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20100913

Tome cuidado com o "maltweetment"

Falar mal do chefe é um dos passatempos preferidos do mundo corporativo. Pouco importa se o sujeito é boa praça ou se é encarnação de Mr. Burns, o detestável manda-chuva da série “Os Simpsons”: cedo ou tarde, quem tem a responsabilidade de liderar equipes tende a se tornar alvo das línguas mais afiadas da companhia. A novidade é que, com a popularidade das redes sociais, o alcance da rádio-corredor está se tornando cada vez maior. Hoje, as fofocas e maledicências do trabalho não ficam mais restritas aos corredores da empresa. Elas se estendem para a internet e ganham visibilidade em comunidades virtuais do Orkut, nas redes de amigos no Twitter e do Facebook e até em blogs especializados em malhar chefes – que espalham as informações na velocidade de um clique.

Um dos canais mais utilizados é o Twitter. Hoje, é comum ver pessoas postando microdesabafos – o máximo são 140 caracteres – sobre más condições de trabalho ou situações desagradáveis envolvendo o chefe. A maioria dos posts, claro, são polidos e se resumem a reclamações genéricas ou anônimas: um pedido de folga negado, uma descompostura em um colega, uma tarde com trabalho demais a ser feito etc. Mas alguns usuários vão mais longe e colocam a imagem de suas empresas em xeque.

AMANHÃ monitorou o Twitter durante o mês de junho, em plena Copa do Mundo, e pinçou algumas pérolas nas vésperas dos jogos do Brasil – quando muitos funcionários tentavam encontrar uma maneira de tirar folga. “Quero uma vuvuzela para assoprar na orelha do meu chefe”; “Aguentar meu chefe amanhã, ter de ver aquela careca dele...”; “Receber um e-mail do chefe com trocentas coisas a serem feitas em pleno Brasil x Chile: curto muito”; “Quarta-feira é o dia preferido do meu chefe: ele já teve dois dias pra me f**** e sabe que ainda tem mais dois pela frente”. Foram apenas alguns exemplos colhidos e, evidentemente, todos eles são de pessoas que têm nome e fotos visíveis no Twitter.

Um caso que ficou famoso foi de uma jovem britânica que se identificava somente como Lindsay. No final do ano passado, em um acesso de fúria virtual, ela postou para seus seguidores no Facebook uma mensagem aterradora: “Oh, meu Deus, eu odeio meu emprego! Meu chefe é um pervertido que passa o tempo todo me mandando fazer m**** só para encher o saco”. O detalhe é que entre as centenas de internautas que leram o desabafo estava o próprio chefe de Lindsay, de nome Brian. Conforme o jornal London Evening Standard, que deu ampla repercussão ao assunto, Lindsay acabou sendo demitida por Brian pelo próprio sistema de mensagens do Facebook, minutos depois.

O Twitter e o Facebook são os espaços mais visíveis do “maltweetment” – como vem sendo chamado o ato de maltratar chefes, colegas de trabalho e até mesmo empresas por meio de tweets em redes sociais. Mas há outros canais que proporcionam o “serviço” com mais requinte. O portal Bossrater.com, por exemplo, permite que o internauta avalie o próprio chefe em 50 atributos diferentes, desde o respeito com que trata a equipe até a capacidade de “tornar o trabalho divertido”. A avaliação é anônima e os nomes avaliados são mantidos em sigilo. Mas as notas podem ser enviadas a cada chefe através do próprio site, sem revelar quem atribuiu as notas – o que, em tese, cumpre o objetivo de ajudar os internautas a dar um feedback qualificado aos seus líderes.

Já o portal Ebosswatch.com vai mais longe: mantém um ranking aberto com os 25 piores chefes dos Estados Unidos, todos eles devidamente eleitos por voto popular. Tal como no Bossrater.com, as avaliações são permitidas. A diferença é que os resultados ficam à disposição para todo mundo ver, com nome e sobrenome dos chefes ranqueados, bem como a empresa em que eles trabalham. Até agora, só têm aparecido na lista personagens envolvidos em acusações de assédio sexual. Mesmo companhias reconhecidas por proporcionar bons ambientes de trabalho, como a Basf e o banco HSBC, acabam aparecendo de lambuja nesse ranking indesejável.

Posts inofensivos

Mas, afinal, o que está por trás do “maltweetment”? O que leva as pessoas a utilizar as redes sociais como válvula de escape para as frustrações cotidianas do trabalho? As respostas começam por uma constatação básica a respeito das redes sociais virtuais: para muitos, elas são meras extensões das redes convencionais – que já existiam muito tempo antes de haver internet. “Falar mal do chefe em uma rede social equivale a fazê-lo em um papo de cafezinho. É um comportamento bem conhecido nas empresas. Não há nada de novo aí”, sustenta a consultora Simoni Missel, sócia diretora da Missel Capacitação Empresarial, especializada em gestão de pessoas.

O problema, nesses casos, é que um desabafo virtual não fica restrito à roda de amigos. Ele fica registrado na rede e ao alcance de todos – clientes, fornecedores, acionistas e, é claro, o próprio chefe. Uma pesquisa feita pelo site britânico MyJobGroup, especializado em recolocação profissional, mostra que 70% dos profissionais sequer cogita a possibilidade de ter suas mensagens virtuais monitoradas pelo chefe ou por qualquer outra pessoa da empresa em que trabalham. Para 40% deles, falar sobre o trabalho no Twitter ou em qualquer outra comunidade virtual é uma atitude simplesmente “inofensiva”. Publicado no final de maio, o estudo avaliou as opiniões de mil funcionários do Reino Unido e chegou a uma conclusão interessante: um em cada quatro entrevistados se sentia absolutamente seguro para criticar o chefe na internet.

No Brasil, ainda não há pesquisas muito abrangentes sobre o assunto. Mas os especialistas garantem que o quadro não deve ser muito diferente daquele encontrado em outras partes do mundo. “O brasileiro, de um modo geral, utiliza bastante as redes sociais para aumentar suas conexões, mas muitas vezes o faz com pouca preocupação em relação à privacidade”, atesta Raquel Recuero, doutora em Comunicação e pesquisadora na área de redes sociais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

A profusão de brasileiros na rede, aliás, faz com que alguns casos de “maltweetment” passem despercebidos. Recentemente, o consultor de recursos humanos Álvaro Mello, sócio da Carvalho & Mello, de São Paulo, acompanhou a história de um funcionário que falava mal do chefe no Twitter. Ao descobrir o problema, o chefe adotou uma solução pitoresca: em vez de chamar o funcionário para esclarecer as coisas, decidiu acompanhá-lo anonimamente na rede. “Mas o twitteiro descobriu que estava sendo seguido e então criou outro perfil para despistar. Que eu saiba, não aconteceu nada de grave com ele”, conta Álvaro, que prefere não revelar os nomes envolvidos.

