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20111128

Conteúdo para mídias sociais não deve ser discurso de venda direta

Entrar e estar nas redes sociais online com o mesmo pensamento de antigamente, oferecendo uma propaganda e um discurso intrusivos, deve ser deixado definitivamente para trás. No ambiente online, as pessoas esperam das marcas uma abordagem diferente (para melhor) daquela das mídias tradicionais (especialmente da TV).



Um dos clientes atendidos por nós chegou com o briefing direto ao ponto: o conteúdo teria de ser lúdico e com linguagem publicitária, com foco em vendas.
Eram posts para o Twitter (tweets) e para o Facebook. A oferta era de ingressos para um espetáculo internacional de cunho infantojuvenil (tom lúdico). Logo, o discurso de vendas deveria ser direcionado principalmente aos pais (que, diga-se de passagem, detêm o poder de compra).
O cliente em questão chegou por meio de uma agência parceira, que, não podendo atender à demanda, repassou para Dr. Conteúdo.
Até aí, tudo bem; não íamos recusar a proposta, justamente por não ser um cliente direto – como falei, era cliente da agência, que nos repassou o serviço, o que é uma prática até comum. Mas se fosse um cliente direto de Dr. Conteúdo, o aconselharíamos a mudar o enfoque, e, juntos, mudarmos o planejamento de conteúdo, não usando uma linguagem de vendas tão intensa e ostensiva.

Consolidação da marca

Quem tem mais possibilidades de ganhos: o vendedor que apenas anuncia o nome e o preço do produto, ou o que fala o nome e o preço mas também os benefícios e vantagens, que sorri, que brinca, que entretém?
O segundo tem muito mais chances de vender e obter mais lucros (que é o que todos buscamos no final das contas) do que o primeiro, ainda que a médio e longo prazo, porque ao informar também (e principalmente) as vantagens e benefícios do produto e por criar uma empatia e aproximação com os potencias clientes, ele planta uma semente e começa uma relação – e relação se constrói a médio e longo prazo.
Eu mesmo assisti a ambas as situações por diversas vezes: no ônibus, um vendedor de balas e guloseimas, que apenas fazia um discurso de coitado e falava o nome e o preço do produto, vendia uma ou duas unidades; outro, que já chegava entretendo todo mundo, contando piadas e “causos”, rindo, apontando características até engraçadas nas pessoas, falava dos benefícios do produto, que em casa a esposa, o marido e as crianças iam gostar, este vendia dezenas de unidades das guloseimas.
A mesma coisa deve acontecer com as empresas nas mídias sociais: elas devem entender (e principalmente as agências devem evangelizar e alertar) que estes são canais de relacionamento, de diálogo e de consolidação da marca a médio e longo prazo, e não de vendas diretas, com uma sistemática na qual apenas se canta o produto e seu preço e espera-se comprador. Aí a frustração vem a galope, até que assimilem que primeiro tem de preparar o terreno, estar preparado para debater, atender, envolver, responder, solucionar…
Fonte: Dr. Conteúdo
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Como os políticos usam a internet

Um estudo inédito mostra que os senadores e deputados do Brasil ainda estão pouco conectados

DANILO THOMAZ, MARCO VERGOTTI, ERIK SCARANELLO E GERARDO RODRIGUEZ


Um levantamento feito pela Medialogue, agência digital de pesquisa em mídia, mediu o nível de interatividade dos 513 deputados federais e 81 senadores. A conclusão: apesar de vivermos em plena era digital, os políticos ainda estão desconectados. Apenas um terço deles oferece contato por e-mail. Menos de 20% fazem consultas aos eleitores usando enquetes on-line. E só 23% dos senadores atualizam um blog regularmente. “Eles exploram pouco as possibilidades da rede”, afirma Alexandre Secco, diretor da Medialogue e coordenador da pesquisa. “A maioria trouxe os vícios da comunicação analógica para o mundo digital. Só oferecem informações que interessam a eles mesmos.” Há iniciativas que fogem à regra. O deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ) tem um blog com denúncias e usa o Twitter para responder a dúvidas de seus eleitores. A deputada federal do Rio Grande do Sul Manuela D’Ávila (PCdoB) tem dois blogs (um pessoal e outro político) e usa várias formas de interação. Manuela usa até o Formspring (serviço on-line de perguntas e respostas) para se comunicar com o eleitor. No quadro ao lado, os deputados e senadores que mais usam as redes sociais.


Fonte: Revista Época

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20110819

A publicidade digital virou pop

Com bom humor, agilidade e irreverência, as estratégias de comunicação na internet caem na boca do povo e fazem explodir a audiência e a exposição das marcas

Por Clayton MELO e Rodrigo CAETANO

Atolado em um lamaçal com sua picape, um motorista grita injúrias contra um dos símbolos da docilidade no mundo animal. “Pôneis malditos”, afirma o condutor, pouco antes de verificar que, no lugar de cavalos potentes, seu motor possuía apenas pôneis em um carrossel. A brincadeira é, na realidade, uma propaganda da montadora Nissan. Mais do que o tom jocoso, o que chama a atenção para a iniciativa, no ar há cerca de duas semanas, é que o filme exibido na tevê tem, na web, um complemento inusitado. No desfecho do filmete desenvolvido para o meio interativo, o pequeno pônei vira uma criatura mal encarada, que amaldiçoa o internauta.

Ou seja, a intenção era fazer barulho na rede. Deu certo. Em cerca de duas semanas, mais de nove milhões de pessoas acessaram o vídeo. Outro caso recente bem-sucedido se deu com a Vivo. Para aproveitar o Dia dos Namorados, a operadora lançou um clipe da música “Eduardo e Mônica”, da banda Legião Urbana, sucesso há 25 anos. O vídeo mostra o famoso casal da canção trocando mensagens por SMS e conversando pelo celular. Foi um estouro: mais de dez milhões de usuários assistiram ao clipe na internet. O romance de Eduardo e Mônica e os pôneis da Nissan estiveram durante alguns dias entre os assuntos mais comentados no Twitter e se tornaram estrelas pops no mundo digital.

*Sucesso de público: filme sobre os pôneis malditos, da Nissan, e o clipe da música "Eduardo e Mônica" (ao lado), da Vivo, são alguns dos casos de campanhas que bombaram na rede

Longe de serem exceções, essas duas campanhas ilustram bem o atual estágio da comunicação digital no Brasil. Criadas com material específico para a rede, ambas têm no YouTube um ponto central de seu plano digital e se utilizam de uma linguagem adequada ao público da web, mais jovem e altamente conectado. Elas sinalizam que, na era da conectividade, a fórmula do sucesso é reunir, no mesmo cardápio, ingredientes como o entretenimento, o bom humor e a interação, por meio das mídias sociais. “Quando a publicidade é benfeita, ela se espalha por meio das redes sociais”, afirma Murilo Moreno, diretor de marketing da Nissan (leia mais aqui). Para Christian Gebara, diretor de estratégia e novos negócios da Vivo, à possibilidade de interação soma-se uma maior liberdade para criar conteúdo capaz de agradar aos consumidores. “A tendência nos canais digitais é associar as marcas ao entretenimento”, diz Gebara.

