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20110125

Apple vai transformar iPhone e iPad em carteiras digitais

De acordo com a Bloomberg, próxima geração dos aparelhos da empresa americana vai contar com tecnologia que permite pagar compras com dispositivos eletrônicos




A Apple vai incluir na próxima geração de iPhones e iPads uma tecnologia que permite pegar compras com os dispositivos, afirmou à Bloomberg Richard Doherty, diretor da empresa de consultoria Envisioneering Group.

Essa tecnologia é conhecida como Near Field Communication (NFC) e permite que aparelhos eletrônicos se comuniquem a distâncias pequenas, de até 10 centímetros. Com o NFC, pagar uma compra pode ser tão simples quanto apontar o celular para o lugar certo.

Empresas como Visa, Mastercard e Paypal já investem e testam a tecnologia NFC para compras com aparelhos móveis. De acordo com a Bloomberg, o sistema da Apple poderia ser uma alternativa para esses serviços.

Doherty afirma que a Apple considera criar um serviço de pagamentos móveis, renovando assim o iTunes. Atualmente, a companhia paga taxas de cartão de crédito em todas as compras realizadas no iTunes, mas a empresa pode encorajar usuários a disponibilizarem suas contas de banco diretamente.

O smartphone Nexus S, feito pela Samsung em parceria com o Google, que roda o sistema operacional Android, maior concorrente do iPhone, já possuiu tecnologia NFC disponível no aparelho

Fonte: Revista Época

20100730

Por que há tanto interesse nos jogos sociais

A Disney e a EA compraram desenvolvedoras de jogos sociais. O Google conversa com essas empresas para lançar um novo serviço. O que há de tão especial nesses programinhas?
 FUTURO: O jogo Social City (foto) é o mais popular da Playdom no Facebook. Agora com a Disney, poderemos ver jogos com o Mickey Mouse, o Pato Donald ou o Homem-Aranha
Por Renan Dissenha Fagundes
Quem usa o Facebook provavelmente já se deparou no site com alguma menção ao FarmVille, ou ao Mafia Wars, ou a algum outro game social. Esses joguinhos são simples, rodam no perfil do usuário na rede social e servem para interagir com os amigos. Embora algumas pessoas considerem eles perda de tempo, os jogos sociais são extremamente populares: o FarmVille tem 59 milhões de usuários ativos (já teve 83 milhões) e outros 21 games têm mais de 10 milhões de usuários ativos. Além de ajudarem a explicar o sucesso do Facebook, os jogos sociais se tornaram uma opção para a indústria do entretenimento.

Duas das maiores produtoras de jogos sociais foram compradas recentemente por grandes companhias. Em novembro de 2009, a Electronic Arts - dona de títulos clássicos de videogames e computador como Fifa, Need for Speed e The Sims - comprou a desenvolvedora Playfish por US$ 275 milhões. Agora, na terça-feira (27), a Walt Disney anunciou a compra de outra produtora de games sociais, a Playdom, por US$ 563,2 milhões. Com dois anos de existência, a Playdom é a dona do jogo mais popular do MySpace e é a quarta em popularidade no Facebook.

O que permitiu o surgimento dessa indústria foi o crescimento massivo das redes sociais. O Facebook, por exemplo, é um mercado de 500 milhões de pessoas. Depois, os jogos sociais conseguiram transformar usuários de internet em jogadores - mesmo aqueles que nunca haviam jogado em nada: nos Estados Unidos quase 60% dos usuários do Facebook jogam algum desses games. Mas isso sozinho não explica por que há tanto interesse financeiro nessas empresas. O mais importante é: além do número alto de usuários, e apesar de seus jogos serem gratuitos, as desenvolvedoras de games sociais são lucrativas.

Só nos EUA, o mercado de games sociais foi de US$ 700 milhões em 2009. A Playdom faturou US$ 50 milhões no ano passado. Cerca de 75% desse valor veio da venda de produtos virtuais para os jogadores: metralhadoras que ajudam a matar seus inimigos ou ferramentas que te fazem um fazendeiro melhor. Nesse campo, ninguém bate a Zynga, dona de seis dos 10 jogos mais populares do Facebook, incluindo o FarmVille - por mês, mais de 200 milhões de pessoas jogam os games da empresa. A Zynga arrecadou US$ 250 milhões em 2009 quase só com venda de produtos virtuais, e esse número deve subir para US$ 450 milhões em 2010, o terceiro ano de existência da Zynga.