Um dos fatores que motivam o falatório virtual é a falta de um ambiente propício ao diálogo. Companhias fechadas, com códigos de conduta opressores demais, sem espaço para o feedback e para o bom relacionamento entre chefes e subordinados, tendem a ser as primeiras vítimas do “maltweetment”. “Pode ser um alerta de que algo está errado na empresa. Cabe ao líder da área ouvir o que o funcionário tem a dizer. Mas não adianta somente ouvir e não tomar medidas práticas para resolver o problema apresentado”, alerta Ruy Shiozawa, presidente do capítulo brasileiro do Great Place To Work (GPTW), consultoria responsável pelos rankings das melhores empresas para se trabalhar.

A necessidade de falar (e ser ouvido) é característica padrão dos executivos mais jovens, nascidos no início dos anos 80 e que, hoje, começam a bater às portas das grandes empresas. Também conhecidos como Geração Y, eles rejeitam as velhas relações hierárquicas e a lei do “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. O que vale, para eles, é o poder do diálogo, que tem de ser aberto, franco e, de preferência, informal.

Quando a empresa é incapaz de proporcionar esse tipo de interação, crescem as chances de eles buscarem apoio nas redes de amigos das comunidades virtuais – não necessariamente com mensagens elogiosas. “Antigamente, um funcionário insatisfeito, que não recebia atenção, só tinha a opção de ficar incomodado – até o momento em que acabava indo embora. Hoje é diferente: quando necessário, ele busca outros canais para extravasar a insatisfação”, explica Simoni Missel.

Paredão virtual

Há vezes, porém, em que um ambiente aberto e comunicativo é incapaz de conter o “maltweetment”. Um caso emblemático é o do HSBC, reconhecido pela excelência nos processos de comunicação interna. A rede de intranet do banco é mais do que um mero banco de dados. É uma verdadeira central de relacionamento onde todos os funcionários encontram notícias atualizadas, comunicados internos, sistemas de treinamento e até programas de TV. A empresa estima que 97% dos seus funcionários – o equivalente a mais de 23 mil pessoas só no Brasil – utilizam a intranet diariamente. Isso sem contar o “Blog do Presidente”, um diário virtual em que Conrado Engel, principal líder do banco no Brasil, compartilha visões e abre espaço para o diálogo informal com todos os funcionários. Mesmo com esses procedimentos, que se repetem no mundo todo, o HSBC teve três executivos dos Estados Unidos colocados no paredão do Ebosswatch.com.

O HSBC não impõe restrições ao diálogo interno. Cada funcionário tem liberdade para falar o que bem entende – inclusive formular críticas – para seus superiores imediatos. Os executivos americanos do banco foram citados pelos internautas devido a problemas pessoais de conduta que não tinham relação com o sistema de gestão. “Talvez tenhamos pecado ao não ter uma política para redes sociais. Mas mostramos aos funcionários que estamos dispostos a melhorar o que não estiver bom aqui dentro”, aponta Juliana Marques, superintendente de comunicação interna do HSBC. Ela explica que a instituição ainda busca diretrizes mais claras sobre o uso interno de redes sociais – que, em alguns departamentos, é proibido.

Em fevereiro deste ano, a Basf lançou um “manual de diretrizes de mídia social on-line”. Gislaine Rossetti, diretora de comunicação para a América do Sul, garante que a iniciativa não tem nada a ver com o fato de a empresa ter sido citada no Ebosswatch.com. “Esse assunto sequer teve repercussão aqui dentro”, diz. De qualquer forma, Gislaine acredita que é necessário orientar os funcionários na forma de lidar com as redes sociais – e o manual foi criado justamente com esse objetivo.

Até porque algumas dessas redes podem ser úteis para quem trabalha com vendas e outras atividades que demandam agilidade no contato com um grande número de pessoas. “Os funcionários têm opiniões próprias e nós temos de respeitá-las. Mas acredito que é bom ter um direcionador, até para que tenhamos um código de conduta. É preciso ficar claro que, quando estão na internet, eles são porta-vozes da nossa empresa”, sustenta Gislaine.

Repercussão real

Não se sabe, ainda, como as empresas vão reagir ao “maltweetment”. Para muitas, o fenômenos das redes sociais em si ainda é um mistério – tal como mostrava AMANHÃ na reportagem “Perdidas no Ciberespaço”, que foi capa da edição 262 (março/2010). Outras ainda esbarram em uma dificuldade tipicamente brasileira: a de dar e receber feedbacks internos. Aqui, os traços culturais básicos do Brasil, como a descontração, o bom humor e a sociabilidade, não ajudam em nada. Ao contrário: atrapalham. Em linhas gerais, dizem os especialistas, o brasileiro se apega demais aos laços de amizade no local de trabalho – e, por isso, evita comentários mais contundentes sobre seus pares. Portanto receber uma crítica é mais do que uma tarefa indigesta: muitas vezes, é algo que suscita sentimentos de deslealdade e traição. “A qualidade e a quantidade de feedbacks nas empresas brasileiras são muito baixas. Existe, ainda, uma grande margem de intolerância”, atesta o consultor Álvaro Mello.

Se quiserem se manter livres dos detratores virtuais, porém, as companhias brasileiras terão de solucionar esse tipo de problema. A receita é estimular os funcionários a abrir o coração para que suas frustrações apareçam – e sejam tratadas – dentro dos domínios da empresa, e não nos trendtopics do Twitter. Outra medida que também ajuda é estabelecer regras claras de conduta.

“É preciso mostrar que a reputação do funcionário está diretamente ligada à reputação da empresa”, argumenta Andrea Huggard-Caine, membro do comitê de criação do Congresso Nacional de Gestão de Pessoas (Conarh), evento que é realizado anualmente pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH). Andrea ressalta que essas regras têm de ser comunicadas e reforçadas sistematicamente. Sempre com o objetivo de estabelecer um senso de justiça. Se um funcionário prega mentiras ou difunde acusações levianas à empresa ou ao chefe, tem de ser exemplarmente punido. Mas se a crítica é procedente e revela oportunidades de melhoria, vale a pena ser considerada. “O gestor tem de analisar a situação de seus funcionários pelos olhos deles”, destaca Andrea.

A pressão do “maltweetment” serve de estímulo para que as empresas se aprimorem na gestão dos feedbacks, o que também atende a uma reivindicação inerente da Geração Y. Para Andrea, os executivos mais jovens não se satisfazem mais com as velhas pesquisas de clima e nem com as possibilidades abertas pelos sistemas de avaliação 360º. As respostas têm de ser imediatas. “É como se eles quisessem um ‘backtwitter’, uma resposta rápida e imediata para suas frustrações”, compara ela. Para Ruy Shiozawa, do Great Place To Work, as grandes empresas já se deram conta de que é preciso diminuir a distância entre os períodos de pesquisa de clima. Muitos bancos, diz ele, já não fazem mais pesquisas de clima bianuais, como manda a cartilha. “Hoje, alguns preferem fazer avaliações menos espaçadas, de ano em ano e até com acompanhamento trimestral”, garante.