O clipe de Eduardo e Mônica não é a única experiência da Vivo com produções só para a web. Em 2010, ela investiu na megaprodução de um curta-metragem, com qualidade de cinema, com Pelé. O material foi lançado no YouTube. O entretenimento também norteou um projeto criado pela agência digital Wunderman para a Activia, da Danone. A campanha Músico no Pote foi realizada na página da marca no Facebook. Pelo projeto, os internautas podiam assistir a shows transmitidos em tempo real no perfil da empresa no site. Os músicos tinham de criar, na hora, canções de improviso a partir de temas sugeridos pelos usuários. Além da inovação das transmissões ao vivo pelo Facebook, essa iniciativa apresenta outro dado importante para o mundo online: a integração com outras mídias.


Suspense na rede: uma ação criada para a cerveja Devassa, com Paris Hilton, em 2010, começava na tevê e continuava em site criado para a campanha. Fez sucesso instantaneamente

O Músico no Pote fazia parte de uma ação chamada Ritmo no Pote, que dava o recado de que o Activia faz o organismo funcionar melhor. A promoção contou com merchandising em tevê e distribuição de mil unidades de iPod Nano em embalagens do produto. “A integração do digital com outros meios é fundamental”, diz Paulo Sanna, vice-presidente de criação da Wunderman. “Os meios tradicionais, como revistas, jornais e tevê, conferem credibilidade, enquanto o digital serve para engajar.” Em outras palavras: o universo digital está a cada dia mais sofisticado, e essa nova forma de fazer comunicação já se reflete nos números. A internet deve alcançar, no final de 2011, um faturamento de cerca de R$ 3 bilhões, o que representará cerca de 10% do bolo publicitário no Brasil.

A projeção é do Internet Advertising Bureau (IAB), que representa as empresas digitais. A associação chegou a esse valor porque, a partir deste ano, a mensuração do faturamento do setor levará em conta os negócios com a busca patrocinada oferecida por portais, principalmente o Google. Só para dar uma ideia, em 2010, sem a informação sobre o faturamento obtido com as buscas, o faturamento oficial da internet no Brasil foi de R$ 1,2 bilhão. “A publicidade online está se expandindo acentuadamente em função do crescimento do acesso à banda larga”, diz Fábio Coelho, presidente do IAB e diretor-geral do Google no Brasil. A nova forma de mensuração também torna visível outro aspecto da transformação pela qual atravessa esse segmento: o investimento em estratégias para serviços de buscas.


Esse tipo de atividade ganhou tanta importância que uma das maiores agências do País, a DM9DDB, criou um departamento focado nisso. A função dessa área é estudar as tendências dos consumidores a partir de informações de termos de buscas e postagens em redes sociais “Detectamos tendências de comportamento que podem servir de base para a criação de campanhas”, afirma Mônica Carvalho, vice-presidente de mídia da DM9DDB. Ter os olhos voltados para as mudanças de comportamento na sociedade sempre foi da natureza da comunicação. Mas, na era das redes sociais, isso é determinante. “A forma de as pessoas se relacionarem com os meios de comunicação não é mais a mesma”, afirma Fernando Chacon, diretor de marketing do Itaú.

O que não muda é a necessidade de produzir conteúdo relevante. É nesse aspecto que os canais digitais assumem um papel peculiar. “As pessoas agora querem uma comunicação mais leve e lúdica, menos invasiva e mais personalizada, algo que a internet facilita”, diz Chacon. Foi essa a premissa que norteou uma ação na internet criada pelo banco com o comediante Marco Luque, do programa CQC, da Band. Em vídeos exclusivos para a rede, os personagens de Luque contam piadas e, sutilmente, explicam as características dos produtos do Itaú. O canal do Itaú no YouTube registra mais de 1,5 milhão de acessos. A internet também traz para as empresas outro componente valioso: a resposta dos consumidores. “Antes, eram as marcas que causavam impacto nos consumidores. Hoje, também acontece o contrário: as pessoas interferem no rumo das marcas”, afirma Gal Barradas, presidente da agência digital F.Biz.



Fonte: Revista Isto É Dinheiro.


20110318

A geração Y e o Empreendedorismo na web

Guilherme Pizzini fala sobre as práticas que garantem o sucesso de projetos voltados à web. Confira!

Integridade e comprometimento bem como o empenho na busca por inovações e aprendizado são características conhecidas e valorizadas em profissionais da geração Y.

A objetividade e a busca por uma rápida ascenção profissional, nem sempre, faz com que estes profissionais tenham belas histórias. Além de uma boa ideia, é fundamental aliar todas as características da geração Y ao bom planejamento.

A tecnologia e o vasto acesso à informação são ferramentas acessíveis e comuns para a atuação deste profissional. Entretanto, por hábito, eles acabam colocando em prática suas ideias inovadoras e deixam de lado o fator planejamento. Exemplo disso são empresas que, quando começam a ter lucro, se “empolgam” com os investimentos em publicidade e, em pouco tempo, acabam tendo problemas financeiros.

A falta de experiência no dia a dia do negócio ou mesmo a ansiedade em conquistar resultados e atingir o rápido crescimento podem diagnosticar esta lacuna. É preciso pontuar que sucesso e ascensão profissional somente serão alcançados quando combinados as características da geração Y. Existem alguns conceitos que não perdem a validade, tais como planejamento, estudo de mercado, entendimento de oportunidades e ameaças, estratégias de ação e velocidade em contornar problemas etc.

Essa combinação facilita a atração de oportunidades e a retração de ameaças. Já a falta disso faz com que as empresas acabem consumindo seus recursos de forma errada. Em entrevista ao Portal HSM, Guilherme Pizzini fala sobre as práticas que garantem o sucesso de projetos voltados à web. Confira!

Portal HSM: O que esta geração tem a oferecer?

Guilherme Pizzini: Qualificação acadêmica, em alguns casos, acaba compensando a falta de experiência, entretando, não é o suficiente para conduzir o crescimento. O ideal é unir as duas coisas. Se o empreendedor não tem qualificação acadêmica condizente com o seu negócio, é importante que ele procure estudar o máximo possível sobre aquele mercado, com base em cases de sucesso e até mesmo em erros já cometidos por outros empreendedores. Assim, aproveitar as características positivas que a geração Y possui, aplicando os conceitos que, sabidamente, funcionam podem aferir a novos negócios sucesso sustentado.

