em caso de erro ou eventual desistência do doador. As empresas não queriam se responsabilizar pelos valores. Por conta disso, na última quinta (5), o TSE fez nova mudança nas normas para esse tipo de arrecadação de campanha e definiu que se a doação for rejeitada ou não reconhecida pelo titular do cartão, o valor creditado ficará sujeito a estorno.

PV
A assessoria de imprensa da campanha de Marina disse que já foram registradas doações para a candidata e que o sistema está funcionando normalmente desde a noite de sexta-feira. Nesta semana, está prevista a divulgação de um balanço sobre os recursos arrecadados pela internet. É possível doar a partir de R$ 5.

O coordenador da campanha de Marina Silva, João Paulo Capobianco, disse que a doação pela web demorou a ser disponibilizada porque é novidade. "A única coisa um pouco chata é que, em vez de encontrarem todos os problemas [em relação ao uso do cartão para doações] de uma só vez, isso foi aparecendo aos poucos. Mas é normal para um sistema novo."

De acordo com Capobianco, não houve nenhum entrave em relação às taxas. Para o coordenador, as doações pela internet podem representar entre 20% e 30% de todos os recursos captados para a campanha.

"O uso da ferramenta é uma incógnita. É a primeira vez que acontece. Porém, o brasileiro tem índice de uso da internet para compra muito importante. Há predisposição para uso do sistema. E a campanha da Marina é muito voltada para participação, para mobilização. A campanha avalia que a ferramenta [doação por cartão de crédito] será vista como uma forma de participação”, disse Capobianco.

PT
Pelo Twitter, o tesoureiro da campanha de Dilma, José de Fillipi Júnior, disse que as doações começam nesta segunda (9) e que a primeira-dama Marisa Letícia será a primeira doadora. O valor mínimo para doações será de R$ 13.

A advogada do PT responsável pela implantação das doações, Márcia Pellegrini, informou ao G1 que a principal questão antes de oferecer o serviço foi adequar a tecnologia e a forma de trabalho das operadoras de cartões às regras exigidas pela Justiça Eleitoral.

“O que é novo é mais complicado. As operadoras estão acostumadas a lidar com lojistas. Por isso, as empresas de cartões pediram, e o TSE alterou a lei", explicou.

Os petistas fecharam parceria com uma bandeira de cartões que conseguiu fazer o bloqueio conforme a exigência legal. Foram feitos ainda testes para tentar disponibilizar, além do cartão de crédito, a opção de doar por meio do débito em conta corrente.

“A legislação eleitoral no Brasil é muito mais complicada. Nos Estados Unidos, por exemplo, essa maneira de doar deu muito certo. Como a lei brasileira é muito rígida, as doações pela internet são uma forma mais fácil, ágil e segura”, avaliou a representante do PT.

PSDB
Ainda sem data para iniciar o serviço de arrecadação por cartões via internet, a coordenação da campanha tucana enfrenta basicamente os mesmos problemas e já cogitou desistir da modalidade de doação.

Segundo o advogado do PSDB Ricardo Penteado, há interesse do partido em arrecadar por meio das doações via cartão, mas é preciso garantir a eficiência do sistema.

“Essa parte é muito sensível numa campanha. Se fizer algo de errado, é muito grave e pode atingir a prestação de contas do candidato. Precisamos ter certeza absoluta de que não vai ter problemas”, disse Penteado.

Operadoras

Por meio de nota, a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) afirmou que fez pedidos ao TSE para que fossem revistas as regras sobre o estorno das doações e o bloqueio de cartões corporativos e de outros países.

“O objetivo principal é garantir a segurança do processo, evitando fraudes, especialmente no caso das transações não presentes, ou seja, pela internet. A associação e os integrantes do setor desejam colaborar para que o sistema de doação seja implantado com sucesso ainda este ano”, informou a associação.
Fonte: G1

Os caminhos para o eleitor escolher seu candidato

Com poucas vagas, mas muitos candidatos, o eleitor não terá uma tarefa fácil no próximo dia 3 de outubro, quando terá que ir as urnas para escolher seus novos representantes. Ao todo, nove políticos disputam a cadeira de presidente. Mais de 168 candidatos tentam o cargo de governador de Estado e 217, o de senador. O número é ainda maior entre quem tenta uma cadeira na Câmara e nas assembleias legislativas estaduais: são 6.004 candidatos a deputado federal e 14.285 a deputado estadual.