“Bemtweetment”

Para as empresas que já cumprem todos os requisitos do diálogo interno, a dica é explorar o caminho da cumplicidade. Isto é: utilizar a boa relação entre chefes e subordinados para que a exposição da empresa nas redes sociais aconteça de forma positiva. Pelo menos é essa a receita adotada pela Serasa Experian, empresa especializada em análise de crédito. O RH da companhia – que é conhecido como “Departamento de Desenvolvimento Humano” – não restringe o acesso a redes sociais. Ao contrário: estimula os funcionários a explorá-las de forma positiva e segura. Uma das ênfases está em zelar pela privacidade. A Serasa recomenda que os empregados não exponham na internet o nome da escola dos filhos, por exemplo, e que mantenham em sigilo qualquer pista sobre o lugar em que moram, o trajeto que costumam fazer até a empresa etc. Para reforçar a mensagem, a companhia busca referências de posturas inadequadas no YouTube.

“Mostramos que um post, por exemplo, pode prejudicar a imagem do funcionário no mercado e, por isso, defendemos que ele se preserve de possíveis danos”, conta Marília Lomonaco, coordenadora de desenvolvimento humano da Serasa Experian. Também em fevereiro, a Serasa lançou seu manual de instruções para a utilização de redes sociais – chamado internamente de “Política de Orientação ao Ser Serasa Experian nas Redes Sociais”. O livro foi feito em conjunto com as equipes de marketing, TI e segurança da empresa.

A interação não se dá somente na internet. A política de comunicação da Serasa também contempla a premissa de que o líder deve ser o ponto de partida do processo e que todas as informações sejam devidamente comunicadas aos funcionários – mais de 3 mil, no total. Ao assumir a presidência da empresa, em janeiro, Ricardo Loureiro colocou em sua agenda encontros com os gerentes do Brasil e da América Latina.

Durante cinco meses, cerca de 300 executivos se encontraram com ele, alternadamente, em diversas ocasiões – cafés da manhã, almoços, reuniões informais etc. Hoje, Loureiro mantém encontros mensais com cerca de 50 executivos para discutir temas estratégicos que depois são repassados para todos os funcionários. “Nosso propósito é fazer uma comunicação colaborativa, ágil, consistente e transparente. Tudo bem ao estilo da Geração Y”, conta Marília.

“A relação construtiva faz com que o funcionário se comprometa em não malhar seu chefe abertamente. Ele terá uma atitude mais séria, com certeza”, aposta a diretora executiva da consultoria Human Capital, Selma Paschini. Com o devido cuidado, é possível converter o fenômeno em “bemtweetment” – e evitar que os chefes da empresa fiquem com fama de Mr. Burns.

A CARTILHA DO "BEMTWEETMENT"
O que os especialistas recomendam para evitar desgastes nas redes sociais

O que os funcionários devem fazer:

Mesmo que expresse opiniões meramente pessoais, tenha em mente que você representa a empresa na qual trabalha.

Se não tiver certeza de uma informação, solicite orientação superior.

Certifique-se de que a informação é pública e pode ser noticiada.

Seja honesto e transparente no conteúdo que publica.

Escreva apenas sobre o que você realmente sabe.

Associe-se a posicionamentos oficiais da empresa até mesmo indicando links.

Seja cuidadoso ao fornecer informações sobre sua vida pessoal e profissional.

O que os funcionários não devem fazer:

Violar direitos autorais.

Divulgar informações confidenciais.

Comentar assuntos ou rumores de alçada do departamento jurídico.

Falar a respeito de assuntos financeiros, preços e previsões.

Escrever sobre a empresa de forma anônima.

Confiar em termos de responsabilidade – eles não evitam problemas jurídicos.

O que as empresas devem fazer:

Ter uma política clara de comunicação.

Oferecer manuais de conduta em redes sociais.

Manter um clima sempre aberto ao diálogo e às críticas.

Usar as redes sociais de forma positiva – inclusive para os funcionários.

Responsabilizar funcionários que mentirem ou expuserem a marca a constrangimentos.

Diminuir o intervalo das aplicações dos sistemas internos de avaliação.

AS PESQUISAS DE CLIMA FICARAM MAIS VELOZES

As redes sociais não servem apenas como válvula de escape para os maus ambientes de trabalho. Elas também podem ser utilizadas para aprimorar o clima organizacional – com mais agilidade e rapidez que qualquer outro tipo de ferramenta. Essa é a proposta de uma nova ferramenta que o Great Place to Work (GPTW) está desenvolvendo. Responsável por elaborar os famosos rankings das melhores empresas para se trabalhar, a empresa pretende lançar a solução em até um ano. A pesquisa não será tão detalhista quanto as tradicionais avaliações 360º, por exemplo. Mas Ruy Shiozawa, presidente do GPTW no Brasil, garante que a menor profundidade será compensada pela velocidade com que os resultados serão gerados. “Hoje, todos na empresa têm pressa em obter as avaliações. Ninguém quer esperar um longo período para ler os relatórios”, conta.

Usar redes sociais para avaliar funcionários não chega a ser uma revolução. A própria GPTW já usou a intranet de uma empresa para fazer pesquisas sobre determinados assuntos. Obviamente, a maior velocidade das respostas sobre o clima organizacional permitirá que as empresas tenham maior agilidade para tomar decisões e solucionar possíveis problemas internos.
Fonte: Amanhã

Você notou um gap no budget do seu business plan?

É muito comum em nosso cotidiano ouvirmos as pessoas falando algum tipo de expressão em inglês. Já não nos é estranho ouvir alguém dizer que vai a um happy hour, ao shopping, ou comprar um novo notebook. Muitas dessas expressões já foram incorporadas ao vocabulário dos brasileiros, em especial, nos ambientes empresariais. Nas multinacionais, obviamente, mas também nas empresas nacionais. E não é por menos, as línguas não são mais “territorizadas”. Todo o processo de globalização faz com que hoje tenhamos acesso às mais variadas informações e conteúdos nesse idioma. Muitas de nossas referências e de práticas corporativas vêm de fora, assim como programas de computador e outras tecnologias em geral.

E não há problema algum nisso. Irritar-se e negar as expressões estrangeiras abolindo-as do seu vocabulário pessoal, realmente não faz o menor sentido. Ignorar essas tendências idiomáticas seria como nadar contra a maré. O problema, na realidade, reside no “deslumbre corporativo” que se estabelece sobre o uso dessas expressões. O inglês já é uma exigência inegável para o sucesso profissional. Desta forma, em nome do status que esse conhecimento proporciona, muitos profissionais se tornam incapazes de concluir uma frase sem utilizar uma expressão da língua inglesa, como se aquelas palavras fossem completamente intraduzíveis.