A mensagem que muitas vezes fica é que basta ser jovem, motivado e ter uma ótima ideia. Mas a prática nos mostra que é fundamental unir tudo isso a uma boa gestão, embasada em conceitos já citados aqui, como planejamento, base acadêmica, práticas de mercado e, principalmente, muito trabalho.

Portal HSM: Como converge internet, gestão jovem e ideias inspiradoras nos dias atuais?

Guilherme Pizzini: A internet, por ser um ambiente de fácil acesso e informações praticamente ilimitadas, contribue para que as ideias, independentemente se advindas de pessoas da geração Y ou não, sejam colocadas em prática. Talvez a diferença esteja no fato de que as pessoas da geração Y se empenham muito em transformar ideias em realidade. Isso faz com que esses dois pontos funcionem com grande sinergia em uma gestão jovem, que necessariamente está atenta as novas tendências e se adapta com grande velocidade aos novos ambientes e mudanças de cenário.

Portal HSM: De que modo ideia, espaço e planejamento de projetos web devem acontecer em um projeto web e quais são as principais dicas em cada processo?

Guilherme Pizzini: Ideia, espaço e planejamento são fundamentais para o sucesso de qualquer projeto. Uma grande ideia só resultará em sucesso se houver um excelente planejamento. Este, por sua vez deve prever ou antever algumas situações, como a identificação de oportunidades e ameaças, a necessidade de contratação de pessoas e o mapeamento do mercado de atuação. Mas, independente de nossa ansiedade ou vontade de ver tudo acontecendo de maneira rápida e sem erros, tudo passa por uma curva de aprendizado.O tempo em que identificamos cada detalhe a ser corrigido ou cada ponto positivo identificado deverá ser potencializado.

Portal HSM: Quais foram as principais mudanças diagnosticadas no site olho no click após seu lançamento?

Guilherme Pizzini: Do início do projeto ao lançamento e até os dias atuais, muitas mudanças ocorreram e nem sempre foram perceptíveis aos clientes ou por pessoas de fora da empresa. Isso porque sabemos que o interesse pelos produtos muda, assim como os horários em que as pessoas pretendem participar de nossos leilões. Além disso, para interagir com empresas com modelos de negócio diferentes, consolidadas ou não em seus mercados, é preciso adequar a forma de atendê-los para produzir ações de grande sucesso.

Guilherme Pizzini é Diretor e sócio fundador do Olho no Click, portal de leilão virtual, responsável atualmente por mais de quatro mil produtos leiloados na internet e 400 mil usuários cadastrados. www.olhonoclick.com.br  

Fonte: HSM

Welcome to Brazil, Obama

Nathalie Ursini
Embaixada norte-americana, governo dos EUA e a Casa Branca realizam por aqui campanhas de divulgação, algumas interativas, para aquecer a vinda do presidente Barack Obama

Dias antes do desembarque de Barack Obama no País, a embaixada norte-americana no Brasil, a Casa Branca e o governo dos EUA iniciaram uma campanha em diversos meios de comunicação nacionais para divulgar a visita. Entre eles, a Rede Globo.

A esperada vinda do chefe de Estado norte-americano à América Latina começa por Brasília no sábado 19, onde ele será recebido pela presidente Dilma Rousseff. No domingo, será a vez do Rio de Janeiro receber Obama, que fará discurso em um evento reservado no Teatro Municipal - antes estava previsto que esse momento aconteceria na Cinelândia. Do Brasil, o presidente dos EUA e sua família viajam para o Chile e depois para El Salvador.

Para ajudar a divulgar a vinda de Obama, os apresentadores de programas como Fantástico, Domingão do Faustão e Domingo Espetacular atenderam aos pedidos da embaixada e falaram sobre o fato durante as atrações.

Na cobertura jornalística, a visita também ganhou atenção especial. Na segunda-feira 14, o Jornal Nacional apresentou uma reportagem com mais de dois minutos sobre o evento. Além disso, segundo a assessoria de imprensa da Rede Globo, cada passo de Obama será acompanhado e transmitido aos telespectadores. Evidentemente, os demais veículos têm preparado seus planos de cobertura, e isso vale para todas as plataformas.

Ação digital

O buzz em torno de Obama não se limitou apenas à TV. Diante do próprio perfil de Obama, político que rapidamente aderiu à mídia social - vide sua campanha eleitoral à presidência -, era de se esperar que fosse planejada alguma ação nas redes. E assim foi feito. A estratégia de divulgação conta com as páginas oficiais no Twitter e Facebook da embaixada norte-americana. Os perfis incentivam os internautas a divulgarem a visita.

Há também um site que foi criado para promover a interatividade. Nele, o internauta envia sua mensagem de boas vindas ao presidente. As melhores frases concorrem a prêmios como iPad, iPhone e uma menção honrosa do presidente. As mensagens podem ser enviadas por meio de textos e vídeos.

Na página do Facebook do Governo do Estado do Rio de Janeiro, outra convocatória é feita aos internautas: a criação do evento “Discurso presidente Barack Obama no Rio”, pede a confirmação da presença ao momento tão aguardado. Até às 19h da quinta-feira, o evento contava com a confirmação de 324 internautas. Agora é esperar para ver a reação dessas pessoas ante o cancelamento do discurso na Cinelândia.
Humor da Obama Folia

No espírito de carnaval, internautas criaram no Facebook o evento "Obama Folia", em referência ao discurso do presidente. O número de adesões impressionava: até as 19h horas da quinta-feira 17 cerca de três mil pessoas tinham confirmado participações, quase dez vezes mais do que o evento divulgado pelo Facebook oficial do governo do Rio.

A partir do momento em que as notícias sobre o cancelamento do discurso aberto na Cinelândia foi cancelado (notícia dada pelo colunista de O Globo Ancelmo Gois), os usuários postaram mensagens bem humoradas, que iam desde venda de ingressos para o Teatro Municipal, local onde o presidente norte-americano fará discurso para convidados, até "reclamações" de gente que se lamentava de ter comprado abadás na expectativa da nova folia.

Outro lado

Em que pese sua popularidade, Obama não recebe os mesmos afagos de toda a população. No Rio de Janeiro, uma plenária de movimentos sociais preparou um ato contra o evento. Na campanha realizada pelos ativistas, a abertura da nota informa que esses movimentos “consideram o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, persona non grata no Brasil e rechaçam a sua presença" no País. Independentemente das opiniões, é certo que a visita atrairá olhares dos mais variados públicos, tornando o evento um dos mais midiáticos do ano por aqui.

Fonte: MM Online

5 premissas para gerir as mídias sociais

Conheça a ordem que as informações circulam na Web 2.0 e saiba como utilizar esse fluxo a favor da empresa

Entre o final de 2008 e o começo de 2009, o termo “mídias sociais” passou a fazer parte dos mantras mercadológicos mais repetidos pelos corredores de empresas de todos os portes.