Até o Google já começou a se interessar por esses programinhas. Há rumores de que empresa investiu algo entre US$ 100 milhões e US$ 200 milhões na Zynga. Segundo o Wall Street Journal, o Google estaria tendo conversas com desenvolvedoras de games sociais - incluindo a Zynga, a Playfish da EA e a Playdom - para criar uma rede social que possa concorrer com o Facebook. O CEO do Google, Eric Schmidt, não confirma a existência do projeto. Mas quando o WSJ perguntou se um novo serviço hipotético do Google se pareceria com o Facebook, Schmidt afirmou que o “mundo não precisa de uma cópia da mesma coisa”. Schmidt afirmou, entretanto, que uma parceria com a Zynga será anunciada em breve.

Para empresas como a Disney e a EA, a compra dessas produtoras é uma abertura para um novo público. O CEO da Walt Disney Company, Robert A. Iger, afirmou depois da compra da Playdom que o negócio faz parte da estratégia da Disney de investir em empresas que possam apresentar o conteúdo da Disney “de uma forma criativa e atraente para uma nova geração de fãs nas plataformas que eles preferem". A Walt Disney Company é dona de marcas como Marvel e ESPN. A Electronic Arts já se beneficia disso: um jogo social usando a marca EA Sports Fifa já tem quase 5 milhões de jogadores.

Independentemente da plataforma - no Facebook, em um possível novo serviço Google, em aplicativos para iPhone e iPad - os jogos sociais já fazem parte do futuro do entretenimento na internet. "Estamos diante de uma oportunidade única para transformar a maneira como as pessoas de todas as idades jogam com seus amigos através de dispositivos, plataformas e fronteiras geográficas", afirmou o CEO da Playdom, John Pleasants, ex-funcionário da Electronic Arts, depois que a Playdom foi comprada pela Walt Disney Company. 

Fonte: G1 | Época

20100728

E.Books ganham do papel

Amazon diz que venda do Kindle já é maior que a de publicações de capa dura. 

Por Claire Cain Miller

A semana que passou foi histórica para o universo dos livros - se é que eles existirão no futuro. A Amazon.com, uma das maiores vendedoras de livros dos EUA, anunciou que, nos últimos três meses, as vendas de livros para o seu leitor eletrônico Kindle, ultrapassaram as de livros de capa dura. 

Neste período, a Amazon afirma ter vendido 143 livros Kindle para cada 100 de capa dura, inclusive aqueles que não foram editados para o Kindle. O ritmo da mudança também está acelerando, segundo a Amazon. Nas últimas quatro semanas, as vendas subiram: 180 livros de formato digital para cada 100 de capa dura. A Amazon tem 630 mil livros Kindle, uma pequena fração dos milhões vendidos no site. 

Os amantes dos livros, que lamentam o fim dos de capa dura com seu peso e seu cheiro de antigo, precisam encarar a realidade, observou Mike Shatzkin, fundador e diretor executivo da Idea Logical Company, que assessoras as editoras de livros na mudança para a versão digital. 

"Este dia era esperado, um dia que tinha de vir", acrescentou. Ele prevê que numa década, menos de 25% de todos os livros vendidos serão em versões impressas. A mudança na Amazon é "espantosa, considerando que vendíamos livros comuns há 15 anos, e os livros Kindle há 33 meses", afirmou o diretor executivo, Jeffrey P. Bezos.

No entanto, o livro impresso não está absolutamente em extinção. As vendas de todo o setor subiram 22% este ano, segundo a Associação Americana de Editoras.

Os números não incluem os livros Kindle gratuitos, 1,8 milhão dos quais foi publicado originalmente antes de 1923 (de domínio público, porque os direitos expiraram). A Amazon não apresenta uma comparação entre as vendas de livros de papel e eletrônicos, mas acredita-se que as vendas dos livros de papel ainda superam as dos eletrônicos. 