"Existem pessoas que, para se valorizar profissionalmente, utilizam um termo com o qual não estão familiarizadas, usando-o inadequadamente"

Esse exagero pode ter como consequência o ruído na troca de informações. O interlocutor pode não compreender e, por vergonha ou insegurança de ser excluído do meio em que está inserido, não perguntar o que se quis dizer. Ou pior, para se valorizar profissionalmente, o indivíduo utiliza um termo com o qual não está familiarizado, usando-o inadequadamente. Se o indivíduo estiver conversando com alguém que entenda menos que ele sobre o assunto ou sobre o próprio idioma, a atitude pode até passar despercebida, mas se por acaso o ouvinte tiver mais conhecimentos acerca do tema, será uma saia justa e tanto.

Esse é o momento de ponderar até onde vai a real necessidade do uso dessas palavras e onde começa o ridículo. Esse discernimento e bom senso de quando utilizar alguma expressão faz toda a diferença entre um e outro profissional.

A tendência é que utilizemos cada vez mais outros idiomas em nosso dia-dia. Há situações que requerem seu uso e não há mais como voltar atrás. O segmento de tecnologia da informação, por exemplo, é rico em expressões norteamericanas. Há casos, inclusive, de profissionais que utilizam o que chamo de VVP, Vocabulário de Valorização Profissional, ou seja, recheiam suas frases de expressões de conhecimento peculiar de certo segmento para conferir se o interlocutor também é detentor de tais conhecimentos.

Não concordo com o uso exacerbado de expressões estrangeiras, mas em alguns casos seu uso é saudável, até porque se brigamos por um mundo globalizado, precisamos conhecer outras línguas e culturas. O que vale, acima de tudo, é o bom senso.
Fonte: Amanhã

20100825

Etiqueta digital corporativa

O advento e a massificação das tecnologias de comunicação e informação – as famosas “TCI’s” – tornou a presença da internet praticamente ubíqua no mundo moderno. A rede mundial de computadores nos acompanha em todos os momentos do dia, desde as horas de lazer até as de trabalho – basta que tenhamos à mão um terminal de acesso. A linha divisória entre a vida profissional e a vida pessoal já não é mais muito clara.

Nesse contexto as redes sociais se configuram como a mais nova “dor de cabeça” do mundo corporativo. O Twitter, por exemplo, o atual “queridinho virtual”, ao mesmo tempo em que se configura como eficaz ferramenta de comunicação empresarial pode ser um grande foco de distração para os funcionários. Sem contar o perigo que a liberdade de exposição de ideias, opiniões e experiências, gera no controle do fluxo de informações.

O segredo para o bom uso é adotar uma postura adequada aos padrões da empresa e, assim, evitar problemas profissionais.

1 - O Twitter é ambiente público
O Twitter é uma ferramenta veloz e tem largo alcance. Por isso, pense bem antes de postar uma mensagem. O que se “twitta” ganha grande visibilidade e a repercussão é sempre amplificada. Estamos expostos, tanto para admiração como para críticas: lembre-se disso.

2 - Opiniões fortes sobre assuntos polêmicos
No Twitter, são naturais as discussões de ideias. É sempre bom, no entanto, tomar cuidado com comentários sobre temas polêmicos – como religião, política e opções sexuais. Cada ser humano tem seus valores e uma opinião extremada pode ferir os valores de alguém. Cuidado com as animosidades desnecessárias.

3 - Cuidado para não ser mal interpretado
Evite muitas abreviações. Apesar do Twitter permitir apenas 140 toques, não é necessário espremer tudo em uma mensagem. Sempre considere o que os demais irão entender. Escrever para si não funciona e pode gerar muitos conflitos. Evite ser mal interpretado.

4 - Fofoca que sufoca
A fofoca nunca é recomendada. Um fofoqueiro dificilmente será promovido por não ser bem quisto pelos demais. Não fale de ninguém. Ninguém ganha pontos ao ficar depreciando uma pessoa. Você acaba sendo visto como aquele que vive falando mal dos outros, e estraga a própria imagem.

5 - Cuidado com os desabafos
O Twitter pode ser usado como um canal pelo qual os profissionais desabafam de modo informal sobre acontecimentos da empresa. Um desabafo pode ser mal interpretado por um colega e, no futuro, ser usado contra aquele que desabafou.

6 - Pense bem antes de escrever informações da empresa
Fique atento - às vezes uma informação simples para você, pode causar sérios prejuízos à empresa. A executiva de uma grande indústria de beleza me confidenciou um caso interessante: ela possui Twitter e “segue” vários profissionais de empresas concorrentes. Certa vez, um comentário de uma dessas pessoas lhe chamou a atenção. De acordo com ela, a concorrente afirmava estar, naquele momento, em um órgão do governo para conseguir autorização de venda de um novo produto. Sabendo disso, a executiva agilizou o processo interno de sua empresa e antecipou o lançamento de um produto similar antes que a concorrência obtivesse tal licença. Sem essa informação, talvez isso não ocorresse.

7 - Foque em informações gerais
Evite escrever informações precisas sobre o que se está fazendo, mesmo que seja essa a proposta inicial do Twitter. Dependendo da profissão, isso pode gerar problemas. Profissionais que trabalham em casa, por exemplo, perdem a credibilidade se disserem que dormiram até mais tarde ou foram passear.

8 - Excesso de exposição
Tenha cuidado ao exibir fotos na web. Nem todas as imagens da última festa na empresa devem ter link no seu Twitter, afinal, alguém pode ver e não gostar (um futuro empregador, por exemplo). Além disso, as pessoas que estão na foto também podem não querer ver suas fotos publicadas na web.

9 - Não fale mal do próprio emprego
Não se deve falar mal da empresa na internet em hipótese alguma. Além de ser horrível, tal atitude acarreta perda de respeito e confiança das pessoas com quem se está interagindo. Claro que um comentário ocasional não vai provocar grandes estresses. Mesmo assim, fique atento. Se não conseguir se “conter“, pense e procure escrever frases muito abertas de forma que ninguém possa ligar os fatos à empresa.

10 - Não ligue para seus críticos
Estamos expostos no Twitter, tanto para admiração, quanto para críticas. Os críticos fazem parte da vida, algo que todos temos de encarar. A única maneira de se evitar críticas é vivendo uma vida isolada – o que, definitivamente não ocorre ao se usar o Twitter. Lembre-se, o comentário que seus seguidores adoram pode irritar outras pessoas e, por mais que tentemos evitar, sempre haverá alguém para nos criticar.
Fonte: HSM Online

20100806

A internet e as eleições

As campanhas das eleições presidenciais de 2010 estão sendo marcadas por algumas especificidades, destacando-se as seguintes:

01.forte polarização entre candidatos;

02.o presidente Lula como um de seus principais protagonistas;

03.a presença da Internet como um dos mais importantes meios de campanha.

Com o crescimento do número de pessoas que tem acesso ao computador, é inevitável supor que a Internet deverá ser um fator diferencial nesta campanha, principalmente se tomarmos como horizonte a campanha de Barack Obama à Casa Branca e a popularização tipicamente brasileira das redes sociais, como Twitter, Facebook, Orkut e blogs de todos os gêneros.