Mas, de uma maneira geral, não existe nenhum grande segredo para se trabalhar mídias sociais. Basta seguir a lógica.


O primeiro ponto é entender como a informação se dissemina. Normalmente, a viralização de uma notícia costuma obedecer à seguinte ordem:

1) Acontecimento do fato acontece.
2) Os primeiros usuários começam a divulgá-lo utilizando ferramentas de microblogging, como o Twitter.
3) O fato vira post/vídeo e começa a aparecer em blogs diversos e/ou em sites como Youtube.
4) A força e o alcance da imprensa dão mais gás à blogosfera e às demais ferramentas, que ecoam a notícia e começam a agregar mais e mais comentários de leitores. Retweets e plágios em posts começam a ser comuns.
5) O Orkut começa a dar coro ao fato que, aos poucos, vai aparecendo em fóruns de discussão.
6) Se for efetivamente relevante, o fato começa a se imortalizar na rede, ganhando menções na Wikipedia e cases no Slideshare.

Na era das mídias sociais, no entanto, a relevância de um fato não reside apenas no seu grau de veracidade. Ela é formada, em grande parte, pelo interesse ou curiosidade que desperta na comunidade como um todo.

Se um blogueiro divulgar um fato – verdadeiro ou não – que envolva grandes marcas ou celebridades em situações embaraçosas, por exemplo, ele certamente ganhará uma massa de leitores curiosos passando pelas suas páginas.

Quanto mais usuários, mais cliques nas ferramentas geradoras de caixa (como o Adsense) ele terá. Também mais relevância perante os algoritmos de buscadores e mais anunciantes dispostos a patrocinar o seu blog aparecerão.

Em um contexto em que todos podem produzir conteúdo e que o retorno financeiro vem unicamente da audiência, a linha entre ética e ambição pode ficar extremamente tênue.

Ninguém está imune a este novo tipo de terrorismo institucional gerado pela guerrilha por audiência. Mas ele pode ser combatido com sucesso se a empresa estiver preparada e souber trabalhar bem a sua comunidade.

Para tanto, existe um conjunto de premissas que a empresa deve seguir:
1) Obedeça o ciclo de informação: divulgue as suas informações seguindo o fluxo de viralização de conteúdo. Dê preferência às ferramentas de micro-blogging a blogs e assim por diante, construindo-se como notícia de forma conjunta com a comunidade.

2) Seja transparente: evite a todo custo mentir para a comunidade. Quando alguém detectar algum tipo de falha no seu negócio, por exemplo, não tente esconder: assuma e resolva.

3) Conheça os seus evangelizadores: mapeie com antecedência os principais formadores de opinião da sua marca ou da sua linha de negócios. Conheça-os e relacione-se com eles, trazendo-os para o seu lado. Em qualquer tipo de crise ou problema, eles provavelmente se transformarão nos seus primeiros e principais defensores nas mídias sociais.

4) Saiba como você é visto: há hoje diversas empresas que monitoram a “saúde” das marcas nas redes sociais. Saber como se é visto nos diversos ambientes sociais existentes é como ter um mapa em mãos – algo fundamental para se chegar a qualquer lugar.

5) Esteja sempre preparado: quando você menos esperar, uma gigantesca crise institucional pode tomar conta do seu negócio. Planeje a sua ação de forma calma e fria. Evite fazer ameaças a blogueiros ou líderes de comunidades, mesmo que eles estejam errados. Lide com a comunidade como um igual.

Ricardo Almeida (Criador do conceito de Webs Progressivas, da Metodologia Moebius e autor de Mirando Resultados, o primeiro livro voltado para planejamento estratégico, mensuração e previsão de ROI (retorno de investimentos) para Web no Brasil. É também especialista em planejamento e gestão de projetos Web, com passagens por empresas como DM9DDB, Totem, Frontier e MMCafé. Formado em comunicação e marketing pela ESPM, atua no mercado Web desde 1996. Durante a sua carreira, já desenvolveu projetos para toda a América Latina e atuou nos maiores clientes da região. É Diretor Geral do I-Group e do Clube de Autores.)

Fonte: HSM


20110215

Infográfico: Onde as empresas erram nas mídias sociais?

Internet 2010 em números


Na última quinta-feira, 13, a consultoria Royal Pingdom divulgou um relatório referente ao comportamento mundial na web durante 2010.

Os dados são divididos em categorias de vídeos, fotos, servidores, domínios, sites, e-mail, mídias sociais, entre outras. Segundo a consultoria, 107 trilhões de e-mails foram enviados em 2010, uma média de 294 bilhões por dia. Sendo que 89,1% eram spam.

São 2,9 bilhões de contas de e-mail, 25% delas são contas corporativas. O ano fechou com 255 milhões de sites. Somente nos últimos 12 meses, surgiram 21,4 milhões novos endereços.

As mídias sociais não fizeram feio. Foram ao longo do ano contabilizados 152 milhões de blogs, gerados 25 bilhões de tuites e a criação de 250 milhões de novos perfis no Facebook, que hoje conta com 600 milhões no total. No Facebook, rede social criada por Mark Zuckerberg, foram ainda compartilhados 30 bilhões de peças de conteúdo.

A Ásia, segundo o relatório, é o continente com maior população online, com 825 milhões de usuários. A Europa aparece na segunda posição, com 475 milhões. América do Norte (266 milhões), América Latina (204 milhões) e África (109 milhões), Oriente Médio e Oceania fecham a lista, com 63 milhões e 21 milhões, respectivamente.


Fonte: HSM



20110208

Quatro erros muito comuns que as empresas cometem no Twitter



Invadir a rede de microblogs com uma marca sem dispor de qualquer planejamento e abandoná-la depois são alguns deles.

Muitas empresas que adotam o Twitter como plataforma de comunicação, percebem logo nos primeiros meses o exponencial crescimento de seguidores. Porém, depois de algumas semanas de sucesso, alimentando o canal com informações diárias, atualizadas e primando pela comunicação em mão dupla, veem o clima esfriar, os RT´s pararem... Tudo por que o responsável pelo Twitter mandou a última mensagem na segunda-freira passada.

Tome note: 73% das empresas mais importantes no ranking da publicação norte-americana Fortune mantém contas no microblog. Mas maioria dessas contas está paradas – sem qualquer atualização faz meses.

As explicações para desistência do canal de comunicação de 140 caracteres são muitas; mas esses quatro erros de postura na mídia social estão entre os mais comuns:

1. Falta de planejamento

Invadir o Twitter com uma marca sem dispor de qualquer planejamento é o maior erro das empresas. A autora do livro The Social Media Survival Guide (Guia de sobrevivência em mídias sociais), Sherrie Madia, sugere que as empresas pensem bem sobre seus objetivos ao ingressarem no Twitter. “Não é um ambiente onde se entre e as variáveis sejam as planejadas – é muito dinâmico. Esteja preparado para mudanças de rumo”, diz.