A grande surpresa, segundo Shatzkin, foi que o dia chegou durante o primeiro período em que o Kindle enfrentava uma grave ameaça competitiva. O iPad da Apple, que começou a ser comercializado em abril, é vendido como um aparelho para leitura, e tem sua própria loja de livros digitais. Entretanto, as vendas do Kindle também cresceram em todos os meses do trimestre, segundo a Amazon. 

A Amazon recebeu a ajuda de uma explosão de vendas de livros digitais em geral. Segundo a Associação Americana de Editoras, as vendas de livros eletrônicos quadruplicaram este ano até o final de maio. 

A Amazon informou que suas vendas superaram esta taxa de crescimento. Um dos motivos pelos quais as vendas do Kindle se sustentaram é que os proprietários de iPads e de outros aparelhos móveis de leitura compram livros Kindle, que podem ler no computador, em iFones, iPads, e telefones BlackBerry e Android. Mas, com exceção dos livros gratuitos isentos de direitos autorais, os proprietários do Kindle precisam comprar ou baixar conteúdo via Amazon. "Toda vez que eles vendem um Kindle, ganham um cliente", disse Shatzkin. 

Alguns analistas do setor afirmam que muitas pessoas não consideram o iPad um dispositivo para leitura como o Kindle, e acham imprescindível ter os dois. Os últimos números relativos às vendas da Amazon são "uma clara indicação de que o iPad é um complemento do Kindle, e não um substituto", disse Youssef H. Squali, diretor-gerente da Jefferies & Company do setor de pesquisa da Internet e de novas mídias. 

A taxa de crescimento das vendas do Kindle triplicou depois que a Amazon baixou o preço do aparelho no final de junho, de US$ 259 para US$ 189, informou a Amazon. Isto aconteceu pouco antes de a Barnes & Noble baixar o preço de seu leitor eletrônico Nook de US$ 259 para US$ 199.

Fonte: Estadão | The New York Times | Tradução de Anna Capovilla

20100630

Como o Twitter pode ajudar as empresas a vender mais?

A resposta não caberia em um tuíte, mas o vice-presidente de comunicação do Twitter, Sean Garrett, é capaz de explicar.
Por Hyuna Kim

Você se lembra da sigla TGIF? Então se recorda de que ela costumava significar Thanks God It's Friday (graças a deus é sexta-feira), não? Pois é. Isso mudou - na verdade, acaba de mudar. De agora em diante, TGIF significa “Twitter, Google, iPhone e Facebook”. É um reflexo do impacto exercido pelas mídias sociais no cotidiano; às empresas cabe encontrar o caminho para converter esse impacto em favor dos negócios. Em um tweet: marketing digital é inevitável para os negócios; marketing digital é inevitável para os negócios da atualidade.

Após o lançamento do iPhone na Coréia do Sul, a exploração das mídias sócias se tornou imprescindível para o segmento de marketing coreano. Atentos para essa realidade, a filial do IDG daquele país vai realizar, em 1.ºde julho, a Digital Marketing Conference 2010. O vice-presidente de comunicação do Twitter, Sean Garrett, irá revelar de que maneira o microblog é usado por empresas na captura por fatias de mercado cada vez maiores.

Em entrevista ao IDG, Garrett diz que o Twitter é uma ferramenta poderosa na busca por consumidores e essa aplicabilidade não se resume à interface B2C (Business to Customer – de fornecedor para cliente), mas, inclusive, nas relações B2B (Business to Business – relação entre empresas).

IDG Coreia do Sul – Mesmo no atual momento, ainda existe um contingente enorme de pessoas que não faz ideia do que vem a ser o Twitter. Pode explicar?

Sean Garrett – O Twitter é uma rede de informações em tempo real abastecida por internautas e que permite às pessoas saber o que está acontecendo neste exato momento.