Mas a largada desta campanha se demonstra, até aqui, bastante estéril e imatura. Uma análise feita durante um período de dois meses nos possibilitou auferir, por exemplo, a quantidade e a qualidade das citações a determinadas marcas e nomes, no caso, os candidatos nas redes sociais. Já foi possível constatar a falta de qualificação do debate e dos conteúdos políticos e os ataques gratuitos que vicejam na web.

Parte deste cenário desanimador pode, sim, ser imputado aos próprios candidatos que, se não exortam seus eleitores a esta batalha cibernética insana, também não inibem este comportamento. Os comandos estratégicos das campanhas, afinal de contas, são responsáveis pela qualidade ou a falta dela no debate político-eleitoral.

Há, por trás disto tudo, uma estratégia caótica de guerra em curso, na qual os dois principais candidatos parecem se valer do que no mundo da internet é chamado de "missionários digitais". Este termo, que foi criado para designar os profissionais que dispõem de tempo para promover as empresas na web e que é um bom exemplo de estratégia digital nos EUA, desvirtuou-se por aqui. Nesta lógica, é possível ver militantes na Internet trabalhando para convencer indecisos, acusando adversários e rebatendo críticas no pior exemplo da desqualificação política.

As etiquetas básicas das mídias sociais são na maioria das vezes esquecidas, e um debate de surdos flui surpreendentemente. Parece não se perceber que a Internet é um instrumento singular e poderoso de mediação de conteúdos e que a eficácia de uma campanha depende da combinação da potência do meio com a qualidade do conteúdo.

Um olhar mais próximo da blogosfera mostra que boa parte de seus influenciadores possui algum tipo de ligação com a grande imprensa ou são celebridades. A transmissão das propostas de governo dos principais candidatos está ainda confusa, e isso atrapalha vínculo entre a comunidade web e a qualificação do debate.

As estratégias adotadas nas redes sociais comprovam a percepção de que os presidenciáveis ou os responsáveis por suas campanhas não enxergaram ainda a necessidade de responder a algumas perguntas básicas. Onde meu eleitor está? Quem ele influencia? Por quem é influenciado? Como ele usa as tecnologias do ponto de vista da política? Ele apenas assiste a conteúdos, compartilha com os outros, comenta, cria ou modera comunidades? Que tipo de ações específicas deveriam ser usadas para cada grupo? Como responder a acusações infundadas? Como propagar minhas ideias de forma eficiente e sintética?

Um breve comparativo entre as "tags" "José Serra", "Dilma Rousseff" e "Marina Silva" na blogosfera, num período de 30 dias (até 14 de julho), mostra que o primeiro foi responsável por 44.5% das menções, a segunda, por 39.33% e "Marina Silva" por 16.20%. No dia 30 de junho, o termo "José Serra" alcançou mais de 3.000 menções no Twitter. O anúncio do vice Índio da Costa foi bastante responsável por esse buzz. Já a comparação entre as expressões "José Serra", "Dilma Rousseff" e "Marina Silva" na twittosfera, num período de 30 dias, (também até 14 de julho), o primeiro é responsável por 46.4% das menções, a segunda, por 21.9%, e o termo "Marina Silva", por 31.8%, com 27.509, 12.984, 18.854, respectivamente. Um pouco menos de 1/4 das citações sobre Dilma Rouseff no Twitter são relacionadas ao presidente Lula.

Além dos EUA, mais recentemente, Inglaterra e Colômbia vivenciaram intensa campanha política pela Internet. Nestes países foi possível verificar que, muitas vezes, a Internet pautou o debate transbordando a discussão para bares, escolas e casas, algo que até agora não vem ocorrendo no Brasil. Parece que será mais bem-sucedida a campanha que souber escrever este roteiro e quem apostar principalmente nos jovens, que são os mais conectados.

Os jovens mais escolarizados são grandes influenciadores na sociedade. Eles têm na rede mundial uma fonte inesgotável de pesquisa e informação e, nesta eleição, este processo não será diferente. Indiretamente, a internet se tornará um veículo de comunicação política para pais, familiares, colegas de classe, amigos, entre outros. A dica é seguir o comportamento destes jovens em vez de seguir a tecnologia de forma obstinada e sem critérios. Os jovens se importam com o que pessoas da mesma idade e comunidade pensam, e o bom debate político terá mais espaço entre eles do que com qualquer outro público internauta.

Como nenhuma outra, esta eleição tem um caráter de experimentação devido à popularização da internet nos últimos anos. Erros serão normais, mas o inadmissível será a perda do pudor, das boas maneiras e da inteligência. Talvez a maior contribuição deste fenômeno seja a inevitável introdução da escuta estratégica do eleitorado, que, com o advento da web social, passou a fornecer pistas e informações vitais na condução de uma campanha e de projetos políticos. Mudanças de rota, coisa que antes levaria dias para acontecer, a internet levará segundos para mostrar a necessidade da adoção de táticas diversas e eficazes. Perderá quem não perceber que o online também constitui o real. Até mesmo na política.
Fonte: iMasters

20100723

O que seu aperto de mão diz sobre você?

Você conhece uma nova pessoa. Aperto de mão.

Você fecha um negócio. Aperto de mão.

Você parabeniza um funcionário, amigo ou chefe. Aperto de mão.

Tão presente no mundo corporativo, o aperto de mão é um dos elementos cruciais para formar uma primeira impressão. E até agora eu nunca tinha ouvido falar sobre uma pesquisa acerca de apertos de mão. Até agora.

Cientistas da universidade de Manchester realizaram uma pesquisa em busca do aperto de mão perfeito e encontraram uma fórmula matemática que leva em consideração 12 variáveis. As que mais se destacam ou pesam na interpretação de um aperto de mão são: 

  • O vigor (ou força) do aperto de mão,

  • a temperatura das mãos e

  • contato visual.
Consequentemente os fatores que mais impactam negativamente em um aperto de mãos são: 

  • Falta de contato visual,

  • mãos suadas ou úmidas,

  • mãos molengas ou frouxas,

  • força excessiva no aperto.
Geoffrey Beattie, Chefe dos pesquisadores, disse que acha incrível uma interação humana tão comum e utilizada no mundo nos negócios a milhares de anos nunca tenha tido um estudo aprofundado e dá dicas para um bom aperto de mão: 
  1. Use a mão direita,
  2. obtenha uma pegada completa e com leve firmeza,
  3. mãos na temperatura ambiente (nem frias nem quentes) e secas,
  4. não mais que três balanços,
  5. mantenha o contato visual e um sorriso agradável,
  6. tenha um discurso (leia-se cumprimento verbal) de acordo com a situação
  7. o aperto de mão não deve durar mais de três segundos.
Fonte: Você S/A

20100715

Gentileza gera gentileza

Ainda bem que o protesto da cantora Marisa Monte na música Gentileza, do CD Memórias, Crônicas e Declarações de Amor, lançado em 2000, é coisa do passado. Um dos trechos da canção diz: “Apagaram tudo/Pintaram tudo de cinza/A palavra no muro/Ficou coberta de tinta”. Para quem não sabe, a cantora estava se referindo aos poemas de José Datrino, popularmente conhecido como Profeta Gentileza, que foram apagados pela Companhia Municipal de Limpeza Urbana (COMLURB), do Rio de Janeiro. Durante os anos 80 até sua morte, em 1996, Gentileza colocou vida, pintou letra por letra e deixou mensagens simples de sabedoria em 56 pilastras no viaduto do Caju, que vai do cemitério do Caju até a rodoviária Novo Rio, numa extensão de, aproximadamente, 1,5 km.