2. Alimentar com novidades

“Empresas costumam se perder no Twitter quando não desenvolvem conteúdo que seja realmente atraente para os seguidores. Você criou uma fera que agora deve ser alimentada”, alerta Sherrie.

Sobre o tipo de conteúdo a ser criado e a periodicidade de sua publicação, a autora sugere que a atribuição de tweets seja bem definida para que eventuais projetos não interfiram na tarefa constante de distribuir esse conteúdo via twitter. “Às vezes pode ser razoável atribuir essa tarefa a um colaborador externo”, diz.


3. Pressa para lucrar

O Twitter é, sem dúvida, um espaço convidativo e de fácil participação – tecnicamente. Possivelmente essa característica imprime na empresa a sensação de retorno rápido e igualmente descomplicado.

“Em determinados casos pode haver um razoável retorno no curto prazo. Vídeos virais são um bom exemplo disso; ainda assim, são exceção, não regra. Ter uma audiência considerável no twitter leva tempo”, diz Sherrie.

4. Linguagem apropriada

“Seguidores do Twitter são pessoas e insistem em aproximação igualmente pessoal e autêntica”, diz a autora. Segundo Sherrie, outro grande erro cometido pelas empresas é se esconderem atrás de uma barreira corporativa.

“É essencial fazer com que sua audiência se sinta envolvida na história da marca que decide seguir. Tal envolvimento é conquistado com engajamento pessoal, deixando o jargão comercial fora da conversa”, finaliza.

Por CIO / EUA - Krisitn Burnham

Fonte: IDG Now




Social Media Week discute impacto das mídias sociais

Evento acontece de maneira simultânea em 9 países



A partir desta segunda-feira até sexta-feira, dia 11 de fevereiro, São Paulo recebe o Social Media Week, evento que pretende discutir o impacto das mídias sociais no cotidiano e a maneira como elas influenciam a criação de conteúdo, as relações das pessoas e a noção de relevância quando se trata de assuntos do dia a dia.

Social Media Week acontece simultaneamente em Nova York, São Francisco, Roma, Paris, Toronto, Londres, Hong Kong e Istambul. O evento nasceu com a proposta de ser uma "conferência distribuída", em 2009, em Nova York, com ações acontecendo em vários pontos da cidade com a participação de milhares de pessoas. A programação de São Paulo pode ser conferida pelo atalho http://bit.ly/azndZc
O evento será transmitido online a partir de todas essas cidades e poderá ser visto pelo endereço livestream.com/socialmediaweek. No Twitter, é possível acompanhar o que os usuários falam do evento clicando aqui.

20110202

O que o marketing digital pode aprender com a comunicação das ruas


Por Roberto Tostes


A comunicação natural e instantânea das ruas tem muito a ensinar ao marketing digital que ainda está engatinhando nas suas primeiras ações pela internet.

Muitos anos antes dos “virais” da internet um camelô bom de papo ou de show já fazia sucesso nas esquinas atraindo passantes à sua volta, engolindo facas, mostrando produtos milagrosos ou fazendo piadas com medição instantânea de audiência.

O marketing popular sempre teve origem no gesto teatral, de circo, humor, improviso e intuição. Nenhum lugar tornou-se mais apropriado para esta mídia do que a própria rua, a praça. Demasiado humano, diria Nietzche com sua ironia filosófica.

No mais antigo mercado de rua do Rio, a SAARA, o mascate partia nos anos 40 para o interior com suas mercadorias embaladas em duas caixas enormes de madeira. Todo mês ele visitava um vilarejo, usando uma matraca para chamar a atenção, vendendo produtos, trazendo notícias das grandes cidades e mensagens de parentes e conhecidos.

Com o crescimento urbano desordenado o camelô conquistou seu espaço, como formigas na rua, montando e desmontando barracas portáteis, dia após dia. “Feedback” para eles é poder comprar a quentinha com bife de panela, arroz e feijão. “Conceito” é preço barato e mercadoria boa para vender. “Estratégia” é saber evitar e fugir rápido do rapa. Cliente para eles ainda se ganha na unha e no grito.

O menino no sinal em cima de um banquinho e nariz de palhaço precisa pintar a cara e dar show de malabarismo para ganhar uns trocados.

Nos ônibus o homem-bala sorri enquanto equilibra sua mercadoria, nas curvas e buracos que fazem o ônibus sacudir e frear. Vende o que pode em segundos e mergulha de novo no asfalto.

Nas praias vendedores ambulantes querendo ganhar um lugar ao sol, criam personagens para se tornarem conhecidos e íntimos, usando suas mercadorias como adereços para performances teatrais encenadas em areias lotadas de gente.

Sol a pino ou chuva braba, a web segue crescendo e bombando abrindo suas teias sobre as metrópoles conectadas, e enquanto isso os camelôs, ambulantes, artistas anônimos e meninos de rua continuam ativos e se adaptam aos novos tempos. Como qualquer empreendedor ou start-up eles não querem patrão, querem ser donos do próprio nariz e garantir uma grana no fim do mês.

Marketeiros de plantão, vamos dar um tempo e ficar ligados no que essa comissão de frente vai continuar a inventar para se virar e sobreviver. Para ser criativa e ganhar as gerações x,y,w e z a internet ainda tem muito que aprender com os lances de marketing que acontecem em cada esquina. A internet 4G vem aí, mas o camelô 3D também.

Fonte: Web Diálogos

20110125

Governo quer mais proteção para dados na internet

Por Ludmila Santos

Apesar da previsão constitucional que protege a intimidade dos cidadãos, o Brasil é um dos poucos países com expressividade econômica na América do Sul que ainda não tem lei específica para proteção de informações pessoais em bancos de dados. Atento a essa necessidade, o Ministério da Justiça iniciou em dezembro de 2010 uma consulta pública sobre o anteprojeto de lei que pretende garantir a proteção de dados pessoais, inclusive na internet. Apesar de bastante técnica, a proposta tem sido elogiada, pois deverá regular redes sociais e dados de proteção ao crédito. O desafio, segundo especialistas, é fechar o texto o mais rápido possível, para que possa ser encaminhado ao Congresso Nacional.