É uma ferramenta simples que pode ajudar muito na conexão entre empresas e um público altamente selecionado e em um ritmo ”em cima da hora”. Organizações de todos os tamanhos podem aderir ao Twitter e ficar conectados com os consumidores. É uma boa maneira de distribuir informações sobre a empresa, possibilita a realização de ações de inteligência de mercado e permite sentir o eco, o efeito das ações de maneira imediata. Construir relacionamento com clientes, com parceiros e com outras entidades interessadas na empresa. Via Twitter, os consumidores podem informar sobre a satisfação ou sobre a decepção que tiveram com um produto comprado ou com um serviço contratado.
Fone: IDG Now

20100624

Nova versão do Facebook para iPhone reproduz vídeos

Atualização 3.1.3 está disponível para download e repara também alguns erros da versão anterior, como lembretes de aniversários fora de ordem e limite de avisos por mensagens não lidas


 Quando a App Store nem existia ainda - ela foi lançada em julho de 2008 - o aplicativo do Facebook para iPhone já estava lá, em agosto de 2007, pronto para ser usado no smartphone da Apple. Porém, o app andou chamando pouca atenção nos últimos tempos, mas uma nova versão chegou para fazer com que os usuários da rede tivessem uma certa curiosidade.

A grande novidade da versão é a possibilidade de reproduzir vídeos do Facebook diretamente da tela do iPhone. Agora, um player aparece sempre que um vídeo for clicado durante a navegação pela rede social. O formato dos vídeos foi alterado para reprodução através de um codec baseado em HTML 5, dispensando o uso do Flash.

A atualização 3.1.3 também teve alguns erros corrigidos, como é o caso de lembretes de aniversários que apareciam fora de ordem e um limite de dois avisos por mensagens não lidas.

O download pode ser feito diretamente pelo iTunes.
Fonte: Olhar Digital

20100618

Skype quer ampliar presença para além de PCs e smartphones

 
 Por Sumner Lemon 

O CEO da companhia afirmou que quer levar o recurso de chamadas de vídeo e voz a mais dispositivos, incluindo eletrônicos de consumo. 

O CEO da Skype, Josh Silverman quer ampliar os recursos da ferramenta a uma gama mais ampla de dispositivos, incluindo aparelhos GPS em automóveis e televisões para criar o que ele chama de "comunicação ubíqua".

Outros eletrônicos, como refrigeradores equipados com Internet, permitirão aos usuários fazer chamadas de voz ou de vídeo de qualquer lugar dentro de casa. "Qualquer dispositivo de computador se torna uma ferramenta de comunicação com nosso software", afirmou Silverman durante a abertura da CommunicAsia. Neste ano, a Panasonic, LG e Samsung anunciaram planos para instalar o Skype em televisores.

O Skype está se preparando para tornar a visão de Silverman real, se baseando em seu grande e crescente número de usuários. A companhia fechou 2009 com 560 milhões de usuários registrados e recebe 300 mil novos usuários a cada dia, segundo o executivo. Ele quer também consolidar o recurso de alternar dispositivos sem interromper as chamadas. Segundo Silverman, será possível iniciar uma chamada de um computador no trabalho, mudar para um telefone celular e, em seguida mudar para um sistema de navegação de carro, por exemplo, sem que a ligação seja interrompida.

Atualmente, os usuários podem transferir chamadas Skype para telefones de contatos, ou, usar um software com recurso de transferência de chamadas, mas essa característica ainda não permite transferir chamadas entre dispositivos.

O crescimento deve continuar no próximo ano; a previsão é de que as fabricantes de PCs vendam cerca de 100 milhões de computadores com o Skype pré-instalado no sistema. A empresa também lançou recentemente uma versão de seu software para o Symbian OS, da Nokia, uma adição às versões já existentes para os sistemas BlackBerry, iPhone, Android e Windows Mobile.

Até hoje, o Skype já foi instalado em 12 milhões de iPhones - cerca de 15% de todos eles (incluindo o iPod Touch) vendidos pela Apple, segundo Silverman. Quando a última versão do Skype foi lançada para o iPhone - permitindo aos usuários fazer chamadas gratuitas por meio de uma conexão 3G - 5 milhões de cópias foram baixadas durante os primeiros quatro dias seguidos do lançamento.
Fonte: IDG Now

20100614

Chegou a era do videofone


Como um novo celular que permite chamadas com imagens vai mudar de vez a maneira como nos comunicamos.