Este é o profeta Gentileza que gera gentileza com amorrr e paz para um Brasil e um mundo melhor. Meus filhos não usem problemas usamos a natureza. (Frase original extraída da pilastra número três)

Ele escrevia numa altura em que suas palavras pudessem ser apreciadas pelas pessoas que passassem de ônibus pela região. Talvez sem premeditar, ao numerar as pilastras Gentileza acabou formando uma espécie de livro urbano. “Cada um dos murais não se encerra em si mesmo como um quadro isolado”, explica o amigo Leonardo Guelman, autor do Livro Univvverrsso Gentileza, (ed. Mundo das Ideias). Com o passar dos anos, os murais foram danificados por pichadores, sofreram vandalismo e o resto da história você já conhece. Felizmente, a ação da COMLURB gerou críticas e, com a ajuda da prefeitura, foi organizado o projeto Rio com Gentileza para restaurar os murais das pilastras. No início de 2000, a restauração foi concluída e o patrimônio urbano carioca preservado.

Desde o final de abril, após dez anos de desgaste, quatro artistas plásticos iniciaram uma nova restauração, a partir da pilastra número um, no km zero da Avenida Brasil. Era desse ponto que Gentileza dava as boas-vindas a quem chegasse à cidade maravilhosa. “A emoção dessa conquista é que a mensagem de Gentileza está sendo cada vez mais difundida, se espalhando pelo imaginário das pessoas”, esclarece Dado Amaral, autor de dois curtas-metragens sobre o folclórico profeta: Gentileza, em 1994, e Porr Gentileza, em 2002.

VOZES DO ALÉM

Afinal de contas, de onde surgiu esse homem que se fundiu à paisagem carioca? Datrino nasceu em 1917, na cidade de Cafelândia, no interior de São Paulo. De família humilde, trabalhava na terra e com a lida de animais. Desde menino, puxava carroça vendendo lenha nas proximidades. O campo o ensinou a amansar burros para o transporte de carga. Tempos depois, como profeta Gentileza, se dizia “amansador dos burros homens da cidade que não tinham esclarecimento”. Com 13 anos, passou a ter premonições sobre sua missão na Terra. Com 20 anos, desembarcou no Rio de Janeiro, onde se casou, teve cinco filhos e trabalhou na área de transportes de carga.

Em 1961, um episódio trágico mudou definitivamente os rumos de sua vida. Perto do Natal, um incêndio de grandes proporções destruiu o Gran Circus Norte-Americano, em Niterói (RJ), matando mais de 500 pessoas, a maioria crianças. Logo após o episódio, associando a queima do circo à metáfora do incêndio do mundo e alegando ter escutado um chamado, deixou tudo para trás e decidiu viver de e para a gentileza.
Fonte: Planeta Sustentável | Abril

20100630

Entre o gift e a gafe. Entre o luxo e o lixo.

Por Marina Pechlivanis

Como acertar numa ação de gifting? Um gift está sempre associado a modas, modismos, tendências, de acordo com cada grupo social onde são produzidos, desejados, trocados, adquiridos, experimentados, vivenciados. Não por acaso, as ações de gifting estão sempre contextualizadas e se referem a um determinado design que permite sua interpretacão e torna um objeto ou experiência desejáveis.

Para Adrian Forty (Objetos de desejo. Design e Sociedade desde 1750), “A história do design é também a história das sociedades: qualquer explicação de mudança deve apoiar-se em uma compreensão de como o design afeta os processos das economias modernas e é afetado por elas”. Isso ocorre por que “O design tem a capacidade de moldar os mitos numa forma sólida, tangível e duradoura, de tal modo que parecem ser a própria realidade”.

Sofisticando o design, esses objetos de desejo podem referir-se também a luxos, pequenos ou grandes. E a marcas e grifes, que tem o poder de transformar os desígnios de objetos e sensações. Em seu estudo sobre Jovens e o consumo de grifes, Marcos Rodrigues de Lara reforça que “O luxo das grifes é uma construção social: não existem grife de luxo, existe sim o conceito do que se constitui uma grife de luxo. Portanto, o valor e o significado não se localizam no objeto em si, e sim na linguagem que o circunda, de maneira que o encanto não está no objeto consumido, porém nos olhos de quem o consome”.

Assim, “A palavra luxo, nesta concepção, está no lugar de outras tantas que os sociólogos, de forma extensa, já abordaram como fatores de diferenciação entre as pessoas: status, prestígio, elegância, sofisticação, moda, estilo, distinção (…)”, pois “Cada objeto envia uma mensagem e representa um espaço determinado das relações sociais”.

Esse luxo deve ser visto com parcimônia, pois é relativo. Ter uma caneta de plástico vermelha com a marca de um refrigerante pode ser um luxo em um lounge de um evento badalado de moda para o “high society” e pode ser algo sem valor percebido para os funcionários de chão de fábrica da empresa. O que é desejável agora pode não sê-lo em algumas semanas, e essa máxima direciona o luxo a uma certa exclusividade que rege um sistema de desejos, o “querer, desejar, possuir” aquilo que nem sempre se compra. Esse ritual é regido por um certo “sistema de acessos” movido por experiências de gifting: ter acesso a eventos especiais, pré-estreias, lançamentos, descontos, gifts… E não há um único modelo vinculado a um único espelho de divisão social; há inúmeras fórmulas que se adequam a diversas tribos às quais, de uma forma ou de outra, todos pertencem.

Jean Castarède aprofunda o raciocínio afirmando que os “objetos” de luxo funcionam como diferenciadores sociais e ingressos de pertencimento aos signos de determinada tribo, adquirindo-se símbolos que ultrapassam a interpretação objetiva e permitem a entrada em um universo mental. E foca na realidade brasileira: “O desejo de pertencer a um universo mais sofisticado e exclusivo é latente no mundo inteiro, mas o brasileiro não só está mais disponível como é suscetível a toda nova iniciativa”.

Para ilustrar a tênue linha que separa gifts de gafes ou luxos de lixos em uma ação de network, convido Almir Soares, diretor geral da Holofote Comunicação, cuja vivência entre clientes, jornalistas e formadores de opinião construiu um rico repertório de cases no tema.