O debate sobre a proposta de proteção de dados pessoais está sendo feito por meio de um blog da plataforma pública Cultura Digital. O encerramento da consulta pública estava marcado para o dia 31 deste mês, porém, foi prorrogado para 31 de março. Com a lei, o governo pretende criar um marco regulatório e o Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais para gerenciar o uso e a divulgação de informações como endereço pessoal, número de documento do cidadão, situação de crédito e até os chamados "dados sensíveis", entre eles a opção religiosa e sexual.
Hoje, muitos desses dados são fornecidos ao governo, a empresas ou a sites na internet pelo cidadão e, posteriormente, usados sem o seu conhecimento. Há casos de empresas que vendem ou cedem a terceiros dados pessoais de seus clientes sem autorização. A partir da aprovação da lei, as pessoas terão de dar o seu consentimento para que qualquer empresa ou banco possa utilizar as suas informações. A regra vai valer também para multinacionais.

De acordo com o doutor em Direito Civil Danilo Doneda, consultor do Ministério da Justiça e um dos responsáveis pela elaboração do anteprojeto, a proposta não se baseia na ideia de "silêncio", ou seja, de sigilo dos dados pessoais, mas sim de controle. Numa compra feita a prazo, em que é necessário cadastro do consumidor, a empresa terá de pedir autorização expressa para usar as informações e dizer o que vai fazer com os dados.
"O consumidor tem de ser informado das consequências da compra e o motivo de as informações serem solicitadas. Em compras feitas à vista, ele não precisa informar o quanto ganha, por exemplo. Entendo que este caso fere o princípio da proporcionalidade, pois ninguém pode pedir mais informação do que a necessária", explicou.
Em linhas gerais, o texto estabelece que as informações pessoais somente sejam tratadas com a autorização do próprio titular e para determinado fim. "A ideia básica é dar poderes para o cidadão saber o que está sendo feito com suas informações. Somente o titular da informação pode determinar como ela será usada. Ou seja, esse dado não pode der vendido ou repassado para terceiros, como empresas de recursos humanos." Doneda destacou que o anteprojeto oferece dispositivos gerais para a proteção legal em todos os casos que envolvam armazenamento de dados, seja no ambiente online, nas relações de consumo ou mesmo quando os dados são solicitados pelo Poder Público.
Sem uma lei específica, cada setor regula a proteção de dados de maneiras diferentes, o que gera vulnerabilidade para o cidadão, que acaba por não conhecer seus direitos, e insegurança jurídica para o mercado e o Estado. Nesse sentido, o anteprojeto tem duas vertentes: garantir a proteção do cidadão e a permanência de investimentos no país. "Uma empresa europeia, por exemplo, pode deixar de fazer negócios no Brasil, pois não temos garantias de que informações relativas à empresa ou aos seus funcionários serão protegidas aqui."

Entre as dores de cabeça que um cidadão pode ter com a falta de proteção de seus dados pessoais estão clonagem de identidade, fraude bancária, vazamento de dados ou mesmo discriminação. Doneda informou que há casos de formação de bancos de dados com informações genéticas ou acerca da saúde das pessoas. Esses dados podem ser usados por uma empresa em um processo de seleção de funcionário. "Não estamos falando apenas de privacidade ou intimidade, estamos tratando do direito de liberdade e de dignidade das pessoas."
Com a falta de uma norma específica, em muitos casos o cidadão que se sente prejudicado recorre ao Código de Defesa do Consumidor, que assegura, por exemplo, o direito do consumidor de ter acesso a informações pessoais arquivadas sobre ele e de exigir a imediata correção de dados inexatos. Porém, quando não há relação de consumo, é mais difícil garantir uma reparação. O cidadão precisa juntar uma série de provas e procurar a Justiça, o que muitas vezes é caro e demorado.

Para o advogado Leonardo Palhares, do escritório Almeida Advogados e coordenador do Comitê Jurídico da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, as discussões sobre o anteprojeto de lei são importantes, pois, ao contrário de vários países, o Brasil ainda não tem normas que tratam do assunto. "Na medida em que a proteção de dados trata do direito à privacidade, o país já tem um dispositivo sobre o tema, que é a Constituição. Porém a falta de uma lei específica gera dificuldades na aplicação desse direito constitucional e confusões quanto à extensão da proteção dos dados."
Início

O anteprojeto do Brasil foi inspirado na principal norma da União Europeia que trata de proteção de dados, a Diretiva 95/46/EC. Normas de países vizinhos também serviram de base. Na América do Sul, o Chile saiu na frente, sancionando lei específica em 1999. Em seguida, veio a Argentina, em 2000. No Uruguai, a lei específica do país passou a valer em 2004.

O texto preliminar começou a ser formulado em 2005, a partir de uma pesquisa feita pelo Ministério da Justiça e por uma equipe da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro. O grupo de trabalho estudou normas internacionais e como elas poderiam se encaixar na realidade brasileira. No fim de 2010, o texto foi colocado à disposição para consulta pública na internet. "Esta é uma medida relativamente nova, mas que tem sido utilizada pelo Ministério da Justiça, sobretudo nos assuntos relacionados a tecnologia. Esse é o processo de elaboração de lei no seu formato mais democrático", considerou Palhares.

Por meio do blog, os interessados podem fazer comentários artigo por artigo. Após o término do prazo para consulta pública, os comentários serão analisados pelo Ministério da Justiça e incorporados ao texto, caso o órgão julgue interessante. Só depois ele será enviado ao Congresso Nacional. Para Palhares, apesar de ser um projeto de iniciativa do Executivo, a consulta pública já propicia uma pré-validação do texto.

Penalidades

De acordo com o artigo 41 do anteprojeto, o uso inadequado dos dados pessoais prevê apenas sanções administrativas, entre elas multa, bloqueio dos dados pessoais, dissociação dos dados pessoais, cancelamento dos dados pessoais, proibição do tratamento de dados sensíveis, suspensão temporária de atividade e proibição de funcionamento do banco de dados. As multas podem variar de R$ 2 mil a R$ 6 milhões.

Para Doneda, o fato de o anteprojeto não prever sanções penais não significa que a medida não possa ser incorporada no texto posteriormente. "Na Europa, há normas com dois ou três sanções penais, mas pouco aplicadas, determinadas para deixar claro que algumas irregularidades são mais graves que outras." Ele explicou que as multas são necessárias para que se crie uma cultura de respeito sobre a utilização dos dados. "As empresas e as pessoas precisam entender que o uso indiscriminado dessas informações gera danos. Hoje, ou essas informações são tratadas com pouco caso pelas empresas, pelo governo ou pelo próprio titular, ou há projetos de informática para proteção com falhas."

De acordo com o anteprojeto, o órgão responsável pelo cumprimento da lei será o Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais. A instituição existe em quase todos os países que já possuem normas específicas de proteção. Além de agir como agente fiscalizador, o conselho também receberá reclamações. De forma geral, caberá à entidade elaborar e executar ações da política nacional de proteção de dados pessoais; receber e encaminhar denúncias e sugestões referentes à proteção das informações; e aplicar sanções quando a lei for desrespeitada.