Por Edson Franco



"Inventar coisas que as pessoas nem sabem que precisam." Transformada em uma espécie de mantra, essa frase, durante décadas, estimulou os funcionários da fabricante americana de eletrônicos Apple a criar produtos que revolucionaram mercados e se tornaram sucessos comerciais indiscutíveis, como o tocador de música iPod e o computador portátil iPad. Em uma atitude rara em sua história, porém, na semana passada a empresa liderada pelo mítico Steve Jobs seguiu em outra direção para chegar ao mesmo lugar. Lançado na segunda-feira 7 em San Francisco, na Califórnia, o novo celular da Apple, o iPhone 4, nasce sem esse apelo desnorteante, mas pode ter dado início a uma nova era na forma com que as pessoas se comunicam. Desta vez, o usuário sabe exatamente por que precisa do aparelho. No caso, falar ao telefone enquanto vê o interlocutor e é visto por ele. Em vez de inventar uma necessidade, a empresa de Jobs se empenhou em trazer à luz um equipamento que dá vários passos fundamentais para viabilizar e popularizar o velho sonho da humanidade de ter um videofone privado, funcional e, sobretudo, portátil. “Cresci vendo os comunicadores dos “Jetsons” e de “Jornada nas Estrelas” na tevê, sonhando com videochamadas. E isso é real agora”, afirmou Jobs durante a apresentação do aparelho.

STEVE JOBS
“Cresci sonhando com a videochamada”

Tanto na ficção quanto na vida real, os consumidores ávidos por novidades tecnológicas salivam por um lançamento desse tipo desde 1927. Naquele ano, chegou ao cinema o filme “Metropolis”, que, apesar de mudo, trazia cenas em que personagens usavam um aparelho que fundia telefone e transmissor e receptor de vídeo em tempo real. Foi também em 1927 que um secretário de Estado americano fez a primeira ligação com um ancestral do videofone, de Washington a Nova York. De lá para cá, várias empresas, inventores e até cidades se lançaram na aventura de tentar fornecer produtos e serviços que tornassem corriqueira essa promessa tecnológica quase centenária. Nenhum plano ou produto vingou. O caso mais longevo aconteceu na cidade francesa de Biarritz, onde nos anos 80 os moradores passaram uma década conversando com a imagem do interlocutor em uma tela. A falta de adesão deu um fim a esse serviço, que mais parecia com as ligações em vídeo por Skype e com webcam, já corriqueiros nos dias de hoje, mas que, por dependerem de computadores para fazer a conexão, ainda não cabem no bolso. Ter muitos usuários também não resolve a questão. Bons de venda, modelos recentes de celular capazes de operar o milagre da troca de sons e imagens – caso do Nokia N900 e do HTC EVO – não tiveram força suficiente para anunciar uma nova era com videofones espalhados pelos cinco continentes. Então, por que pode dar certo agora? E por que com o aparelho da Apple?

“Quando o aparelho chegar, certamente eu serei o primeiro a comprá-lo”
José Otávio Marfará, diretor-presidente da Reebok Academy

As respostas que valem muitos bilhões de dólares estão no dom de Steve Jobs de criar mercados a partir de seus produtos. Em sua estratégia, a empresa aposta num campeão de vendas – neste mês a Apple comemora a comercialização de 100 milhões de unidades das versões anteriores do iPhone – como veículo para a popularização da nova tecnologia. Mais que isso, bolou um esquema que permite ao consumidor utilizar esse tipo de aparelho sem deixar uma fortuna todos os meses na operadora de celular – afinal, transmitir imagens num sistema em que a conta é baseada em pacotes de dados restringiria o uso do videofone a meia dúzia de milionários. Pelo sistema utilizado atualmente nos Estados Unidos – com a chamada tecnologia 3G –, ao fazer suas videoligações, o usuário de um plano básico da operadora AT&T, que tem o monopólio dos serviços com iPhone no País, gastaria em uma hora cerca de 84% dos dados a que teria direito ao longo de 30 dias. Isso porque a transmissão de imagens exige muito mais das redes de telecomunicações do que a de voz. A questão custo é tão importante que a primeira reação da própria AT&T foi cancelar os pacotes de dados ilimitados, temendo que as videochamadas sobrecarregassem suas redes e gerassem prejuízos. Para driblar problemas como esse, o iPhone 4 só fará ligações com imagens em ambientes que contam com sistema wi-fi, de internet sem fio, nos quais a cobrança não tem como base o volume de dados transmitidos.