Entre tantas opções, como escolher aqueles que melhor representarão suas ideias no poder? Como escapar dos candidatos que já estão nas malhas da corrupção? Para Fabiano Angélico, coordenador de projetos da ONG Transparência Brasil, um dos maiores desafios para os eleitores é a falta de informações. Segundo ele, é preciso – e fundamental – fazer um esforço para conhecer a história e os projetos dos candidatos e partidos nos quais se pretende votar.


Além da grande quantidade de candidatos, explica o professor de ciência política da PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas), Pedro Rocha Lemos, um complicador é que os partidos estão cada vez mais parecidos.

- O enfraquecimento dos partidos atrapalha muito a escolha, porque fica uma coisa pessoal. Vota-se em um candidato e não em um programa, em um conjunto de ideias e propostas.

Na hora de votar, Lemos recomenda levar em conta o interesse público e não questões particulares. Ele diz que “o processo eleitoral vem amadurecendo, mas a história do Brasil é marcada pelo ‘troca-troca’”.

- Votar é complexo, mas ninguém pode ficar alheio. Eleger é uma coisa muito séria. São quatro anos que a pessoa vai governar em nosso nome.

Para não deixar a escolha para a última hora ou não desperdiçar o voto, veja algumas dicas dadas pelos especialistas.

1. O que você espera do futuro do seu país?

O que você pensa sobre a pena de morte ou sobre a quantidade de impostos no país? Antes de definir o voto, vale pensar sobre sua posição em relação a temas importantes para o país ou para o Estado. O ideal é procurar um candidato que pense de forma parecida com você, porque é ele que irá representá-lo em cargos que decidem os rumos da sociedade.

2. Você já pesquisou a vida do seu candidato?

Busque informações sobre a biografia daqueles que tentam um cargo público nos sites oficiais do candidato ou do partido e em meios de comunicação confiáveis. Fabiano Angélico recomenda verificar se o candidato já foi eleito alguma vez. Em caso negativo, é importante saber o que ele fez – se já participou de algum movimento social ou já defendeu algum assunto de interesse público, por exemplo. Procure saber também se o candidato novato pertence a alguma família com tradição política – assim dá para ter alguma ideia das posturas que ele poderá ter caso seja eleito.

3. Conhece as ideias que seu candidato defende?

Caso o seu candidato tenha ocupado um cargo no Poder Público, descubra que projetos ele já propôs e quais foram aprovados. O site do Projeto Excelências, da Transparência Brasil, permite ver o que os parlamentares já fizeram na sua vida pública – até o grau de relevância dos projetos apresentados podem ser checados. Os sites da Câmara e do Senado também têm informações. Caso seu candidato nunca tenha se elegido, procure saber quais bandeiras ele levanta.

4. Você votaria em alguém corrupto?

Uma forma de evitar votar em quem está envolvido em casos de corrupção é saber se ele já foi condenado na Justiça. Neste ano, o Congresso aprovou uma lei, conhecida como Ficha Limpa, que impede políticos condenados por crimes graves em decisão de órgãos colegiados (em que mais de um juiz se pronuncia) de disputarem as eleições. A Abracci (Articulação Brasileira Contra a Corrupção e a Impunidade), um grupo de organizações sociais, criou um site para que os candidatos prestem contas voluntárias de suas campanhas eleitorais. O site está disponível em dois endereços, o Ficha Limpa e o Ficha Limpa Já.

5. Que propostas concretas seu candidato têm?

O cientista político Lemos lembra que não adianta votar em quem só promete e não tem propostas concretas para melhoria da sociedade e da economia. Lemos sugere avaliar bem os discursos dos candidatos e evitar discussões centradas em “denuncismos”, ataques pessoais e troca de farpas entre os candidatos.

6. Você aproveita o horário eleitoral na TV e no rádio?

Para Fabiano Angélico, os horários eleitorais na TV e no rádio não são as melhores fontes de informação, por se tratarem apenas de propagandas, em geral, muito bem elaboradas por marqueteiros. Lemos sugere assistir ou ouvir prestando atenção nas propostas, porque, segundo ele, algumas inserções conseguem mostrá-las de maneira criativa. Ele lembra é precisa ter cuidado com o marketing, porque, em geral, são as campanhas mais ricas e com apoio de grupos econômicos que conseguem ter boa exposição midiática. Candidatos que arrecadam menos também podem ser boas opções, vale analisar.

7. Você sabe usar bem a internet?

Na hora de fazer pesquisas sobre a trajetória do candidato, cuidado para não acreditar em informações falsas. Em época de eleições, é grande a quantidade de blogs ou perfis de Twitter que disseminam boatos e até ofensas sobre candidatos. A Justiça Eleitoral também está de olho nisso, mas vale ter atenção.
Fonte: R7