"O órgão poderá fazer inspeções e estabelecer multas, funcionando como uma entidade parajurisdicional, o que evita que as reparações sejam feitas por via judicial. Entendemos que o conselho deve ser um órgão técnico, portanto, melhor preparado para tratar essas questões do que o Judiciário", explicou Doneda. Ele afirmou ainda que os países que não deram poder de sanção pecuniária ao conselho não conseguiram implementar efetivamente o cumprimento da lei. "A multa demonstra a força do órgão."

O Canadá, por exemplo, conseguiu fazer com que o Facebook alterasse sua política de privacidade graças a sua agência de proteção de dados. O site foi obrigado a evitar que as aplicações desenvolvidas por terceiros instaladas em sua plataforma tivessem acesso irrestrito aos dados do perfil de uma pessoa apenas a partir de um consentimento genérico. Também teve de estabelecer instrumentos e regras claras para que seus usuários pudessem apagar sua conta (e não somente desativá-la), e tomar medidas para garantir que os dados pessoais de quem não fosse usuário não acabasse sendo expostos sem seu consentimento.

Apesar de não estar previsto no projeto, o conselho deve ter autonomia administrativa, orçamentária e financeira, uma vez que também vai fiscalizar a atividade do Estado em relação aos dados pessoais. "A composição desse conselho é um tema que está em debate."

Dados sensíveis

De acordo com o advogado Victor Haikal, especialista em Direito Digital do escritório Patricia Peck Pinheiro Advogados, o projeto é bastante inovador, principalmente nas questões que tratam do compartilhamento de base de dados e na divulgação de dados pessoais e sensíveis a terceiros.

"A nossa legislação prevê sanções quando a divulgação de dados pessoais é usada para ferir a imagem, a honra ou a privacidade do cidadão. Mas não há sanções sobre a atividade de se transferir dados de uma empresa para outra. Isso é muito comum na internet. Percebemos isso com as malas diretas que chegam de empresas que nós não conhecemos." Atualmente, segundo Haikal, não existe um prazo de vencimento para que as informações sejam armazenadas e o cidadão só pode obrigar a empresa a excluir suas informações de sua base de dados pela via judicial.

Com relação aos dados sensíveis, nenhuma pessoa poderá ser obrigada a fornecer informação que possa ocasionar discriminação do titular, como origem racial ou étnica, convicções religiosas, opiniões políticas e filiação sindical ou partidária. Também serão consideradas sensíveis as informações referentes à saúde e à vida sexual, bem como os dados genéticos. O texto proíbe que sejam formados bancos de dados com as informações consideradas sensíveis, a não ser em disposição legal expressa. Nesse caso, o consentimento do usuário deverá ser manifestado por escrito.

Haikal apontou pontos passíveis de discussão, como o artigo 32, que diz que "comunicação e interconexão de dados pessoais entre pessoas jurídicas de direito público será admitida nos casos em que suas competências não versem sobre matérias distintas". Ou seja, as cortes e órgãos que tratam de ações cíveis ou criminais não poderão trocar dados pessoais com órgãos especialidades em ações tributárias, por exemplo.

De acordo com o anteprojeto, a comunicação de dados pessoais entre pessoas jurídicas de direito público com competências sobre matérias distintas será admitida mediante expressa previsão legal, sempre no respeito aos direitos dos titulares dos dados ou quando for necessária para a realização das suas competências institucionais. No caso de crianças, a coleta de dados apenas poderá ocorrer com a permissão dos responsáveis legais, além de ser vedado o uso dessas informações para fins comerciais.

Além disso, serão fornecidas informações como: a natureza obrigatória ou facultativa do fornecimento dos dados; as consequências de uma eventual negativa em fornecê-los; o âmbito de difusão das informações. O texto indica ainda a indicação de um diretor responsável pelo tratamento dos dados será obrigatória para as empresas com mais de 200 empregados.

Haikal destacou ainda que o inciso terceiro do artigo 33, que trata da negação do cancelamento do tratamento de dados pessoas pelos responsáveis pelo banco de dado público, não fala sobre atividade criminosa. "Acredito que isso é um descuido, pois prevê certo engessamento de dois órgãos investigativos de obter dados como se fosse uma rede interligada, para proteção da ordem pública."

Demora na lei

A discussão sobre a normatização da matéria ainda é muito incipiente. Não há prazo nem para que o projeto de lei fique pronto. Porém, os especialistas acreditam que, pelo cuidado com que o tema está sendo tratado agora, sendo elaborado por um corpo técnico e discutido livremente com a sociedade, é possível que a proposta chegue mais afinada no Congresso e que, por isso, o projeto seja aprovado com mais facilidade.

Desde 1999, o Congresso analisa o Projeto de Lei 84, conhecido como Lei Azeredo, que trata dos crimes virtuais. Não há consenso sobre a matéria. Haikal avalia que, nesse caso, possa haver uma falta de conhecimento sobre tecnologia dos elaboradores da lei, o que gera insegurança. Porém, pode haver falta de interesse dos parlamentares.

Questão comercial

A proteção de dados, principalmente em ambiente virtual, não obedece fronteiras. Uma coisa é falar de dados que estão guardados numa repartição pública. Outra é tratar de proteção de dados que estão na web. É por isso que, segundo Palhares, a legislação brasileira que vai tratar do tema deve seguir uma tendência mundial. "A legislação tem de ser adequada às práticas internacionais para garantir a segurança nos troca de dados."

A proteção de dados é uma segurança necessária para garantir investimentos no país. A Argentina, por exemplo, sentiu necessidade de se posicionar sobre o tema em 2000, em meio a uma crise econômica. "Os argentinos dependem muito do comércio exterior. Em sua balança comercial, têm quase o dobro de participação de recursos de fora do que o Brasil. Com a crise, o país começou a perder muitas oportunidades, porque não tinha normas específicas", explicou Doneda.

O Comitê Jurídico da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico vai iniciar um longo debate para compilar sugestões que atendam as necessidades da iniciativa privada, por meio da criação de um grupo de trabalho. As reuniões começam nesta semana. Dentre os pontos de preocupação há a forma como será composto o conselho, medida que não foi estabelecida pelo anteprojeto de lei. "O conselho deve ser paritário, com a representação de todos os segmentos da sociedade e com força suficiente para garantir o cumprimento da lei", afirmou Palhares.

Na última quarta-feira (19/1), o comitê se reuniu para discutir os principais pontos do anteprojeto. O evento contou com a participação de Danilo Doneda. "Os representantes das empresas se mostraram bastante interessados e receptivos. O mercado gosta de regras claras, que permitem o cumprimento da lei sem interpretações diferentes. As empresas querem respeitabilidade", comentou Doneda.