MP: Gifting e relações públicas. Como você vê esta parceria?
AS: A dobradinha, que vale lembrar, existe há décadas, é um namoro eterno. Apesar da nova terminologia, o gifting funciona para o RP como sua principal ferramenta da trabalho; é o responsável por fazer as relações acontecerem...e se bem planejado e idealizado, se fortalecerem. Com expertise em aplicá-lo, o RP tem 80% de chance de sucesso em seu network. E praticá-lo é uma arte, afinal, presentear - pura e simplesmente - é coisa que reservamos para reuniões com amigos e família.

MP: Na imprensa, nos eventos, no relacionamento com a imprensa há sempre um cerimonial. Qual o papel de um gift nestes processos?
AS: O foco principal é fazer o convidado lembrar que fez parte do evento, o jornalista ter na memória a referência de uma marca e o próprio cliente guardar o gift como um mimo que marcou o sucesso de sua ação. No evento de lançamento do sabão em pó da Bombril, por exemplo, todos os convidados levaram para casa um mini-ferro de passar roupas - que além de ser um gift funcional -, remetia indiretamente ao produto em questão, afinal, após uma roupa bem lavada, passá-la é o que vem logo a mente. E aí vale a dica...em se tratando de gift, fuja sempre do óbvio...deixe as idéias viajarem!

MP: Acertos e erros nos rituais de trocas — quais os cases que ficaram na sua memória?
AS: Existem vários, mas o Prêmio Deca Um Sonho de Banheiro é um ótimo exemplo da ideia que deu certo. Anualmente é escolhida uma louça do portfólio de produtos para ser miniaturizada e entregue aos presentes na festa, que tornou-se objeto de desejo. Hoje, 8 anos após termos assumido a realização do evento, esses gifts transformaram-se em artigos colecionáveis, os convidados já chegam sabendo que terão mais uma mini-louça para sua coleção.

Outro grande sucesso foi o megaplano de ações que realizamos para os 40 anos da DPZ. No dia da festa de comemoração, todos os funcionários que chegavam se deparavam com uma enorme caixa vermelha com a logomarca da agência em suas mesas, que em seu interior continha três taças com as letra D, P e Z, além de uma convite para festejar após o expediente. A festa, que recebeu parceiros e clientes, foi notícia nos quatro cantos do país e o resultado final foi o lançamento do livro de 40 anos da DPZ, que trazia os maiores cases da agência e os registros do gifting assinado pela Holofote.

Sobre erros, acho que foram ínfimos ou nem existiram, mas na inauguração da Petroquímica PoliBrasil, primeira solenidade do recém-eleito Presidente Lula, idealizamos um cristal com imagem jateada a laser, que na época precisou ser confeccionado na Rússia, único lugar no mundo que aplicava a técnica, e foi um verdadeiro alvoroço que encantou a todos. Hoje o produto pode ser encontrado em qualquer lugar, já não é aquela lembrança exclusiva que tanto almejamos...mas mesmo assim acertamos em trazer com ineditismo para o Brasil um produto que hoje é referência em decoração.

E, é claro, um dos cases que irá sempre morar no coração, que é a já famosa caixinha vermelha da Holofote, que virou marca registrada e é conhecida por jornalistas, mídias, clientes, parceiros, amigos...Simples e adequando-se as mais variadas situações, ela é usada para presentear, agradecer ou simplesmente tornar o dia mais colorido. Enviamos as caixinhas em aniversários repletas de doces que mudam a cada ano, em datas comemorativas como o natal - que já teve versões com luzinhas pisca-pisca e bolinhas -, em festa juninas com muitos estalinhos e até para papais e mamães ainda na maternidade, com pirulitos em forma de chupetas. Hoje em dia, ao receber uma de nossas caixas todos já sabem que vem coisa boa pela frente!

Achou que fosse fácil? Planeje. Estude. Entenda. Pois depois que a gafe passa, sabe o que fica? Dicas, idéias, cases, sugestões? Gifting@umbigodomundo.com.br
 Fonte: AMPRO

20100615

Quem com #FAIL fere, com #FAIL poderá ser ferido!

Precisamos de EDUCAÇÃO 2.0, que nos dê o FALAR 2.0 e OUVIR 2.0 de forma ÉTICA. 
 
Por Martha Gabriel

Não é novidade alguma o fato de que as redes sociais digitais deram voz aos indivíduos. Todo ser humano pode hoje, virtualmente, falar o que quiser e de diversas maneiras. Por um lado isso é excelente, pois dá vazão à liberdade de expressão. Por outro lado isso pode ser terrível, porque infelizmente, muitas vezes, a liberdade é confundida com libertinagem!

A liberdade está intimamente associada à responsabilidade. Não se pode ser verdadeiramente livre sem assumir a responsabilidade decorrente dessa liberdade. E de todas as liberdades que podemos ter, acredito que a liberdade de expressão é a que mais revela uma pessoa - seu pensamento, seu caráter, suas atitudes, sua educação, seu coração. Tem uma frase que gosto muito, que diz:

"Não há nada que melhor defina uma pessoa do que aquilo que ela faz quando tem toda a liberdade de escolha." -- William M. Bulger

Pois bem, agora as tecnologias digitais interativas deram às pessoas a liberdade pra escolher o que falar, como falar e onde falar, à vontade. As pessoas ganharam voz, indubitavelmente. Mas ter voz não é suficiente para se construir uma comunidade de livre expressão, é preciso aprender a falar. Falar, no contexto social, de alguma forma está sempre ligado a se relacionar, e relacionamento envolve ética. Será que estamos esquecendo ou será que não aprendemos ética? Isso mesmo, ética - a palavra mais importante no relacionamento humano. Desde a antiguidade, a preocupação ética sobre o que se fala é tratada em textos, contos, histórias.

A palavra tem poder tanto para construir com para destruir. O famoso texto "As Três Peneiras", atribuído a Sócrates, recomenda que qualquer assunto antes de ser falado deva passar pelas peneiras (filtros) da verdade, a bondade e a necessidade. Acredito que as duas últimas peneiras (bondade e necessidade) estão sujeitas ao entendimento de cada coração e de cada mente. No entanto, a primeira peneira não é primeira à toa - a verdade é a responsabilidade da liberdade de expressão. Ela está sujeita à lei, sim, mas acima de tudo, falar algo que não é verdade e que afete alguém é anti-ético. E isso, nas relações humanas, é mais importante do que a lei em si.

No paradigma das mídias tradicionais, apenas alguns têm voz e o poder de falar. Já no paradigma das mídias sociais, todo mundo pode falar, quando, onde e como quiser, inclusive criticar. As pessoas criticam muito e isso faz parte da natureza humana. Veja a quantidade de #FAIL que é dada a cada minuto no Twitter. Não que a crítica não seja uma coisa boa. Ela é! E muito importante para a melhoria de processos e pessoas.