Além disso, as chamadas com vídeo só são possíveis de iPhone para iPhone. Manter sistemas incompatíveis com as demais marcas é uma característica recorrente em novidades da Apple. Poderia ser um problema que inibiria a disseminação da tecnologia. Só que a prática tem mostrado que, para satisfazer seus consumidores, a concorrência acaba tendo de ir atrás e oferecer produtos semelhantes. Aconteceu com o iPod, com o sistema de telas sensíveis ao toque do iPhone e, mais recentemente, com a geração de computadores portáteis iPad. Se ocorrer novamente agora, foi dada a largada para a corrida do videofone. “Todas as vezes que a Apple aparece com essas novidades, obriga as outras a se mexer”, diz Rogério Coelho, especialista em desenvolvimento de mídia móvel da Predicta, consultoria paulista especializada no gerenciamento de marketing online. “As operadoras trabalham para deixar a tecnologia 3G mais barata e eficiente. Até lá, o videofone vai funcionar muito bem com o sistema desenvolvido pelo time de Jobs. Principalmente nos países mais desenvolvidos, onde há conexão do tipo wi-fi em quase todos os lugares.”

Depois de tirar do caminho os impedimentos de ordem financeira, a empresa não descuidou de uma de suas especialidades: livrar o consumidor de ter de passar horas decifrando manuais para poder tirar o que o produto tem de melhor. O FaceTime, programa usado para fazer as ligações com vídeo do iPhone 4, simplifica a vida do usuário ao apresentar na tela todas as instruções necessárias. “Esse programa torna fácil, intuitivo e divertido ligar. E isso dá ao aparelho o potencial para transformar-se em algo que pode fazer a diferença em nossas vidas”, anima-se a analista Carolina Milanesi, vice-presidente de pesquisas da consultoria Gartner e especialista em dispositivos móveis.

“O novo iPhone vai me ajudar muito no trabalho,
sobretudo pela possibilidade de fazer video-conferência”

Fábio Takeuti, designer do hospital Albert Einstein

Antes de correr atrás da Apple, os concorrentes reagiram mostrando que boa parte das tecnologias anunciadas por Jobs já estava incorporada em seus produtos. A Motorola tem dois aparelhos com videoconferência. A empresa se nega a falar sobre futuros lançamentos e possibilidades. No portfólio atual da Nokia, são nove celulares que suportam chamadas em vídeo. O primeiro aparelho da empresa com capacidade de videochamada foi o 6650, lançado em 2002. Em maio de 2005 foi lançado o Nokia 6680, com câmera frontal dedicada às videochamadas e que trazia um diferencial enorme em relação à Apple: permitia a ligação com aparelhos de outros fabricantes. A Samsung tem cinco celulares que fazem videochamada, lançados de 2009 para cá. O problema é que sobram aparelhos, mas faltam planos viáveis de popularização. Pouco adianta ser capaz de mandar e receber voz e imagem, se isso só é feito a preços exorbitantes.