Fonte: Conjur

20110124

YouTube vira uma espécie de escola e os chamados tutoriais fazem sucesso

Por Carolina Vicentin

Glauber Rocha falava de cinema quando disse que “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” eram o bastante. A célebre frase, no entanto, parece profecia. Quase trinta anos depois da morte do cineasta, uma ferramenta despretensiosa democratizou a ciência do vídeo e se tornou responsável pela maior parte do tráfego de bits na internet. O YouTube, que fará seis anos em 2011, tem espaço para tudo e, com sua imensa generosidade, acabou criando a política do “faça você mesmo” virtual.

Não há nada que não possa ser aprendido no site: fazer nó de gravata, trança embutida, passarinho de origami, fuxicos de tecido, maquiagem ou trabalhos acadêmicos (com e sem qualidade); instalar programas, tocar instrumentos e como preparar toda sorte de pratos e receitas estão contemplados no site. Isso sem falar nos tutoriais mais curiosos: “Como fazer uma bomba-relógio com bexiga e gelo seco”, por exemplo, já teve quase 100 mil exibições. Bem menos do que os 400 mil views de “Como fazer um homem se apaixonar”.

“Nos últimos anos, as pessoas descobriram que podem produzir conteúdo on-line, seja ele relacionado à história pessoal ou profissional do indivíduo. Isso começou com os blogs, fortaleceu-se com os fotologs e atingiu outro grau de evolução com o vídeo”, afirma Sidnei Oliveira, consultor de tecnologia e especialista em gerações. Sidnei acredita que o YouTube se tornou um padrão para a publicação de conteúdos e que o site deve se fortalecer como um novo canal de comunicação.
A publicitária Priscila Paes soube aproveitar o recém-nascido nicho. Há dois anos, ela publica na rede vídeos em que dá dicas de cabelo e maquiagem, ensinando as internautas a fazer em casa o que, até pouco tempo atrás, só podia ser feito nos salões de beleza. “Eu sempre gostei de maquiagem e procurava na internet informações sobre isso. Encontrava fóruns com comentários e imagens, mas pouca coisa em vídeo”, conta Priscila, que produz os tutoriais sozinha, falando a uma câmera apoiada em um tripé e editando o material.

Hoje, o hobby da publicitária virou profissão. Ela mantém o site www.passandoblush.com.br e um canal no YouTube, tudo com apoio de empresas de cosméticos e acessórios. Os tutoriais de Priscila já foram vistos por cerca de 4 milhões de usuários, que acabam inspirando a realização de novos vídeos. “Eu recebo muitos pedidos, acompanho as tendências e tenho um retorno bastante positivo. As pessoas ficam satisfeitas, percebem que a maquiagem não é um bicho de sete cabeças e que não é mais necessário pagar um maquiador”, diz.

É o que incentiva a designer Virgínia Soares, 27 anos, a consultar o YouTube sempre que o assunto é produção visual. “Eu leio blogs de referência no assunto, mas os vídeos são muito esclarecedores. Se tenho alguma dúvida,

sobre como fazer um olho esfumaçado, por exemplo, é só jogar no YouTube que a explicação aparece”, observa. “Eu passei a usar melhor os produtos de beleza que eu comprava”, completa. Virgínia também usa o site para conferir a opinião de outros internautas. “Sempre presto atenção nos comentários e, se eles não forem bons, não adoto a técnica.”

O esquema colaborativo também estimula Caio Novaes, criador do canal Ana Maria Brogui, em referência à apresentadora da TV Globo Ana Maria Braga. Caio se inspira na preferência dos usuários para montar seus “programas” virtuais. Até agora, criou 15, que foram assistidos por, aproximadamente, 1 milhão de pessoas. “Antigamente, eu apenas colocava a receita na internet, mas percebi que muita gente não fazia o prato por achar que era muito complicado. Então resolvi mostrar que, mesmo alguém sem qualquer experiência, como eu, poderia ter sucesso na cozinha”, explica Caio, que ensina a fazer coisas tão diversas como estrogonofe, prestígio (sim, o chocolate) e uma bebida similar à Smirnoff Ice.

Os programas de Ana Maria Brogui também têm um quê de humor. Em um deles, por exemplo, Caio tenta abrir um coco usando uma faca de cozinha. “A ideia inicial é simplesmente cozinhar, o resto ocorre naturalmente. Gosto de mostrar que uma pessoa toda atrapalhada é capaz de fazer algo bonito, e essa é a intenção. A diversão que o vídeo gera fica como um bônus para quem assiste”, brinca.

Negócio sério

Há tutores, no entanto, que levam a plataforma virtual bastante a sério. É o caso do guitarrista Marcelo Barbosa, que criou o projeto Guitarosofia, uma série de 15 aulas com 10 minutos cada. Marcel contratou um cinegrafista e um editor de imagens para montar o material. “A ideia era dividir um pouco do meu conhecimento com as pessoas que gostariam de frequentar a minha aula, mas não têm condições, seja por questões financeiras ou geográficas”, ressalta. “Ao mesmo tempo, queria divulgar a minha escola e, por que não, o meu nome como guitarrista.”

O músico adota o estilo despojado, falando sem roteiro em frente às câmeras. “A aula é dada como se eu estivesse na frente do aluno, falando naturalmente. Às vezes, até gaguejo ou paro para pensar o que vou dizer”, detalha. A série de Marcelo já alcançou 75 mil exibições e vai virar um DVD. Músicos são, inclusive, um dos grupos mais adeptos aos tutoriais, mesmo os artistas profissionais. O bandolinista Rafael Bandol, 28 anos, assiste a vídeos no YouTube quase todos os dias, não para aprender a tocar seu bandolim, mas para captar detalhes de canções de outros instrumentistas. “O site é uma ferramenta muito importante, dá acesso a informações que não vêm no CD, como a disposição das coisas no palco”, exemplifica.

Para Marcelo e Rafael, os vídeos não substituirão o papel dos professores de música. “Claro que os tutoriais são excelentes, eu mesmo aprendi a editar vídeos e noções básicas de Corel Draw. A grande desvantagem é o fato de não ser interativo”, diz. “Mas eu sou um fã da aula individual e personalizada. O video é um só para todos, enquanto um bom professor conhece seus alunos, sabe os pontos fortes e fracos de cada um e usa isso no processo de ensino”, aponta Marcelo.

Galinha dos ovos de ouro

O YouTube foi criado em fevereiro de 2005 por dois amigos em uma garagem de São Francisco, na Califórnia. Chad Hurley e Steve Chen queriam desenvolver uma ferramenta que facilitasse o compartilhamento de vídeos entre seus amigos, até então demorado por conta do peso dos arquivos. Quase dois anos depois da invenção do site, a dupla vendeu a ideia para o Google por US$ 1,65 bilhão.

Fonte: Correio Braziliense