Um #FAIL bem dado, baseado na verdade, é sempre uma oportunidade para se resolver problemas, para melhorar. Sempre digo que aprendi e me desenvolvi muito mais com críticas do que com elogios. Uma crítica bem feita pode ser também caminho para se alcançar a justiça. No entanto, uma crítica mentirosa, maldosa ou injusta, pode causar danos desastrosos. Uma crítica, para ser boa e positiva, precisa ser fundamentada, baseada na verdade - a primeira peneira de Sócrates. Se puder se basear também na bondade e utilidade, maior será o seu valor.  No entanto, nesse coral de empossados de voz via mídias sociais, é triste ver a quantidade de pessoas que criticam com veemência, sem base verídica alguma, e muitas vezes também sem bondade e utilidade.

Penso que, se por um lado quem tem voz precisa falar com ética, por outro lado precisamos também aprender a ouvir, a afinar os ouvidos para validar a informação e saber a quem ouvir - ouvir com ética também. Creio que com o tempo, as pessoas aprenderão a discernir entre o que se deve ou não ser ouvido, acreditado. Esse processo servirá para auto-regular as redes sociais digitais, do mesmo modo que nos auto-regulamos nas redes sociais presenciais. Acredito na educação como base e solução para uma sociedade ética, e penso que o único modo de minimizar a avalanche crítica que entope de #fails descabidos e besteiras as mídias sociais, é educando. Já temos TECNOLOGIA 2.0, que nos deu VOZ 2.0. Precisamos de EDUCAÇÃO 2.0, que nos dê o FALAR 2.0 e OUVIR 2.0 de forma ÉTICA.

Apesar dos estragos causados nas mídias sociais devidos à falta de educação e ética, acredito que existe um lado muito interessante nesse processo: quando alguém se expressa livremente, está se revelando amplamente. Assim, o que se fala, pode depor a favor ou contra quem fala. Quando se age de forma antiética, não é apenas ao outro que se está atingindo, mas a si próprio - revelando o tipo de ser humano que se é realmente. Algumas vezes, uma pessoa que dá um #FAIL pode estar, na realidade, mostrando que #FAIL é ela. Fazendo uma analogia com a frase de Carrie Fisher, é como beber veneno e esperar que o outro morra.

Antes de escrever o próximo tweet, pense não apenas no assunto que ele diz, mas, principalmente, no que ele diz sobre você ;-)
 Fonte: Cidade Marketing

20100526

Dicas de etiqueta ajudam internauta a evitar vexame nas redes sociais

Por Maurício Kanno
 
As redes sociais como Orkut, Facebook e Twitter são importante fonte de contatos e plataformas para conversas. Mas, tal qual no mundo off-line, você pode incomodar muita gente por lá sem perceber. 

"Isso é um traço pessoal. Não é a internet que faz isso com uma pessoa", explica Cristiano Nabuco, 47, psicólogo e coordenador do projeto Dependência de Internet, no Instituto de Psiquiatria da USP. 

Acontece que, "como o indivíduo fica 'protegido' pela tela, ele se sente mais livre para colocar vontades e estilos de comportamento para fora, exercitar papéis diferentes", diz o psicólogo. 

Carlos Seabra, 55, coordenador editorial sobre educação na TV Cultura e consultor de projetos em internet, completa: "Um sujeito que só fala abobrinhas numa mesa de boteco vai incomodar três ou quatro pessoas; no Twitter, milhares. Incluindo eventuais freiras e outras senhoras." 

Pensando no bem-estar de seus amigos, a Folha Online separou algumas dicas para fazer bonito na internet. Tome nota: 

Não obrigarás os amigos a fertilizarem tua 'fazendinha'
 
Não é porque você adora um aplicativo ou comunidade do Facebook ou Orkut que todos os seus amigos também vão gostar. Pense nas pessoas adequadas quando for pedir ajuda na fertilização de sua plantação virtual, convocar para entrar em uma causa ou mesmo exibir sua condecoração no game Mafia Wars.
Se não houve retorno positivo ao convidar pessoas para algo, não insista. E tenha paciência: no telefone, a resposta é imediata; na internet, nem sempre os outros terão a mesma disponibilidade --ou interesse-- que você tem para participar de certas atividades e conversas. 

Não falarás em vão sobre qualquer assunto
 
Publicar comentários no Twitter sobre qualquer tema, só pelo hábito ou para responder a alguma moda do momento, pode não ser uma boa ideia. Seus seguidores podem preferir algo mais interessante ou útil.
Se o seu seguidor não conhecê-lo pessoalmente, vai simplesmente parar de segui-lo. No entanto, se ele for seu amigo fora da internet, pode se sentir mal em parar de te seguir no Twitter e vai aguentar textos chatos só para não te magoar. 

Honra teu nome
 
Antes de publicar uma mensagem, lembre-se: falar é diferente de escrever. Vai ficar gravado, e depois poderá ser usado contra você.
Pense também no público que vai ler. Às vezes, seria adequado que uma só pessoa lesse seu texto, e não o mundo inteiro. 

Lembra-te do grupo para o qual estás falando
 
Cuidado ao mandar a mesma mensagem para mais de um e-grupo (grupos de discussão) ou comunidade. Se forem de temas parecidos, vários dos participantes podem participar de ambos os grupos e acaba ficando chato receber textos repetidos.
Exagerar na divulgação de um evento, ideia ou fato pode ser considerado "spam", o que irrita as pessoas e causa o efeito contrário ao desejado: desgosto pelo que se está divulgando --e por quem divulga. 

Adequarás teu discurso
 
Ao participar de uma comunidade, veja se seus textos serão adequados.
Assim como você não entraria em um festa de gala de bermuda e camiseta regata, você também não seria bem visto se disparasse mensagens sobre música sertaneja ou funk em um grupo de rock. Ou se publicasse textos anticientíficos em um grupo que preza exatamente isso.
Por outro lado, quando for conversar privativamente com alguém --fora de grupos--, não crie estereótipos: não é porque você conheceu a pessoa em um ambiente esotérico, que ela só vá se interessar por esse assunto. 

Não queimarás o próprio filme
 
Seja educado, assim como se espera fora da internet. Evite discurso preconceituoso, arrogante, insultos e escrever sempre em maiúsculas --correspondente à gritaria na internet.
Ao expor uma opinião, justifique. Outros poderão pensar de forma diferente sobre seu assunto, mas só terão como rebater de maneira civilizada a partir dos motivos de cada um.
A distância e possível anonimato na internet não podem ser usados como pretexto para criar um ambiente ruim. 

Não criarás fakes
 
Você pode ser fã de alguém, como um astro do cinema, e querer imitá-lo; ou ainda cobrir seu perfil de expressões, fotos e estilos que estão na moda. Mas isso arrisca irritar seus amigos por causa das cópias: seja autêntico e não crie fakes (perfis falsos de outros).
Procure agir na rede com o mesmo comportamento que você tem pessoalmente. 
Fonte: Folha Online