Outra forte arma da Apple para liderar a nova era do videofone é um certo messianismo que reveste todos os anúncios feitos pessoalmente por Jobs. E isso faz consumidores perderem a sua característica passiva e virarem praticamente divulgadores não remunerados dos produtos da empresa. “Recebi um e-mail da Apple falando sobre o lançamento desse novo iPhone. Quando chegar ao Brasil, certamente serei o primeiro a comprar. No lançamento do iPhone 3GS aqui, havia apenas 500 aparelhos, e eu fiquei com um deles. Mas não compro só por comprar. Uso tudo no meu trabalho e na minha vida pessoal”, diz José Otávio Marfará, diretor-presidente da Reebok Academia Sports Club no Brasil. Quando o novo iPhone chegar por aqui dificilmente Marfará vai poder “usar tudo”. Pelo menos no que depender da boa vontade de quem cuida de telecomunicações no Brasil. No governo federal não há nenhuma providência sendo tomada com o objetivo de preparar o País para receber as novas tecnologias do iPhone. O que há é o tradicional jogo de empurra entre os órgãos do setor. Procurada por IstoÉ, a assessoria de imprensa do Ministério das Comunicações informou que o ministro José Artur Filardi não falaria porque “a responsabilidade pelo iPhone é da Anatel”. Na Anatel, os assessores pediram perguntas por escrito, mas depois de 24 horas informaram que “o assunto foge ao escopo da agência” e recomendaram que a reportagem procurasse o Ministério das Comunicações. Normal.


Enquanto o Poder Público não se entende, a linha de montagem da Apple já tem agendada para setembro a entrega dos primeiros aparelhos que vêm para o País. Assim, as operadoras de telefonia celular nacionais têm pouco mais de dois meses para tirar da cartola estratégias que permitam vender todos os recursos do novo celular, principalmente o videofone. Aparentemente pegas de surpresa pelo anúncio do novo produto, Claro, Tim e Vivo afirmam não ter informações sobre a chegada do iPhone 4 e os possíveis planos que serão oferecidos com ele. A Oi se limitou a afirmar que vai comercializar o produto no Brasil.

Apesar do tempo exíguo e da aparente falta de informação, é pouco provável que, quando o aparelho estiver disponível, as operadoras já não tenham uma estratégia para comercializá-lo. Quem ficar para trás, pode perder a preferência de uma categoria inteira de consumidores fiéis às novidades imaginadas por Jobs.

“Confesso que me deixo ser seduzido por essa marca. Sou um pouco sem personalidade com relação a Apple”, diz Sergio Mota, 43 anos, doutor em literatura e professor do Departamento de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Apesar de parecer dominado, ele se permite um momento de reflexão e pergunta se de fato ele precisa de um iPad, mas já está preparando o terreno cerebral para que o iPhone 4 entre em sua vida assim que aportar no Brasil: “A possibilidade de fazer uma videochamada é uma coisa incrível que o novo aparelho oferece. Não quero ser perdulário, pois comprei o meu 3GS há poucos meses, mas talvez eu não resista quando vir o iPhone 4.”




“Comprei o meu iPhone 3GS há pouco tempo, mas acho que
não vou resistir quando o novo chegar ao País”
Sergio Mota, professor da PUC-RJ

Outro desses adeptos apaixonados pela marca é Fábio Takeuti, designer digital do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. “Tenho o iPhone 3GS e o computador Macbook Pro, que me ajudam muito no meu trabalho. O iPhone 4 vai me ajudar ainda mais, principalmente pela possibilidade de fazer videoconferência e vídeos em alta definição.”

Tanta empolgação revela quanto os “applemaníacos” apoiam quase cegamente os produtos e os serviços oferecidos pela empresa. A ponto de varrer para baixo do tapete implicações importantes que vêm a reboque de um futuro em que possivelmente vamos ter um videofone em cada esquina. Quando ele tocar, por exemplo, o usuário não vai simplesmente atendê-lo prontamente. Antes, no mínimo, vai dar uma checada no penteado. Quem estiver do outro lado da linha sempre poderá saber onde o interlocutor está, o que há em volta dele, quem está por perto. E isso incomodará muita gente. Ou seja, o potencial de devastação da privacidade estará presente como nunca nessa nova era. Ao vivo, em cores, com som e na tela do seu videofone. “Existe quem critique a ferramenta, mas ela não é geradora dos problemas. A energia atômica, por exemplo, pode ser usada para destruir ou para desenvolver a medicina. O indivíduo é que deve dizer como vai lidar com isso e preservar os seus valores”, afirma Rosa Maria Farah, psicóloga e coordenadora do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática (NPDI), da PUC-SP.




Colaboraram: André Julião, Cilene Pereira, Fabiana Guedes e Hugo Marquesa
Fonte: Isto é Independente